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Natércia Gaspar

O NATAL DOS POBRES… É QUANDO UM HOMEM QUISER

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR O NATAL DOS POBRES… É QUANDO UM HOMEM QUISER

 

Bem sei que há mais de um mês vivemos num espírito de Natal ilusório que não é mais do que um forte e irresistível apelo ao consumismo e hedonismo.

Enfim, dá-nos prazer comprar para nós e para os que nos são mais queridos.

Mas o Natal é mais do que isto! Também é um tempo em que estamos particularmente disponíveis para apoiar os que mais precisam, independente dos motivos e do valor ou o que damos.

Não interessa se é por vaidade, porque fica bem; se é para descargo de consciência e com uma esmola, atenuamos a nossa responsabilidade de tudo o que não nos demos o resto do ano; se é por pressão social, se apenas damos o que nos sobra e já não nos faz falta, ou se é pela consciência de que há quem precise mais que nós e do pouco que temos ainda há algo que podemos partilhar, num verdadeiro gesto de comunhão e de amor com e para com o próximo ou por outras palavras, numa atitude de corresponsabilidade e solidariedade para com os nossos concidadãos que têm menos possibilidades.

Que, segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento promovido anualmente pelo Observatório Nacional de Luta contra a Pobreza, 21,6% dos portugueses, que vivem em situação de risco de pobreza e exclusão social.

De acordo com os resultados do Inquérito, se considerarmos apenas pobreza monetária, os números situam-se nos 17,3% dos portugueses o valor mais baixo desde 1994, valores possíveis, naturalmente, graças ao crescimento económico à redução do desemprego, mesmo que, com salários ao nível do salário mínimo.

Outro fator que contribui fortemente para estes parcos resultados, são as Prestações Sociais como as Pensões, o Subsídio de desemprego, o Abono de família, o Rendimento Social de Inserção entre outras, porque se estas não existissem, 43,7% dos portugueses estavam em risco de pobreza.

Assustador, pensar que sem os mecanismos de proteção social, quase 5 milhões de portugueses estariam em risco de pobreza permanente!

Por isso gostaria de vos convidar a colocarmo-nos no lugar daqueles homens e mulheres que trabalham, por vezes. em mais do que um emprego e cujos salários apenas são para pagar as contas do mês, sem nada sobrar para darem um mimo aos filhos, ou para comprar sequer um aquecedor para atenuar o rigor do Inverno; no lugar dos idosos que trabalharam toda uma vida e contribuíram para o mundo em que vivemos hoje, e agora têm que optar entre comer ou comprar medicamentos; no lugar das famílias numerosas em que comprar um uma roupa nova por ano é um luxo; no lugar dos trabalhadores de sol a sol, sem fins de semana ou feriados, em que acordar às 9 da manhã no Inverno é o mais parecido que têm com férias; no lugar das famílias em que uma fatalidade impediu que a pessoa que assegurava os rendimentos não pudesse trabalhar para o resto da sua vida, ou da mãe que teve que abandonar o emprego para cuidar do filho deficiente ou dos pais idosos acamados, reduzindo o rendimento familiar.

Conseguiu colocar-se no lugar destes nossos concidadãos?

Então imagine como será o seu Natal e das suas famílias, das suas crianças…. Imagine o Natal dos pobres, e reflita sobre a forma de lhes poder proporcionar um Natal melhor e mais digno!

Caros ouvintes o verdadeiro espírito do Natal é isto, é reconhecermos nos mais pobres, a sua humanidade e contribuir para a promoção da sua dignidade, no espaço e na capacidade de ação que temos, no Natal, e todos os dias que um Homem Quiser.

E é com o poema de José Carlos Ary dos Santos “Natal é quando um Homem Quiser que termino, desejando-vos um Santo e Feliz Natal e claro…
…. que fique bem, fique na companhia da 105 FM!

Musica “Quando um homem quiser”

 

Quando um Homem Quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão

Ary dos Santos, in ‘As Palavras das Cantigas’

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

OS “QUEM QUEREM CASAR COM…” TEM UMA PERGUNTA SUBLIMINAR QUE É, “QUEM QUER SER PARVO?”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUEM QUER SER PARVO?

 

Antes de ver os novos formatos de domingo à noite da SIC e da TVI, partilhei no Facebook, meio a sério, meio a brincar, o que me suscitavam, à partida, aqueles programas.

Transcrevo.
Porque a tradição tem que voltar a ser como era, comunico que como concorrência ao “Quem quer casar com um agricultor?” da SIC e ao “Quem quer casar com o meu filho?” da TVI, … anuncio o QUEM QUER CASAR COM A CAROCHINHA?

Mas com uma variante da moral da história original, ao contrário de um qualquer João Ratão armado em fino e guloso, a minha carochinha quer um noivo bem-apessoado, delicado, inteligente, com sentido crítico, observador e reflexivo, que questione o porquê de o povo gostar destes programas tão cheios de nada e que expõe as pessoas, no mínimo, ao ridículo, já para não falar na vulgarização ” do amor para a vida, puro e verdadeiro”!

Estamos perante mais um formato televisivo que vende a ilusão do “fast love” e do par perfeito caído do céu.
Depois de ver, reitero o que disse, são formatos cheios de nenhum conteúdo, que atenta contra a dignidade da pessoa, independentemente do género.

Os homens aparecem como incapazes de fazer valer os seus atributos para encontrarem, sozinhos, um par para a vida e recorrem a uma montra de mulheres que se digladiam não por eles mas para serem as escolhidas a continuar no programa, nem que para isso tenham que ficar com eles.

As mulheres… até dói, se lembrarmos que o Dia Internacional da Mulher foi apenas há 5 dias e todo o país reclamava o respeito pela dignidade e igualdade de direitos das mulheres.

Sim, a SIC e a TVI também, foram inúmeras as reportagens e documentários a enaltecer o papel da mulher, a registar a diferença de tratamento pela sociedade, a sensibilizar para o combate à violência conta a mulher.

E…2 dias depois, com estes programas, criam todas as condições, para a afirmação dos estereótipos de género. A mulher tem que ser boa dona de casa para servir o homem e este é o seu dono e senhor!

Ora, se considerarmos que a televisão é por excelência um veículo de informação, ou, no caso, de desinformação, e tem superpoderes para formar a opinião pública, a mensagem que passam vem reforçar a imagem estereotipada que a sociedade já tem sobre a mulher.

Claro que as mulheres e homens que participam fazem-no de livre vontade e quase que asseguro que encontrar o amor será a ultima das motivações.

Desconheço se estão em causa prémios, mas tenho a certeza que qualquer um deles, homem ou mulher, procura os seus 15 minutos de fama e tornarem-se celebridades.

Esquecem-se, no entanto, que serão celebridades instantâneas, a quem vão escrutinar toda a sua vida, para vender revistas e programas sensacionalistas e em poucos meses regressarão ao anonimato.

E é claro, também, que estes formatos têm sucesso, porque têm público. Domingo mais de milhão e meio de pessoas assistiram aos “Quem Quer…” da SIC e da TVI e eu assumo, contribui para as estatísticas de Domingo e muito provavelmente irei espreitar de quando em quando, porque há situações que fazem rir, que nos deixam estupefactos e a pensar…como é possível sujeitarem-se a isso? Por que (razão pela qual), em ultima análise, assistir a este tipo de programas faz-nos esquecer os dramas reais que vivemos, os fenómenos dramáticos que ocorrem pelo mundo e afetam milhares de pessoas e, assim, não temos que pensar ou sentir e consequentemente não temos que reagir.

Ficamos em estado puro de alienação, letargia para não dizer de estupidificação tal é o situação de êxtase e inércia em que ficamos!

Cá para mim o nome dos programas, quem quer casar com…tem uma pergunta subliminar que é, “Quem quer ser parvo?”

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

PARECES OS HOMENS DO MEU TEMPO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PARECES OS HOMENS DO MEU TEMPO

 

Pareces os homens do meu tempo disse a minha mãe a propósito de um comentário que fiz sobre o facto de ser bom estar em casa e não ir trabalhar, ao que de imediato retorquiu, “até parece que não trabalhas em casa, pareces os homens, no meu tempo, também diziam que as mulheres que ficavam a cuidar da casa e dos filhos não trabalhavam”.

Foi um abanão, um duplo abanão, primeiro, porque a minha mãe estava cheia de razão, as mulheres que exercem uma profissão acabam por ter uma dupla jornada de trabalho, as estatísticas dizem que trabalham mais seis horas por dia que um homem. Depois porque me impressionou, a minha mãe, uma mulher de 84 anos, do século passado, que toda a vida viveu num contexto machista, de repente, tem esta observação tão lúcida e tão à frente das mulheres do seu tempo!

De facto, é secular o esforço de conquista, por parte da Mulher, do reconhecimento da sua dignidade, afinal é disso que se trata.

Todas as conquistas, o direito a voto, as melhores condições de vida e de trabalho, a afirmação no mundo laboral e em tantas outras áreas tradicionalmente nas mãos de homens promovem a dignidade da Mulher.

E é com o objetivo de recordar todo o percurso de conquistas, mas também para sensibilizar que ainda há tanto, mas tanto, a conquistar que dia 8 de março se assinala o Dia Internacional da Mulher.

Porventura a maior das conquistas que demorará gerações a efetivar é a cultural e prende-se com a necessidade de mudar, drasticamente, as representações sociais sobre a Mulher.

É importante que se diga, a mulher também tem que mudar as representações que tem de si e, sobretudo, das outras mulheres.

Atentemos neste início de ano sangrento para as Vítimas de Violência doméstica que morrem nas mãos dos agressores, concretizando um sentimento de posse doentio traduzido na ideia de que “não és minha não és de mais ninguém”.

Este foi o motivo pelo qual o governou decretou luto nacional pelas vítimas de violência doméstica, amanhã, dia 7 de março.

Percebendo o simbolismo da medida, não deixa de ser triste que tenha sido necessário morrer, num tempo recorde de 2 meses, 11 mulheres, para que o Governo tenha acordado para esta realidade.

Não seriam suficientes as mais de 500 mulheres, que morreram desde 2004?

Como já aqui partilhei convosco, o Estado em Portugal tem desvalorizado a questão da violência doméstica apesar dos consecutivos Planos de Combate e Prevenção à Violência Domésticas, cujas medidas ficam-se pelo papel e as que saem, Formação para os vários agentes envolvidos, segurança das vítimas, ações de prevenção, etc., são implementadas de forma descoordenada, sem articulação entre as várias entidades, sem avaliação do impacto dessas ações.

E mais grave ainda, com juízes como o Neto de Moura, sim, porque este não é o único, que por inúmeras vezes demonstrou a sua sensibilidade de elefante para esta matéria e continua a julgar com a cumplicidade dos seus pares.

Mas não é de estranhar, quando se reclama a formação dos magistrados para a igualdade de género e violência doméstica, a Associação Sindical de Juízes vai celebrar o dia Internacional da Mulher, com uma formação em maquilhagem.

No dia em que para os Cristãos começa a Quaresma, permitam que diga: perdoa-os Senhor que não sabem o que fazem!

Fique bem, fique com a 105 FM.

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

DEVÍAMOS MORRER COMO NASCEMOS, COM CALOR HUMANO E QUEM AMAMOS POR PERTO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DEVÍAMOS MORRER COMO NASCEMOS, COM CALOR HUMANO E QUEM AMAMOS POR PERTO

 

Há uma frase célebre que diz que nascemos e morremos sozinhos.

Quanto a mim, é apenas verdade que morremos sozinhos!

Ou pelo menos, cada vez mais os nossos idosos morrem sozinhos, depois de viverem o resto dos seus dias sozinhos!

Quantas vezes as notícias nos relatam a situação de idosos que aparecem mortos em casa, por vezes tanto tempo depois.

Mas a que propósito vem este assunto? Perguntarão vocês.

Um destes dias, um senhor de idade avançada, que vive perto do local onde trabalho, gritava à janela por socorro, sentia-se o seu desespero, corria de uma janela para outra.

Da rua vizinhos, pediam para abrir a porta, mas o senhor apenas gritava de janela em janela. Chamaram os bombeiros para abrir a porta e a ambulância e foi conduzido ao Hospital.

Mais tarde soube-se que tinha tido um AVC e estava internado.

Vivia com a esposa que falecera à pouco mais de um mês. Tem um filho que vive no Canadá.

Um filho que dentro do que a distância permite é presente.

Tinha estado nos Açores, aquando da morte da mãe e voltou agora, com o internamento do pai.

Esta é apenas uma história entre tantas…e esta felizmente não teve um final infeliz, pelo menos por agora…

O envelhecimento é um dos maiores problemas sociais do séc. XXI.

Não queremos encarar esta realidade, o Estado assobia para o lado, nós filhos, ou andamos cegos pelo materialismo que nos obriga a ser escravos do trabalho ignorando as pessoas que amamos, sobretudo os mais velhos, ou, queremos cuidar dos nossos pais, dos nossos avós, mas temos que trabalhar e se deixarmos os nossos empregos ficamos ainda mais expostos à situação de pobreza, é menos um salário lá em casa e não há qualquer tipo de proteção social o que inviabiliza o acesso a uma pensão na idade da reforma.

Estranho, este Estado que comparticipa as IPSS pelos idosos acolhidos em Lar, até dá benefícios fiscais a quem tem idosos institucionalizados, mas se cuidarmos deles, em ambiente familiar, sem os tirar do seu meio, não há qualquer tipo de apoio!

Mesmo assim é numeroso o número de cuidadores informais, que apesar de todas as dificuldades, optam por cuidar dos mais velhos, mas a realidade diz-nos que também é numeroso o número de idosos a viver sozinhos ou isolados.
A GNR, que se diga em abono da verdade, tem feito um trabalho extraordinário, na vigilância, sinalização e encaminhamento de idosos para os serviços competentes, o ano passado na sua já habitual operação “Censos Sénior 2018” sinalizou cerca de 45600 idosos a viver sozinhos.

Caro ouvinte, todos chegaremos a velhos, e todos temos o direito de morrer como nascemos, com calor humano e quem amamos por perto!

Pense nisso!

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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