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Regional

Ex-delegado diz que ficaram provados maus-tratos na Santa Casa de Ponta Delgada

Agência Lusa

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O ex-delegado de Saúde de Ponta Delgada e coordenador da equipa que interveio na Santa Casa da cidade açoriana, diz que ficou, “provado documentalmente”, em sede de comissão de inquérito, que houve maus tratos na instituição.

À saída da audição da Comissão Eventual de Inquérito à Rede de Cuidados Continuados Integrados da Região Autónoma dos Açores, que decorreu à porta fechada, na delegação de Ponta Delgada do parlamento açoriano, Paulo Margato afirmou que “ficou claro que os maus tratos na Santa Casa de Misericórdia existiam há mais de uma década”.

O médico responsável pela equipa multidisciplinar que interveio, durante seis meses, na rede de cuidados continuados integrados da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, depois de terem sido detetadas falta de condições para o seu funcionamento, afirmou que “os primeiros relatos de maus tratos na Santa Casa de Ponta Delgada vêm de 2006”.

Sobre se tem conhecimento de outras irregularidades noutras instituições disse não se querer pronunciar, “por enquanto”, frisou, por estar ali na qualidade de coordenador da equipa multidisciplinar que interveio na Santa Casa de Ponta Delgada, e esse ser o objeto a ser analisado.

Paulo Margato denunciou pressões políticas nas decisões tomadas em relação ao encerramento da unidade, depois de ter sido denunciada a falta de condições, e disse ter “explicado aos senhores deputados onde houve pressões políticas e que tipo de pressões políticas é que houve”.

O ex-delegado de Saúde de Ponta Delgada lamenta “um estado de negação permanente do poder político” que permitiu que a problemática tomasse “esta proporção”, e adiantou que foram feitas “várias tentativas, por email, por telefone” para manter a equipa que coordenava em funcionamento na instituição em causa, mas diz que “a equipa foi empurrada para fora, por um estratagema bem montado por quem não a queria lá”.

A audição ocorreu à porta fechada por deliberação da maioria socialista, que alegou a defesa do segredo de justiça, tendo levado a que a bancada parlamentar do PSD abandonasse a sessão.

Questionado sobre isso, o médico apontou que “o PSD é a segunda força política dos Açores, terá grande representatividade a nível” da região, e “que teria uma visão um pouco diferente nalgumas questões que foram levantadas”.

Os sociais-democratas adiantaram a intenção de agendar nova audiência, quando for disponibilizada toda a documentação. Sobre essa possibilidade, Paulo Margato afirmou estar “sempre disponível em nome da verdade e, sobretudo, com o objetivo principal de acabar com a negação que (…) levou a este patamar”.

Sobre as possíveis conclusões desta comissão de inquérito, afirma que “o relatório final, se não está feito, já podia estar feito”, mas diz ter “orgulho” na atenção que o tema dos cuidados aos idosos tem vindo a ganhar.

A comissão eventual de inquérito do parlamento regional açoriano pretende “analisar e avaliar os procedimentos adotados pelas secretarias regionais da Solidariedade Social e da Saúde, bem como pelos departamentos do Governo Regional e entidades públicas tuteladas pelas referidas secretarias regionais, nos casos de alegados maus-tratos a idosos, divulgados por órgãos de comunicação social”.

Proposta pelo PSD, a comissão foi criada na sequência da reportagem da TVI que denunciava alegados maus tratos a idosos nas Unidades de Cuidados Continuados das Santas Casas da Misericórdia de Ponta Delgada e de Angra do Heroísmo.

Desporto

Varzim contrata médio Minhoca que jogava no Santa Clara

Agência Lusa

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O médio português Minhoca, que jogava no Santa Clara, da I Liga, vai reforçar o Varzim, anunciou hoje o clube da II Liga portuguesa de futebol.

O jogador, de 31 anos, natural dos Açores, esteve nas últimas duas temporadas no emblema de S. Miguel, tendo em 2018/19 participado em apenas sete partidas, sem golos.

O médio conta também no seu currículo com passagens anteriores pelo Santa Clara, ma também pelo Paços de Ferreira, União Micaelense e Marítimo.

Os poveiros garantiram, ainda, a contratação do defesa central brasileiro Lucas Lima, de 24 anos, que jogava no campeonato luxemburguês, ao serviço do Titus Petangé, depois ter feito formação no Goiás, do Brasil, e ter experiências no futebol espanhol e italiano.

Com estas duas contratações o Varzim assegurou já 11 reforços para a nova época, depois de Luís Pedro (ex-Penafiel), Tiago Cerveira (ex-União de Leiria), Felipe Augusto (ex-Sporting de Espinho), Glen Matondo (ex-Bobigny, França), Serginho (ex-Santa Clara), Levi Lumeka (ex-Crystal Palace, Inglaterra), Alan Henrique (ex-Sriwijaya, Indonésia) e Willan Dias (ex-Arouca).

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Regional

Modelo de construção para prisões de Ponta Delgada e Montijo é hoje apresentado

Agência Lusa

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As prisões de Ponta Delgada e Montijo serão as primeiras a serem construídas segundo um modelo “mais humanizado e sustentável” concebido para os novos estabelecimentos prisionais e que hoje é apresentado no âmbito dos Encontros de Inovação na Justiça.

Segundo o Ministério da Justiça, o estudo de conceção para uma Prisão do Século XXI, desenvolvido pela Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e pela Faculdade de Arquitetura de Lisboa resultou num “novo modelo mais humanizado, mais sustentável e de acordo com as normas de referência internacional” a aplicar aos novos estabelecimentos prisionais (EP).

Os dois projetos para a construção dos EP do Montijo e de Ponta Delgada, nos Açores, vão ser lançados em breve.

O EP de Ponta Delgada, com um investimento entre 45 e os 50 milhões de euros, terá uma área bruta de 22.600 metros quadrados e 41 mil metros quadrados de espaços exteriores, entre os quais cinco campos de jogos, para uma população a rondar os 500 reclusos.

O EP do Montijo, cujo investimento rondará os 65 e os 70 milhões de euros, terá capacidade para cerca de 800 reclusos, uma área bruta de construção de 30.500 metros quadrados e 64 mil metros quadrados de espaços exteriores, nomeadamente oito campos para a prática de desporto.

O novo conceito será apresentado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa.

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Regional

NASA vai usar vulcão dos Capelinhos para treinar exploração em Marte

Agência Lusa

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A NASA vai usar o vulcão dos Capelinhos, nos Açores, para treinar a exploração da paisagem de Marte e perceber como evoluiu nos últimos milhões de anos, disse à Lusa o ex-diretor do departamento científico da agência espacial norte-americana.

A expedição, que ainda não tem data marcada mas que acontecerá “em breve”, levará cientistas da NASA, do Reino Unido e de Portugal a estudar o vulcão da ilha do Faial que nasceu do mar no final dos anos 50, em condições muito semelhantes às que se terão verificado em Marte “há mil milhões de anos”.

“Quando Marte tinha mares e lagos, vulcões entraram em erupção nas águas e produziram relevo como o que vemos nos Capelinhos, que erodiu na presença de água persistente. Depois, as águas secaram. O clima de Marte mudou e hoje só temos os esqueletos fantasmagóricos dessa paisagem, preservada nas rochas”, disse James Garvin em entrevista à Lusa à margem da Global Exploration Summit, que começou hoje em Lisboa.

James Garvin, que dirigiu o departamento científico da NASA entre 2004 e 2005, afirmou que os Açores são “um laboratório especial” só comparável a mais dois locais da Terra, um na Islândia, outro em Tonga, com vulcões de erupção recente em meio aquático, com “água e lava a interagirem de forma dinâmica”.

“Sítios como esses, quentes, húmidos e com atividade térmica, seriam bons para surgir vida microbial”, disse.

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando ‘drones’, em preparação para a próxima fase da exploração.

“Voltaremos lá para ver se podemos usar [o vulcão] como caso de estudo para o nosso ‘helicóptero marciano’, que enviaremos com a missão Mars Rover em 2020”, que incluirá um veículo da NASA e outro da Agência Espacial Europeia.

Garvin explicou que “algumas coisas nos Capelinhos acontecem muito depressa numa escala menor, algumas numa escala maior” e que a expedição terá resultados úteis para as compreender na Terra.

“Vemos as maiores a acontecer do espaço e observamos nós próprios as mais pequenas. Depois, juntamos matematicamente as duas e podemos criar modelos para como o vulcão dos Capelinhos evoluirá à medida que o ambiente muda e o nível do mar sobe”, acrescentou.

Comparando os dados recolhidos há 25 com os atuais, será possível ter “um registo dos últimos sessenta anos de erosão no oceano Atlântico” em torno da ilha.

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