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Pedro Neves

OS EQUÍDEOS NOS BALDIOS

Pedro Neves

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PEDRO NEVES OS EQUÍDEOS NOS BALDIOS

 

Muitos discursos são produzidos a favor dos animais com acções que são realizadas na sua protecção, e com altruísmo a ser praticado em nome do seu bem-estar.

Por um punhado de pessoas que os maltratam, existe a mesma proporcionalidade no espectro contrário , indo ao seu encontro e redenção. A vileza humana pode atingir níveis impressionáveis de maledicência, com episódios tão dantescos que ultrapassam uma realidade societal que possa ser mais compreensiva. A bondade, por sua vez, pode curar e abraçar com bravura a salvação de um seu semelhante, senciente, não olhando para meios para dar-lhes o conforto e segurança necessária.

Quando falamos em maus tratos nos Açores, criamos de imediato uma imagem mental dos animais de companhia. Cães e gatos abandonados, canis e gatis sobrelotados com mortes por consequência da sua lotação, seguido de um saco preto e um aterro nas imediações, ou a incineração do resto das suas partes remanescentes.

Existe um número significativo de benfeitores que que fazem os possíveis, num anseio em tentar sensibilizar uma população pouco sedenta de uma evolução prática, que acompanhe a viragem do tempo e evolução.

Contudo, para alguns punhados de filantropos, as causas acabam aqui, ou por desconhecimento ou por inacção resultante de uma dissonância meramente cultural.

Porém a história é feita de nuances parceladas e ramificadas em variadíssimos capítulos. Existe outros intervenientes em risco, inocentes nas mãos de alguns carrascos que soltam impunemente a sua maldade em seres angelicais, de índole dócil e de personalidade encantadora.

Falo dos Equídeos, animais poderosos e majestosos, do cavalo ao burro, da mula ao macho, todos entregues à sua sorte. Abandonados pela lei e pelo horizonte sem fim dos baldios, são soltos na estrada com a pele dilacerada do esforço contínuo durante anos, servindo de escravos para levar a carga dos seus senhores. A servilidade acaba quando chega ou a velhice ou uma fractura, mas de igual forma acaba a comida de um sustento pouco sustentado porque não foi mais que uma moeda de troca.

Continuamos a ver os seus corpos magros deambulando pelas terras de poucos olhos, agarrados a uma esperança vã de serem finalmente tratados condignamente.

Continuamos a não ver responsabilização de quem os abandona nem diligência efectiva e de resolução por parte de todas as entidades que deviam estar envolvidas.

Bem se sabe que não é crime maltratar um equídeo, por mais ilogismo que aparente esta frase. Mas mais grave do que não estar consagrado na lei, é a ausência de compaixão que devia estar consagrada no que é certo e errado.
Não devia ser a altura de os reconhecer como animais de companhia, para serem abrangidos na lei de maus tratos? Ou continuaremos a sová-los até à impunidade?

Pedro Neves

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PARA ONDE FORAM OS NOSSOS VALORES

Pedro Neves

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PEDRO NEVES PARA ONDE FORAM OS NOSSOS VALORES

 

Para onde foram os nossos valores de outrora onde tudo era reutilizado, reparado ou restaurado? Para onde foi essa época que nem perderíamos tempo em dar o nome “Economia Circular” como algo visionário e fora da caixa?
Como é que foi possível sairmos tanto do nosso caminho como consumidores?

Sorvemos produtos como não houvesse amanhã sem sequer reflectirmos no que irá acontecer ao produto que vamos deixá-lo partir, sem um adeus ou um obrigado pelo serviço prestado. E tudo apenas porque saiu um novo produto de cor dourada, com mais megapixéis ou maior tamanho de imagem, ou porque já usei 3 vezes aquela blusa rosa-chiclete ou o vizinho espeta-me à cara o carro novo com mais cavalagem…e obviamente que não fico atrás e aceito o desafio trocando o meu bólide de um ano ainda polido mas já velho, nos parâmetros actuais, porque a versão nova acabou de sair.

E em termos alimentares, garrafas de plástico usadas por 15 minutos para saciar a sede, para umas centenas de anos de degradação? E o hábito de beber água da torneira, para onde foi? E para onde vai a garrafa vazia ou o saco plástico que se usou nas compras? Longe da vista, longe do coração! Não queremos nem saber. Para aterro ou incineradora, ela não vai ausentar-se, sólido ou gasoso, será como aquela pessoa chata que tende em não desaparecer quando nós pretendemos a solidão momentânea. Ah, a incineradora, aquela coisa reluzente que tenta ressuscitar-se com fundo europeus travados com uma providência cautelar, que por toque de magia desintegra qualquer resíduo malvado, sem poluir o ambiente ou os nossos pulmões, é um sair de rosas e cheiros almiscarados pela chaminé que quase parece arte, até podíamos enlatar os gases que tendem em sair pelo escape e vender como brisa da natureza na sua perfeição sintética.

E quanto leva cada pessoa o seu peso produzido em decisões menos acertadas? Mais ou menos meia tonelada/ano por cada habitante. Está o ouvinte a pensar neste momento, “eu não fui, eu não faço e não aconteço”. Mas somos todos nós que arrastamos as consequências do nosso consumo desenfreado e pouco consciente. E como paga dessa inconsciência, os nossos decisores políticos irão querer dar como prenda uma incineradora “limpinha e eficiente”.

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DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

 

Os Açores estão na boca do mundo!

Actualmente, os Açores fazem notícia em vários jornais e revistas regionais, nacionais e internacionais.

“Caraíbas do Atlântico” – Açores deslumbra New York Times. Que óptima notícia, pensam os mais incautos, mas fazendo uma deambulação pelos jornais aparecem outras menções aterradoras.

“Turismo de Portugal assume promoção do destino Açores” , “Associação de Turismo dos Açores suspeita de fraudes”. “Contestado perito que validou projeto de incineradora” “Quem quiser ver o que não se deve fazer no turismo nos Açores, vá a São Miguel dar uma voltinha no mês de Agosto”.

“Carlos César bate todos os recordes de compadrio”. Bom, esta última não está relacionada com o Turismo, mas é relevante para esta reflexão.

Os ouvintes podem perguntar aonde quero chegar com isto? Pois a mim parece-me simples, a visibilidade acrescida que os Açores assumem hoje na comunicação social demonstra claramente as dores de crescimento de um regime feudal, sem estratégia planeada.

Os Açores precisavam de sair da sua concha, dinamizar a sua economia…resumindo, crescer! Até posso concordar, mas a que custo e às custas de quem e do quê?!

A instabilidade estruturante que se assiste nos últimos anos, nos mais diversos sectores dos Açores é alarmante, como tenho vindo a denunciar. Mas sobe agora um novo patamar!

Falando especificamente no Turismo, é gritante o desnorte atualmente instaurado. O aumento desmensurado de turistas torna aliciante a procura de enriquecimento a todo o custo. Vai nascer na freguesia de Água d’Alto o maior hotel dos Açores com 580 camas, contrariando por completo o posicionamento de turismo de natureza para o nosso arquipélago.

Mas diz o Governo Regional que temos planos bem definidos. Sim, talvez seja verdade, temos o plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores que, embora bem escrito, não está a ser executado. Também parece que temos um Plano de ordenamento turístico, em revisão desde 2015. Sem aplicação aparente não passa de um verdadeiro desperdício de papel. Para que serviu tanta discussão, consultas públicas e pareceres?

Mais uma vez sentimo-nos como um hamster numa rodinha, sempre a esforçar-nos esperançosos, para nunca chegar a lado nenhum concretamente.

Mas anda tudo dormente? Quando é que nós acordamos e dizemos Basta de tanto despotismo!

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SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

 

Na semana passada foi aprovada a iniciativa do PAN na Assembleia da República para a transição para uma alimentação mais saudável e sustentável nas cantinas públicas, com recurso a produtos de agricultura local e biológica.

Através desta iniciativa legislativa, o PAN propôs que o Estado tenha por um lado uma intervenção pedagógica, mas também de incentivo ao consumo de alimentos de produção local e regional e em modo biológico, em cantinas e refeitórios da Administração Pública, central, regional ou local e dos Institutos Públicos.

Além da pedagogia e do incentivo para uma alimentação mais saudável, a escolha para produtos locais trava o possível desaparecimento das variedades regionais, dos sabores, dos princípios nutritivos e dos conhecimentos gastronómicos constitui uma ameaça à Segurança e à Soberania Alimentar. Isto porque os alimentos viajantes geram, não apenas uma crescente contaminação ambiental, como induzem à padronização e uniformização produtiva.

Nos Açores, parte dos produtos que são consumidos na região provêm de mercados externos. Tal situação leva a um desequilíbrio da balança comercial e fomenta economias de outros países. Com a actual conjuntura, os Açores ficam mais vulneráveis e expostos a circunstâncias continentais e internacionais, uma vez que se encontra demasiado dependente de mercados externos, e com isso, perde parte da sua autonomia, transferindo para economias externas riqueza fundamental para a economia regional.

O Governo Regional tem que fomentar a consciência ecológica e sensibilizar a população para uma alimentação saudável, com base em alimentos produzidos sem prejudicar o ambiente. Além de que é fundamental para um futuro mais sustentável, do ponto de vista ambiental, económico e social. O actual sistema de produção, distribuição e consumo de alimentos não satisfaz as necessidades presentes e futuras porque é incapaz de alimentar toda a população e depende demasiado de energia proveniente de combustíveis fósseis, químicos, transportes de longa distância e mão-de-obra barata.

Temos oportunidade de implementar benefícios fiscais para empresas que compram localmente conseguindo diminuir o peso de dependência externa que vive a economia açoriana, promovendo de igual modo uma dinâmica económica de proximidade, na qual se privilegiam empresas que criam um mercado interno, gerando desse modo mais postos de trabalho, menos impacto ecológico e por consequência, uma maior prosperidade regional.
Já para não falar da autossuficiência alimentar que daria à região a tão independência para uma verdadeira autonomia açoreana.

Pretende-se a mesma mudança nos Açores e que ocorra uma discriminação positiva deste tipo de produtos em detrimento dos que comprovadamente provocam efeitos nefastos na saúde das pessoas. Uma alimentação que tem por base uma alimentação biológica de origem vegetal tem benefícios comprovados na saúde, sendo uma obrigação do Governo Regional promover as melhores soluções para os açoreanos.

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