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Paulo Casaca

O BANHO DE SANGUE IRANIANO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA O BANHO DE SANGUE IRANIANO

 

Finalmente, quase dez dias depois do início dos confrontos ‘Le Monde’ fala-nos de um banho de sangue no Irão. De acordo com a informação produzida pelo ‘Conselho Nacional da Resistência Iraniana’ datada de dia 26, o número de vítimas mortais aproxima-se do meio milhar, os feridos ultrapassam os quatro milhares e os presos são mais de dez mil.

Sobre tudo isto o parlamento português fez um silêncio total decidindo antes solidarizar-se com a ‘Jihad Islâmica’ alvo de um ataque de Israel no dia 11 de Novembro, num texto onde a realidade é profundamente distorcida. A Jihad Islâmica, como o nome indica, partilha da mesma ideologia que as congéneres da Al Qaeda, ou do Estado Islâmico e partilha também dos seus métodos com muitos ataques terroristas sobre a população civil que causaram inúmeras vítimas mortais.

Apoiar ou desculpar uns e condenar outros apenas porque uns se especializam a matar judeus e outros visam também ocidentais é humanamente inaceitável e só é compreensível à luz de preconceitos antissemitas.
Em qualquer movimento militar é essencial preservar tanto quanto possível a via humana, e por isso mesmo, me insurgi perante os bombardeamentos indiscriminados feitos sobre as cidades sírias pelas forças russo-iranianas, como também me insurgi sobre a forma como as forças regulares iraquianas e milícias dirigidas pelo Irão com cobertura aérea americana conquistaram Mossul ao Estado Islâmico provocando muitos milhares de vítimas civis.

Posto isto, quem olhar de forma equilibrada e imparcial para os factos tem de concluir que Israel é, em toda a região, o país com a força militar que mais atenção dá à minimização das vítimas civis e que toma mais medidas disciplinares em caso de abuso.

A ‘Jihad Islâmica’ há muitos anos que é comandada pela teocracia iraniana que a financia e forneceu os cerca de quinhentos mísseis que disparou este mês sobre Israel a partir de Gaza. Que o PCP apoiado pelo BE lance assim esta manobra de diversão sobre o banho de sangue iraniano é algo de esperar por parte das forças políticas que no Parlamento Europeu se recusaram a condenar as violações dos direitos humanos no Irão numa moção votada massivamente por este.

Que o PS apoie esta descarada manipulação iraniana da realidade, isso é indesculpável e inaceitável.

Olhão, 2019-11-27
Paulo Casaca

Paulo Casaca

PARLAMENTO PORTUGUÊS CONDENA MASSACRE NO IRÃO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA PARLAMENTO PORTUGUÊS CONDENA MASSACRE NO IRÃO

 

Por iniciativa da senhora deputada Cecília Meireles e do seu grupo parlamentar, no dia 29 de Novembro, o Parlamento português decidiu:

‘1. Demonstrar o seu pesar pelas pessoas mortas nos confrontos ocorridos nas últimas semanas no Irão;

2. Condenar os excessos cometidos na repressão para travar os protestos’

Usando fontes oficiais e balanços de vítimas disponíveis na altura que foram infelizmente muito ultrapassados por estimativas oficiais; o Departamento de Estado dos EUA estima que o número de vítimas ultrapasse o milhar, o parlamento português cumpriu assim o seu dever.

Perante um texto politicamente anódino e que se fica pelos mínimos humanitários, há que registar que a unanimidade da câmara foi quebrada pelo PCP e pelo BE que votaram contra o voto, cimentando assim a sua posição de extremo alinhamento com a teocracia iraniana que já tinham manifestado no Parlamento Europeu, dissociando-se então de um texto que condenava há uns escassos meses, de forma suave, a misoginia do regime iraniano.

Se a posição do PCP não é surpreendente, e está em perfeita sintonia com o seu permanente alinhamento político com Moscovo, que é internacionalmente o principal apoio da teocracia iraniana, o mesmo não se pode dizer do BE.
A hipocrisia deste partido não tem limites. Entre nós pretende assumir-se como a vanguarda de todos os movimentos, nomeadamente do dos direitos das mulheres, mas no Irão revela-se como favorável ao apartheid de sexo e à violação dos seus direitos mais elementares. Entre nós pretende ser pelo direito dos trabalhadores, mas no Irão considera apropriado que estes sejam massacrados a rajadas de metralhadora se reivindicarem os seus direitos.

Que explicações apresenta o BE para esta vergonhosa atitude? Será que como já ficou comprovado no caso dos seus homólogos espanhóis do Podemos, o BE depende do maná financeiro irano-venezuelano? Ou trata-se antes de puro racismo que considera que as mulheres e os operários iranianos não têm o direito a ser tratados como seres humanos?

O que é para mim cristalino é que estamos perante um movimento de extrema-direita pintado de vermelho, algo que quem quer que se inscreva nos padrões essenciais do que eu considero ser a esquerda tem de rejeitar de forma liminar.

Se considerei em 2015 a geringonça um expediente temporário apropriado a mudar um rumo político rejeitado pela maioria dos portugueses, penso que não é possível transformar o expediente em mecanismo permanente. Um partido democrático e humanista não pode depender de partidos contrários aos valores essenciais da vida humana.

Bruxelas, 2019-12-11
Paulo Casaca

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A OTAN AOS SETENTA ANOS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A OTAN AOS SETENTA ANOS

 

Celebraram-se esta semana os setenta anos do Tratado do Atlântico Norte, tratado do qual Portugal é membro fundador. Aliança surgida na esteira da ‘Carta do Atlântico’ negociada entre Churchill e Roosevelt ao largo da Terra Nova em 1941, a OTAN é a organização de defesa melhor sucedida da história contemporânea.

Se a carta do Atlântico foi pensada no quadro do confronto com o expansionismo nazi-fascista – havia mesmo então a esperança de poder vir a contar com a presença nesta da União Soviética – a OTAN iria claramente ter como alvo o expansionismo soviético, lógica que continuou a prosseguir mesmo quando o quadro geopolítico se alterou profundamente com o colapso soviético e a revolução islâmica que catapultou o fascismo islâmico, ou jihadismo, como principal força expansionista e anti-humanista.

Pessoalmente estou em crer que Gorbachev foi uma janela de oportunidade para a paz, daquelas que são raríssimas na história, e que não foi devidamente compreendido e apoiado pelo ocidente que deixou que a situação se deteriorasse na Rússia até aparecer um novo ditador disposto a recriar o império soviético.

Por outro lado, a lógica do inimigo do meu inimigo ser meu amigo levou a uma enorme complacência com o jihadismo que sobreviveu não só ao fim da União Soviética como mesmo ao 11 de Setembro, mostrando como a desinformação se tornou hoje mais do que em qualquer época do passado um elemento estratégico essencial.

O novo imperialismo russo mostra como ele é também capaz de utilizar a mesma lógica de alianças cruzadas, cimentando uma aliança estratégica com a teocracia iraniana com a qual reconquistou a Síria, apoiando no seu território um emirato na Chechénia, aliando-se aos Taliban e sabotando agora a Aliança Atlântica através de uma espúria aliança com o jihadismo turco.

O grande desafio da Aliança Atlântica é agora o de conseguir responder a um quadro geopolítico muito mais complexo, marcado pela desafio global da China, a tentativa de reemergência do imperialismo russo e a ameaça jihadista que tem no fascismo teocrático iraniano o seu principal protagonista, mas na qual não é possível esquecer a Turquia, enquanto tem de gerir as tensões internas provocadas pelo neogaullismo de Macron.

É um desafio muito complexo mas apaixonante que espero venha a encontrar protagonistas à altura.

Bruxelas, 2019-12-04
Paulo Casaca

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O POVO IRANIANO GRITA PELA LIBERDADE

Paulo Casaca

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PAULO CASACA O POVO IRANIANO GRITA PELA LIBERDADE

 

Se na Coreia do Norte a única forma de manifestação possível é a fuga, e na Venezuela, depois do parlamento demitido e das manifestações reprimidas, agora temos a fuga à fome, aos esquadrões da morte e à tortura, que levou já milhões de pessoas ao exílio, este é um ano marcado pela revolta em Hong Kong e sobretudo pela maior revolta de sempre no Império teocrático iraniano que mobiliza milhões de iranianos, iraquianos e libaneses.

As democracias registaram também um ano de revolta, nomeadamente em França e no Chile, enquanto na Bolívia se passou da chapelada eleitoral para um estado de quase guerra civil onde o sistema democrático fica em jogo.

Se no Chile há a perspectiva de uma Constituinte que possa restabelecer um consenso de regime e responda ao profundo mal-estar da população, em França a clivagem parece profunda e, apesar do sucesso táctico do Presidente Macron em junho, a situação não parece estar estabilizada.

Posto isto, é necessário ter prudência com as comparações. Os guardas revolucionários islâmicos responderam à população no Irão ou no Iraque a rajada de metralhadora, tiro de helicóptero ou de atiradores especiais, com pelo menos centenas de vítimas mortais, milhares de presos e torturados.

A teocracia iraniana conquistou com violência extrema as capitais e vasto território sírio e iemenita, mantendo o Líbano e o Iraque sob controlo das secções locais dos guardas revolucionários islâmicos que esvaziaram de conteúdo as instituições nominalmente democráticas.

No Irão, tal como na ex-União Soviética, os cidadãos são livres de votar, desde que nos candidatos selecionados pelo poder. O essencial do poder pertence ao guia espiritual que se autoproclama como representante de Deus, e só por força do poderoso lóbi teocrático no Ocidente se fala em ‘democracia islâmica’ para descrever a ditadura.

A ditadura iraniana, para além de se basear no supremacismo e no fascismo religioso, tem na sua Constituição a ambição de dominar o mundo, ambição confirmada pela sua prática. É esta ambição planetária que faz dela algo de incomensuravelmente mais perigoso do que qualquer outra ditadura contemporânea.

Nesta hora de revolta do povo iraniano, exprimir a nossa profunda solidariedade é um dever para todo o humanista.

Bruxelas, 2019-11-20
Paulo Casaca

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