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Paulo Casaca

A NOVA ORDEM MUNDIAL

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A NOVA ORDEM MUNDIAL

 

No passado dia quatro, tive a ocasião de assistir em Bruxelas à palestra proferida pelo Secretário de Estado norte-americano destinada a traçar as linhas de uma nova ordem internacional.

E para quem no mesmo salão assistiu já a tantas conferências ou recepções dominadas por platitudes, eufemismos, temas mundanos ou promessas ocas, o discurso de Pompeo não podia oferecer um contraste maior.

Em menos de 20 minutos, de forma clara, precisa, concisa, coerente e plena de conteúdo, o chefe da diplomacia norte-americana fez a história da ordem internacional contemporânea, apontou-lhe os êxitos, e também as insuficiências, terminando com a visão das autoridades norte-americanas para o novo multilateralismo.

É uma ordem centrada nos Estados Unidos, no reforço das nações e de geometria variável, preparada para viver sem Nações Unidas, com nuances importantes em relação às posições antes expressas pela administração Trump no domínio europeu e, muito em particular, no domínio ambiental. Aqui, ele promete não ignorar, mas antes ultrapassar os resultados obtidos pelo resto do mundo com base em tecnologia e inovação e não em multiplicação de construções administrativas e declaratórias.

Os resultados da aposta da nova administração americana estão longe de ser seguros. Há um ponto em que creio contudo que os seus méritos são indiscutíveis: os de romper com o rumo de um processo onde o naufrágio era garantido.

Como aconteceu várias vezes no passado, estamos no fio da navalha e precisamos de usar o melhor do nosso entendimento para saber o que queremos para o futuro.

Bruxelas, 2018-12-05
Paulo Casaca

Paulo Casaca

A EUROPA DA INJUSTIÇA FISCAL

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A EUROPA DA INJUSTIÇA FISCAL

 

A crescente globalização tem permitido a empresas multinacionais de grande dimensão escolher o local onde são registadas e taxadas, ou mais frequentemente, isentas de impostos. Esses exercícios recorrem a exércitos de consultores que optimizam os resultados através de sofisticadas operações de engenharia e criatividade contabilísticas e são cada vez mais promovidas pelos Estados, nomeadamente na União Europeia.

Claro que nada disto é possível para as pequenas empresas, nomeadamente as familiares, que não podem saltar de um país para o outro por um clique no computador, não têm massa crítica que possa pagar esses profissionais e, pior do que isso, são tomadas como caça fácil e garantida pelos fiscos dos Estados.

A aritmética do problema é fácil de entender. Se uma multinacional a laborar no mundo inteiro e com 1000 milhões de lucros, aceitar sediar-se num determinado país pagando 0.5% de imposto, o fisco desse país ganha 5 milhões. Pelo contrário, se ainda nesse país, um milhão de empresas a registar 1000 Euros de lucro médio pagar 34,5% de imposto em vez de 35%, o fisco regista uma perda do mesmo valor.

A Bélgica, país com taxas de imposto e regras de imposição sobre a pequeníssima empresa que raiam o confisco, instituiu sistemas de negociação com multinacionais que lhes permitem pagar quase nada.

A Comissão Europeia, num processo emblemático em que tentou reduzir esta flagrante injustiça fiscal, instou a Bélgica a recuperar 700 milhões de euros com que este país agraciou 35 multinacionais. Em Fevereiro, numa sentença histórica, o Tribunal Europeu deu provimento à posição da Bélgica e das multinacionais e anulou a decisão da Comissão.

Por um emaranhado de leis, convenções e suposições temos assim consagrada a completa injustiça fiscal que nem as tímidas medidas apaziguadoras da Comissão aceita. Voltámos assim à lógica do Antigo Regime em que os pobres pagam em vez dos ricos.

Se há porventura um tema que valeria a pena ser abordado nas eleições europeias que se aproximam é o que fazer sobre este estado de coisas.

Paulo Casaca

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Paulo Casaca

MACRON FALA AOS EUROPEUS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA MACRON FALA AOS EUROPEUS

 

Em dois meses, o Presidente francês conseguiu inverter a frágil situação em que o movimento dos coletes amarelos o tinha colocado. Começou por recuar na maior parte das medidas impopulares anunciadas; continuou com uma enorme ronda por todo o país em que horas a fio se dispôs a ouvir críticas de anónimos cidadãos e terminou numa maratona de doze horas no mítico salão francês da agricultura, em que entre os agricultores rompeu com a imagem de banqueiro elitista que tão impopular o tinha tornado.

Os coletes amarelos, entretanto, cansaram pelos confrontos e linguagem violenta. Os seus dirigentes dividiram-se em três potenciais listas europeias que, acaso se apresentem, são mais ameaças aos partidos que contestam Macron que a ele mesmo. O conspiracionismo e o antissemitismo varrem o país, com Macron aproveitando a deixa para dirigir uma manifestação dos democratas contra esse monstro reaparecido.

É neste novo ambiente de crescendo de popularidade que Macron publica uma curta mensagem europeia em que promete liberdade, protecção e progresso, temas essenciais tratados contudo com uma visão que não é a minha.

Critica-se a presença externa na Europa como se esta fosse limitada aos meios financeiros; aborda-se a pressão dos refugiados como uma questão a tratar por mais um conselho e mais uma agência; mas esquecem-se os promotores das guerras na Ucrânia ou na Síria como se não fossem estas as reais ameaças; elencam-se alguns importantes desafios ambientais, mas também aqui surgem mais organismos e esquemas financeiros e não uma visão integrada; toca-se na concorrência salarial e empresarial apenas para esconder o que é decisivo, a fiscalidade que poupa ricos, multinacionais e grandes interesses castigando o pobre, o trabalhador e a pequena empresa.

Termina-se negando a voz ao povo e insistindo na repetição de conferências em que as elites irão pensar em tudo, confirmando a falta de vontade de democratizar a Europa.

Como sempre em circunstâncias semelhantes, poderemos dizer que o copo está meio cheio ou meio vazio, sublinhar aquilo de que se fala ou aquilo que se esquece, mas é forçoso reconhecer que são estes os temas que se vão tornar nos centros do debate para as eleições europeias de final de Maio.

Bruxelas, 2019-03-06
Paulo Casaca

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AUTONOMIA E EDUCAÇÃO NOS AÇORES

Paulo Casaca

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PAULO CASACA AUTONOMIA E EDUCAÇÃO NOS AÇORES

 

Foram publicadas a semana passada as classificações das escolas portuguesas. Com tristeza, vejo que as escolas dos Açores continuam a sair mal do exercício, e que os responsáveis políticos continuam a desvalorizar a situação. O Governo Regional apelidou os resultados de ‘redutores’, enquanto o principal partido da oposição reagiu com chavões sem qualquer conteúdo útil.

Se os resultados são redutores, arrolar uma série de iniciativas desconexas em substituição de uma avaliação imparcial, não é sério, e multiplicar palavras supostamente críticas sem conteúdo, é menos sério ainda.

A obrigação de quem diz que os exames não chegam para avaliar é propor melhor, e a obrigação de quem se propõe como alternativa é ter alternativas em vez de colecionar chavões.

Pela minha parte, como cidadão hoje residente na Bélgica, e avô de duas crianças que estarão em breve no sistema educacional açoriano, avanço com duas propostas.

A primeira é a reedição da que fiz há dez anos: envolvimento dos municípios, das juntas de freguesia, dos encarregados de educação, das associações e da sociedade civil. Não, não é preciso fazer mais planos, conselhos, estratégias, é só preciso utilizar o que existe, abrir portas, enfrentar desafios e acima de tudo ter a coragem de entender que a maior riqueza dos Açores não são os mares, não são os pastos, menos ainda os subsídios de insularidade, são as suas crianças!

A segunda, inspira-se na decisão da comissão parlamentar especializada belga responsável pela educação que aprovou agora por unanimidade a antecipação do início da escolaridade obrigatória para os cinco anos de idade, não tendo tido vencimento a proposta mais ousada de a antecipar para os três anos de idade.

Pensem nisso, pensem em aumentar a escassa cobertura em creches, e em ensino pré-escolar a partir dos 3 anos, pensem em ter dados relevantes, fazer comparações sérias. E pensem em escrever mensagens significativas, nem que seja, para dar melhores exemplos às crianças.

Paulo Casaca

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