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Aníbal Pires

ENREDOS À MODA DO PSD AÇORES – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES ENREDOS À MODA DO PSD AÇORES – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

 

De tudo o que resulta da estratégia do PSD nas candidaturas ao Parlamento Europeu lamento, sinceramente, que o Dr. Mota Amaral se tenha deixado enredar em esconsas artimanhas e acabe, uma vez mais, enxovalhado pelo seu partido.

Não pretendo imiscuir-me nos assuntos internos da vida do PSD, e não o vou fazer. O que não quer dizer que não tenha opinião. Tenho e é a minha opinião que vou partilhar consigo, antes, porém, vou deixar-lhe algumas questões que importa ter em consideração para se poder compreender esta trama que teve o resultado que é do conhecimento público.

Existe um acordo de cavalheiros no seio do PSD, é do domínio público, que os candidatos à lista nacional para o Parlamento Europeu, nacional sim, não há outra, indicados pelas estruturas das Regiões Autónomas alternam a cada candidatura, ou seja, há cinco anos o candidato indicado pelo PSD Açores foi colocado à frente do candidato do PSD Madeira. Face a essa rotatividade este ano o candidato do PSD Madeira iria, naturalmente, à frente do candidato do PSD Açores. Esta questão não constitui novidade e é bem objetiva.

Os dois dados que introduzo a seguir, não sendo tão objetivos, foram igualmente determinantes para o desfecho que se conhece, ou seja, o PSD Açores, não tem, pelo menos até agora, nenhum representante na candidatura do PSD às eleições para o Parlamento Europeu, uma vez que o Dr. Mota Amaral achou por bem não aceitar o lugar que lhe foi destinado.

Um dos dados de análise para que possa perceber toda esta trama relaciona-se diretamente com a expetativa do PSD face aos resultados para o Parlamento Europeu, ou seja, é baixa. De onde resulta que é esperado, pelo próprio PSD, a eleição de menos deputados dos que conseguiu eleger há cinco anos.

Este ano, lá para o último quadrimestre, para além das eleições para a Assembleia da República, realizam-se eleições legislativas na Região Autónoma da Madeira e, também aí, as projeções conhecidas não são muito favoráveis ao PSD, aliás tudo aponta para a perda da maioria absoluta. Motivo que inviabilizaria qualquer cedência do PSD Madeira ao PSD Açores.

Face a estes dados que, como disse, são do conhecimento público e que poderiam, julgo que pela primeira vez, deixar um representante do PSD Açores fora do Parlamento Europeu, eis que os estrategas de Alexandre Gaudêncio engendraram um ardil para Rui Rio e para a direção nacional do PSD, ou seja, propuseram um nome de peso político incontestável, O Dr. Mota Amaral. Terão pensado, esta é uma personalidade à qual Rui Rio e o PSD não poderão negar um lugar cimeiro, que é como quem diz um lugar elegível. E ao que tudo leva a crer delinearam este plano sem nenhuma alternativa, caso o PSD recusasse, como veio a fazê-lo. O PSD Açores não tinha plano B.

E agora Senhor Presidente do PSD Açores!? Este ano há eleições para a Assembleia da República, para o próximo ano são as eleições legislativas nos Açores. Como será que Alexandre Gaudêncio vai desfazer este imbróglio onde se meteu.

O PSD Açores, desde que o Dr. Mota Amaral deixou a liderança, nunca mais encontrou rumo. Nem os delfins do carismático líder, nem a Dra. Berta Cabral se afirmaram como alternativas perante o eleitorado açoriano, e, por este andar Alexandre Gaudêncio será mais um líder para sacrificar nas eleições de 2020, se lá chegar, embora a prática no PSD Açores seja essa. Imolar os líderes no altar sacrificial das eleições regionais.

Para mim, ter ou não, um deputado que reside nos Açores no seio do Partido Popular Europeu, a família política onde se integram os deputados do PSD, não é importante. Assim como não é importante ter um deputado com residência nos Açores integrado no Partido Socialista Europeu, família política onde se integram os deputados do PS.

Estas duas famílias políticas que têm dominado o Parlamento Europeu são, afinal, responsáveis pela perda da autonomia regional e da soberania nacional. As pescas e a agricultura na Região não ficaram imunes aos efeitos perversos das respetivas políticas comuns subscritas por estes dois partidos.

Mais do que as pessoas, são os projetos políticos que determinam o nosso futuro. As personalidades no seio do Parlamento Europeu não são mais do que instrumentos dos projetos políticos.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Março de 2019

Aníbal Pires

BOM SENSO

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES BOM SENSO

 

Sou, ou pelo menos procuro ser, uma pessoa que cultiva o bom senso.

Nem sempre o consigo, mas procuro que o tempo passe antes de reagir perante o imediato. Sim, desde logo, porque o tempo é bom conselheiro, lá diz a sabedoria popular.

Sabedoria construída com tempo. No passado aprendia-se com o tempo, hoje parece não haver tempo para aprender, ou pelo menos assim aparenta ser.

Mas se evito as reações imediatas, evito também a generalização e a particularização, mas cultivo o Amor e a Liberdade, a minha e a dos outros.

A generalização, quando não constitui uma mera abstração, pode tornar-se um instrumento de padronização e, levado ao extremo, de alimento do preconceito.

Quando assim é, e é-o muitas vezes, a generalização pode conformar-se num instrumento de indução massivo de ideias que deturpam a realidade e, sobretudo, fere o respeito pela diferença e pela singularidade, que a vulgarização, por ser uma generalização, não considera.

Por outro lado, a particularização é redutora da perceção da realidade global. Atender somente ao particular, sem contextualizar pode ser (é) tão pernicioso como a generalização que não salvaguarda o que é peculiar.

Procuro, nem sempre o consigo, pautar a minha vida pessoal e pública cultivando, como já disse, esta forma de estar e agir por uma questão de bom senso.

Não é melhor nem pior que outras é, apenas, diferente e, se me permite, mais equilibrada pois diminui as hipóteses de errar e de ser injusto. E sem dúvida é um bom exercício para me tornar mais tolerante, sem que isso signifique amolecer ou deixar cair os princípios básicos que conformam a minha maneira de ser e estar.

Bom senso porquê, Pois bem porque o bom senso nem sempre é tão comum como deveria ser.

Mas também o Amor tal como a Liberdade, e outros valores que igualmente veneramos, partilham-se, constroem-se, cultivam-se. O Amor não se guarda reparte-se com os outros. O Amor é dádiva. Por termos de o distribuir, talvez por isso, o Amor seja o motor da vida e das transformações que enobrecem a condição humana.
Assim, proponho que vulgarizemos o bom senso e o Amor. Faz bem e não dói nada, Digo eu.

Gostei de estar consigo.
Haja saúde.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Julho de 2019

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Aníbal Pires

NEM TODOS CONSEGUEM

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES NEM TODOS CONSEGUEM

 

A prematura morte de André Bradford provocou um generalizado sentimento de pesar e consternação.

Sim o André era uma figura pública e isso explica, em parte, a comoção que a notícia do seu internamento hospitalar e a posterior morte provocaram na Região, mas o facto de o André ser uma personalidade conhecida, pela projeção da sua atividade política, não justifica toda a dimensão da tristeza e mágoa sentida em todos os quadrantes políticos, mas também fora da esfera política e partidária pois, nem todos os cidadãos projetados pela atividade política recolhem a admiração e o respeito públicos que, sem dúvida, o André conquistou.

Não vou tecer comentários sobre o seu percurso político, nem especular sobre o que o futuro lhe poderia ter reservado se a vida o não tivesse traído aos 48 anos.

Como disse Vasco Cordeiro nas exéquias fúnebres, parafraseando um poeta e o próprio André Bradford, “o fim é um novo começo”. Ou seja, com a ausência do André inicia-se um período de relacionamento com a memória que cada um de nós guarda dele.

E assim é. A morte priva-nos da presença, mas não nos esbulha das lembranças que temos de quem para sempre se ausentou.

Tenho, como todos os que com ele privaram, algumas boas memórias do André que vou guardar comigo.
Não que as não possa partilhar, mas porque não têm qualquer espécie de interesse público, nem constituem factos políticos dignos de registo. Isto é, apenas a mim dizem respeito sendo que todas elas são abonatórias do homem político, do homem de cultura, do homem que cultivava a amizade, do homem com critérios e princípios.

O que não significa que havia concordância entre nós, bem pelo contrário. As discordâncias seriam bem mais do que a convergência de pontos de vista. Desacordos que, porém, nunca nos impediram, traçadas que eram as fronteiras, de nos entendermos e de nos comprometermos no respeito pelas diferenças que entre nós existiam.

Valeu a pena André, mas podias ter ficado mais tempo connosco.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Julho de 2019

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Aníbal Pires

À BEIRA DO COLAPSO

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES À BEIRA DO COLAPSO

 

A semana passada trouxe a esta tribuna a situação vivida pelos trabalhadores de terra que prestam serviço à Ryanair.

Contratos, horários de trabalho e salários que, como alguém me disse, mais parecem de serviçais.

Disponibilidade total, contratos a tempo parcial e um salário que mal dá para a alimentação. Diria eu que entre as atuais relações de trabalho e a servidão do princípio do século XX, venha o diabo e escolha.

Poderia ser um caso único, mas não é.

A precariedade, o subemprego, os salários em atraso, o trabalho sem direitos e com baixos rendimentos abrangem a generalidade dos trabalhadores do setor privado, mas não só. No setor público existe um enorme contingente de cidadãos que saltitam entre os diferentes programas ocupacionais, nas IPSS idem, idem, aspas, aspas, isto para não falar da situação dos técnicos superiores que dependem diretamente da administração pública, mas que são contratados pelas IPSS. Para quando a sua integração na administração pública regional e, para quando, a equiparação salarial.

Quem ouve o discurso oficial, as leituras enviesadas dos indicadores estatísticos e se abstrai da realidade observada dirá, Tudo está bem e conforme por estas ínsulas encantadas.

Mas não. Não está, aliás pouco ou nada está bem no mundo do PS, e note-se que não é por acaso, ou facilidade de linguagem que digo PS, quando seria expetável que utilizasse a designação oficial, ou seja, Partido Socialista. Digo PS porque, embora o PS seja um partido, em bom rigor, há muito tempo que deixou de ser socialista, ou mesmo, social democrata pois essa foi sempre a sua matriz ideológica, mas já nem isso é.

O PS, o seu Governo e o seu Grupo Parlamentar passeiam-se tranquila e alegremente pela Região. O caminho até 2020 está, aparentemente, livre de obstáculos dignos desse nome.

Ou não estará, pois, alguns setores nevrálgicos para a Região estão à beira do colapso. Estão a um passo do precipício, e, não me parece que haja vontade e capacidade política para suster o passo em frente e a inevitável queda no abismo.

Se no atual quadro partidário regional, se poderá afirmar que não existem adversários que coloquem em perigo mais uma vitória eleitoral do PS, quer para a República, quer em 2020 nas eleições regionais, não é menos verdade que o PS, pela sua inoperância e incapacidade política para travar o crescente do descontentamento. Descontentamento que tenderá a aumentar com as fragilidades e ruturas no setor dos transportes, com o declínio de uma economia terciarizada, com o aumento das assimetrias regionais e, com degradação da qualidade dos serviços públicos em áreas como a saúde e a educação.

Ou seja, o PS pode vir a ser o autor e protagonista das suas próprias derrotas políticas, mesmo que continue a ganhar as eleições, independentemente da sua natureza.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Julho de 2019

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