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Pedro Neves

“Se quisermos fazer parar os Açores, fazemos parar os Açores”

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SE QUISERMOS FAZER PARAR OS AÇORES, FAZEMOS PARAR OS AÇORESA

 

Bem sei que já falei deste assunto em outras paragens, mas esta declaração ecoa na minha cabeça desde 24 de Fevereiro, dia que foi proferida.

O Presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou que, além de considerar a necessidade de abater “10 mil cabeças de gado” a partir de Maio, garatujou na mesma semana que se sentir-se ameaçado e lhe apetecer, faz parar os Açores.

Não sei qual das afirmações a pior, se a dissonância de usar a morte como ferramenta pérfida de controlo da população animal com o propósito estratégico de aumentar o preço do litro de leite, ou por mostrar indícios fortes de megalomania pela crença que pode parar os Açores. Se por mero lisonjeio eu equacionar que a esta pessoa tem esse poder , essa afirmação esgrimida será inversamente compatível com o propósito cooperativista com a comunidade que pretende ajudar. E já agora, quem lhe deu esse poder feudal?

Devíamos esperar e insistir que houvesse alta qualidade de liderança governamental na nossa região, com uma tendência notória contra o feudalismo de cargos de autoridade ou influência social, demonstrando que só ao expressar os mais altos ideais, morais e valores de convivência que representam é que chegamos a uma harmonia societal.

Mas não é o caso, o representante desta federação está impregnado nos meandros da política açoriana, ousando afirmar que pretende abater 10 mil seres vivos apenas por uma nuance economicista e ninguém escrevinhar absolutamente nada, somente existindo um “temos que ir com calma” do Secretário Regional da Agricultura e Florestas.

Mas vamos a factos. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) referente à agricultura (pecuária) e pescas desce já há dois anos consecutivos, passando de 9,8% em 2014, para 9,5% em 2015 e para 8,9% em 2016, diminuindo por consequência a sua contribuição para a evolução económica dos Açores. Apesar deste dados, faz-se uma enfatização que a pecuária é o motor hegemónico da região, quando está longe de o ser, apesar da sua pretensão. Contudo, os políticos tremem como varas verdes numa perfeita submissão a cada sopro dado por esta federação.
Verifica-se essa tendência vassálica dos nossos governantes à feudalidade do sector aquando a apresentação do orçamento regional de 2019, com 173 milhões de euros para a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas contrastando com os 67 milhões de euros para a Secretaria Regional da Educação e Cultura e dos miserentos 45 milhões de euros para a Saúde.

O turismo, sector que registou o maior crescimento do VAB durante 3 anos consecutivos, foi orçamentado unicamente com 55 milhões, repartido ainda pelo Ambiente e Energia da mesma secretaria. O Governo não acha fundamental um investimento mais robusto para o único sector com um crescimento económico considerável para a região e que empregou em dois anos mais de 1300 pessoas. A pecuária, além de ter perdido mais de 500 postos de trabalho, ainda tenta arruinar o crescimento emergente do turismo, querendo mostrar um imagem externa dos Açores totalmente distorcida, devido à prepotência e às afirmações pouco medidas de quem representa a federação agrícola regional.

Já estou a imaginar o mote publicitário para 2019:
Venha visitar os Açores! Com sorte pode adquirir o pacote turístico Mar/Terra, que consiste em observar as baleias no seu habitat natural e no mesmo dia ver o espectáculo dantesco da morte de 10 mil vacas felizes. Se tiver azar, as nossas portas poderão estar fechadas sem aviso prévio e por tempo indeterminado até ordens superiores, mais concretamente do Sr. Presidente da Federação Agrícola do Açores. Obrigado e volte sempre, mas só se ele quiser.”

Pedro Neves

Pedro Neves

JÁ NINGUÉM FALA DA ABSTENÇÃO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES JÁ NINGUÉM FALA DA ABSTENÇÃO

 

Os Açores bateram o recorde na abstenção nas eleições europeias, ultrapassando os 85%, apesar de a região ser uma das maiores beneficiárias de fundos comunitários desde 1986. Essa percentagem mostrou indubitavelmente o divórcio entre a sociedade e os políticos.

Muita tinta se gastou e muitas palavras foram proferidas em opiniões sobre o desencontro entre as pessoas e a democracia. Mas, na grande maioria, essas assunções não estavam correctas. As pessoas não se afastaram da democracia mas sim do político comum, político esse que se distanciou em primeiro lugar da sociedade civil. Depois veio a desconfiança, devido à promiscuidade de alguns, carreirismo de outros e um problema enorme em largar o poder depois de ter sorvido dele.

Ainda existe políticos não obsoletos nos Açores, com uma visão empática e uma consciência indivisível da ligação próxima com as pessoas, pensando no bem-estar da sociedade e não apenas em si como indivíduo para delícia da sua ambição e do seu ego. Contudo, existe o também o político, muitas vezes bastante sobranceiro do público em geral, acreditando que ele tem o engenho e o poder de manipular a consciência social como ele deseja, mesmo esquecendo a própria democracia por breves momentos apenas para que o seu propósito seja atingido.

Infelizmente, aliado a uma apatia pública crescente, a habilidade para manipular atitudes sociais para os seus próprios fins são não mais que meras barreiras para um progresso social que é tão esperado por uma sociedade.
Numa região com esta tendência notória é de esperar e insistir que haja alta qualidade de liderança governamental com um crença de que aqueles em cargos de autoridade e influência social devem expressar os mais altos ideais, morais e valores da sociedade que representam. Mas não acontece.

Seria também de louvar o esforço e a energia dispensada dos estadistas a tentar descobrir e solucionar a origem da abstenção, não fosse a recusa de aceitar o problema dentro deles mesmos, ao invés de procurar a resposta nos cidadãos, que responderam em uníssono e de forma plena nas últimas eleições.
Há um afastamento das pessoas em relação à actividade política e à participação da sociedade civil. Assim se expõe o fosso entre a política que representa a comunidade e o indivíduo que não é mais que a soma da sociedade pouco representada e que não deixa de ser um espelho dos seus órgãos públicos.

Este pensamento confronta-nos com a escolha transformativa, continuar a persistir no egocentrismo do mero político para a destruição colectiva ou levantar a voz para uma mudança unificadora. O caminho a seguir, obviamente, depende ou do activismo ou da apatia pública, da qualidade da liderança social unitiva ou pela atitude de condicionamento separatista.

Não foram os partidos do arco de governação que prometeram discutir a abstenção para que este grave problema não entrasse no esquecimento?

Pois bem, já não ouço ninguém.

Pedro Neves

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Pedro Neves

“NÃO DEIXAR DORMIR UMA CRIANÇA QUE PRECISA É QUASE TORTURA”

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PEDRO NEVES NÃO DEIXAR DORMIR UMA CRIANÇA QUE PRECISA É QUASE TORTURA

 

“Um bom jardim-de-infância tem a obrigação de ter duas salas: uma para as crianças de qualquer idade que precisem de dormir a sesta e outra onde ficarão a brincar as restantes”. Esta citação é feita pelo pediatra Mário Cordeiro que também afirma que “não deixar dormir uma criança que precisa é quase tortura”.

A semana passada foi chumbado o diploma do PAN para que fossem criadas condições para a prática da sesta das crianças do ensino pré-escolar, numa altura em que cada vez mais é imposto o abandono da sesta nas creches.
E apesar das recomendações divulgadas pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) para a prática da sesta da criança, realizadas por um painel de especialistas nacionais dedicadas ao estudo do sono ou ao neurodesenvolvimento em idade pediátrica, para promover a melhor prática para o sono diurno ou sesta da criança até aos 6 anos de idade, existem partidos políticos que acham pouco relevante aprovar uma medida com esta magnitude, mesmo sabendo das consequências graves a curto e a longo prazo para as nossas crianças, comprovado por factos científicos.

A privação da sesta em crianças tão pequenas provoca desordens a nível orgânico, físico e psíquico, reduz o nível de atenção e aprendizagem, altera o próprio comportamento e capacidade de memória, desregulando a parte emocional com implicações directas na qualidade de vida e saúde mental que, na maior parte das vezes estas alterações podem mesmo ser irreversíveis.

Na actualidade, sendo já uma regra desculpável, a maioria das crianças após os 3 anos de idade não tem o direito de completar o tempo de sono necessário. Os argumentos das instituições variam entre a falta de espaço ou de recursos humanos, mas pior, vêm de fés colectivas de quem trabalha nestas instituições questionando a importância da sesta, contrariando os estudos dos peritos, valorizando o “desmame” das crianças para a ausência de sesta após os 3 anos de idade.

Essa privação de sono é verificada por muitos pais que, de forma consequente, vão buscar os filhos e eles adormecem de imediato no carro ou nem jantam pelo extremo cansaço ou pela irritabilidade provocada pelo sono.

Esta medida do PAN, munida com estudos científicos realizados em Portugal, que compara até o tempo total de sono diário em idade pré-escolar no nosso país como um dos mais baixos na Europa, pretendia apenas dar mais qualidade de vida às nossas crianças, estabelecendo uma rotina que já existia nas gerações anteriores.

O mesmo partido que é atacado erradamente pelo uso de “pseudo-ciência”, vê o seu diploma rejeitado pela maioria dos partidos que recusaram validar factos comprovados por peritos portugueses. É altura de questionar no quê e em quem é que eles acreditam.

Pedro Neves

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Pedro Neves

O DESTRATE DO TRATADO DE PROIBIÇÃO DE ARMAS NUCLEARES

Pedro Neves

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PEDRO NEVES O DESTRATE DO TRATADO DE PROIBIÇÃO DE ARMAS NUCLEARES

 

Na semana passada o PAN apresentou um projecto para que o governo ratificasse o Tratado de Proibição de Armas Nucleares (TPAN), mas foi chumbado pelo PS, PSD e CDS.

O Tratado internacional que representa a longa luta contra armas nucleares, foi aprovado no dia 7 de Julho de 2017 por 122 estados soberanos e pela determinação política da ONU. Não de forma vinculativa, mas foi também criado uma frente de apoio, contando com a Cruz Vermelha Internacional, o Vaticano e a rede internacional de médicos para a prevenção da guerra nuclear, que ganharam o Prémio Nobel da Paz em 1985.

Portugal, além de não ter participado nas negociações deste Tratado, votou contra a resolução da Assembleia Geral da ONU em 2016, que estabeleceu o mandato para as nações negociarem o tratado, alegando que as armas nucleares dos EUA são essenciais para a sua segurança nacional. Esse essencialismo lembra-me logo a máxima de George Carlin quando diz que “bombardear pela paz é como fazer sexo pela virgindade”.

O TPAN, que proíbe o desenvolvimento, teste, produção, armazenamento, colocação, transferência, uso e ameaça de uso de armas nucleares, pretende remover a ameaça à humanidade, seja por destruição deliberada por uma guerra nuclear ou destruição involuntária por erro tecnológico ou humano.

No entanto, devemos estar conscientes que esse primeiro grande passo alcançado pelo Tratado a nível mundial, tem como obstáculos os países que são porta-vozes de grandes lobbies da indústria militar bem como a necessidade da ratificação de pelo menos 50 países para que entre em vigor esta pretensão.

Uma guerra nuclear, realizada pelas armas com o maior poder destrutivo do mundo, desencadearia uma cicatriz demasiado profunda para o planeta. As consequências humanitárias e ecossistémicas seriam catastróficas e o planeta não teria capacidade para absorver tanta destruição pelos danos que seriam persistentes e permanentes.

Como humanidade, não aprendemos nada com o passado, quando em oblívio uníssono, como uma dormência planetária, esquecemos dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki em Agosto de 1945, em que se perdeu 40% da população de Hiroshima e 60% de Nagasaki, morrendo 240 mil pessoas.

Pelo menos 3 partidos esqueceram-se.

Pedro Neves

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