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Aníbal Pires

GANHOU QUEM NÃO DESISTE

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES GANHOU QUEM NÃO DESISTE



Esta semana o parlamento açoriano aprovou o Orçamento e o Plano para 2019. Estes documentos sendo propostos pelo Governo de Vasco Cordeiro foram, porém, objeto de algumas alterações que resultaram de entendimentos partidários e que depois tiveram a natural tradução parlamentar.

Algumas destas modificações vão ter impacto direto na melhoria do rendimento das famílias e são, na generalidade, positivas. Não vou enumerá-las, pois, penso que são do seu conhecimento e, por outro lado, quero centrar esta nossa conversa no anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional, no discurso de encerramento do debate na generalidade, que se comprometeu a encontrar com os sindicatos uma solução regional para o reposicionamento dos educadores e professores na carreira docente, alguns dos contornos foram mesmo enunciados por Vasco Cordeiro e, ao que julgo, deixaram os docentes satisfeitos com a solução proposta.

Mas, ainda antes disso, sempre gostaria de lhe dizer que o acolhimento das propostas da oposição, para além de serem um indicador da importância da instituição parlamentar, não modificaram a natureza e matriz política das propostas iniciais, nem isso seria expetável. Mas, ao contrário do que vinha a passar-se nesta legislatura, este ano o diálogo democrático foi cultivado e colheram-se alguns frutos, os possíveis, desse exercício que deve ser permanente.

Os educadores e professores dos Açores ganharam a luta pelo reposicionamento na carreira. Que não restem dúvidas, Sem a luta e a mobilização dos docentes o governo de Vasco Cordeiro continuaria, por mais algum tempo, a ater-se ao contexto político e à indefinição do Governo da República e a luta dos educadores e professores teria de continuar, ainda que, com contornos e em moldes diferentes.

Mas, e para que o passado recente não caia no esquecimento, é bom que se diga que durante este processo político houve quem soubesse ler e interpretar os sinais e conduzisse a luta em função dos interesses dos educadores e professores, com a consciência de que logo após a conclusão dos processos de discussão e aprovação dos orçamentos de Estado e da Região, de 2019, teriam lugar desenvolvimentos, designadamente nos Açores.

Houve quem pacientemente ouvisse os mais disparatados radicalismos, no auge de uma luta que o SPRA, sem nunca desarmar, conduziu com uma resiliência que alguns julgaram não ser possível, porque este sindicato tinha e tem uma agenda política e sindical ancorada na vontade e no querer dos educadores e professores e mantém-se ao seu lado sem nunca deixar cair os braços.

Outros, porém, têm agendas políticas, mas que não são sindicais, são agendas partidárias e, como tal, esgotam-se com o tempo e a conveniência, após concluída a greve às avaliações essa organização, “digamos”, sindical abandonou o discurso radical e, ao contrário do SPRA, quedou-se pela inércia, ou seja, saiu de cena.

Mas também aos grupos “inorgânicos”, de professores desligados dos sindicatos se lhes apagou o fulgor, logo após o fim da greve às avaliações. Faltou-lhes o que diferencia um sindicato de um grupo que, por não estar organizado, é mais permeável à manipulação por interesses exógenos aos seus. Não tenho dúvidas da entrega e da autenticidade de muitos docentes que aderiram às lutas e mobilizações que surgiam como se fossem de geração espontânea, mas é bom que se perceba de uma vez por todas que, nestes casos, a espontaneidade só parece que é. E na verdade é, Um mito.

Claro que agora perante o anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional vão todos despertar do torpor onde estiveram mergulhados, mas já não vão a tempo.

Os educadores e professores da Região Autónoma dos Açores com o SPRA a liderar uma luta limpa com objetivos e timings bem definidos, e construídos coletivamente, já ganharam esta luta.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Funchal, 01 de Dezembro de 2018

Aníbal Pires

DE QUEM FOI A IDEIA E PARA QUE SERVE – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES DE QUEM FOI A IDEIA E PARA QUE SERVE – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

 

Pois é, hoje vamos continuar à volta dos enredos pré-eleitorais que se instalaram no espaço público regional.

Depois do imbróglio criado pela esconsa estratégia do PSD Açores e dos autos de fé que por aí ouvimos e lemos eis que a discussão passou, eu percebo porquê, para a necessidade de os Açores e a Madeira poderem ter círculos eleitorais próprios para o Parlamento Europeu.

Apesar do PS e o PSD nos Açores, sobre esta questão estarem de acordo, pareceria mal se não se instalasse uma outra polémica, ou seja, quem propôs primeiro. Terá sido o PS ou o PSD. Discussão assaz importante para o nosso futuro como facilmente percebemos.

Enfim enquanto se discutem os adereços o essencial vai passando ao lado dos cidadãos. E depois, bem e depois é a elevada abstenção de que todos se queixam, mas que alguns alimentam com discussões estéreis e propostas que pouco, ou nada, contribuem para resolver as necessidades, em alguns casos, as necessidades primárias dos potenciais eleitores.

A proposta de criação de círculos eleitorais para o Parlamento Europeu para as Regiões Autónomas, de 2 deputados pelos Açores, e 2 deputados pela Madeira, pode até parecer importante, e poderia ser. Poderia ser importante se os deputados eleitos pelas autonomias defendessem os interesses das suas Regiões. E não defendem, Pergunta-me com toda a legitimidade. E eu respondo-lhe com toda a frontalidade, Não.

E sustento esta minha opinião analisando o desempenho dos deputados, com residência nos Açores, eleitos ao Parlamento Europeu pelas listas do PS e do PSD. As regiões beneficiaram diretamente com esse fato, Não. Aliás como facilmente se comprova outros deputados de outras famílias políticas, eleitos na lista nacional têm defendido melhor e com maior eficácia os interesses dos Açores e da Madeira.

Lembro apenas o papel de um deputado comunista, Gutierres Diaz, de nacionalidade espanhola cujo relatório esteve na base da criação do programa POSEI. Já faz tempo, É verdade, mas aconteceu e ninguém nas Regiões Autónomas pensa ou quer abdicar destes programas.

Assim de repente, que me lembre, não vislumbro nada de positivo para os Açores e para a Madeira que tenha sido conseguido pelos deputados, residentes nas regiões autónomas, eleitos ao Parlamento Europeu nas listas do PS e do PSD. Bem pelo contrário as Políticas Comuns de Pesca e da Agricultura, com os efeitos negativos que são conhecidos mereceram sempre o apoio desses deputados. Assim como merecerá a aprovação do orçamento pós 2020, apesar dos cortes que estão previstos.

Há, porém, outras questões associadas à criação de círculos eleitorais das Regiões Autónomas ao Parlamento Europeu que podem determinar que esta proposta seja inviabilizada na Assembleia da República. Ou seja, os quatro deputados, dois pelos Açores e dois pela Madeira, serão subtraídos aos 21 da lista nacional.

Será que as direções nacionais do PS e do PSD aceitam. Tenho as minhas dúvidas. Até por uma questão de representatividade, embora seja substantivamente diferente das eventuais comparações com outras regiões do país com um maior número de eleitores, afinal estamos a falar de Regiões com um Estatuto político e administrativo que não é comparável com qualquer outra região portuguesa.

Mas essa questão ficará para uma outra ocasião.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Março de 2019

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Aníbal Pires

ENREDOS À MODA DO PSD AÇORES – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES ENREDOS À MODA DO PSD AÇORES – AS ELEIÇÕES EUROPEIAS

 

De tudo o que resulta da estratégia do PSD nas candidaturas ao Parlamento Europeu lamento, sinceramente, que o Dr. Mota Amaral se tenha deixado enredar em esconsas artimanhas e acabe, uma vez mais, enxovalhado pelo seu partido.

Não pretendo imiscuir-me nos assuntos internos da vida do PSD, e não o vou fazer. O que não quer dizer que não tenha opinião. Tenho e é a minha opinião que vou partilhar consigo, antes, porém, vou deixar-lhe algumas questões que importa ter em consideração para se poder compreender esta trama que teve o resultado que é do conhecimento público.

Existe um acordo de cavalheiros no seio do PSD, é do domínio público, que os candidatos à lista nacional para o Parlamento Europeu, nacional sim, não há outra, indicados pelas estruturas das Regiões Autónomas alternam a cada candidatura, ou seja, há cinco anos o candidato indicado pelo PSD Açores foi colocado à frente do candidato do PSD Madeira. Face a essa rotatividade este ano o candidato do PSD Madeira iria, naturalmente, à frente do candidato do PSD Açores. Esta questão não constitui novidade e é bem objetiva.

Os dois dados que introduzo a seguir, não sendo tão objetivos, foram igualmente determinantes para o desfecho que se conhece, ou seja, o PSD Açores, não tem, pelo menos até agora, nenhum representante na candidatura do PSD às eleições para o Parlamento Europeu, uma vez que o Dr. Mota Amaral achou por bem não aceitar o lugar que lhe foi destinado.

Um dos dados de análise para que possa perceber toda esta trama relaciona-se diretamente com a expetativa do PSD face aos resultados para o Parlamento Europeu, ou seja, é baixa. De onde resulta que é esperado, pelo próprio PSD, a eleição de menos deputados dos que conseguiu eleger há cinco anos.

Este ano, lá para o último quadrimestre, para além das eleições para a Assembleia da República, realizam-se eleições legislativas na Região Autónoma da Madeira e, também aí, as projeções conhecidas não são muito favoráveis ao PSD, aliás tudo aponta para a perda da maioria absoluta. Motivo que inviabilizaria qualquer cedência do PSD Madeira ao PSD Açores.

Face a estes dados que, como disse, são do conhecimento público e que poderiam, julgo que pela primeira vez, deixar um representante do PSD Açores fora do Parlamento Europeu, eis que os estrategas de Alexandre Gaudêncio engendraram um ardil para Rui Rio e para a direção nacional do PSD, ou seja, propuseram um nome de peso político incontestável, O Dr. Mota Amaral. Terão pensado, esta é uma personalidade à qual Rui Rio e o PSD não poderão negar um lugar cimeiro, que é como quem diz um lugar elegível. E ao que tudo leva a crer delinearam este plano sem nenhuma alternativa, caso o PSD recusasse, como veio a fazê-lo. O PSD Açores não tinha plano B.

E agora Senhor Presidente do PSD Açores!? Este ano há eleições para a Assembleia da República, para o próximo ano são as eleições legislativas nos Açores. Como será que Alexandre Gaudêncio vai desfazer este imbróglio onde se meteu.

O PSD Açores, desde que o Dr. Mota Amaral deixou a liderança, nunca mais encontrou rumo. Nem os delfins do carismático líder, nem a Dra. Berta Cabral se afirmaram como alternativas perante o eleitorado açoriano, e, por este andar Alexandre Gaudêncio será mais um líder para sacrificar nas eleições de 2020, se lá chegar, embora a prática no PSD Açores seja essa. Imolar os líderes no altar sacrificial das eleições regionais.

Para mim, ter ou não, um deputado que reside nos Açores no seio do Partido Popular Europeu, a família política onde se integram os deputados do PSD, não é importante. Assim como não é importante ter um deputado com residência nos Açores integrado no Partido Socialista Europeu, família política onde se integram os deputados do PS.

Estas duas famílias políticas que têm dominado o Parlamento Europeu são, afinal, responsáveis pela perda da autonomia regional e da soberania nacional. As pescas e a agricultura na Região não ficaram imunes aos efeitos perversos das respetivas políticas comuns subscritas por estes dois partidos.

Mais do que as pessoas, são os projetos políticos que determinam o nosso futuro. As personalidades no seio do Parlamento Europeu não são mais do que instrumentos dos projetos políticos.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Março de 2019

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Aníbal Pires

UM DIA DE LUTA, COMO SÃO TODOS OS OUTROS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES UM DIA DE LUTA, COMO SÃO TODOS OS OUTROS

 

Ontem celebrou-se o Dia da Mulher. Alguns dirão que não faz grande sentido, eu direi, que infelizmente faz todo o sentido. Ontem foi dia de uma evocação histórica, mas também de luta como de luta será o dia de hoje, de amanhã e de todos os dias. É uma luta de todos os dias Todos os dias são dias de luta até que nenhuma mulher seja discriminada, maltratada, violentada, espancada ou assassinada.

A luta é, como dizia Rosa Luxemburgo a este propósito, “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres.”

Não vou trazer-lhe aqui as estatísticas das queixas por violência doméstica, da discriminação no acesso ao trabalho, dos despedimentos, do assédio, ou das diferenças salariais. Quem está atento conhece e este, como sabe, não é um momento noticioso.

Mas é bom que se reflita sobre o crescimento deste fenómeno, mas também sobre outros aspetos que caraterizam a sociedade contemporânea que ao invés de evoluir, retrocede.

Vou-lhe deixar alguns poemas dedicados às mulheres, mas que os homens devem conhecer para não caírem nunca, mas nunca, na tentação de lhes aprisionar o sorriso ou apagar o brilho no olhar.

De Sophia de Melo Breyner “O mar dos meus olhos”

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma

De José Carlos Ary dos Santos o poema “Mulher”

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Março de 2019

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