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Natércia Gaspar

MOÇAMBIQUE TANTOS ANOS DE VIDA COMO DE SOFRIMENTO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR MOÇAMBIQUE TANTOS ANOS DE VIDA COMO DE SOFRIMENTO

 

Depois de 25 anos de guerra, 9 anos a lutar pela independência e os primeiros 16 anos enquanto país independente, de guerras civis, que tiveram como consequência 1 milhão de mortos, meio milhão de crianças mortas, outras com deficiências provocadas pela guerra, cerca de 250.000 crianças órfãs, um terço da população malnutrida, dois terços da população exposta à pobreza e quilómetros de destruição, nas cidades e aldeias, o futuro do país ficou comprometido.

Quando finalmente chega a paz, chega a desgraça provocada pelos altos níveis de corrupção, no período de governação do Governo anterior, o que originou uma crise da divida provocada por 2 mil milhões de empréstimos secretos por bancos britânicos sem validação de nenhuma entidade internacional, dos quais, 700 milhões de dólares desapareceram e a ser verdade uma investigação americana, pelo menos 200 milhões foram para o bolso de políticos e banqueiros subornados e envolvidos nos empréstimos de má memória que resultaram no corte de vários apoios internacionais que prejudicaram fortemente as condições de vida e até de sobrevivência do povo moçambicano tal como a reconstrução do país, pós guerra.

A população de Moçambique é massacrado agora, pelo Ciclone IDAI, cujo impacto é catastrófico, deixando um rasto de destruição, e até ao momento, milhões de pessoas a tentar reconstruir as suas vidas, quase 600 mortos, 517 casos de cólera diagnosticados, 1.641 feridos, mais de 146 mil pessoas abrigadas em centros de acolhimento que não têm roupas, medicamentos ou comida, a aclamar pela ajuda humanitária que ainda assim já tem mais de 30000 famílias beneficiárias.

Motivo mais que suficiente para que a comunidade internacional em geral e para o Governo britânico em particular esqueçam uma divida que ajudaram a criar, não? Agora a prioridade é reconstruir e ajudar aquele país e o seu povo a reerguer-se e todo o dinheiro é pouco.

É certo que a comunidade internacional está a ajudar com a doação de alguns milhões, quer em géneros ou dinheiro, mas também é verdade que as pessoas continuam a morrer, continuam nos telhados de suas casas à espera de ajuda ou até em jangadas improvisadas.

Dizem os especialistas que o ciclone IDAI, resulta da tendência global das alterações climáticas, sendo já considerado o pior ciclone tropical da última década, resultado da emissão desproporcional de gases de efeito estufa. Sim a influência humana no aquecimento global é por demais evidente sobretudo a dos países desenvolvidos que com urgência têm que reduzir as suas emissões e deixar de financiar a exploração de combustíveis fósseis e pelo contrário apostar fortemente nas energias renováveis.

Mais um motivo para a comunidade internacional e esses países desenvolvidos fazerem doações para a reconstrução de moçambique.

A este propósito Trump, não só devia assegurar que os EUA dessem um generoso donativo ao povo moçambicano, como deveria ser acusado de negligencia, afinal é o tal que não acredita nas alterações climatéricas e até rasgou o Acordo de Paris que visava minimizar as consequências do aquecimento global, porque diz que tem um instinto natural para a ciência, apesar de eu dizer que o instinto é para a estupidez, não para a ciência, perdoem o aparte.

Se virmos bem a influencia humana, a ganancia do dinheiro, do poder, da posse, têm sido a maldição de moçambique e de todo o Planeta.

Mas agora há que apoiar Moçambique!

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Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

CATEDRAL DE NOTRE-DAME DE PARIS – FRANÇA E O MUNDO ESTÃO DE LUTO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR CATEDRAL DE NOTRE-DAME DE PARIS – FRANÇA E O MUNDO ESTÃO DE LUTO

 

O incêndio que deflagrou na Notre-Dame de Paris, esta segunda feira, entristeceu a Humanidade.

Não foi só a França que perdeu parte deste “majestoso e sublime edifício”, e cito o romancista do séc. XIX, Vítor Hugo, foi também, o mundo.

Chamada de coração de Paris, a Catedral de Notre-Dame, cuja construção teve início em 1163 sendo dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo, está localizada na praça de Paris, na pequena Île de la Cité, rodeada pelas águas do Rio Sena.

Construída em estilo gótico, a sua edificação demorou cerca de 200 anos entre 1163, durante o reinado de Luis VII, e 1345. Tem mais de 850 anos.

O curioso é que o local onde é hoje a catedral, tem uma história de culto religioso que remonta aos Celtas, reza história que já faziam as suas cerimónias, depois os romanos, que ergueram o templo de devoção ao deus Júpiter e posteriormente, também foi ali, que se edificou em 528 dc, a Basílica de Saint Étienne ligada ao cristianismo, seguida de uma igreja românica que permanece até ao início da construção da catedral Nossa Senhora de Paris.

A Catedral de Notre-Dame de Paris é um símbolo histórico para a França com um acervo grandioso de pinturas, gravuras, estátuas de bronze e um órgão musical do século XVII que ainda toca e já acolheu inúmeros eventos bastante significativos para a França e para a humanidade, como a coroação de Henrique VI da Inglaterra, em 1431, durante a Guerra dos 100 anos; a coroação de Napoleão como imperador em 1804, a Beatificação da Santa Joana Dark em 1909, pelo papa Pio X., ou as Missas dos funerais de Charles de Gaulle (presidente da França), Georges Pompidou (ministro francês) e François Mitterrand (presidente da França).

O incêndio de anteontem, não foi o único acidente a provocar danos e a pôr em risco o monumento.

De facto nos seus mais de 850 anos, já foram inúmeras as flagelações que a Catedral sofreu:

• em 1871, Notre Dame correu o risco de ser gravemente destruída por um incêndio, mas a construção resistiu;

• durante o período da Revolução Francesa de 1789;

• em 1804 a coroação de Bonaparte como imperador salva a catedral que chegou a ficar em ruínas e quase foi demolida;

• em 1831 a Catedral foi salva da ruína pelo romance de 1831 de Victor Hugo, “Notre-Dame de Paris”, onde descrevia a precária condição do prédio na altura, o que acabou por impulsionar grandes reformas devolvendo a imponência e a beleza à Catedral;

• no início do século XX, mais uma ameaça rondou a construção, em plena Segunda Guerra Mundial, havia rumores de que os soldados alemães poderiam destruir os vitrais recém-instalados por isso foram retirados e reinstalados após o fim do conflito.

Ao longo da sua história a imponente catedral Notre-Dame de Paris, tem sobrevivido e pela sua importância e simbolismo, objeto do investimento necessário à sua reabilitação, uns dirão que é a mão de Nossa Senhora de Paris, outros que é a vontade da humanidade de não perder a sua história.

A Catedral tinha 127 metros de comprimento, 48 metros de largura e 35 metros de altura, a tem capacidade para receber nove mil fiéis na Igreja, constitui um dos principais postais da Europa, recebendo mais de 13 milhões de turistas por ano, mais que qualquer outro monumento na Europa e está na memória de vivencia dos Franceses e na memória coletiva do Mundo.

O presidente francês, Emmanuel Macron, mostrou-se ao mundo profundamente consternado, referindo-se ao acidente como a “dor de toda uma nação”.

Ele não disse, mas a verdade é que é também um motivo aglutinador dos Franceses que seguramente vão esquecer por uns tempos a Contestação a Macron.

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Natércia da Conceição Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

NAS ELEIÇÕES EUROPEIAS TODOS DEVERÍAMOS SER ANDRÉ BRADFORD!

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR NAS ELEIÇÕES EUROPEIAS TODOS DEVERÍAMOS SER ANDRÉ BRADFORD!

 

Depois da novela ter terminado com um final infeliz para todos, não posso deixar de lamentar a forma como mais uma vez o PSD Açores tratou essa figura incontornável da Democracia em Portugal e da História dos Açores.

Sim, porque não concordo com a tese de que Rui Rio é que foi intransigente e não respeitou Mota Amaral nem o PSD Açores.

Tudo indica que o PSD, já há dois meses, em sede de comissão permanente do partido aprovou o princípio de que apenas uma das Regiões Autónomas indicaria um nome em lugar elegível e a Madeira foi logo indicada, e a outra ficaria com o 8 lugar, tendo a direção nacional decidido em conformidade.

É por isso hipócrita esta algazarra de Alexandre Gaudêncio, porque afinal foi ele o único responsável por expor, Mota Amaral, a toda esta situação em que mais uma vez sai fragilizado e desrespeitado pelo partido do qual é presidente honorário.

Mas não surpreende, o “Xico espertismo” de Gaudêncio, que sabendo atempadamente que os Açores seriam relegados para um 8 lugar, e também para sedimentar a sua afirmação no partido que o acabou de eleger, tente trocar as voltas a Rui Rio, apresentando o nome de Mota Amaral, que é só o político português vivo com a carreira mais longa no desempenho de funções públicas eletivas, num total de 46 anos, em que fez de tudo um pouco, sempre em defesa dos ideais democráticos.

O tiro saiu pela culatra e Gaudêncio tem assim a sua primeira derrota na liderança do PSD Açores.

Acresce, ainda, a proclamação da tão afamada divisa, que inclusive encontra-se inscrita no Brasão de Armas da Região Autónoma dos Açores, “Antes morrer livres que em paz sujeitos”, por pelo menos duas vezes dita por Gaudêncio. Esta divisa, proferida por um português do continente, Ciprião de Figueiredo, em 1582, é dita por lutar por Portugal, por lutar pela unidade nacional subjacente à autonomia. Aqui, e neste caso, parece que culatra saiu-lhe pelo tiro.

Lamento também que João Bosco Mota Amaral tenha aceite colocar-se nesta situação, que não abona em favor dele, afinal já em 1995 defendia “uma preocupação constante de renovação de ideias e de pessoas” e agora em 2019 com 75 anos ainda estaria disponível para se candidatar…desde que em lugar elegível.

Depois de algum suspense, o PSD Açores decidiu que não fará campanha eleitoral nas eleições europeias, acrescentando “que a defesa da nossa região não começa nem acaba nas eleições europeias”.

O que discordo! Claro que a defesa dos Açores no parlamento europeu está em causa nas Eleições Europeias e por isso impunha-se que o PSD Açores, por consideração aos Açores e aos Açorianos, que precisam ter voz na Europa, saísse para as ruas para, desde logo, sensibilizar as pessoas para irem votar e, desta forma, combater a abstenção, que já por si será elevada e depois, que apelasse claramente no voto em André Bradford, que será a única voz açoriana na Europa.

Nestas eleições europeias devíamos ser todos André Bradford! Pois tal como o jornalista Osvaldo de Cabral escreveu: “Numa democracia madura …, em vez do fundamentalismo partidário […] o voto obvio a recomendar […] devia ser na única voz dos Açores que vai estar em Bruxelas: André́ Bradford.” (Osvaldo Cabral in Diário dos Açores de 15/03/2019).

Em qualquer circunstância, André Bradford será sempre o representante de todos os açorianos por isso dia 26 deveríamos ser todos André Bradford.

Mas mais importante ainda, por favor não deixe de votar! É um direito que tem!

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Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

PRECISAMOS DAS INTÉRPRETES. A LUTA PRECISA DE CONTINUAR! O GOVERNO TEM DE MOSTRAR SENSIBILIDADE

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PRECISAMOS DAS INTÉRPRETES. A LUTA PRECISA DE CONTINUAR! O GOVERNO TEM DE MOSTRAR SENSIBILIDADE

 

O título desta crónica é a citação de um menino de 16 anos, surdo, que frequenta a Escola Básica Integrada dos Arrifes, Escola de referência para Surdos.

Citação tirada de uma publicação sua no Facebook que transcrevo: “Olá. Eu sou o José, a 15 de março acaba o contrato das intérpretes. Por favor! Todos lutar! As intérpretes não podem sair. Precisamos das intérpretes. A luta precisa de continuar! O governo tem de mostrar sensibilidade. Nós temos direito de ter intérpretes. Por favor, ajudem!!!!”

Este pedido de ajuda surge, porque as Intérpretes de Língua Gestual da referida Escola terminaram os seus contratos a prazo no passado dia 15 de março, data a partir da qual os alunos surdos ficaram sem intérpretes, figura fundamental para a educação daqueles alunos, pois traduzem os conteúdos das diferentes disciplinas e asseguram a comunicação com professores e colegas de turma.

Daqui resulta que os alunos surdos, alguns no nono ano, com exames nacionais à porta, para prosseguirem para o secundário, vão ter no mínimo, o resto do ano sem a facilidade de apreender os conteúdos, esclarecer dúvidas e pura e simplesmente de comunicar que é o meio de excelência para estar em relação com o outro.

É no mínimo revoltante!

Antes de qualquer consideração sobre o assunto, importa em abono da verdade, dizer, que a Escola propôs às intérpretes continuarem em regime de avença até o concurso que está a decorrer, para admissão destas técnicas, terminar.

Solução esta que as intérpretes recusaram reclamando a realização de contratos por tempo indeterminado, o que violaria a lei dos concursos de admissão para a administração pública e como alternativa, para diminuir o impacto da decisão das intérpretes na aprendizagem dos alunos, a Escola assegurou que pelo menos as disciplinas mais importantes, como História, Português e Matemática, tivessem intérprete.

Ora, desde logo temos a intransigência, por parte das intérpretes que estão a usar os alunos como arma de arremesso contra a tutela, o que não é bonito, quando também passa por elas o dever da promoção da inclusão das pessoas surdas. Por outro lado, a sua posição até é humanamente compreensível se tivermos em conta que todos os agentes com responsabilidade no processo tinham, ou deviam ter, a consciência que o dia 15 de março chegaria e, sem um plano B previamente planeado, quem iria sofrer eram seguramente os alunos. E foi o que aconteceu!

Porque é que só agora, às pressas; abriu concurso? Porque não foi aberto o ano passado? A esta altura o dito estava fechado e a transição seria muito natural e sem perturbação dos alunos.

Diria mais, porque é que nestes nove anos, em que a Escola de referência para surdos está em funcionamento, nunca foi aberto concurso e sempre tiveram as intérpretes em situação de precariedade?

Afinal, nos Açores há quem fique para trás!

É com profunda tristeza que o afirmo. Mas estou chocada porque um governo que tem como máxima “não deixar ninguém para trás”, deixou para trás uma população, já por si descriminada e com muitas barreiras para ultrapassar, como é a comunidades surda.

A gestão deste processo é tão cheia, não sei se de incompetência, se de ignorância, ou apenas sensibilidade de elefante do Conselho Executivo, do Diretor Regional, do Sr. Secretario Regional da Educação ou do Vice-Presidente que é quem dota os organismos de orçamento para as suas necessidades.

Seja como for, o Rodrigo está pleno de razão, “O governo tem de mostrar sensibilidade.” para estes casos, para que realmente os Açores sejam inclusivos, como gostamos de apregoar.

Há outro aspeto em que o Governo falhou, promover e proteger os direitos das crianças e jovens surdas, pela inabilidade da resolução atempada do problema e porque não assegurou o superior interesse nem defendeu os alunos surdos que são depositados na escola e não têm qualquer apoio e interesse por parte dos pais.

Sim os pais destes jovens que foram prejudicados, não foram vistos nem ouvidos a lutar pelos direitos dos filhos, mas porque toda a regra tem uma exceção, a família do José esteve presente e luta por ele e pelos outros meninos ao ponto de se voluntariarem para irem fazer a intermediação.

Que aprendamos todos com esta situação!

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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