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Aníbal Pires

ESPECIALISTAS EM MULTITAREFAS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES ESPECIALISTAS EM MULTITAREFAS

 

Concordará que as lojas da Rede Integrada de Apoio ao Cidadão ou, como vulgarmente dizemos a RIAC, pelas suas caraterísticas e disseminação pelo território cumprem o objetivo para que foram criadas: Proximidade aos cidadãos e concentração de serviços no mesmo local, de onde resulta uma melhoria significativa dos serviços públicos.

Assim foi pensado, concebido e executado. Mas as lojas RIAC são muito mais do que isso, os serviços que prestam são incontáveis e, não são apenas relacionados com serviços públicos, algumas lojas prestam serviços a entidades privadas.

As lojas RIAC numa apreciação global dão uma resposta que considero positiva a uma panóplia imensa de necessidades dos cidadãos.

Se lhe perguntar facilmente se lembrará de que na RIAC pode tratar do Cartão de Cidadão, do Passaporte, da Carta de Condução ou mesmo obter o Registo Criminal, mas estas lojas não se ficam por aqui na multiplicidade de tarefas que disponibilizam aos cidadãos. Numa loja RIAC pode obter a Licença de Pesca e de Caça, pagar o IUC, obter a Concessão de Sepultura, ou uma Licença Especial de Ruído, fazer a entrega eletrónica do IRS, pagar as Contribuições para a Segurança Social, pedir uma Simulação da Pensão de Aposentação e até, se pretender viajar para os Estados Unidos solicitar o ESTA. As lojas RIAC também vendem bilhetes para a Alânticoline e algumas delas prestam serviços que estão cometidos aos CTT. Esta listagem é apenas uma pequena amostra de tudo quanto pode obter nas lojas RIAC.

Face à capacidade de resposta das lojas RIAC que, como está bom de ver, não funcionam sozinhas. As lojas RIAC funcionam com pessoas especializadas numa infinidade de domínios. Assim sendo, pensava eu, que os trabalhadores das lojas RIAC tivessem um estatuto remuneratório e laboral que correspondesse às exigências do trabalho que realizam. Mas não, nada disso. O estatuto profissional corresponde à carreira de Assistente Técnico da Administração Pública o que, digamos, é estranho uma vez que as suas funções e competências não são comparáveis a um Assistente Técnico de um departamento da administração pública que tem as suas funções adstritas a áreas da administração confinadas apenas a assuntos muito específicos.

Os trabalhadores das lojas RIAC para além de terem de responder por todas as solicitações feitas pelos cidadãos nas áreas que a administração pública disponibiliza eletronicamente, são responsáveis financeiramente pela receita cobrada, trabalham por turnos e não têm posto de trabalho fixo, ou seja, o seu posto de trabalho é a ilha. Hoje estão nesta loja, amanhã poderão estar numa outra a dezenas de quilómetros, por conveniência do serviço ou, quantas e quantas vezes em resultado dos maus humores da coordenação do serviço ou da sua Direção Regional. E não pensem que quando deslocados lhes são atribuídas quaisquer ajudas de custo ou subsídio de transporte, Não. Não se esqueça que o local de trabalho dos funcionários das lojas RIAC é a ilha. Exatamente não existem quadros por loja os lugares do quadro são de ilha.

Estamos a falar de trabalhadores especializados numa imensa panóplia de saberes com responsabilidades enormes, designadamente, financeiras e, em alguns casos até sujeitos a trabalhar num clima de insegurança. É justo que esteja a pensar que estes trabalhadores aufiram de um estatuto remuneratório em conformidade com a sua especialização em multitarefas, que trabalha por turnos, que tem responsabilidades de tesouraria, e pode trabalhar em qualquer das lojas RIAC da ilha a cujo quadro pertence. E seria justo que o seu estatuto remuneratório refletisse estas exigências e imprevisibilidade, mas não é assim.

O salário de um trabalhador da RIAC é pouco mais do que o salário mínimo regional. Ninguém diria, mas é verdade.
Ao que por aí tenho ouvido os trabalhadores das lojas RIAC estão a solicitar à tutela que reveja as suas condições de trabalho, segurança, formação e estatuto remuneratório. Só posso estar ao lado destes trabalhadores na sua pretensão de reconhecimento e valorização profissional.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 02 de Março de 2019

Aníbal Pires

BOM SENSO

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES BOM SENSO

 

Sou, ou pelo menos procuro ser, uma pessoa que cultiva o bom senso.

Nem sempre o consigo, mas procuro que o tempo passe antes de reagir perante o imediato. Sim, desde logo, porque o tempo é bom conselheiro, lá diz a sabedoria popular.

Sabedoria construída com tempo. No passado aprendia-se com o tempo, hoje parece não haver tempo para aprender, ou pelo menos assim aparenta ser.

Mas se evito as reações imediatas, evito também a generalização e a particularização, mas cultivo o Amor e a Liberdade, a minha e a dos outros.

A generalização, quando não constitui uma mera abstração, pode tornar-se um instrumento de padronização e, levado ao extremo, de alimento do preconceito.

Quando assim é, e é-o muitas vezes, a generalização pode conformar-se num instrumento de indução massivo de ideias que deturpam a realidade e, sobretudo, fere o respeito pela diferença e pela singularidade, que a vulgarização, por ser uma generalização, não considera.

Por outro lado, a particularização é redutora da perceção da realidade global. Atender somente ao particular, sem contextualizar pode ser (é) tão pernicioso como a generalização que não salvaguarda o que é peculiar.

Procuro, nem sempre o consigo, pautar a minha vida pessoal e pública cultivando, como já disse, esta forma de estar e agir por uma questão de bom senso.

Não é melhor nem pior que outras é, apenas, diferente e, se me permite, mais equilibrada pois diminui as hipóteses de errar e de ser injusto. E sem dúvida é um bom exercício para me tornar mais tolerante, sem que isso signifique amolecer ou deixar cair os princípios básicos que conformam a minha maneira de ser e estar.

Bom senso porquê, Pois bem porque o bom senso nem sempre é tão comum como deveria ser.

Mas também o Amor tal como a Liberdade, e outros valores que igualmente veneramos, partilham-se, constroem-se, cultivam-se. O Amor não se guarda reparte-se com os outros. O Amor é dádiva. Por termos de o distribuir, talvez por isso, o Amor seja o motor da vida e das transformações que enobrecem a condição humana.
Assim, proponho que vulgarizemos o bom senso e o Amor. Faz bem e não dói nada, Digo eu.

Gostei de estar consigo.
Haja saúde.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Julho de 2019

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Aníbal Pires

NEM TODOS CONSEGUEM

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES NEM TODOS CONSEGUEM

 

A prematura morte de André Bradford provocou um generalizado sentimento de pesar e consternação.

Sim o André era uma figura pública e isso explica, em parte, a comoção que a notícia do seu internamento hospitalar e a posterior morte provocaram na Região, mas o facto de o André ser uma personalidade conhecida, pela projeção da sua atividade política, não justifica toda a dimensão da tristeza e mágoa sentida em todos os quadrantes políticos, mas também fora da esfera política e partidária pois, nem todos os cidadãos projetados pela atividade política recolhem a admiração e o respeito públicos que, sem dúvida, o André conquistou.

Não vou tecer comentários sobre o seu percurso político, nem especular sobre o que o futuro lhe poderia ter reservado se a vida o não tivesse traído aos 48 anos.

Como disse Vasco Cordeiro nas exéquias fúnebres, parafraseando um poeta e o próprio André Bradford, “o fim é um novo começo”. Ou seja, com a ausência do André inicia-se um período de relacionamento com a memória que cada um de nós guarda dele.

E assim é. A morte priva-nos da presença, mas não nos esbulha das lembranças que temos de quem para sempre se ausentou.

Tenho, como todos os que com ele privaram, algumas boas memórias do André que vou guardar comigo.
Não que as não possa partilhar, mas porque não têm qualquer espécie de interesse público, nem constituem factos políticos dignos de registo. Isto é, apenas a mim dizem respeito sendo que todas elas são abonatórias do homem político, do homem de cultura, do homem que cultivava a amizade, do homem com critérios e princípios.

O que não significa que havia concordância entre nós, bem pelo contrário. As discordâncias seriam bem mais do que a convergência de pontos de vista. Desacordos que, porém, nunca nos impediram, traçadas que eram as fronteiras, de nos entendermos e de nos comprometermos no respeito pelas diferenças que entre nós existiam.

Valeu a pena André, mas podias ter ficado mais tempo connosco.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Julho de 2019

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Aníbal Pires

À BEIRA DO COLAPSO

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES À BEIRA DO COLAPSO

 

A semana passada trouxe a esta tribuna a situação vivida pelos trabalhadores de terra que prestam serviço à Ryanair.

Contratos, horários de trabalho e salários que, como alguém me disse, mais parecem de serviçais.

Disponibilidade total, contratos a tempo parcial e um salário que mal dá para a alimentação. Diria eu que entre as atuais relações de trabalho e a servidão do princípio do século XX, venha o diabo e escolha.

Poderia ser um caso único, mas não é.

A precariedade, o subemprego, os salários em atraso, o trabalho sem direitos e com baixos rendimentos abrangem a generalidade dos trabalhadores do setor privado, mas não só. No setor público existe um enorme contingente de cidadãos que saltitam entre os diferentes programas ocupacionais, nas IPSS idem, idem, aspas, aspas, isto para não falar da situação dos técnicos superiores que dependem diretamente da administração pública, mas que são contratados pelas IPSS. Para quando a sua integração na administração pública regional e, para quando, a equiparação salarial.

Quem ouve o discurso oficial, as leituras enviesadas dos indicadores estatísticos e se abstrai da realidade observada dirá, Tudo está bem e conforme por estas ínsulas encantadas.

Mas não. Não está, aliás pouco ou nada está bem no mundo do PS, e note-se que não é por acaso, ou facilidade de linguagem que digo PS, quando seria expetável que utilizasse a designação oficial, ou seja, Partido Socialista. Digo PS porque, embora o PS seja um partido, em bom rigor, há muito tempo que deixou de ser socialista, ou mesmo, social democrata pois essa foi sempre a sua matriz ideológica, mas já nem isso é.

O PS, o seu Governo e o seu Grupo Parlamentar passeiam-se tranquila e alegremente pela Região. O caminho até 2020 está, aparentemente, livre de obstáculos dignos desse nome.

Ou não estará, pois, alguns setores nevrálgicos para a Região estão à beira do colapso. Estão a um passo do precipício, e, não me parece que haja vontade e capacidade política para suster o passo em frente e a inevitável queda no abismo.

Se no atual quadro partidário regional, se poderá afirmar que não existem adversários que coloquem em perigo mais uma vitória eleitoral do PS, quer para a República, quer em 2020 nas eleições regionais, não é menos verdade que o PS, pela sua inoperância e incapacidade política para travar o crescente do descontentamento. Descontentamento que tenderá a aumentar com as fragilidades e ruturas no setor dos transportes, com o declínio de uma economia terciarizada, com o aumento das assimetrias regionais e, com degradação da qualidade dos serviços públicos em áreas como a saúde e a educação.

Ou seja, o PS pode vir a ser o autor e protagonista das suas próprias derrotas políticas, mesmo que continue a ganhar as eleições, independentemente da sua natureza.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Julho de 2019

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