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Paulo Casaca

DISPUTAS INSULARES

Paulo Casaca

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PAULO CASACA DISPUTAS INSULARES

 

De acordo com a agência de informação Reuters, a primeira patrulha conjunta russo-chinesa no mar do Japão foi alvo de 360 disparos – a título de aviso – por parte da aviação sul-coreana, quando sobrevoava as ilhas, ilhéus ou rochedos chamados de Dodko pelos coreanos, Takeshima pelos japoneses, Hornet pelos ingleses, Menalai e Olivuta pelos russos e Liancourt pelos franceses, nome que, uma vez sem exemplo, é seguido pela comunidade internacional.

A escolha de Liancourt para este encontro pouco pacífico no Oceano Pacífico tem uma mensagem clara que conviria não ficar por perceber, como infelizmente ficaram por entender os primeiros ataques iranianos no Golfo de Oman.

Trata-se de uma resposta ao início do processo de paz com a Coreia do Norte e é um explorar das rivalidades dos Estados vizinhos da nova entente, numa reedição do que foi a conquista militar chinesa do mar do Sul da China.
Visto do prisma sino-soviético, qualquer mudança no estatuto geopolítico norte-coreano é o colocar em questão das esferas de influência que resultaram do armistício de 1953, e não é por isso aceitável. Por outro lado, quando a cacofonia e impotência ocidentais se acentuam perante a pirataria do jihadismo iraniano, nada melhor do que pôr o dedo na ferida ocidental evidenciando as rivalidades nipo-coreanas e a impotência do direito marítimo internacional para fazer face a disputas como esta.

Uma ordem internacional que produziu acordos nucleares como os da Coreia do Norte e do Irão, que se mostrou impotente perante a guerra e expansão iraniana na região ou mesmo os mais recônditos mas massivamente mortíferos confrontos tribais é uma ordem internacional que tornou pública a sua falência.

A consequência da ausência de ordem é o da imposição da lei do mais forte ou por vezes da vontade do mais determinado e menos escrupuloso. A reconstrução de uma nova ordem internacional adaptada ao que a humanidade necessita sem passar por intensas convulsões é um desafio de enorme dimensão a que não vejo ninguém dedicar-se.

Bruxelas, 2019-07-24
Paulo Casaca

Paulo Casaca

PARLAMENTO PORTUGUÊS CONDENA MASSACRE NO IRÃO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA PARLAMENTO PORTUGUÊS CONDENA MASSACRE NO IRÃO

 

Por iniciativa da senhora deputada Cecília Meireles e do seu grupo parlamentar, no dia 29 de Novembro, o Parlamento português decidiu:

‘1. Demonstrar o seu pesar pelas pessoas mortas nos confrontos ocorridos nas últimas semanas no Irão;

2. Condenar os excessos cometidos na repressão para travar os protestos’

Usando fontes oficiais e balanços de vítimas disponíveis na altura que foram infelizmente muito ultrapassados por estimativas oficiais; o Departamento de Estado dos EUA estima que o número de vítimas ultrapasse o milhar, o parlamento português cumpriu assim o seu dever.

Perante um texto politicamente anódino e que se fica pelos mínimos humanitários, há que registar que a unanimidade da câmara foi quebrada pelo PCP e pelo BE que votaram contra o voto, cimentando assim a sua posição de extremo alinhamento com a teocracia iraniana que já tinham manifestado no Parlamento Europeu, dissociando-se então de um texto que condenava há uns escassos meses, de forma suave, a misoginia do regime iraniano.

Se a posição do PCP não é surpreendente, e está em perfeita sintonia com o seu permanente alinhamento político com Moscovo, que é internacionalmente o principal apoio da teocracia iraniana, o mesmo não se pode dizer do BE.
A hipocrisia deste partido não tem limites. Entre nós pretende assumir-se como a vanguarda de todos os movimentos, nomeadamente do dos direitos das mulheres, mas no Irão revela-se como favorável ao apartheid de sexo e à violação dos seus direitos mais elementares. Entre nós pretende ser pelo direito dos trabalhadores, mas no Irão considera apropriado que estes sejam massacrados a rajadas de metralhadora se reivindicarem os seus direitos.

Que explicações apresenta o BE para esta vergonhosa atitude? Será que como já ficou comprovado no caso dos seus homólogos espanhóis do Podemos, o BE depende do maná financeiro irano-venezuelano? Ou trata-se antes de puro racismo que considera que as mulheres e os operários iranianos não têm o direito a ser tratados como seres humanos?

O que é para mim cristalino é que estamos perante um movimento de extrema-direita pintado de vermelho, algo que quem quer que se inscreva nos padrões essenciais do que eu considero ser a esquerda tem de rejeitar de forma liminar.

Se considerei em 2015 a geringonça um expediente temporário apropriado a mudar um rumo político rejeitado pela maioria dos portugueses, penso que não é possível transformar o expediente em mecanismo permanente. Um partido democrático e humanista não pode depender de partidos contrários aos valores essenciais da vida humana.

Bruxelas, 2019-12-11
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A OTAN AOS SETENTA ANOS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A OTAN AOS SETENTA ANOS

 

Celebraram-se esta semana os setenta anos do Tratado do Atlântico Norte, tratado do qual Portugal é membro fundador. Aliança surgida na esteira da ‘Carta do Atlântico’ negociada entre Churchill e Roosevelt ao largo da Terra Nova em 1941, a OTAN é a organização de defesa melhor sucedida da história contemporânea.

Se a carta do Atlântico foi pensada no quadro do confronto com o expansionismo nazi-fascista – havia mesmo então a esperança de poder vir a contar com a presença nesta da União Soviética – a OTAN iria claramente ter como alvo o expansionismo soviético, lógica que continuou a prosseguir mesmo quando o quadro geopolítico se alterou profundamente com o colapso soviético e a revolução islâmica que catapultou o fascismo islâmico, ou jihadismo, como principal força expansionista e anti-humanista.

Pessoalmente estou em crer que Gorbachev foi uma janela de oportunidade para a paz, daquelas que são raríssimas na história, e que não foi devidamente compreendido e apoiado pelo ocidente que deixou que a situação se deteriorasse na Rússia até aparecer um novo ditador disposto a recriar o império soviético.

Por outro lado, a lógica do inimigo do meu inimigo ser meu amigo levou a uma enorme complacência com o jihadismo que sobreviveu não só ao fim da União Soviética como mesmo ao 11 de Setembro, mostrando como a desinformação se tornou hoje mais do que em qualquer época do passado um elemento estratégico essencial.

O novo imperialismo russo mostra como ele é também capaz de utilizar a mesma lógica de alianças cruzadas, cimentando uma aliança estratégica com a teocracia iraniana com a qual reconquistou a Síria, apoiando no seu território um emirato na Chechénia, aliando-se aos Taliban e sabotando agora a Aliança Atlântica através de uma espúria aliança com o jihadismo turco.

O grande desafio da Aliança Atlântica é agora o de conseguir responder a um quadro geopolítico muito mais complexo, marcado pela desafio global da China, a tentativa de reemergência do imperialismo russo e a ameaça jihadista que tem no fascismo teocrático iraniano o seu principal protagonista, mas na qual não é possível esquecer a Turquia, enquanto tem de gerir as tensões internas provocadas pelo neogaullismo de Macron.

É um desafio muito complexo mas apaixonante que espero venha a encontrar protagonistas à altura.

Bruxelas, 2019-12-04
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Paulo Casaca

O BANHO DE SANGUE IRANIANO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA O BANHO DE SANGUE IRANIANO

 

Finalmente, quase dez dias depois do início dos confrontos ‘Le Monde’ fala-nos de um banho de sangue no Irão. De acordo com a informação produzida pelo ‘Conselho Nacional da Resistência Iraniana’ datada de dia 26, o número de vítimas mortais aproxima-se do meio milhar, os feridos ultrapassam os quatro milhares e os presos são mais de dez mil.

Sobre tudo isto o parlamento português fez um silêncio total decidindo antes solidarizar-se com a ‘Jihad Islâmica’ alvo de um ataque de Israel no dia 11 de Novembro, num texto onde a realidade é profundamente distorcida. A Jihad Islâmica, como o nome indica, partilha da mesma ideologia que as congéneres da Al Qaeda, ou do Estado Islâmico e partilha também dos seus métodos com muitos ataques terroristas sobre a população civil que causaram inúmeras vítimas mortais.

Apoiar ou desculpar uns e condenar outros apenas porque uns se especializam a matar judeus e outros visam também ocidentais é humanamente inaceitável e só é compreensível à luz de preconceitos antissemitas.
Em qualquer movimento militar é essencial preservar tanto quanto possível a via humana, e por isso mesmo, me insurgi perante os bombardeamentos indiscriminados feitos sobre as cidades sírias pelas forças russo-iranianas, como também me insurgi sobre a forma como as forças regulares iraquianas e milícias dirigidas pelo Irão com cobertura aérea americana conquistaram Mossul ao Estado Islâmico provocando muitos milhares de vítimas civis.

Posto isto, quem olhar de forma equilibrada e imparcial para os factos tem de concluir que Israel é, em toda a região, o país com a força militar que mais atenção dá à minimização das vítimas civis e que toma mais medidas disciplinares em caso de abuso.

A ‘Jihad Islâmica’ há muitos anos que é comandada pela teocracia iraniana que a financia e forneceu os cerca de quinhentos mísseis que disparou este mês sobre Israel a partir de Gaza. Que o PCP apoiado pelo BE lance assim esta manobra de diversão sobre o banho de sangue iraniano é algo de esperar por parte das forças políticas que no Parlamento Europeu se recusaram a condenar as violações dos direitos humanos no Irão numa moção votada massivamente por este.

Que o PS apoie esta descarada manipulação iraniana da realidade, isso é indesculpável e inaceitável.

Olhão, 2019-11-27
Paulo Casaca

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