Connect with us

Aníbal Pires

O NEGÓCIO DOS RESÍDUOS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Aníbal Pires

Publicado

|

ANÍBAL PIRES O NEGÓCIO DOS RESÍDUOS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

A tomada de consciência ambiental e o aparecimento de movimentos ambientalistas não sendo fenómenos novos, mas também não são assim tão recentes quanto se possa pensar.

Claro que tudo é relativo. Para um jovem adolescente é uma questão com a qual convive desde sempre, para quem nasceu no terceiro quartel do século XX e até chegar à idade adulta cresceu a acompanhar aparecimento dos primeiros movimentos de defesa do ambiente e a despertar para os problemas ambientais.

Claro que se se recuarmos na história da humanidade podemos encontrar várias referências à importância dos necessários equilíbrios entre as atividades antrópicas e o meio ambiente. Por exemplo, S. Francisco de Assis (Século XIII) enfatizou na sua obra o necessário respeito da vivência do homem com as outras criaturas da natureza.

Mas só a partir dos anos 50 e 60 do século XX é que a tomada de consciência ambiental e os movimentos ambientalistas ganharam dimensão, embora sobre a tomada de consciência ambiental ainda haja um longo caminho a percorrer e, por vezes, temos vindo a assistir a alguns retrocessos. Talvez porque os interesses económicos assim o desejam.

Nem sequer me vou referir ao negacionismo às alterações climáticas que procuram, no essencial, manter tudo como está e evitar o desenvolvimento de novas tecnologias para a rentabilização de energias alternativas aos combustíveis fósseis.

Mas em nome da defesa do ambiente também se cometem erros, como seja por exemplo a substituição da floresta tropical para o plantio de palmares que alimentam a indústria do biodiesel feito a partir de óleo de palma, ou como seja a solução encontrada para o tratamento de resíduos por incineração, designação que os seus defensores detestam e, chamam-lhe pomposamente “Centrais de Valorização Energética”.

Apesar da tecnologia da incineração ter evoluído significativamente, ou seja, as emissões para a atmosfera são, ao que nos dizem, livres de toxinas. Questão que não coloco em causa, mas as partículas tóxicas, se não são expelidas para a atmosfera, em algum lugar ficam de onde decorre a necessidade de as depositar por aí, algures.

Uma das vertentes da educação ambiental que está diretamente relacionada com os resíduos, designadamente, os domésticos é conhecida pela política do 3 R. Reduzir, Reutilizar e Reciclar, a ordem é esta e, não é por acaso. Esta hierarquia relaciona-se com a importância de cada uma das ações que os R significam. Eu diria até que o R de Reduzir devia ser elevado à enésima potência, e que o segundo R, o R de Reutilizar, deveria ser elevado, pelo menos, à enésima potência – 1, sendo que se isto fosse assim, o terceiro R, o R de Reciclar deixaria de ter grande expressão ou seja, teria um valor sem grande significado e, certamente, não seria suficiente para alimentar uma incineradora, ou como preferem os indefetíveis defensores deste método de tratamento de resíduos, uma Central de Valorização Energética.

Se o investimento feito ao longo de dezenas de anos na formação da política dos 3 R produziu importantes avanços, em particular no que ao R de Reciclar diz respeito, com a introdução generalizada dos chamados ecopontos, sejam domésticos ou coletivos, o que não terá sido por acaso pois, o tratamento de resíduos tornou-se um negócio apetecível, em particular a reciclagem. Ou seja, a hierarquia do 3 R foi invertida, não se reduziu, pouco se reutiliza e a reciclagem aumentou. Por outro lado, sendo os resíduos a matéria prima utilizada nas incineradoras, ou Centrais de Valorização Energética, são necessários cada vez mais resíduos para que o seu funcionamento possa manter-se de forma continuada.

Em última análise, diria que o primeiro e mais importante dos 3 R está a ser sacrificado por necessidade de uma grande quantidade de matéria prima, resíduos para queimar nas incineradoras.

E assim se desperdiçam na pira das incineradoras anos e anos de uma das mais importantes componentes da Educação Ambiental.

Foi um prazer estar consigo.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de Janeiro de 2019

Aníbal Pires

BOM SENSO

Aníbal Pires

Publicado

|

ANÍBAL PIRES BOM SENSO

 

Sou, ou pelo menos procuro ser, uma pessoa que cultiva o bom senso.

Nem sempre o consigo, mas procuro que o tempo passe antes de reagir perante o imediato. Sim, desde logo, porque o tempo é bom conselheiro, lá diz a sabedoria popular.

Sabedoria construída com tempo. No passado aprendia-se com o tempo, hoje parece não haver tempo para aprender, ou pelo menos assim aparenta ser.

Mas se evito as reações imediatas, evito também a generalização e a particularização, mas cultivo o Amor e a Liberdade, a minha e a dos outros.

A generalização, quando não constitui uma mera abstração, pode tornar-se um instrumento de padronização e, levado ao extremo, de alimento do preconceito.

Quando assim é, e é-o muitas vezes, a generalização pode conformar-se num instrumento de indução massivo de ideias que deturpam a realidade e, sobretudo, fere o respeito pela diferença e pela singularidade, que a vulgarização, por ser uma generalização, não considera.

Por outro lado, a particularização é redutora da perceção da realidade global. Atender somente ao particular, sem contextualizar pode ser (é) tão pernicioso como a generalização que não salvaguarda o que é peculiar.

Procuro, nem sempre o consigo, pautar a minha vida pessoal e pública cultivando, como já disse, esta forma de estar e agir por uma questão de bom senso.

Não é melhor nem pior que outras é, apenas, diferente e, se me permite, mais equilibrada pois diminui as hipóteses de errar e de ser injusto. E sem dúvida é um bom exercício para me tornar mais tolerante, sem que isso signifique amolecer ou deixar cair os princípios básicos que conformam a minha maneira de ser e estar.

Bom senso porquê, Pois bem porque o bom senso nem sempre é tão comum como deveria ser.

Mas também o Amor tal como a Liberdade, e outros valores que igualmente veneramos, partilham-se, constroem-se, cultivam-se. O Amor não se guarda reparte-se com os outros. O Amor é dádiva. Por termos de o distribuir, talvez por isso, o Amor seja o motor da vida e das transformações que enobrecem a condição humana.
Assim, proponho que vulgarizemos o bom senso e o Amor. Faz bem e não dói nada, Digo eu.

Gostei de estar consigo.
Haja saúde.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Julho de 2019

Continuar a Ler

Aníbal Pires

NEM TODOS CONSEGUEM

Aníbal Pires

Publicado

|

ANÍBAL PIRES NEM TODOS CONSEGUEM

 

A prematura morte de André Bradford provocou um generalizado sentimento de pesar e consternação.

Sim o André era uma figura pública e isso explica, em parte, a comoção que a notícia do seu internamento hospitalar e a posterior morte provocaram na Região, mas o facto de o André ser uma personalidade conhecida, pela projeção da sua atividade política, não justifica toda a dimensão da tristeza e mágoa sentida em todos os quadrantes políticos, mas também fora da esfera política e partidária pois, nem todos os cidadãos projetados pela atividade política recolhem a admiração e o respeito públicos que, sem dúvida, o André conquistou.

Não vou tecer comentários sobre o seu percurso político, nem especular sobre o que o futuro lhe poderia ter reservado se a vida o não tivesse traído aos 48 anos.

Como disse Vasco Cordeiro nas exéquias fúnebres, parafraseando um poeta e o próprio André Bradford, “o fim é um novo começo”. Ou seja, com a ausência do André inicia-se um período de relacionamento com a memória que cada um de nós guarda dele.

E assim é. A morte priva-nos da presença, mas não nos esbulha das lembranças que temos de quem para sempre se ausentou.

Tenho, como todos os que com ele privaram, algumas boas memórias do André que vou guardar comigo.
Não que as não possa partilhar, mas porque não têm qualquer espécie de interesse público, nem constituem factos políticos dignos de registo. Isto é, apenas a mim dizem respeito sendo que todas elas são abonatórias do homem político, do homem de cultura, do homem que cultivava a amizade, do homem com critérios e princípios.

O que não significa que havia concordância entre nós, bem pelo contrário. As discordâncias seriam bem mais do que a convergência de pontos de vista. Desacordos que, porém, nunca nos impediram, traçadas que eram as fronteiras, de nos entendermos e de nos comprometermos no respeito pelas diferenças que entre nós existiam.

Valeu a pena André, mas podias ter ficado mais tempo connosco.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Julho de 2019

Continuar a Ler

Aníbal Pires

À BEIRA DO COLAPSO

Aníbal Pires

Publicado

|

ANÍBAL PIRES À BEIRA DO COLAPSO

 

A semana passada trouxe a esta tribuna a situação vivida pelos trabalhadores de terra que prestam serviço à Ryanair.

Contratos, horários de trabalho e salários que, como alguém me disse, mais parecem de serviçais.

Disponibilidade total, contratos a tempo parcial e um salário que mal dá para a alimentação. Diria eu que entre as atuais relações de trabalho e a servidão do princípio do século XX, venha o diabo e escolha.

Poderia ser um caso único, mas não é.

A precariedade, o subemprego, os salários em atraso, o trabalho sem direitos e com baixos rendimentos abrangem a generalidade dos trabalhadores do setor privado, mas não só. No setor público existe um enorme contingente de cidadãos que saltitam entre os diferentes programas ocupacionais, nas IPSS idem, idem, aspas, aspas, isto para não falar da situação dos técnicos superiores que dependem diretamente da administração pública, mas que são contratados pelas IPSS. Para quando a sua integração na administração pública regional e, para quando, a equiparação salarial.

Quem ouve o discurso oficial, as leituras enviesadas dos indicadores estatísticos e se abstrai da realidade observada dirá, Tudo está bem e conforme por estas ínsulas encantadas.

Mas não. Não está, aliás pouco ou nada está bem no mundo do PS, e note-se que não é por acaso, ou facilidade de linguagem que digo PS, quando seria expetável que utilizasse a designação oficial, ou seja, Partido Socialista. Digo PS porque, embora o PS seja um partido, em bom rigor, há muito tempo que deixou de ser socialista, ou mesmo, social democrata pois essa foi sempre a sua matriz ideológica, mas já nem isso é.

O PS, o seu Governo e o seu Grupo Parlamentar passeiam-se tranquila e alegremente pela Região. O caminho até 2020 está, aparentemente, livre de obstáculos dignos desse nome.

Ou não estará, pois, alguns setores nevrálgicos para a Região estão à beira do colapso. Estão a um passo do precipício, e, não me parece que haja vontade e capacidade política para suster o passo em frente e a inevitável queda no abismo.

Se no atual quadro partidário regional, se poderá afirmar que não existem adversários que coloquem em perigo mais uma vitória eleitoral do PS, quer para a República, quer em 2020 nas eleições regionais, não é menos verdade que o PS, pela sua inoperância e incapacidade política para travar o crescente do descontentamento. Descontentamento que tenderá a aumentar com as fragilidades e ruturas no setor dos transportes, com o declínio de uma economia terciarizada, com o aumento das assimetrias regionais e, com degradação da qualidade dos serviços públicos em áreas como a saúde e a educação.

Ou seja, o PS pode vir a ser o autor e protagonista das suas próprias derrotas políticas, mesmo que continue a ganhar as eleições, independentemente da sua natureza.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Julho de 2019

Continuar a Ler

+ Populares