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Natércia Gaspar

QUAL A SEMELHANÇA ENTRE O MOVIMENTO DOS COLETES AMARELOS (FRANÇA) E O CLIMA DE CONTESTAÇÃO QUE VIVEMOS (PORTUGAL)

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUAL A SEMELHANÇA ENTRE O MOVIMENTO DOS COLETES AMARELOS (FRANÇA) E O CLIMA DE CONTESTAÇÃO QUE VIVEMOS (PORTUGAL)

 

Bom dia caros ouvintes da 105 FM

O que tem em comum o Movimento dos Coletes Amarelos em França e o estado de contestação ao governo que vivemos em Portugal?

Para além de ambas as contestações serem contra as políticas publicas e os seus protagonistas, nada mais têm em comum, apesar de não ser necessário grande esforço para encontrar semelhanças no contexto e na dinâmica social.

Em França, o movimento dos coletes amarelos nasceu de forma espontânea nas redes sociais, é constituído por profissionais liberais, trabalhadores por conta de outrem que contam com o apoio da larga maioria da comunidade. Este traduz o descontentamento das classes média e baixa pelo crescente aumento do fosso entre as elites e aquelas.

Recusam qualquer enquadramento legal ou político e manifestam-se contra o aumento dos impostos, a perda das conquistas sociais; contra a ação ou inação dos sindicatos; e contra os partidos, que têm vindo a provocar a degradação do modelo social e são incapazes de estabelecer um novo compromisso político benéfico ás classes mais baixas.

Por cá não há batalhas na rua contra os corpos policiais ou atos de vandalismo contra o património público e privado (importa salvaguardar que no movimento dos coletes amarelos infiltraram-se grupos da extrema direita e extrema esquerda que fazem recurso à violência), mas as guerras instaladas contra o governo, com recurso à greve, resultam em danos colaterais que prejudicam gravemente os cidadãos.

Em Portugal é o movimento sindical que convoca as greves onde as classes profissionais, cujos trabalhadores fazem parte das classes média alta e alta, reclamam por estatutos, carreiras e aumentos salariais.

Caros ouvintes, é inquestionável o direito à greve, e a ambição de ter melhores condições de trabalho, contudo pede-se mais corresponsabilidade aos sindicatos, das ordens e das associações profissionais na promoção coesão e da justiça social, consequente, paz social. Porque lutar pelos direitos e regalias de alguns, pode pôr em causa a redistribuição da riqueza pela maioria.

Alguma vez vimos os Sindicatos a mobilizar a população para contestar o aumento de impostos, da corrupção, da austeridade e empobrecimentos das pessoas durante a governação do PSD/CDS, na incoerência dos partidos políticos que no poder dizem uma coisa e na oposição outra completamente diferente, nos abusos e aproveitamento de alguns políticos?

Claro que não, bem pelo contrário!

Os sindicatos, são uma espécie de braço armado trás partidos políticos, são compostos por pessoas provenientes de vários serviços, que continuam a receber o salário por inteiro, recebem uma percentagem do salário de cada trabalhador sindicalizado e obviamente que quanto maior o salário maior é o valor da comparticipação.

No sector público, foram os Médicos, os Professores, os Funcionários públicos, os Juízes, os Guardas Prisionais, os Técnicos de diagnóstico, os Enfermeiros esquecendo que são funcionários públicos (eu também sou) e pagos por todos nós inclusive pelos trabalhadores do sector privado que não tem qualquer defesa e têm que pagar mais impostos, receber menos e trabalhar mais horas que os funcionários públicos e ainda são prejudicados com as greves na administração pública.

Por exemplo, a greve dos enfermeiros aos Blocos Operatórios apesar, de ter como objetivo pressionar o Governo pelo impacto económico da mesma, na realidade está a ter impacto na população com o adiamento de cerca de 5000 cirurgias.

Como se não bastasse esta greve atentar contra a saúde das pessoas, a Bastonária da Ordem do Enfermeiros tem tido um discurso incendiário e alarmante afirmando que o país vive “uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes” e já equacionam a continuidade da greve no início do próximo ano.

Caros ouvintes, os Enfermeiros estão a atuar com imprudência e com negligencia grosseira, ações que contrariam o código de ética e deontologia destes profissionais.

E não há quem acabe com este abuso e verdadeiro atentado contra a vida humana, nem o Governo que se tem limitado a não ceder.

Não estará na altura de deixarmos de ser o tal povo de brandos costumes e mobilizar-nos para manifestar a nossa indignação e descontentamento criando, o movimento dos coletes vermelhos para simbolizar o cartão vermelho que queremos dar a todos os grupos que não pensam no coletivo, apenas nos seus interesses.

Agradecida pela vossa paciência desejo que fique bem!
Fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO, IGUALDADE DE DIREITOS E DEVERES DE GÉNEROS!

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO...

 

Nos passados dias 12 e 13 de junho teve lugar o III Encontro Regional de Boas práticas sobre a importância da igualdade de género nas políticas locais promovido e organizado pela Câmara Municipal da Lagoa, que coincidência ou não, tem uma mulher a exercer a presidência.

Nunca é demais discutir e partilhar boas práticas ainda há um longo caminho a percorrer, mas perante ao estado em que já tivemos antes de 1974, a realidade no que diz respeito à igualdade de género é outra, mas ainda insuficiente.

De facto Portugal ainda tem um atraso significativo, na forma como cuida da igualdade de direitos e deveres de géneros, e mais atrasado ainda está o debate em torno desta questão na sociedade. Ainda é uma questão menor, mas na verdade é uma questão de direitos humanos.

Mas ainda assim, Portugal segundo a OCDE, de um total de 120 países espalhados pelos 4 Continentes, Portugal é o quinto com leis e normas sociais mais igualitárias tendo apenas à sua frente a Suíça, Suécia, Dinamarca e França.

Mas qual é a novidade? Na elaboração de legislação, o nosso país é TOP, somos exímios a fazer leis adequadíssimas, a má noticia é que as leis esbarram em mentalidades retrogradas e o que preconizam sobre, como deveria ser a prática está muito longe da desigualdade, da descriminação e da violência que homens e mulheres vivenciam todos os dias.

A luta pelos mesmos direitos humanos, é dura e longa e, ainda hoje que já passaram 45 anos do 25 de Abril, as conquistas de Abril para as Mulheres ainda não chegaram a todas as casas, a todas as cabeças.

A desigualdade de direitos e deveres de géneros está arreigada na mentalidade dos homens, mas também na das mulheres, não tenhamos ilusões sobre isso.

Mas não podemos ignorar que foram 48 anos debaixo de uma ideologia que fomentava a opressão do machismo, em que a mulher era tratada como inferior ao homem. Se o mundo delas era a casa o deles era efetivamente o mundo.

A elas cabia obedecer sempre e deixar-se violentar sempre. E claro esta herança passou de mães para filhas, uma herança disciplinada, sem questionamentos e muito castradora.

No Portugal do Estado Novo o papel da mulher resumia-se a ser mãe extremosa, esposa dedicada. Desde pequenina que era treinada para ser assim, submissa ao poder patriacal do pai, do irmão e, mais tarde, do marido.

Os direitos da mulher eram tão limitados! Quase que só tinha deveres e nenhum direito! Não podia votar, não podia ser juíza, diplomata, militar ou polícia. Se sair do país, abrir conta bancária ou tomar a pilula, ou queria trabalhar no comércio, o marido tinha que autorizar. E ganhava quase metade do salário pago aos homens.
Felizmente esta cartilha foi rasgada no 25 de Abril, quando, um ano depois da revolução, os direitos das mulheres ficaram consagrados na Constituição da República.

O 25 de Abril foi um élan de esperança, trouxe a consagração dos seus direitos inscritos na Constituição.

Conquistaram a possibilidade de recorrer ao divórcio civil, o direito ao voto universal, à privacidade, os maridos já não podiam abrir a correspondência, pois tinham esse direito, começaram a poder concorrer a cargos públicos, magistrados, ministério púbico, diplomatas, à carreira administrativa.

Desde essa altura, a taxa de atividade feminina cresceu atingindo, atualmente, valores que colocam Portugal entre os países da União Europeia com uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, mas não cresceu a igualdade de direitos e deveres entre géneros.

Claro que temos, um longo caminho por desbravar. Aqui nos Açores, em Portugal e no mundo, se por um lado evoluímos muito, por outro, ainda temos muito para fazer. Como escreveu o Sérgio Godinho, «já fizemos tanto e tão pouco».

Fique bem. Fique com a 105 fm

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS – O QUE TEMOS VERDADEIRAMENTE PARA CELEBRAR?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS - O QUE TEMOS VERDADEIRAMENTE PARA CELEBRAR?

 

Ontem, dia 10 de Junho, celebrou-se o dia de Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o feriado nacional, estipulado na sequência dos trabalhos legislativos após a implantação da República a 5 de outubro de 1910, dia por excelência para exacerbar as características, os feitos e as conquistas do país!

E por falar em conquistas por coincidência no dia 9 vencemos a Liga das Nações e pela terceira vez Portugal foi eleito o melhor destino de férias do país.

Pois é Portugal está na moda! Devia-nos deixar felizes, mas infelizmente continua a ser pelos mesmos motivos do Estado Novo, continuamos a resumir-nos aos 3 Fs Fátima, Futebol, e Fado, bem sejamos justos, agora também podemos acrescentar o sol e a beleza de Lisboa e Porto e o resto continua a ser paisagem, e agora depois dos incêndios, uma paisagem triste.

O que temos verdadeiramente para celebrar? Nada!

Mas hoje vou fazer faça eco das palavras de João Miguel Tavares, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do dia de Portugal 10 de Junho, que soube dizer tudo o que vai no peito de um Portugês.

“…”

“…Não é fácil saber porque é que estamos a lutar hoje em dia.

É nessa dificuldade que repousam tantas das nossas angústias.

As pessoas de hoje não são diferentes das de ontem: enquanto indivíduos, continuamos a amar, a sofrer, a chorar, a rir, hoje como sempre. Boa parte de nós, talvez julgue mesmo que a política é somente um cenário longínquo, distante da vida que nos importa, que é aquela que está mais próxima de nós. Daí o chamado “desinteresse pela política”.

Mas creio que este sentimento é já uma consequência dos nossos próprios fracassos… afundámo-nos em dívida. Ficámos a um passo da bancarrota. Três vezes – três vezes já – tivemos de pedir auxílio externo em 45 anos de democracia. É demasiado.


O sonho de amanhã, ser-se mais do que se é hoje vai-se desvanecendo, porque cada família, cada pai, cada adolescente, convence-se de que o jogo está viciado. Que não é pelo talento e pelo trabalho que se ascende na vida. Que o mérito não chega. Que é preciso conhecer as pessoas certas. Que é preciso ter os amigos certos. Que é preciso nascer na família certa.…

…No nosso país instalou-se esta convicção perigosa: um jovem talentoso que queira singrar na carreira exclusivamente através do seu mérito, a melhor solução que tem ao seu alcance é emigrar. Isto é uma tragédia portuguesa.

…O desespero …de que não vale a pena esforçarmo-nos para que as coisas sejam de outra forma – porque nunca serão.

A falta de esperança e a desigualdade de oportunidades podem dar origem a uma geração de adultos desencantados, incapazes de acreditar num país meritocrático…

…Menos exaltação patriótica e mais paixão por cada ser humano – eis uma fórmula que me parece adequada aos tempos que vivemos. Sendo já poucos os que acreditam nas grandes narrativas, continuamos a acreditar nas pessoas que temos ao nosso lado. E esse é o caminho para a identificação possível dos portugueses com Portugal.
Temos o hábito de levantar a cabeça à procura de grandes exemplos, e nem sempre os encontramos – mas muitas vezes os melhores exemplos estão ao nosso lado, e alguns deles começam em nós mesmos.

Sobre cada um de nós recai a responsabilidade de construir um país do qual nos possamos orgulhar.

Aos políticos que dirigem Portugal, e representam os seus cidadãos, compete-lhes contribuir para esse esforço, propondo-nos um caminho inteligível e justo. Os portugueses podem não ser os melhores do mundo, mas são com certeza capazes de coisas extraordinárias desde que sintam que estão a fazê-las por um bem maior.”

Não é este também o seu sentir?

Tente ficar bem! Fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

OS POLÍTICOS NÃO SÃO TODOS CORRUPTOS, MAS SÃO TODOS CONIVENTES

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR OS POLÍTICOS NÃO SÃO TODOS CORRUPTOS, MAS SÃO TODOS CONIVENTES

 

Coincidentemente ou não, depois das eleições europeias vieram a público mais umas tantas noticias sobre políticos e altos dirigentes indiciados pelo crime de corrupção entre outros, e claro como já vem sendo hábito, já não se é inocente até prova em contrário, é-se logo culpado até as provas provarem a inocência!
E também como já se tornou um hábito, voltou o discurso dos opinadores de sofá, que reitera que todos os políticos são corruptos.

Este discurso fácil, é injusto e perigoso.

Se há políticos que usam a política com meio de enriquecimento, ou tão somente como forma de obterem um rendimento porque se não for a política resta-lhes o desemprego, os boys, tal não significa que não existam políticos financeiramente independentes e verdadeiramente empenhados no serviço público

É obvio que a classe política tem uma grande responsabilidade na insatisfação que existe na população, e até admito que tenha bastante influência na elevada abstenção.

Na verdade, os políticos não são todos corruptos, mas são todos coniventes com a degradação democrática das instituições e da sociedade e se continuarmos assim das duas uma, ou Portugal viverá numa anarquia ou numa ditadura e combater estes desfechos cabe aos políticos que estão no ativo.

As pessoas que lutaram toda uma vida para singrarem, os jovens que tiram cursos superiores como muito esforço seu e dos seus pais, sentem-se traídas. A prática dos jobs for de boys, e a teoria da meritocracia tantas vezes utilizada nos discursos políticos, vai uma longa distância.

Nos últimos anos, porventura desde o 25 de Abril, os partidos têm andado cegos pelo poder, poder, que só o tem, porque lhes é conferido pelos eleitores.

Cegueira que os tem impedido de servir o país mais do que se servirem a si próprios às suas clientelas e aos seus Boys.

Outra forma de ditadura, se antes do 25 de Abril, os amigos do regime estavam assegurados, agora são os amigos do partido que está no poder que estão garantidos, mesmo que incompetentes ou desprovidos de valores relativamente ao serviço e à causa publica.

Se antes quando mudavam os governos, mudavam os dirigentes da administração do estado, agora quando alterna um partido no poder, também.

Citando Vasco Pulido Valente, no seu livro O Poder e o Povo, “a tradição portuguesa de clientelismo e caciquismo é antiga e enraizada…durante a época do chamado rotativismo monárquico, os boys usavam bigodes retorcidos, bengala e chapéu alto, …hoje “passaram a usar gravata e smartphone. Mas nunca se perdeu a ligação partido-Estado-emprego

Num artigo publicado na revista Análise Social em 2016, com o título “Serviço ao poder ou o poder ao serviço? Patrocinato e governos partidários em Portugal”, extraído de uma investigação onde participaram 51 políticos em 2008 e 2009 é citado um deles que diz a propósito do clientelismo “Há sempre uma dinâmica de lealdades partidárias, até muitas vezes de faturas a pagar por apoios internos que conduziram à liderança do partido”.

Refere o mesmo artigo que o controlo da máquina administrativa pelos partidos não divergem muito dos do passado, “conhecimento pessoal”, confiança e “lealdade” potenciadas por necessidades económicas para manter o emprego ou “pressões locais”, são as razões apontadas pelos 51 políticos.

E acrescenta outro político “que a fidelidade dos militantes partidários é garantida não só pela lealdade e cumplicidade de quem milita no mesmo partido, mas também porque são pessoas que a partir de determinado momento vivem destas nomeações e têm delas uma dependência económica

E é isto, enquanto os líderes partidários alimentarem estas clientelas, optando por gente sem valores e sem escrúpulos, que estão-na politica para se servirem e não servirem o povo em detrimento da meritocracia, enquanto estes boys não entenderem, que o partido não lhe deve nada, eles é que devem ao partido, a oportunidade de servirem a causa publica, vai aumentar o descredito dos políticos e o desinteresse e o distanciamento dos cidadãos em relação aos partidos.

Por outro lado, os partidos ficam cada vez menos capazes de mobilizar o eleitorado, o que pode pôr em risco a qualidade da democracia, uma vez que a democracia depende da participação dos cidadãos

A política não é muito atrativa, alias como disse o Papa Francisco “A política é demasiado suja, mas é suja…” porque as pessoas de bem não se implicam

E por isso, faço aqui uma declaração de intenções.

Eu vou implicar-me porque para além do que disse o Papa Francisco que “Devemos implicar-nos na política, porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, visto que procura o bem comum”, é urgente promover uma reflexão séria sobre as prioridades na politica, na exigência que os políticos têm sobre si próprios e na forma como fazem politica e fazer uma rutura como passado , só assim se salva a democracia e os partidos deverão ser os primeiros interessados porque sem democracia os partidos desaparecem.

Pensem nisto.
Fiquem bem, fiquem com a 105 fm

Natércia Gaspar

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