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Pedro Neves

A CAIXA PETRI DE PORTO PIM

Pedro Neves

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PEDRO NEVES A CAIXA PETRI DE PORTO PIM

 

A Organização das Nações Unidas divulgou em 2017, que há 51 biliões de partículas microplásticas nos mares, 500 vezes mais do que estrelas na nossa galáxia.

O panorama que se podia observar há duas semanas atrás, na Praia de Porto Pim, na ilha do Faial, apontada com uma das praias mais bonitas dos Açores, estava longe de ser o ideal.

Juntando-se à paisagem paradisíaca desta praia à qual já foi atribuída Bandeira Azul, tal como consta no site da Câmara Municipal da Horta, podia observar-se uma variedade de plástico e material proveniente da actividade piscatória deixada pela corrente junto aos rochedos de acesso ao areal e espalhados pela praia.

Estudos científicos têm refinado a tipologia de plástico no âmbito do lixo marinho e, em termos de estatísticas globais, pensa-se que cerca de 80% seja de origem terrestre e 20% de origem marítima. Nos Açores a maior parte é de origem oceânica, provavelmente vinda do giro do Atlântico Norte. 80% das tartarugas-marinhas-comuns (Caretta caretta), cujos juvenis gostam de se alimentar na zona dos Açores, comem lixo, na sua maioria plástico.

,A degradação ambiental proveniente do lixo oceânico é uma realidade presente, com o plástico e artes de pesca antigas a encabeçar a lista de preocupações, colocando em causa a sustentabilidade dos recursos naturais danificando assim o equilíbrio dinâmico e ecológico da região açoriana. Esta acumulação de plástico além de potenciar um impacto negativo nos habitats, ecossistemas e espécies, impõe-se, em vários locais, como uma sobreposição à paisagem natural, deixando uma marca humana que só pode ser invertida através da sensibilização, medidas proteccionistas e de cariz proibitivo.

A quantidade de partículas de plástico, seja micro, macro ou meso-lixo plástico encontradas na praia adjacente ao Aquário de Porto Pim é demasiado preocupante, sendo uma ameaça cada vez mais crescente para a nossa vida aquática. Apesar das novas regras da União Europeia para reduzir o lixo marinho até 2030, os Açores precisam, com carácter de urgência, de ter uma integração funcional e não distópica na gestão sustentável em prol da protecção das espécies, indo mais além nas regras e metas estabelecidas pela Comissão Europeia.

O mar é atualmente um fornecedor contínuo de recursos e um depósito de resíduos para o irracional modelo económico e cultural humano. Se não invertermos os comportamentos, o mar terá uma tonelada de plástico por cada três toneladas de peixe em 2025 e em 2050 os oceanos poderão ter mais plástico que peixe, indicam estimativas citadas por organizações ambientalistas.

Foi neste sentido que a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente, reunida em Nairobi em Março passado, emitiu várias medidas a serem implementadas pelos Estados-Membros para reverter a situação actual a nível de lixo marinho e microplásticos. O painel de discussão sobre Lixo Marinho — Impactos, Desigualdade e Injustiça Ambiental, abordou o papel da necessidade para uma justiça ambiental nas comunidades afectadas. Mas atribuem a não “obediência ao estado de direito ambiental” à falta de conhecimento pela própria comunidade no cumprimento das leis ou pela relutância governamental em aplicar a lei em violações ambientais, com receio em perder o poder ou controle da população.

Urge dotar o governo regional de alguma coragem para fiscalizar e responsabilizar aliada a um desapego de poder e estratégia eleitoral. O nosso futuro depende disso.

Pedro Neves

Pedro Neves

JÁ NINGUÉM FALA DA ABSTENÇÃO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES JÁ NINGUÉM FALA DA ABSTENÇÃO

 

Os Açores bateram o recorde na abstenção nas eleições europeias, ultrapassando os 85%, apesar de a região ser uma das maiores beneficiárias de fundos comunitários desde 1986. Essa percentagem mostrou indubitavelmente o divórcio entre a sociedade e os políticos.

Muita tinta se gastou e muitas palavras foram proferidas em opiniões sobre o desencontro entre as pessoas e a democracia. Mas, na grande maioria, essas assunções não estavam correctas. As pessoas não se afastaram da democracia mas sim do político comum, político esse que se distanciou em primeiro lugar da sociedade civil. Depois veio a desconfiança, devido à promiscuidade de alguns, carreirismo de outros e um problema enorme em largar o poder depois de ter sorvido dele.

Ainda existe políticos não obsoletos nos Açores, com uma visão empática e uma consciência indivisível da ligação próxima com as pessoas, pensando no bem-estar da sociedade e não apenas em si como indivíduo para delícia da sua ambição e do seu ego. Contudo, existe o também o político, muitas vezes bastante sobranceiro do público em geral, acreditando que ele tem o engenho e o poder de manipular a consciência social como ele deseja, mesmo esquecendo a própria democracia por breves momentos apenas para que o seu propósito seja atingido.

Infelizmente, aliado a uma apatia pública crescente, a habilidade para manipular atitudes sociais para os seus próprios fins são não mais que meras barreiras para um progresso social que é tão esperado por uma sociedade.
Numa região com esta tendência notória é de esperar e insistir que haja alta qualidade de liderança governamental com um crença de que aqueles em cargos de autoridade e influência social devem expressar os mais altos ideais, morais e valores da sociedade que representam. Mas não acontece.

Seria também de louvar o esforço e a energia dispensada dos estadistas a tentar descobrir e solucionar a origem da abstenção, não fosse a recusa de aceitar o problema dentro deles mesmos, ao invés de procurar a resposta nos cidadãos, que responderam em uníssono e de forma plena nas últimas eleições.
Há um afastamento das pessoas em relação à actividade política e à participação da sociedade civil. Assim se expõe o fosso entre a política que representa a comunidade e o indivíduo que não é mais que a soma da sociedade pouco representada e que não deixa de ser um espelho dos seus órgãos públicos.

Este pensamento confronta-nos com a escolha transformativa, continuar a persistir no egocentrismo do mero político para a destruição colectiva ou levantar a voz para uma mudança unificadora. O caminho a seguir, obviamente, depende ou do activismo ou da apatia pública, da qualidade da liderança social unitiva ou pela atitude de condicionamento separatista.

Não foram os partidos do arco de governação que prometeram discutir a abstenção para que este grave problema não entrasse no esquecimento?

Pois bem, já não ouço ninguém.

Pedro Neves

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“NÃO DEIXAR DORMIR UMA CRIANÇA QUE PRECISA É QUASE TORTURA”

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PEDRO NEVES NÃO DEIXAR DORMIR UMA CRIANÇA QUE PRECISA É QUASE TORTURA

 

“Um bom jardim-de-infância tem a obrigação de ter duas salas: uma para as crianças de qualquer idade que precisem de dormir a sesta e outra onde ficarão a brincar as restantes”. Esta citação é feita pelo pediatra Mário Cordeiro que também afirma que “não deixar dormir uma criança que precisa é quase tortura”.

A semana passada foi chumbado o diploma do PAN para que fossem criadas condições para a prática da sesta das crianças do ensino pré-escolar, numa altura em que cada vez mais é imposto o abandono da sesta nas creches.
E apesar das recomendações divulgadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) para a prática da sesta da criança, realizadas por um painel de especialistas nacionais dedicadas ao estudo do sono ou ao neurodesenvolvimento em idade pediátrica, para promover a melhor prática para o sono diurno ou sesta da criança até aos 6 anos de idade, existem partidos políticos que acham pouco relevante aprovar uma medida com esta magnitude, mesmo sabendo das consequências graves a curto e a longo prazo para as nossas crianças, comprovado por factos científicos.

A privação da sesta em crianças tão pequenas provoca desordens a nível orgânico, físico e psíquico, reduz o nível de atenção e aprendizagem, altera o próprio comportamento e capacidade de memória, desregulando a parte emocional com implicações directas na qualidade de vida e saúde mental que, na maior parte das vezes estas alterações podem mesmo ser irreversíveis.

Na actualidade, sendo já uma regra desculpável, a maioria das crianças após os 3 anos de idade não tem o direito de completar o tempo de sono necessário. Os argumentos das instituições variam entre a falta de espaço ou de recursos humanos, mas pior, vêm de fés colectivas de quem trabalha nestas instituições questionando a importância da sesta, contrariando os estudos dos peritos, valorizando o “desmame” das crianças para a ausência de sesta após os 3 anos de idade.

Essa privação de sono é verificada por muitos pais que, de forma consequente, vão buscar os filhos e eles adormecem de imediato no carro ou nem jantam pelo extremo cansaço ou pela irritabilidade provocada pelo sono.

Esta medida do PAN, munida com estudos científicos realizados em Portugal, que compara até o tempo total de sono diário em idade pré-escolar no nosso país como um dos mais baixos na Europa, pretendia apenas dar mais qualidade de vida às nossas crianças, estabelecendo uma rotina que já existia nas gerações anteriores.

O mesmo partido que é atacado erradamente pelo uso de “pseudo-ciência”, vê o seu diploma rejeitado pela maioria dos partidos que recusaram validar factos comprovados por peritos portugueses. É altura de questionar no quê e em quem é que eles acreditam.

Pedro Neves

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O DESTRATE DO TRATADO DE PROIBIÇÃO DE ARMAS NUCLEARES

Pedro Neves

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PEDRO NEVES O DESTRATE DO TRATADO DE PROIBIÇÃO DE ARMAS NUCLEARES

 

Na semana passada o PAN apresentou um projecto para que o governo ratificasse o Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPAN), mas foi chumbado pelo PS, PSD e CDS.

O Tratado internacional que representa a longa luta contra armas nucleares, foi aprovado no dia 7 de Julho de 2017 por 122 estados soberanos e pela determinação política da ONU. Não de forma vinculativa, mas foi também criado uma frente de apoio, contando com a Cruz Vermelha Internacional, o Vaticano e a rede internacional de médicos para a prevenção da guerra nuclear, que ganharam o Prémio Nobel da Paz em 1985.

Portugal, além de não ter participado nas negociações deste Tratado, votou contra a resolução da Assembleia Geral da ONU em 2016, que estabeleceu o mandato para as nações negociarem o tratado, alegando que as armas nucleares dos EUA são essenciais para a sua segurança nacional. Esse essencialismo lembra-me logo a máxima de George Carlin quando diz que “bombardear pela paz é como fazer sexo pela virgindade”.

O TPAN, que proíbe o desenvolvimento, teste, produção, armazenamento, colocação, transferência, uso e ameaça de uso de armas nucleares, pretende remover a ameaça à humanidade, seja por destruição deliberada por uma guerra nuclear ou destruição involuntária por erro tecnológico ou humano.

No entanto, devemos estar conscientes que esse primeiro grande passo alcançado pelo Tratado a nível mundial, tem como obstáculos os países que são porta-vozes de grandes lobbies da indústria militar bem como a necessidade da ratificação de pelo menos 50 países para que entre em vigor esta pretensão.

Uma guerra nuclear, realizada pelas armas com o maior poder destrutivo do mundo, desencadearia uma cicatriz demasiado profunda para o planeta. As consequências humanitárias e ecossistémicas seriam catastróficas e o planeta não teria capacidade para absorver tanta destruição pelos danos que seriam persistentes e permanentes.

Como humanidade, não aprendemos nada com o passado, quando em oblívio uníssono, como uma dormência planetária, esquecemos dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki em Agosto de 1945, em que se perdeu 40% da população de Hiroshima e 60% de Nagasaki, morrendo 240 mil pessoas.

Pelo menos 3 partidos esqueceram-se.

Pedro Neves

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