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Pedro Gomes

TEMPO DOS LILASES

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES TEMPO DOS LILASES

 

Estamos no tempo de vésperas, em Sexta-Feira Santa.

No mês da Páscoa, o tempo tem outro sentido.

A morte e ressurreição de Jesus Cristo tem o significado de compromisso com os homens de boa vontade, crentes ou não crentes.

Nas celebrações da Páscoa, que se repetem há dois mil anos, os rituais renovam-se a cada ano. Mudamos com o tempo e a nossa relação com a vida também se altera. Como ensinou Heraclito, nunca nos banhamos duas vezes na água do mesmo rio.

O tempo pascal é um tempo de passagem. Não apenas da passagem da morte à vida, mas da renovação da vida.
Renovação dos gestos, das atitudes, do desejo e da vontade.

A celebração da morte do Senhor, com a igreja em silêncio, os altares despidos, o despojamento, convida ao recolhimento interior.

Na sua vida, Jesus manteve sempre o contacto com o povo: crianças e idosos, ricos ou pobres, proscritos e poderosos, todos foram recebidos.

Na cruz em que morre, Jesus continua a atrair: o centurião, ladrões, verónicas.

Para todos, o filho de Deus tem uma palavra de acolhimento, de ternura, de compaixão. Ninguém é excluído. Ninguém fica para trás. Ninguém é insignificante.

Numa época de relativismo dos valores, do abandono de princípios em favor do utilitarismo, da desvalorização do homem e da sua condição humana, de descrença generalizada, a mensagem de Jesus mantém-se actual. Amar continua a ser o mandamento essencial. Pelo amor, tudo muda, tudo se transforma.

O amor incondicional, sem barreiras, sem constrangimentos. O amor que acolhe, aceita e perdoa. O amor que é sinónimo de misericórdia.

Nos versos de Juan Vicente Piqueras, “não fujas do que sentes. Não permitas/ que a vida se perca no vazio,/que a morte ao chegar encontre/já feito o seu trabalho”.

É quanto baste.
Uma Santa Páscoa.

Pedro Gomes
19ABR2019 – 105 FM

Pedro Gomes

QUE COISA ESTA, A MORTE

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES QUE COISA ESTA, A MORTE

 

A notícia da morte do André chegou silenciosa e brutal, ao princípio da tarde de ontem.

Entre a vida e a morte, o André não conseguiu vencer a sua última batalha, apesar de se ter empenhado até ao limite, como fez em todos os combates políticos que animaram a sua vida.

A luta com a morte é traiçoeira e nem sempre o amor, o carinho ou fé dos que estão próximos é suficiente para a vencer.

A derrota pela morte é absoluta, na ausência do corpo. Restam, apenas, as boas recordações e memórias.

Ainda no Sábado estive com o André e com a Dulce – a sua mulher – e os filhos mais novos – na praia Pequena do Pópulo, de que ambos gostamos. A conversa fluiu solta, como sempre acontece entre amigos. Tinha regressado de Bruxelas, depois de uma intensa semana no Parlamento Europeu. Estava animado com as suas novas funções e com o facto de ter conseguido assento como membro efectivo em duas Comissões Parlamentares essenciais para os Açores.

A doença súbita mudou o rumo aos deuses. Tudo ficou diferente.

Os Açores e autonomia perderam um autonomista convicto, determinado a defender os interesses dos açorinos no coração da Europa, como sempre o fizera nos Açores e perante a República.

A família e os amigos perderam o pai, o marido, o homem de sentido de humor apurado, de inteligência fina, culto, interessado e preparado.

Nunca sabemos como enfrentar a morte, porque a vida não nos prepara para este momento. Ficamos sem saber o que dizer, o que fazer, especialmente quando a morte chega cedo demais, como no caso do André.

Abalado pela morte de um amigo, lembro os versos de José Tolentino Mendonça: “não lamentes serem os versos / saberes tão frágeis / as flores mais belas são as que se colhem /quando ainda se ignora a morte.

Não mais voltaremos a falar do futuro dos Açores, dos livros que lemos e de que gostámos, dos pequenos prazeres da vida; não voltaremos a fazer debates políticos ou a comentar noites eleitorais como tantas vezes fizemos.

Que coisa esta, a morte!

Estou certo de que voltaremos a encontrar-nos, André.

Pedro Gomes
19JUL2019 – 105 FM

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Pedro Gomes

MOBILIDADE E CONTINUIDADE TERRITORIAL

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES MOBILIDADE E CONTINUIDADE TERRITORIAL

 

O subsídio social à mobilidade pago pelo Estado, destinado a compensar os açorianos e madeirenses pelos sobrecustos das viagens áreas entre as regiões autónomas e o continente, é uma das formas de assegurar o cumprimento do princípio da continuidade territorial.

A dispersão arquipelágica e oceânica dos Açores e da Madeira e a sua distância ao território continental são factores que penalizam a mobilidade das pessoas, impondo restrições intransponíveis.

Por isso mesmo, o transporte aéreo de passageiros entre o continente e as duas regiões e mesmo dentro de cada uma delas, tem uma natureza peculiar, podendo ser considerado como equivalente a uma auto-estrada aérea, circunstância que deve ser tida em consideração em todas as políticas públicas.

O pagamento do subsídio de mobilidade por parte do Estado não é mais uma despesa evitável ou uma benesse concedida aos açorianos e madeirenses, mas a garantia de um direito de cidadania e o cumprimento de uma obrigação do Estado.

O modelo que está em vigor, adoptado pelo governo de Pedro Passos Coelho, no primeiro trimestre de 2015, associado à liberalização das rotas aéreas entre os Açores e o continente, contribui decisivamente para o crescimento económico da região e assegura uma forma de liberdade de circulação de pessoas que o anterior modelo não garantia.

As fraudes na obtenção deste subsídio, agora em investigação criminal, não podem servir de desculpa para que o Governo da República ponha em causa a sua atribuição.

Mesmo o valor de 75 milhões de euros que o Estado pagou em 2018 por conta deste subsídio não pode servir de argumento para que os adversários da autonomia culpabilizem o sistema autonómico pelo crescimento de despesa com o subsídio de mobilidade.

Cabe ao Estado – e apenas a ele – fiscalizar a boa atribuição das verbas públicas relativas à mobilidade aérea.
Às autoridades judicias cabe julgar e punir os infractores. Ao Governo da República, em conjunto com os órgãos de governo próprio de cada uma das regiões autónomas, compete avaliar a aplicação deste modelo, melhorando o seu desempenho, o cumprimento da sua finalidade, os procedimentos de fiscalização e já agora, acabando com o facto de serem os cidadãos a pagarem integralmente o valor da viagem, para posteriormente obterem o reembolso do Estado. Seria bem mais justo para todos os cidadãos que apenas pagassem a parte que lhes corresponde – 134 euros, no caso dos Açores – com o Estado a pagar directamente às companhias aéreas.

Esta é uma matéria que deve fazer parte dos programas eleitorais dos candidatos à Assembleia da República pelo círculo eleitoral dos Açores, pela sua importância e oportunidade política.

Pedro Gomes
12JUL2019 – 105 FM

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Pedro Gomes

APARÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES APARÊNCIAS E CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS

 

O Presidente do PSD/Açores e Presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande foi constituído arguido, no âmbito de inquérito em curso, havendo suspeitas da prática dos crimes de peculato, prevaricação, abuso de poder e falsificação de documentos.

Em causa estão alegadas condutas imputadas a Alexandre Gaudêncio enquanto autarca, mas que são inseparáveis da sua condição de Presidente do maior partido da oposição nos Açores.

Como advogado e como cidadão, acredito na inocência de qualquer arguido até ser proferida decisão condenatória transitada em julgado. Alexandre Gaudêncio goza, como qualquer um de nós, desta presunção de inocência.

O Ministério Público não deduziu qualquer acusação contra o Presidente do PSD nem contra nenhum dos arguidos na operação “Nortada”, mas as consequências da sua constituição como arguido são irreparáveis para o PSD/Açores.

A constituição de arguido do Presidente do PSD pela suspeita da prática de crimes de natureza económica associados ao desempenho de cargo público, pela sua gravidade, destrói a credibilidade do discurso do PSD sobre o rigor no exercício de cargos e funções públicas enquanto Alexandre Gaudêncio continuar a ser Presidente do PSD/Açores.

Para além disso, a direcção regional do PSD/Açores não pedir – como fez há pouco mais de um mês – a demissão da Directora Regional do Turismo quando esta foi constituída arguida – e, agora, ignorar o que exigiu.
Compreendo que a Comissão Política Regional do PSD tenha manifestado solidariedade para com o seu Presidente, mas este voto é manifestamente insuficiente do ponto de vista político para afastar o PSD da contaminação que o processo judicial lhe provoca.

A avaliação que se impõe é meramente política e não comporta nenhum juízo pessoal sobre a conduta de Alexandre Gaudêncio ou sobre os crimes de cuja prática é suspeito.

O maior partido da oposição não pode enfrentar com sucesso as eleições para a Assembleia da República e as eleições para a Assembleia Legislativa no próximo ano prisioneiro dum processo judicial com um desfecho longo e incerto.

Em nome da credibilidade e da ética, Alexandre Gaudêncio deve demitir-se de Presidente do PSD/Açores, abrindo espaço para a realização de eleições directas e ficando liberto para poder defender-se de modo vigoroso no inquérito em curso.

Infelizmente, o momento e as circunstâncias não permitem outra saída.

Pedro Gomes
5JUL2019 – 105 FM

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