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Natércia Gaspar

NAS ELEIÇÕES, MAIS UMA VEZ A GRANDE VENCEDORA FOI A ABSTENÇÃO E AGORA?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR NAS ELEIÇÕES, MAIS UMA VEZ A GRANDE VENCEDORA FOI A ABSTENÇÃO E AGORA?

 

Na crónica da semana passada deixei para hoje, continuar a falar da responsabilidade dos diferentes departamentos governamentais na luta contra a pobreza.

Mas face à estrondosa abstenção, mais de 68% no Continente e 81% aqui nos Açores, que muito me entristece e té me mexe com os nervinhos mais minúsculos, não posso calar a indignação e até alguma revolta!

Porque depois de vivermos uma ditadura durante 40 anos, em que o voto não era livre, as mulheres não podiam votar, agora desperdiçamos esta arma poderosa e deixamos que os outros escolham por nós?

Afinal quais são as causas?

Quem assume responsabilidade pelas causas?

Quem vai implementar medidas para contrariar este desinteresse face ao voto?

Quem vai de uma vez por todas limpar os cadernos eleitorais para o Universo de votantes ser fidedigno?

Independentemente de tudo, os primeiros responsáveis são todos os partidos políticos que em todas as eleições apelam ao voto e fazem discursos teóricos contra a abstenção, mas depois durante os 4 ou 5 anos seguintes, dependendo das eleições, nada mais fazem!

Não criam medidas dissuasoras da abstenção, não criam por exemplo grupos de esclarecimento e motivação para o voto junto da população, grupos de literacia politica. Por exemplo aqui nos Açores, uma região que tanto deve e vive de fundos europeus, impõe-se que os cidadãos estejam cientes disso e não pelo contrário lhe seja indiferente, de tal forma que não querem saber das eleições europeias, não são utilizadas as novas tecnologias para facilitar o voto, sem obrigar as pessoas a deslocarem-se etc etc etc

Mas vamos às eventuais causas!

Não, antes vamos aos factos. Os cadernos eleitorais não estão atualizados, o Ministério da Administração Interna tem 1,5M votantes a mais nos cadernos eleitorais do que aqueles que realmente tem condições para votar.

O facto de ter terminado o cartão de eleitor e bastar ser portador do Cartão de Cidadão para automaticamente constar dos cadernos eleitorais, faz com que o numero de inscritos no estrangeiro tenha aumentado de 244,9 mil em 2015 para 1,4 M em 2019, os quais, a grande maioria, não procura votar.

Outro facto, nas eleições deste ano em toda a europa, a abstenção ficou abaixo dos 50% face aos valores de 2014, mas em Portugal aumentou.

Dando um sinal de preocupação, a Assembleia Legislativa Regional encomendou um estudo, realizado em 2018, pela Universidade dos Açores para encontrar explicações para o facto de os Açores serem a região mais abstencionista, a nível nacional, restando-nos esperar que os partidos políticos leiam as suas conclusões com olhos e coração e contribuam para as mudanças de atitudes de todos os agentes societários, face ao voto.

De acordo com o referido estudo, para os açorianos, a culpa pela elevada abstenção nas ilhas é dos governantes, dos partidos e dos deputados, e só muito depois surge os cidadãos em geral ou “a vida em geral”.

Os cidadãos são culpados devido a, “falta de interesse”, “falta de cidadania”, “falta de educação”, quando lhes perguntaram o que fazer para aumentar o interesse pela participação eleitoral e contrariar a abstenção remetem para a necessidade de voltar a confiar nos partidos, de sentir que o seu voto conta, sentirem-se mais representados pelos partidos.

Poderíamos acrescentar, como outras causas prováveis o analfabetismo, o nosso modus vivendis, o descrédito das instituições e quem as gere, o bom tempo, a Festa do Sr. Santo Cristos dos Milagres, etc.

Poderíamos acrescentar tantas outras razões, mas mais que encontrar mais razões, urge trabalhar com as que já estão identificadas no estudo de que falámos.

Assim exige-se que os políticos promovam maior socialização política, em vários momentos da vida dos cidadãos, “e não só em eleições”, de forma a que se sintam “chamados a intervir, a dialogar, a expor as suas motivações, a gerar o debate, continuar este caminho de aumento da escolaridade de literacia politica.

A “proximidade dos cidadãos com a política” é apontada como igualmente importante o “reforço dos laços de confiança entre cidadãos e protagonistas”. a realização de conjunto de iniciativas “de participação dos cidadãos, além dos meios institucionais de participação, para ouvir e debater diretamente com os eleitores.

Caros dirigentes políticos, caros deputados, caros governantes, o primeiro passo tem que ser vocês sob pena de acentuarem este fosso com a reação de ser da vossa ação. O Povo!

Deixem-se de oportunistas eleitoralistas, há pessoas depois das eleições.

Quantos a nós povo…temos que participar, ser mais exigentes com os políticos, não podemos permitir que outros decidam sobre nós.

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

Natércia Gaspar

PARCERIA DE INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA “SUCESSO EDUCATIVO – ESCOLA, COMUNIDADE, FAMÍLIA”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PARCERIA DE INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA...

 

A educação é um direito humano fundamental, a educação tem como objetivo central a formação de cidadãos livres, dotados de espírito crítico, autónomos e capazes de contribuir para o desenvolvimento da sociedade em que vivem, portadores de competências necessárias para fazer face aos novos desafios que se colocam às novas gerações. Seja no mundo do trabalho, seja da necessidade de preservar valores e cultura, seja para prevenir e enfrentar as consequências das alterações climáticas no mundo.

Por isso tem particular relevância a II Conferência Compromisso para o Sucesso Educativo promovido pela Secretaria Regional da Solidariedade Social e a Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto que teve lugar na passada segunda feira, dia 15 de julho.

Este evento assume particular relevância porque é o reflexo do excelente trabalho de um conjunto abrangente de parceiros como a Escola, a Ação Social, as forças vivas da comunidade, as famílias e os alunos, em torno da promoção do sucesso escolar das crianças e jovens, por agora, dos concelhos da Lagoa, Vila Franca do Campo, Povoação e Nordeste.

Promover o sucesso educativo e reduzir a retenção e o absentismo são os objetivos principais do Parceria de Intervenção Comunitária “Sucesso Educativo – Escola, Comunidade, Família” que também visa “aumentar as expectativas dos alunos, docentes, famílias, não-docentes e outros agentes comunitários, sobre a capacidade de todos os alunos aprenderem e consequentemente, melhorar a sua performance social e empregabilidade futuras.”
A Parceria de Intervenção Comunitária “Sucesso Educativo – Escola, Comunidade, Família” acaba por ser reflexo da complementaridade das politicas sociais, na Região, promotoras da Igualdade de Oportunidades e facilitar da redução das desigualdades sociais.

A inscrição na Estratégia Regional Contra a Pobreza deste compromisso para o Sucesso Educativo estabelecido entre a Secretaria Regional da Solidariedade Social e a Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto é a evidencia da convicção que a Educação é fundamental para, por um lado, quebrar ciclos de pobreza e por outro, consciencializar os indivíduos, na luta contra as discriminações sociais e contra a pobreza.

Fique bem fique com a 105 fm

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

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NATÉRCIA REIS GASPAR FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

 

No passado dia 5 de julho de 2019 a Assembleia da República criou a Ordem dos Assistentes Sociais e aprovou os respetivos Estatutos para contentamento de muitos Assistentes Sociais, de várias gerações, que há mais de 20 anos lutavam pela sua criação.

A Ordem dos Assistentes Sociais não foi nenhum capricho, mas sim uma legitima aspiração de uma classe profissional, os assistentes sociais, atualmente, em todo o país, cerca de 20.000 trabalhadores inseridos na divisão social e técnica do trabalho, cuja intervenção assenta em bases teóricas cientificas e humanistas, metodológicas, técnicas e ético-políticas perspetivando sempre a efetivação dos Direitos humanos e da Justiça Social.

5 de julho de 2019 é um dia histórico para o Serviço Social português e o principio de uma jornada que terá consequências na vida de todos os Assistentes Sociais e reafirmará o valor social da profissão e da disciplina cientifica do serviço social.

Doravante a Ordem será um parceiro social mais representativo do garante dos direitos humanos e justiça social, mais legitimado e com mais força ao nível da avaliação, definição e criação de politicas publicas.
Entre outras tantas, serão atribuições da Ordem, a regulação do acesso e do exercício da profissão, a defesa e o respeito pelos direitos dos destinatários dos serviços prestados pelos membros da ordem, a defesa do interesse geral da profissão, assegurar o cumprimento das regras da ética e deontologia profissional e conferir em exclusivo os títulos profissionais dos assistentes sociais e atribuir as cédulas profissionais sãos seus membros.

Vai ser obrigatória a inscrição na Ordem, momento no qual será emitida a cédula profissional dos profissionais que quiserem exercer a profissão, ao mesmo tempo que ninguém pode contratar profissionais que não estejam inscritos na Ordem seja setor publico, privado, cooperativo, social ou outro.

E atenção, o exercício da profissão de Assistentes Social um ano após da entrada em vigor da lei que cria a Ordem e aprova os estatutos, portanto, lá para meados de agosto de 2020, depende da inscrição na Ordem.
Até lá, o Governo tem 60 dias após a lei entrar em vigor, para nomear uma comissão instaladora após ouvir a Associação de Profissionais de Serviço Social.

A comissão instaladora terá um mandato de um ano para elaborar e propor os regulamentos provisórios à entrada em funcionamento da Ordem designadamente os relativos aos atos eleitorais e ao valor da taxa de inscrição bem como promover as inscrições na Ordem.

Muito trabalho pela frente, é o que espera à Comissão instaladora que deverá ter o apoio de todos nós, mobilizados num projeto único que ainda exige muita discussão, reflexão e participação.

Com certeza que não queremos andar à mercê ou a reboque por isso mais que nunca é hora de pôr mãos à obra para com o chapéu da Ordem defendermos os mais de 20 mil profissionais que existem em todo o país, aumentar a qualidade da formação e da prática profissional e defender os cidadãos que legitimam a nossa prática ao permitir que interfiramos nas suas vidas.

Ninguém nos defende e representa melhor do que nós próprios!

Fique bem, fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

“O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM

 

Sabia que os 2ºs Jogos Europeus de 2019 realizaram-se entre 21 e 30 de Junho em Minsk na Bielorrússia? E que consistem em 200 eventos com 23 disciplinas desportivas envolvendo 4000 atletas oriundos de 50 países participantes?

E sabia que Portugal conquistou 15 medalhas? Mais cinco do que as alcançadas em 2015, na primeira edição do evento, em Baku, o que coloca Portugal no 17.º lugar da tabela final em Minsk?

Muito provavelmente não, porque a indiferença dos nossos órgãos de comunicação social foi tão grande que me atrevo a dizer que 90% dos Portugueses não sabiam da realização do mesmo e que Portugal participaria, e como demonstraram os resultados, com uma boa prestação.

É certo que os próprios Jogos Europeus não têm o apoio e o reconhecimento de todas as Federações, porque entendem que não tem o retorno competitivo e financeiro a que estão habituados com outros grandes campeonatos.

Se fosse Futebol…Ui! As Televisões digladiavam-se pelos direitos televisivos, as marcas disputavam equipas, atletas, mas como se tratam de outros desportos, na maioria atividades amadoras, não tiveram o relevo que mereciam.

Afinal 15 atelas conquistaram medalhas para Portugal!

Mas também é sempre assim, basta olhar todos os anos para os canais de televisão, rádios e jornais desportivos para constatar a desproporcionalidade de noticias entre o futebol e todos os outros desportos.

Como alguém disse “o nosso país tem uma cisma: o desporto é o futebol e o resto é paisagem” o futebol tem uma força transcendente em todo o mundo.

Em Portugal o futebol move milhões e alimenta rivalidades que chegam a ser doentias e perigosas. É mais importante do que a política e a economia, o que é bem demonstrativo da força que este desporto tem no nosso país.

Lembram-se do discurso de vitoria do Treinador do Benfica Bruno Lage aquando da comemoração no largo Marquês de Pombal que tentava alertar os adeptos precisamente para o risco da valorização extremada do Futebol?

Dizia Bruno Lage, que “o futebol é apenas o futebol”, “há coisas mais importantes na nossa sociedade e no nosso país pelas quais temos de lutar”, “se unirem, se tiverem a força, se tiverem a exigência que têm no futebol noutros aspetos de Portugal, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação, nós vamos ser um país melhor”.

É incrível o poder que o Futebol tem, se comparado com outras práticas desportivas que não são tão mediáticas, que não são de massas.

São descriminadas nos apoios que recebem do governo. Basta ver o que se passa com as modalidades Olímpicas cujas bolsas são reduzidas face aos valores praticados noutros países e são atribuídas mediante o sucesso dos atletas, quando este não tem sequer condições de treino nas diferentes modalidades.

São descriminadas no número de adeptos, nos patrocínios, na visibilidade, no reconhecimento e na remuneração.

Nas modalidades Olímpicas, não correm milhões nem se vendem homens como que de coisas se tratassem, mas há muito esforço físico e psicológico por parte dos atletas que contra tudo e todos, treinam até à exaustação não por milhões mas pelo amor maior à bandeira de um país que teima em não os valorizar.

É urgente mudar este estado de coisas!

Fique bem! Fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

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