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Natércia Gaspar

DEVÍAMOS MORRER COMO NASCEMOS, COM CALOR HUMANO E QUEM AMAMOS POR PERTO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DEVÍAMOS MORRER COMO NASCEMOS, COM CALOR HUMANO E QUEM AMAMOS POR PERTO

 

Há uma frase célebre que diz que nascemos e morremos sozinhos.

Quanto a mim, é apenas verdade que morremos sozinhos!

Ou pelo menos, cada vez mais os nossos idosos morrem sozinhos, depois de viverem o resto dos seus dias sozinhos!

Quantas vezes as notícias nos relatam a situação de idosos que aparecem mortos em casa, por vezes tanto tempo depois.

Mas a que propósito vem este assunto? Perguntarão vocês.

Um destes dias, um senhor de idade avançada, que vive perto do local onde trabalho, gritava à janela por socorro, sentia-se o seu desespero, corria de uma janela para outra.

Da rua vizinhos, pediam para abrir a porta, mas o senhor apenas gritava de janela em janela. Chamaram os bombeiros para abrir a porta e a ambulância e foi conduzido ao Hospital.

Mais tarde soube-se que tinha tido um AVC e estava internado.

Vivia com a esposa que falecera à pouco mais de um mês. Tem um filho que vive no Canadá.

Um filho que dentro do que a distância permite é presente.

Tinha estado nos Açores, aquando da morte da mãe e voltou agora, com o internamento do pai.

Esta é apenas uma história entre tantas…e esta felizmente não teve um final infeliz, pelo menos por agora…

O envelhecimento é um dos maiores problemas sociais do séc. XXI.

Não queremos encarar esta realidade, o Estado assobia para o lado, nós filhos, ou andamos cegos pelo materialismo que nos obriga a ser escravos do trabalho ignorando as pessoas que amamos, sobretudo os mais velhos, ou, queremos cuidar dos nossos pais, dos nossos avós, mas temos que trabalhar e se deixarmos os nossos empregos ficamos ainda mais expostos à situação de pobreza, é menos um salário lá em casa e não há qualquer tipo de proteção social o que inviabiliza o acesso a uma pensão na idade da reforma.

Estranho, este Estado que comparticipa as IPSS pelos idosos acolhidos em Lar, até dá benefícios fiscais a quem tem idosos institucionalizados, mas se cuidarmos deles, em ambiente familiar, sem os tirar do seu meio, não há qualquer tipo de apoio!

Mesmo assim é numeroso o número de cuidadores informais, que apesar de todas as dificuldades, optam por cuidar dos mais velhos, mas a realidade diz-nos que também é numeroso o número de idosos a viver sozinhos ou isolados.
A GNR, que se diga em abono da verdade, tem feito um trabalho extraordinário, na vigilância, sinalização e encaminhamento de idosos para os serviços competentes, o ano passado na sua já habitual operação “Censos Sénior 2018” sinalizou cerca de 45600 idosos a viver sozinhos.

Caro ouvinte, todos chegaremos a velhos, e todos temos o direito de morrer como nascemos, com calor humano e quem amamos por perto!

Pense nisso!

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

Natércia Gaspar

QUE POBREZA, O PSD AÇORES SÓ FALAR DA POBREZA PARA ARREMESSO POLÍTICO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUE POBREZA, O PSD AÇORES SÓ FALAR DA POBREZA PARA ARREMESSO POLÍTICO

 

Quanto mais conheço sistemas de promoção e proteção social aumenta a minha convicção que os Açores disponibilizam uma rede de suporte social, ímpar.

Longe dos países do Norte da Europa é certo, mas muito melhor que algumas regiões da Europa do Sul.
A aposta dos sucessivos Governos nos últimos anos 20 anos, em dotar de recursos humanos, apesar de tudo também sem comparação, a administração publica e as ONG, bem como qualificá-los, permitiu criar uma rede de suporte social de proximidade que se por um lado assegura o acompanhamento das diversas situações, por outro aumenta a visibilidade das problemáticas sociais e, obviamente, os números das estatísticas sobem.

Sim, sejamos claros, as problemáticas sociais não têm aumentado ao nível da sua prevalência, mas sim da sua visibilidade.

Face aos resultados provisórios apresentados em outubro, do Inquérito das Condições de Vida, o PSD veio a terreiro usar esses números para critica política, por estes dias que saíram os mesmos dados, mas definitivos, o PSD voltou a utilizá-los para arremesso político e nem se deu conta que estamos perante os mesmos números.

O que não surpreende, porque a pobreza de ideias e de ações no PSD é de tal ordem que entra em êxtase quando tropeça em números, os quais não têm capacidade de contextualizar, e que utilizam os números como argumentos cegos para criticar, mas propostas, alternativas…nada!

Mas, se é certo que os resultados do Inquérito das Condições de Vida indicam uma subida da taxa de pobreza, também é intelectualmente honesto dizer-se que tal como a crise se sentiu mais tarde e com menor impacto na Região (graças às politicas do Governo dos Açores que contrariavam a Troika do PSD e CDS) também o seu impacto teve efeitos mais tarde. Assim, não tenho dúvidas que em 2023 os indicadores já apontarão para a redução do índice de pobreza.

Importa dizer que ao contrário do que se fez no passado, no período de governação do PSD, o Governo de Vasco Cordeiro e Andreia Cardoso, não elegeram a Pobreza como tema tabu e assumiram de peito aberto que havia que combater a pobreza convocando para isso, como não podia deixar de ser, toda a comunidade, forças vivas e mais importante, ainda, os departamentos do Governo.

Um combate que parte de um ponto em que se teve que recuperar o que o PSD Açores não fez porque enterrou a cabeça na areia, não desenvolveu políticas emancipadoras das famílias em situação de pobreza, e, pelo contrário, alimentou, através do Assistencialismo, uma clientela que pagava com votos as esmolas do Regime.

Nada do que disse justifica o facto dos Açores não estarem melhores no que à Pobreza diz respeito. Exige uma reflexão, uma ação que já está no terreno através da Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social. Mas exige, sobretudo, que os departamentos do governo que agora se posicionam a serem parte da solução reflitam sobre os condicionalismos que até agora não foram mais céleres e eficazes na redução dos índices de pobreza.

Sobre isto falaremos para a semana.

Até lá fique bem! Fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

SIMPLICIDADE, GENUINIDADE E ALEGRIA

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR SIMPLICIDADE, GENUINIDADE E ALEGRIA

 

Hoje tenho a benção de vos falar a partir da Ilha de Santiago, em Cabo Verde, uma antiga colónia portuguesa cuja independência consegue a 5 de julho de 1975.

Um processo que por cá não deixou os traumas que deixou noutras ex colónias.

É uma benção porque viver de perto o dia a dia deste povo é uma lição de vida, de simplicidade, de genuinidade de alegria!

Para esta gente é preciso muito pouco para serem felizes.

Pouco planeiam as suas vidas, vivem à base do acontece e se acontece acolhem com alegria.

As suas vidas deslizam, com maior ou menor dificuldade, como os seus corpos que em cada movimento parece que respondem a uma nota musical.

Sim, os seus corpos têm musicalidade tal como o mar, a natureza, a cultura, enfim as suas vidas!

Não é tudo fácil! Diria não é nada fácil! Em Santiago a terra é árida e inospita, não há muita água. Não chove há 2 anos por cá. Já imaginaram estarmos 2 anos sem chuva nos Açores.

Por cá, praticamente tudo é importado, o que encarece o custo de vida num país cujo salário minimo é de 150,00€.

Faz-nos pensar como conseguem viver, pois o custo de vida é praticamente igual ao nosso. Mas o facto é que conseguem com muito trabalho. É frequente ver nas ruas as mulheres a venderem fruta, peixe, milho, biscoitos etc para comporem o orçamento familiar.

Mas, o sorriso, o brilho dos olhos, a boa disposição o afeto não desaparecem e contagiam!

Está efetivamente a ser uma experiência fantástica, mas também me interpela. Põe-me em confronto com o pior que temos na nossa suposta civilização. Sim, porque ser civilizado não é de certeza viver para o trabalho, com stress para ganhar o dinheiro para conseguir dinheiro e ceder ao apelo constante ao consumismo e não estar presente na vida dos filhos, da familia.

Ser civilizado não é seguramente morar uma vida inteira no mesmo sitio sem dizer bom dia ou perguntar como vão?

Ou criar uma redoma à nossa volta para nos proteger, não deixamos as nossa crianças brincar na terra, sujarem-se e cada vez mais a nossa imunidade está fragilizada expondo-nos a outras tantas doenças.

Sim vou partir daqui a questionar de que vale tudo o que temos, alegadamente num país desenvolvido, mas, no que toca às almas humanas, perdemos algures no tempo os afectos e o cuidado pelos outros…

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

A HISTÓRIA DE UMA CRISE POLITICA QUE PARECEU UM TRECHO DA CONVERSA DA TRETA

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR A HISTÓRIA DE UMA CRISE POLITICA QUE PARECEU UM TRECHO DA CONVERSA DA TRETA

 

Recuar para não cair a pique, foi o que fizeram PSD e CDS na questão da aprovação da recuperação integral do tempo de serviço congelado, da carreira dos professores, como resposta à ameaça da demissão por parte do governo, caso a medida fosse aprovada.

Um episódio de crise política que parece um trecho da Conversa da Treta do saudoso António Feio e José Pedro Gomes.

Em síntese foi assim…

Era uma vez, uma classe profissional que, não contente com a recuperação de 2 anos, 9 meses e 18 dias do congelamento da sua carreira, continua a exigir a recuperação de 9 anos, 4 meses e 2 dias, sempre com o apoio da oposição do Governo, apesar do apoio dos restantes partidos da Geringonça BE e PCP.

Esta história remonta ao início desta legislatura, ganhando força maior na negociação do Orçamento de Estado de 2019, que ainda assim inscreveu no OE a recuperação de 2 anos, 9 meses e 18 dias.

Ora, no debate quinzenal da semana passada, estavam os doutos deputados da Nação a votar o Decreto-Lei para dar força de Lei aos descongelamentos previstos e eis que na votação na Especialidade, PSD, CDS, PCP e BE chegaram a acordo para a devolução integral dos 9 anos, 4 meses e 2 dias.

Eis que surge aqui o primeiro motivo para gargalhar.

BE e PCP estão fora da equação pois sempre defenderam a recuperação total do tempo de serviço dos congelamentos aos professores. Todavia, o PSD e o CDS foram aqueles que congelaram tudo, retiraram tudo, aumentaram tudo, empobreceram tudo e agora aprovam uma medida que nunca executariam caso fossem governo, medida esta que custará ao estado 635 milhões de euros ano. Ou seja os dois maiores partidos da oposição colocavam em causa, e com consciência plena, a sustentabilidade financeira do país.

E a gargalhada continua.

Ambos os partidos da troika dizem que Mário Centeno, quando chamou “de irresponsáveis” às propostas da Direita e da Esquerda por serem “o maior aumento de despesa desta legislatura” estão a inventar um Papão.

A realidade está longe de ser um papão, a cedência a este anseio dos professores coloca mesmo em risco o equilíbrio das finanças e quer PSD quer o CDS estão cansados de o saber, mas, como sempre, como não estão no Governo vai de dar um mimo aos professores em época de eleições europeias, podia ser que o rebuçado durasse até às regionais.

Pelo lado do PS, entre um misto de responsabilidade política e uma tirada melodramática, ou não fosse Costa um homem cheio de habilidade política, vem a terreiro ameaçar de demissão do Governo o que obrigaria à convocação de eleições antecipadas.

E agora sim, as consequências são de rir e rolar no chão a segurar a barriga.

O que fazem o PSD, CDS?

Ambos vêm rapidamente dizer que se não ficarem asseguradas as condições de sustentabilidade das finanças não aprovam a recuperação da totalidade do tempo de serviço.

Assunção Cristas e Rui Rio, quem vos disse que os portugueses têm um O de otários na testa enganou-vos. Vão por mim!

Moral da história…

Não tivéssemos todos a pagar esta brincadeira de miúdos… até tinha mesmo piada.

Fique bem, fique com a 105 FM.

Natércia Gaspar

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