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Pedro Neves

SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

 

Na semana passada foi aprovada a iniciativa do PAN na Assembleia da República para a transição para uma alimentação mais saudável e sustentável nas cantinas públicas, com recurso a produtos de agricultura local e biológica.

Através desta iniciativa legislativa, o PAN propôs que o Estado tenha por um lado uma intervenção pedagógica, mas também de incentivo ao consumo de alimentos de produção local e regional e em modo biológico, em cantinas e refeitórios da Administração Pública, central, regional ou local e dos Institutos Públicos.

Além da pedagogia e do incentivo para uma alimentação mais saudável, a escolha para produtos locais trava o possível desaparecimento das variedades regionais, dos sabores, dos princípios nutritivos e dos conhecimentos gastronómicos constitui uma ameaça à Segurança e à Soberania Alimentar. Isto porque os alimentos viajantes geram, não apenas uma crescente contaminação ambiental, como induzem à padronização e uniformização produtiva.

Nos Açores, parte dos produtos que são consumidos na região provêm de mercados externos. Tal situação leva a um desequilíbrio da balança comercial e fomenta economias de outros países. Com a actual conjuntura, os Açores ficam mais vulneráveis e expostos a circunstâncias continentais e internacionais, uma vez que se encontra demasiado dependente de mercados externos, e com isso, perde parte da sua autonomia, transferindo para economias externas riqueza fundamental para a economia regional.

O Governo Regional tem que fomentar a consciência ecológica e sensibilizar a população para uma alimentação saudável, com base em alimentos produzidos sem prejudicar o ambiente. Além de que é fundamental para um futuro mais sustentável, do ponto de vista ambiental, económico e social. O actual sistema de produção, distribuição e consumo de alimentos não satisfaz as necessidades presentes e futuras porque é incapaz de alimentar toda a população e depende demasiado de energia proveniente de combustíveis fósseis, químicos, transportes de longa distância e mão-de-obra barata.

Temos oportunidade de implementar benefícios fiscais para empresas que compram localmente conseguindo diminuir o peso de dependência externa que vive a economia açoriana, promovendo de igual modo uma dinâmica económica de proximidade, na qual se privilegiam empresas que criam um mercado interno, gerando desse modo mais postos de trabalho, menos impacto ecológico e por consequência, uma maior prosperidade regional.
Já para não falar da autossuficiência alimentar que daria à região a tão independência para uma verdadeira autonomia açoreana.

Pretende-se a mesma mudança nos Açores e que ocorra uma discriminação positiva deste tipo de produtos em detrimento dos que comprovadamente provocam efeitos nefastos na saúde das pessoas. Uma alimentação que tem por base uma alimentação biológica de origem vegetal tem benefícios comprovados na saúde, sendo uma obrigação do Governo Regional promover as melhores soluções para os açoreanos.

Pedro Neves

DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

 

Os Açores estão na boca do mundo!

Actualmente, os Açores fazem notícia em vários jornais e revistas regionais, nacionais e internacionais.

“Caraíbas do Atlântico” – Açores deslumbra New York Times. Que óptima notícia, pensam os mais incautos, mas fazendo uma deambulação pelos jornais aparecem outras menções aterradoras.

“Turismo de Portugal assume promoção do destino Açores” , “Associação de Turismo dos Açores suspeita de fraudes”. “Contestado perito que validou projeto de incineradora” “Quem quiser ver o que não se deve fazer no turismo nos Açores, vá a São Miguel dar uma voltinha no mês de Agosto”.

“Carlos César bate todos os recordes de compadrio”. Bom, esta última não está relacionada com o Turismo, mas é relevante para esta reflexão.

Os ouvintes podem perguntar aonde quero chegar com isto? Pois a mim parece-me simples, a visibilidade acrescida que os Açores assumem hoje na comunicação social demonstra claramente as dores de crescimento de um regime feudal, sem estratégia planeada.

Os Açores precisavam de sair da sua concha, dinamizar a sua economia…resumindo, crescer! Até posso concordar, mas a que custo e às custas de quem e do quê?!

A instabilidade estruturante que se assiste nos últimos anos, nos mais diversos sectores dos Açores é alarmante, como tenho vindo a denunciar. Mas sobe agora um novo patamar!

Falando especificamente no Turismo, é gritante o desnorte atualmente instaurado. O aumento desmensurado de turistas torna aliciante a procura de enriquecimento a todo o custo. Vai nascer na freguesia de Água d’Alto o maior hotel dos Açores com 580 camas, contrariando por completo o posicionamento de turismo de natureza para o nosso arquipélago.

Mas diz o Governo Regional que temos planos bem definidos. Sim, talvez seja verdade, temos o plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores que, embora bem escrito, não está a ser executado. Também parece que temos um Plano de ordenamento turístico, em revisão desde 2015. Sem aplicação aparente não passa de um verdadeiro desperdício de papel. Para que serviu tanta discussão, consultas públicas e pareceres?

Mais uma vez sentimo-nos como um hamster numa rodinha, sempre a esforçar-nos esperançosos, para nunca chegar a lado nenhum concretamente.

Mas anda tudo dormente? Quando é que nós acordamos e dizemos Basta de tanto despotismo!

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Pedro Neves

“Se quisermos fazer parar os Açores, fazemos parar os Açores”

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SE QUISERMOS FAZER PARAR OS AÇORES, FAZEMOS PARAR OS AÇORESA

 

Bem sei que já falei deste assunto em outras paragens, mas esta declaração ecoa na minha cabeça desde 24 de Fevereiro, dia que foi proferida.

O Presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou que, além de considerar a necessidade de abater “10 mil cabeças de gado” a partir de Maio, garatujou na mesma semana que se sentir-se ameaçado e lhe apetecer, faz parar os Açores.

Não sei qual das afirmações a pior, se a dissonância de usar a morte como ferramenta pérfida de controlo da população animal com o propósito estratégico de aumentar o preço do litro de leite, ou por mostrar indícios fortes de megalomania pela crença que pode parar os Açores. Se por mero lisonjeio eu equacionar que a esta pessoa tem esse poder , essa afirmação esgrimida será inversamente compatível com o propósito cooperativista com a comunidade que pretende ajudar. E já agora, quem lhe deu esse poder feudal?

Devíamos esperar e insistir que houvesse alta qualidade de liderança governamental na nossa região, com uma tendência notória contra o feudalismo de cargos de autoridade ou influência social, demonstrando que só ao expressar os mais altos ideais, morais e valores de convivência que representam é que chegamos a uma harmonia societal.

Mas não é o caso, o representante desta federação está impregnado nos meandros da política açoriana, ousando afirmar que pretende abater 10 mil seres vivos apenas por uma nuance economicista e ninguém escrevinhar absolutamente nada, somente existindo um “temos que ir com calma” do Secretário Regional da Agricultura e Florestas.

Mas vamos a factos. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) referente à agricultura (pecuária) e pescas desce já há dois anos consecutivos, passando de 9,8% em 2014, para 9,5% em 2015 e para 8,9% em 2016, diminuindo por consequência a sua contribuição para a evolução económica dos Açores. Apesar deste dados, faz-se uma enfatização que a pecuária é o motor hegemónico da região, quando está longe de o ser, apesar da sua pretensão. Contudo, os políticos tremem como varas verdes numa perfeita submissão a cada sopro dado por esta federação.
Verifica-se essa tendência vassálica dos nossos governantes à feudalidade do sector aquando a apresentação do orçamento regional de 2019, com 173 milhões de euros para a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas contrastando com os 67 milhões de euros para a Secretaria Regional da Educação e Cultura e dos miserentos 45 milhões de euros para a Saúde.

O turismo, sector que registou o maior crescimento do VAB durante 3 anos consecutivos, foi orçamentado unicamente com 55 milhões, repartido ainda pelo Ambiente e Energia da mesma secretaria. O Governo não acha fundamental um investimento mais robusto para o único sector com um crescimento económico considerável para a região e que empregou em dois anos mais de 1300 pessoas. A pecuária, além de ter perdido mais de 500 postos de trabalho, ainda tenta arruinar o crescimento emergente do turismo, querendo mostrar um imagem externa dos Açores totalmente distorcida, devido à prepotência e às afirmações pouco medidas de quem representa a federação agrícola regional.

Já estou a imaginar o mote publicitário para 2019:
Venha visitar os Açores! Com sorte pode adquirir o pacote turístico Mar/Terra, que consiste em observar as baleias no seu habitat natural e no mesmo dia ver o espectáculo dantesco da morte de 10 mil vacas felizes. Se tiver azar, as nossas portas poderão estar fechadas sem aviso prévio e por tempo indeterminado até ordens superiores, mais concretamente do Sr. Presidente da Federação Agrícola do Açores. Obrigado e volte sempre, mas só se ele quiser.”

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EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NA QUARESMA PASSADA

Pedro Neves

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PEDRO NEVES EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NA QUARESMA PASSADA

 

Genesis Butler, uma activista vegan de 12 anos, desafia o Papa Francisco a abdicar de produtos de origem animal durante a Quaresma para “ajudar a combater as alterações climáticas com uma mudança de dieta”.

Na carta aberta enviada pode-se ler que “Os atuais hábitos alimentares das nações predominantemente mais ricas estão a provocar uma cadeia de destruição e devastação global. A pecuária utiliza 83% dos terrenos agrícolas, embora produza apenas 18% das calorias que consumimos. Hoje em dia, há 815 milhões de pessoas no mundo a sofrer de má nutrição.”

Deve ser de fácil decisão, só pela nobre causa de chamar a atenção para o impacto ambiental da produção pecuária e também por existir uma fundação disposta a doar um milhão de euros, isto se o Papa estiver disposto a abraçar a campanha.

Mas será isto um pedido insólito de uma criança ou apenas o relembrar da prática da penitência, durante a Quaresma, do Código de Direito Canónico da Santa Sé escrito em 1917?

Ao consultar o Secretariado Nacional de Liturgia em Portugal sobre jejum e penitência, verificamos esta frase no ponto 3 da abstinência:

“A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma.”

Para todas as pessoas com ou sem religião, o simples acto de comemorar a Páscoa sem observância da celebração e do conceito per si, é o mesmo que fazer a Páscoa à sua medida, cheio de opulência e esbanjamento, incluindo um tipo de alimentação no espectro contrário do regrado expectável.

Seja pela ressurreição de Jesus, pela compaixão animal, pela confraternização familiar ou pelo mero facto de uma realização introspectiva sobre a drástica mudança dos nossos hábitos alimentares, abdicar-nos de produtos de origem animal nesta festividade só retirava a elevada pressão a que a “nossa casa comum” atravessa.

O próprio Papa Francisco, na encíclica Laudato Sí, pede “atenção ao desequilíbrio na distribuição da população pelo território, tanto a nível nacional como a nível mundial, porque o aumento do consumo levaria a situações regionais complexas pelas combinações de problemas ligados à poluição ambiental, ao transporte, ao tratamento de resíduos, à perda de recursos, à qualidade de vida”

Segundo a FAO das Nações Unidas, o consumo global anual per capita passou de 23Kg em 1961, para 42Kg em 2009. Portugal é um caso de surpreendente aumento do consumo de carne, tendo passado de 20,6Kg por pessoa em 1961, para 112,3Kg em 2016 (INE, 2017). E ainda esperamos milagres do Serviço Nacional e Regional de Saúde.

Cada vez, mais do que nunca, as nossas escolhas individuais e o que cozinhamos têm consequências, não só para ti mas para toda a comunidade mundial.

Como diz Mia Couto, “Cozinhar é um modo de amar os outros”, mas não podemos alimentar o mundo sem a sustentabilidade estar presente.

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