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Natércia Gaspar

“BASTA A DIFERENÇA DE UM GESTO…DE UM SORRISO PARA EMPODERAR E ABRIR CAMINHO À IGUALDADE E À INCLUSÃO!”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR BASTA A DIFERENÇA DE UM GESTO…DE UM SORRISO PARA EMPODERAR E ABRIR CAMINHO À IGUALDADE E À INCLUSÃO!

 

Bom dia caros ouvintes,

No passado dia 3 de Dezembro, assinalou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, por isso, permitam-me que hoje saúde de forma muito especial e com profunda admiração e respeito, os nossos ouvintes com deficiência e suas famílias, de quem a 105 FM é, porventura, a maior companhia, pelo menos de alguns.

O objetivo de assinalar esta data é sensibilizar para uma maior compreensão dos assuntos relacionados com a deficiência que são intermináveis e complexos e à mobilização da sociedade para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas, princípios pelos quais ainda há muito a fazer e a conquistar.

Por isso permitam que peça aos restantes ouvintes a vossa especial atenção de coração aberto, porque basta uma mudança de perspetiva e de atitude, por parte de cada um de nós que, faremos toda a diferença para que estes nossos concidadãos se sintam mais fortalecidos e com maior capacidade de afirmação, sendo precisamente esta tónica que está no tema escolhido para este ano, “Emponderando, pessoas com deficiência, garantindo inclusão e igualdade”.

No nosso país esta data ficou marcada pela coragem e assertividade de Eduardo Jorge, uma pessoa tetraplégica, que decidiu como forma de protesto passar uns dias enjaulado à frente da Assembleia da República para chamar a atenção das dificuldades das pessoas com deficiência, designadamente e cito Eduardo Jorge: “o quanto os cidadãos nas suas condições de saúde são “inúteis” sem a necessária assistência”.

No seu caso, Eduardo Jorge está institucionalizado num lar de idosos, apesar de ter uma casa onde não pode viver porque não tem qualquer apoio às atividades de vida diária e, a ironia, está em que o mesmo Estado que comparticipa na sua permanência no lar de idosos, recusa comparticipar, por exemplo, o salário de alguém para apoiar o Eduardo Jorge no seu quotidiano, daí o sentimento de inutilidade.

Mas basta colocar-nos no lugar de quem anda de cadeira de rodas ou de bengala branca e tem que fazer verdadeiras provas de montanha e de obstáculos para circular sozinho nas vias públicas, acabando por evitar sair de casa, ou, ainda, a pessoa em cadeira de rodas que pretende levantar dinheiro numa caixa de multibanco e não chega à máquina, ou pretende tratar de qualquer burocracia na maioria dos serviços públicos e se confronta com a inexistência de acessibilidades, funcionais ou comunicacionais.

Imagine que de repente a nossa cidade sofre um apagão todas as noites, sem possibilidade de recorrer a velas, lanternas, ou até candeeiros a petróleo mas tem que ajudar os filhos nos trabalhos de casa, tratar da roupa que vai vestir de manhã, cuidar da casa ou terminar um trabalho urgente para o serviço, para além de atarantado vai sentir que não é capaz de cumprir as suas obrigações.

Pois é caro ouvinte, qualquer um de nós nas circunstâncias e estado de saúde das pessoas com deficiência sentíamo-nos verdadeiramente inúteis, um fardo para as nossas famílias e amigos.

Mas eles e elas, as suas famílias, apesar de tudo, e todos os dias, todos os momentos se superam, nem que seja pela coragem que têm de dia após dia lutarem contra todas as barreiras físicas, comunicacionais e emocionais.

Nós ao contrário de sermos empáticos, descriminamos pelas nossas atitudes mais ingénuas e aparentemente inofensivas, pela nossa falta de civismo, pela nossa indiferença, pela nossa curiosidade mórbida, pela nossa incapacidade de acolhermos o outro que é diferente.

E é tão simples! Basta a diferença de um gesto…de um sorriso para empoderar e abrir caminho à igualdade e à inclusão!

Fique bem! Fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

PRECISAMOS DAS INTÉRPRETES. A LUTA PRECISA DE CONTINUAR! O GOVERNO TEM DE MOSTRAR SENSIBILIDADE

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PRECISAMOS DAS INTÉRPRETES. A LUTA PRECISA DE CONTINUAR! O GOVERNO TEM DE MOSTRAR SENSIBILIDADE

 

O título desta crónica é a citação de um menino de 16 anos, surdo, que frequenta a Escola Básica Integrada dos Arrifes, Escola de referência para Surdos.

Citação tirada de uma publicação sua no Facebook que transcrevo: “Olá. Eu sou o José, a 15 de março acaba o contrato das intérpretes. Por favor! Todos lutar! As intérpretes não podem sair. Precisamos das intérpretes. A luta precisa de continuar! O governo tem de mostrar sensibilidade. Nós temos direito de ter intérpretes. Por favor, ajudem!!!!”

Este pedido de ajuda surge, porque as Intérpretes de Língua Gestual da referida Escola terminaram os seus contratos a prazo no passado dia 15 de março, data a partir da qual os alunos surdos ficaram sem intérpretes, figura fundamental para a educação daqueles alunos, pois traduzem os conteúdos das diferentes disciplinas e asseguram a comunicação com professores e colegas de turma.

Daqui resulta que os alunos surdos, alguns no nono ano, com exames nacionais à porta, para prosseguirem para o secundário, vão ter no mínimo, o resto do ano sem a facilidade de apreender os conteúdos, esclarecer dúvidas e pura e simplesmente de comunicar que é o meio de excelência para estar em relação com o outro.

É no mínimo revoltante!

Antes de qualquer consideração sobre o assunto, importa em abono da verdade, dizer, que a Escola propôs às intérpretes continuarem em regime de avença até o concurso que está a decorrer, para admissão destas técnicas, terminar.

Solução esta que as intérpretes recusaram reclamando a realização de contratos por tempo indeterminado, o que violaria a lei dos concursos de admissão para a administração pública e como alternativa, para diminuir o impacto da decisão das intérpretes na aprendizagem dos alunos, a Escola assegurou que pelo menos as disciplinas mais importantes, como História, Português e Matemática, tivessem intérprete.

Ora, desde logo temos a intransigência, por parte das intérpretes que estão a usar os alunos como arma de arremesso contra a tutela, o que não é bonito, quando também passa por elas o dever da promoção da inclusão das pessoas surdas. Por outro lado, a sua posição até é humanamente compreensível se tivermos em conta que todos os agentes com responsabilidade no processo tinham, ou deviam ter, a consciência que o dia 15 de março chegaria e, sem um plano B previamente planeado, quem iria sofrer eram seguramente os alunos. E foi o que aconteceu!

Porque é que só agora, às pressas; abriu concurso? Porque não foi aberto o ano passado? A esta altura o dito estava fechado e a transição seria muito natural e sem perturbação dos alunos.

Diria mais, porque é que nestes nove anos, em que a Escola de referência para surdos está em funcionamento, nunca foi aberto concurso e sempre tiveram as intérpretes em situação de precariedade?

Afinal, nos Açores há quem fique para trás!

É com profunda tristeza que o afirmo. Mas estou chocada porque um governo que tem como máxima “não deixar ninguém para trás”, deixou para trás uma população, já por si descriminada e com muitas barreiras para ultrapassar, como é a comunidades surda.

A gestão deste processo é tão cheia, não sei se de incompetência, se de ignorância, ou apenas sensibilidade de elefante do Conselho Executivo, do Diretor Regional, do Sr. Secretario Regional da Educação ou do Vice-Presidente que é quem dota os organismos de orçamento para as suas necessidades.

Seja como for, o Rodrigo está pleno de razão, “O governo tem de mostrar sensibilidade.” para estes casos, para que realmente os Açores sejam inclusivos, como gostamos de apregoar.

Há outro aspeto em que o Governo falhou, promover e proteger os direitos das crianças e jovens surdas, pela inabilidade da resolução atempada do problema e porque não assegurou o superior interesse nem defendeu os alunos surdos que são depositados na escola e não têm qualquer apoio e interesse por parte dos pais.

Sim os pais destes jovens que foram prejudicados, não foram vistos nem ouvidos a lutar pelos direitos dos filhos, mas porque toda a regra tem uma exceção, a família do José esteve presente e luta por ele e pelos outros meninos ao ponto de se voluntariarem para irem fazer a intermediação.

Que aprendamos todos com esta situação!

Fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

OS “QUEM QUEREM CASAR COM…” TEM UMA PERGUNTA SUBLIMINAR QUE É, “QUEM QUER SER PARVO?”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUEM QUER SER PARVO?

 

Antes de ver os novos formatos de domingo à noite da SIC e da TVI, partilhei no Facebook, meio a sério, meio a brincar, o que me suscitavam, à partida, aqueles programas.

Transcrevo.
Porque a tradição tem que voltar a ser como era, comunico que como concorrência ao “Quem quer casar com um agricultor?” da SIC e ao “Quem quer casar com o meu filho?” da TVI, … anuncio o QUEM QUER CASAR COM A CAROCHINHA?

Mas com uma variante da moral da história original, ao contrário de um qualquer João Ratão armado em fino e guloso, a minha carochinha quer um noivo bem-apessoado, delicado, inteligente, com sentido crítico, observador e reflexivo, que questione o porquê de o povo gostar destes programas tão cheios de nada e que expõe as pessoas, no mínimo, ao ridículo, já para não falar na vulgarização ” do amor para a vida, puro e verdadeiro”!

Estamos perante mais um formato televisivo que vende a ilusão do “fast love” e do par perfeito caído do céu.
Depois de ver, reitero o que disse, são formatos cheios de nenhum conteúdo, que atenta contra a dignidade da pessoa, independentemente do género.

Os homens aparecem como incapazes de fazer valer os seus atributos para encontrarem, sozinhos, um par para a vida e recorrem a uma montra de mulheres que se digladiam não por eles mas para serem as escolhidas a continuar no programa, nem que para isso tenham que ficar com eles.

As mulheres… até dói, se lembrarmos que o Dia Internacional da Mulher foi apenas há 5 dias e todo o país reclamava o respeito pela dignidade e igualdade de direitos das mulheres.

Sim, a SIC e a TVI também, foram inúmeras as reportagens e documentários a enaltecer o papel da mulher, a registar a diferença de tratamento pela sociedade, a sensibilizar para o combate à violência conta a mulher.

E…2 dias depois, com estes programas, criam todas as condições, para a afirmação dos estereótipos de género. A mulher tem que ser boa dona de casa para servir o homem e este é o seu dono e senhor!

Ora, se considerarmos que a televisão é por excelência um veículo de informação, ou, no caso, de desinformação, e tem superpoderes para formar a opinião pública, a mensagem que passam vem reforçar a imagem estereotipada que a sociedade já tem sobre a mulher.

Claro que as mulheres e homens que participam fazem-no de livre vontade e quase que asseguro que encontrar o amor será a ultima das motivações.

Desconheço se estão em causa prémios, mas tenho a certeza que qualquer um deles, homem ou mulher, procura os seus 15 minutos de fama e tornarem-se celebridades.

Esquecem-se, no entanto, que serão celebridades instantâneas, a quem vão escrutinar toda a sua vida, para vender revistas e programas sensacionalistas e em poucos meses regressarão ao anonimato.

E é claro, também, que estes formatos têm sucesso, porque têm público. Domingo mais de milhão e meio de pessoas assistiram aos “Quem Quer…” da SIC e da TVI e eu assumo, contribui para as estatísticas de Domingo e muito provavelmente irei espreitar de quando em quando, porque há situações que fazem rir, que nos deixam estupefactos e a pensar…como é possível sujeitarem-se a isso? Por que (razão pela qual), em ultima análise, assistir a este tipo de programas faz-nos esquecer os dramas reais que vivemos, os fenómenos dramáticos que ocorrem pelo mundo e afetam milhares de pessoas e, assim, não temos que pensar ou sentir e consequentemente não temos que reagir.

Ficamos em estado puro de alienação, letargia para não dizer de estupidificação tal é o situação de êxtase e inércia em que ficamos!

Cá para mim o nome dos programas, quem quer casar com…tem uma pergunta subliminar que é, “Quem quer ser parvo?”

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

PARECES OS HOMENS DO MEU TEMPO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PARECES OS HOMENS DO MEU TEMPO

 

Pareces os homens do meu tempo disse a minha mãe a propósito de um comentário que fiz sobre o facto de ser bom estar em casa e não ir trabalhar, ao que de imediato retorquiu, “até parece que não trabalhas em casa, pareces os homens, no meu tempo, também diziam que as mulheres que ficavam a cuidar da casa e dos filhos não trabalhavam”.

Foi um abanão, um duplo abanão, primeiro, porque a minha mãe estava cheia de razão, as mulheres que exercem uma profissão acabam por ter uma dupla jornada de trabalho, as estatísticas dizem que trabalham mais seis horas por dia que um homem. Depois porque me impressionou, a minha mãe, uma mulher de 84 anos, do século passado, que toda a vida viveu num contexto machista, de repente, tem esta observação tão lúcida e tão à frente das mulheres do seu tempo!

De facto, é secular o esforço de conquista, por parte da Mulher, do reconhecimento da sua dignidade, afinal é disso que se trata.

Todas as conquistas, o direito a voto, as melhores condições de vida e de trabalho, a afirmação no mundo laboral e em tantas outras áreas tradicionalmente nas mãos de homens promovem a dignidade da Mulher.

E é com o objetivo de recordar todo o percurso de conquistas, mas também para sensibilizar que ainda há tanto, mas tanto, a conquistar que dia 8 de março se assinala o Dia Internacional da Mulher.

Porventura a maior das conquistas que demorará gerações a efetivar é a cultural e prende-se com a necessidade de mudar, drasticamente, as representações sociais sobre a Mulher.

É importante que se diga, a mulher também tem que mudar as representações que tem de si e, sobretudo, das outras mulheres.

Atentemos neste início de ano sangrento para as Vítimas de Violência doméstica que morrem nas mãos dos agressores, concretizando um sentimento de posse doentio traduzido na ideia de que “não és minha não és de mais ninguém”.

Este foi o motivo pelo qual o governou decretou luto nacional pelas vítimas de violência doméstica, amanhã, dia 7 de março.

Percebendo o simbolismo da medida, não deixa de ser triste que tenha sido necessário morrer, num tempo recorde de 2 meses, 11 mulheres, para que o Governo tenha acordado para esta realidade.

Não seriam suficientes as mais de 500 mulheres, que morreram desde 2004?

Como já aqui partilhei convosco, o Estado em Portugal tem desvalorizado a questão da violência doméstica apesar dos consecutivos Planos de Combate e Prevenção à Violência Domésticas, cujas medidas ficam-se pelo papel e as que saem, Formação para os vários agentes envolvidos, segurança das vítimas, ações de prevenção, etc., são implementadas de forma descoordenada, sem articulação entre as várias entidades, sem avaliação do impacto dessas ações.

E mais grave ainda, com juízes como o Neto de Moura, sim, porque este não é o único, que por inúmeras vezes demonstrou a sua sensibilidade de elefante para esta matéria e continua a julgar com a cumplicidade dos seus pares.

Mas não é de estranhar, quando se reclama a formação dos magistrados para a igualdade de género e violência doméstica, a Associação Sindical de Juízes vai celebrar o dia Internacional da Mulher, com uma formação em maquilhagem.

No dia em que para os Cristãos começa a Quaresma, permitam que diga: perdoa-os Senhor que não sabem o que fazem!

Fique bem, fique com a 105 FM.

Natércia Gaspar

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