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Pedro Neves

FOGUETES E FOGUETEIROS

Pedro Neves

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PEDRO NEVES FOGUETES E FOGUETEIROS

 

Já é mais que certo. A ilha de Santa Maria será o berço da nova Agência Espacial Portuguesa, já no primeiro trimestre deste ano, palavras essas que foram chanceladas pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Este passo vem no seguimento de uma manobra estratégica para acompanhar pretensões que remontam o ano de 2008 pelo Governo Regional dos Açores.

O ímpeto final? A construção de um Porto Espacial em Santa Maria para o lançamento vertical e horizontal de satélites, com cinco consórcios já escolhidos entre os 14 que manifestaram interesse.

O objectivo? Arrecadar no mínimo 400 milhões de euros com este nicho sectorial aliado a umas centenas de novos postos de trabalho qualificado. Em correria, o próprio Governo Central aprovou, no mês passado, em Conselho de Ministros uma proposta de decreto-lei para regular o exercício das actividades espaciais em Portugal.

Parece perfeito, para os entusiastas espaciais, para as empresas, para os dois governos, e para quem quiser ganhar dinheiro.

Mas esta realidade manifesta-se de forma insuficientemente linear e menos ilusória do que foi exibida pelos governantes. Um Porto Espacial, que implica uma estrutura mui complexa com diversos investimentos na preparação do terreno bem como das acessibilidades e infra-estruturas, necessita de um perímetro de segurança bastante alargado para os lançamentos a que se propõe. E é nessa circunferência de segurança que pouco se fala, tanto em termos do impacto ambiental que será inevitável, bem como da forçosa mudança na vida das pessoas que vivem na proximidade das zonas de lançamento, mais propriamente no lugar da Malbusca, freguesia de Santo Espírito, na ilha de Santa Maria, a zona com melhor pontuação entre 4 locais previstos pelo estudo realizado pela Universidade do Texas, Austin, relatório esse encomendado pelo Governo português.

Apesar desse estudo que serviu apenas como isco para aliciar o investimento privado, faltou ainda apresentar outro estudo, que devia estar finalizado até ao fim do ano passado, sobre os impactos ambientais na zona que será afectada. Contudo, houve mudança de ideias, visto que o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou que serão as empresas interessadas no Porto Espacial que irão apresentar o estudo de impacto ambiental.

Mas não querendo afirmar que existe ingenuidade dos nossos governantes, como é que a empresa que irá investir na criação da infra-estrutura é a mesma que irá estar preocupada e será completamente diligente com o ambiente e com os danos supostamente irreversíveis na zona? E se não é candura do governo, será conivência ou desleixo?

Estando previsto a assinatura do contrato para o desenvolvimento e operação do Porto Espacial entre Abril e Maio, apura-se de antemão que a realização de um estudo objectivo e isento será algo impossível de concretizar.

Se houvesse vontade real por parte dos decisores políticos em saber se a preservação e a envolvência natural da Ilha de Santa Maria e a população que vive nela não seria afectada, poderia usar-se como instrumento de carácter preventivo a Avaliação de Impacto Ambiental consagrado na lei de bases do ambiente.

Mas não foi esse o caminho escolhido.

Pedro Neves

PARA ONDE FORAM OS NOSSOS VALORES

Pedro Neves

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PEDRO NEVES PARA ONDE FORAM OS NOSSOS VALORES

 

Para onde foram os nossos valores de outrora onde tudo era reutilizado, reparado ou restaurado? Para onde foi essa época que nem perderíamos tempo em dar o nome “Economia Circular” como algo visionário e fora da caixa?
Como é que foi possível sairmos tanto do nosso caminho como consumidores?

Sorvemos produtos como não houvesse amanhã sem sequer reflectirmos no que irá acontecer ao produto que vamos deixá-lo partir, sem um adeus ou um obrigado pelo serviço prestado. E tudo apenas porque saiu um novo produto de cor dourada, com mais megapixéis ou maior tamanho de imagem, ou porque já usei 3 vezes aquela blusa rosa-chiclete ou o vizinho espeta-me à cara o carro novo com mais cavalagem…e obviamente que não fico atrás e aceito o desafio trocando o meu bólide de um ano ainda polido mas já velho, nos parâmetros actuais, porque a versão nova acabou de sair.

E em termos alimentares, garrafas de plástico usadas por 15 minutos para saciar a sede, para umas centenas de anos de degradação? E o hábito de beber água da torneira, para onde foi? E para onde vai a garrafa vazia ou o saco plástico que se usou nas compras? Longe da vista, longe do coração! Não queremos nem saber. Para aterro ou incineradora, ela não vai ausentar-se, sólido ou gasoso, será como aquela pessoa chata que tende em não desaparecer quando nós pretendemos a solidão momentânea. Ah, a incineradora, aquela coisa reluzente que tenta ressuscitar-se com fundo europeus travados com uma providência cautelar, que por toque de magia desintegra qualquer resíduo malvado, sem poluir o ambiente ou os nossos pulmões, é um sair de rosas e cheiros almiscarados pela chaminé que quase parece arte, até podíamos enlatar os gases que tendem em sair pelo escape e vender como brisa da natureza na sua perfeição sintética.

E quanto leva cada pessoa o seu peso produzido em decisões menos acertadas? Mais ou menos meia tonelada/ano por cada habitante. Está o ouvinte a pensar neste momento, “eu não fui, eu não faço e não aconteço”. Mas somos todos nós que arrastamos as consequências do nosso consumo desenfreado e pouco consciente. E como paga dessa inconsciência, os nossos decisores políticos irão querer dar como prenda uma incineradora “limpinha e eficiente”.

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DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

 

Os Açores estão na boca do mundo!

Actualmente, os Açores fazem notícia em vários jornais e revistas regionais, nacionais e internacionais.

“Caraíbas do Atlântico” – Açores deslumbra New York Times. Que óptima notícia, pensam os mais incautos, mas fazendo uma deambulação pelos jornais aparecem outras menções aterradoras.

“Turismo de Portugal assume promoção do destino Açores” , “Associação de Turismo dos Açores suspeita de fraudes”. “Contestado perito que validou projeto de incineradora” “Quem quiser ver o que não se deve fazer no turismo nos Açores, vá a São Miguel dar uma voltinha no mês de Agosto”.

“Carlos César bate todos os recordes de compadrio”. Bom, esta última não está relacionada com o Turismo, mas é relevante para esta reflexão.

Os ouvintes podem perguntar aonde quero chegar com isto? Pois a mim parece-me simples, a visibilidade acrescida que os Açores assumem hoje na comunicação social demonstra claramente as dores de crescimento de um regime feudal, sem estratégia planeada.

Os Açores precisavam de sair da sua concha, dinamizar a sua economia…resumindo, crescer! Até posso concordar, mas a que custo e às custas de quem e do quê?!

A instabilidade estruturante que se assiste nos últimos anos, nos mais diversos sectores dos Açores é alarmante, como tenho vindo a denunciar. Mas sobe agora um novo patamar!

Falando especificamente no Turismo, é gritante o desnorte atualmente instaurado. O aumento desmensurado de turistas torna aliciante a procura de enriquecimento a todo o custo. Vai nascer na freguesia de Água d’Alto o maior hotel dos Açores com 580 camas, contrariando por completo o posicionamento de turismo de natureza para o nosso arquipélago.

Mas diz o Governo Regional que temos planos bem definidos. Sim, talvez seja verdade, temos o plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores que, embora bem escrito, não está a ser executado. Também parece que temos um Plano de ordenamento turístico, em revisão desde 2015. Sem aplicação aparente não passa de um verdadeiro desperdício de papel. Para que serviu tanta discussão, consultas públicas e pareceres?

Mais uma vez sentimo-nos como um hamster numa rodinha, sempre a esforçar-nos esperançosos, para nunca chegar a lado nenhum concretamente.

Mas anda tudo dormente? Quando é que nós acordamos e dizemos Basta de tanto despotismo!

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Pedro Neves

SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

 

Na semana passada foi aprovada a iniciativa do PAN na Assembleia da República para a transição para uma alimentação mais saudável e sustentável nas cantinas públicas, com recurso a produtos de agricultura local e biológica.

Através desta iniciativa legislativa, o PAN propôs que o Estado tenha por um lado uma intervenção pedagógica, mas também de incentivo ao consumo de alimentos de produção local e regional e em modo biológico, em cantinas e refeitórios da Administração Pública, central, regional ou local e dos Institutos Públicos.

Além da pedagogia e do incentivo para uma alimentação mais saudável, a escolha para produtos locais trava o possível desaparecimento das variedades regionais, dos sabores, dos princípios nutritivos e dos conhecimentos gastronómicos constitui uma ameaça à Segurança e à Soberania Alimentar. Isto porque os alimentos viajantes geram, não apenas uma crescente contaminação ambiental, como induzem à padronização e uniformização produtiva.

Nos Açores, parte dos produtos que são consumidos na região provêm de mercados externos. Tal situação leva a um desequilíbrio da balança comercial e fomenta economias de outros países. Com a actual conjuntura, os Açores ficam mais vulneráveis e expostos a circunstâncias continentais e internacionais, uma vez que se encontra demasiado dependente de mercados externos, e com isso, perde parte da sua autonomia, transferindo para economias externas riqueza fundamental para a economia regional.

O Governo Regional tem que fomentar a consciência ecológica e sensibilizar a população para uma alimentação saudável, com base em alimentos produzidos sem prejudicar o ambiente. Além de que é fundamental para um futuro mais sustentável, do ponto de vista ambiental, económico e social. O actual sistema de produção, distribuição e consumo de alimentos não satisfaz as necessidades presentes e futuras porque é incapaz de alimentar toda a população e depende demasiado de energia proveniente de combustíveis fósseis, químicos, transportes de longa distância e mão-de-obra barata.

Temos oportunidade de implementar benefícios fiscais para empresas que compram localmente conseguindo diminuir o peso de dependência externa que vive a economia açoriana, promovendo de igual modo uma dinâmica económica de proximidade, na qual se privilegiam empresas que criam um mercado interno, gerando desse modo mais postos de trabalho, menos impacto ecológico e por consequência, uma maior prosperidade regional.
Já para não falar da autossuficiência alimentar que daria à região a tão independência para uma verdadeira autonomia açoreana.

Pretende-se a mesma mudança nos Açores e que ocorra uma discriminação positiva deste tipo de produtos em detrimento dos que comprovadamente provocam efeitos nefastos na saúde das pessoas. Uma alimentação que tem por base uma alimentação biológica de origem vegetal tem benefícios comprovados na saúde, sendo uma obrigação do Governo Regional promover as melhores soluções para os açoreanos.

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