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Nacional

Obra Completa de Vitorino Nemésio abre com poesia e vai ser apresentado em Lisboa

Agência Lusa

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O primeiro volume da edição da Obra Completa de Vitorino Nemésio (1901-1978), é dedicado à Poesia, publicado numa parceria da Imprensa Nacional com a Companhia das Ilhas, e será apresentado em Lisboa, na próxima semana.

O primeiro dos quatro livros de poesia do autor, que morreu há 40 anos, antecipa a revelação de inéditos e é apresentado no próximo dia 22, às 18:30, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, por Luiz Fagundes Duarte, responsável pela edição da obra, doutorado em Línguas e Literaturas Modernas e Linguística, pela Universidade Nova de Lisboa.

Numa nota editorial, Fagundes Duarte afirma que os três primeiros volumes de poesia de Vitorino Nemésio incluem os poemas publicados em vida pelo autor e, o quarto, “reúne a poesia inédita à data da morte de Nemésio, ou publicada postumamente”.

O volume que abre a série dedicada integralmente a Nemésio reúne a poesia editada desde 1916 a 1940, e vai ser apresentado na BNP.

Fagundes Duarte afirma que o autor nascido na Praia da Vitória, na ilha açoriana da Terceira, que se tornou conhecido pelo programa televisivo “Se bem me lembro” (1970-1975), começou a escrever poesia aos 15 anos com “Canto matinal” e terminou aos 76, com “Caderno de Caligraphia”, no qual “trabalhava quando faleceu”.

Vitorino Nemésio, entre outras atividades e colaborações dispersas em várias revistas literárias e jornais, foi professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e, como poeta, “por ele passam muitas das ideias estéticas que enformaram a poesia portuguesa do século XX, no seio da qual soube manter uma voz e uma postura muito próprias”.

O catedrático da Universidade Nova de Lisboa, refere que Nemésio soube combinar, “de um modo seguro, mas subtil, a erudição do académico com a genuinidade da inspiração de matriz popular açoriana”.

“Nele – prossegue Fagundes Duarte – encontramos desde ecos românticos (na poesia de juventude), bebidos sobretudo em Antero [de Quental] até à incursão, na maturidade, pelas linguagens e conceitos da filosofia e da ciência”, com realce para a biologia molecular, novas tecnologias e viagens espaciais, nos últimos livros, “aos quais conferiu uma até então imprevisível dimensão poética”.

Quanto a este primeiro volume, agora editado, divide-se em duas partes, de 1916 a 1930, e de 1935 a 1940, explicando Fagundes Duarte que, na primeira parte, se encontram “as miudezas da juventude, os que pareceram em edição autónoma, e aos quais o autor conferiu o estatuto de ‘livro’ – um conjunto de poemas com uma determinada unidade interna”.

Nesta primeira parte estão coligidos os títulos “Canto matinal” (1916), “A Fala das quatro flores” (1920), “Nave Etérea” (1922) e “Sonetos para libertar um Estado de Espírito Inferior” (1930), e ainda poemas avulso que publicou em jornais e revistas, apresentados sob ordem cronológica, e também “Versos Qu’o Pai Que Foi p’ò Trabalho Fez à Sua Filha”, que ficou inédito até 1979.

Na segunda parte deste volume, encontram-se “La Voyelle Promise” (1935), “O Bicho Harmonioso” (1938) e “Eu, Comovido a Oeste” (1940), tendo ainda sido incluído o texto de Nemésio “Prefácio: Da Poesia”, que, segundo Fagundes Duarte, é “a melhor reflexão que alguma vez terá sido feita sobre a poesia de Vitorino Nemésio”.

Além dos quatro volumes de poesia, o plano das “Obras Completas de Vitorino Nemésio” prevê editar três volumes de Teatro e Ficção, um deles do seu mais celebrado romance “Mau Tempo no Canal”, seis volumes com o seu Diário e Crónicas, que inclui os textos de “Se bem me lembro” e quatro volumes de Ensaio, entre os quais “Relações Francesas do Romantismo Português”, originalmente editado em 1936, e a biografia de Isabel de Aragão, mulher do rei D. Dinis.

Vitorino Nemésio nasceu a 19 de dezembro de 1901, em Praia da Vitória, Açores, morreu há 40 anos, em 20 de fevereiro de 1978, em Lisboa.

Nacional

Catarina Martins lamenta que Governo não tenha ido mais longe no salário mínimo

Agência Lusa

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A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, lamentou hoje que o Governo não tenha ido mais longe no salário mínimo nacional, ficando nos 600 euros, o “mínimo a que foi obrigado”.

Num debate em Leiria para apresentar as propostas do Bloco e debater o Orçamento do Estado para 2019, Catarina Martins recordou que quando fizeram o “acordo com o PS em 2015” obrigaram “a que fosse inscrito no acordo que o salário mínimo nacional tinha de chegar aos 600 euros nesta legislatura”.

“Na altura diziam-nos que subir o salário mínimo ia destruir emprego. Há uma coisa que já se percebeu: se tivéssemos ficado no que a Concertação Social permitisse, não tínhamos aumentado até agora. O PS nunca utilizou o crescimento económico para ir mais longe na defesa das pessoas. Tudo o que fez foi sempre os mínimos a que foi obrigado pelos acordos que assinámos em 2015”, sublinhou.

O ministro do Trabalho, Vieira da Silva, disse hoje que o Governo, liderado pelo socialista António Costa, “cumpriu o seu programa” ao elevar o salário mínimo para 600 euros em 2019, justificando que não foi mais longe por falta de consenso entre as confederações patronais e sindicais

Respondendo à pergunta onde se vai buscar dinheiro para aumentar salários, pensões e para os serviços públicos, Catarina Martins explicou que “o que é importante que se perceba é que o crescimento da economia em Portugal deve muito à procura interna”.

“O que mais se fez nestes anos foi dar procura interna, ou seja, se melhorarmos os rendimentos de quem ganha menos, ainda que ligeiramente – as pessoas não foram pôr o dinheiro nas ‘offshores’, foram comprar as coisas de que precisavam – isso faz crescer a economia”, acrescentou, reforçando que o “crescimento da economia assenta na procura interna”.

Sobre o OE2019, declarou que o documento “mantém a recuperação de rendimentos, mas é um Orçamento que mantém também as limitações”.

“Não deixa de ser estranho ver a direita a defender que precisa de mais investimento nos serviços públicos, mas, ao mesmo tempo, estar na Europa com quem quer sanções ao nosso país se os limites do défice não forem cumpridos. É muito estranho ver a direita dizer que os salários não estão a recuperar como devem, mas ao mesmo tempo a impedir a alteração da legislação laboral que verdadeiramente melhore a vida das pessoas”, disse ainda.

Para Catarina Martins, “a visão que fica depois deste tempo é que, verdadeiramente, se a esquerda impôs alterações para melhorar a vida das pessoas, a direita foi sempre a muleta do Governo do PS, quando o Governo do PS não quer alterar a legislação laboral” ou “quando não tem coragem para ir contra as rendas de privilégio das elétricas ou quando não quer fazer investimento público”.

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Nacional

Trabalhadores dos hospitais EPE iniciam greve a trabalho extraordinário

Agência Lusa

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Os trabalhadores dos hospitais considerados Entidade Pública Empresarial (EPE) começam hoje uma greve ao trabalho extraordinário por considerarem que não estão a ser cumpridos os limites legais para o trabalho suplementar.

Convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores Da Administração Pública (Sintap), que integra a Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP), a greve abrange todos os assistentes técnicos, assistentes operacionais, técnicos superiores, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica e técnicos superiores de saúde e de farmácia destes hospitais.

A paralisação está marcada até 30 de abril de 2019.

De acordo com o sindicato, passaram quase seis meses desde que foram assinados os Acordos Coletivos de Trabalho para equiparar o regime laboral dos trabalhadores com contrato individual dos hospitais EPE ao dos que têm contrato em funções públicas.

Acordo que, segundo o Sintap, ainda não foi cumprido, sobretudo por falta de pessoal em todos os serviços do setor da saúde.

O sindicato refere considerar “especialmente graves e preocupantes” os casos de trabalhadores que sofreram redução salarial quando passaram a ter horários de 35 horas semanais, mas a quem não foi atualizado o salário como se tivessem sido contratados inicialmente como funcionários públicos.

Além disso, refere o Sintap, há trabalhadores “com centenas de horas de crédito por trabalho prestado, não pago, sem que se vislumbre a hipótese de lhes ser dada qualquer compensação”.

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Maioria dos portugueses que emigraram entre 2010 e 2015 regressou a Portugal

Agência Lusa

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Dos 500 mil portugueses que emigraram durante a crise, entre 2010 e 2015, 350 mil terão regressado a Portugal e outros querem regressar, estimou hoje, na Lourinhã, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

“Olhando para os números das saídas e dos regressos de 2016 e 2017, dos cerca de 500 mil portugueses que saíram entre 2010 e 2015, poderíamos apontar para um regresso ao país de 350 mil”, afirmou à agência Lusa José Luís Carneiro.

Acrescentou que 60% dos portugueses que saíram do país “voltaram em períodos inferiores a um ano”, adiantou, defendendo que “são cada vez mais os portugueses que querem regressar à sua terra de origem”.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas falava à margem da cerimónia de assinatura de um acordo para a criação de um Gabinete de Apoio ao Emigrante, entre a Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e o Município da Lourinhã, no distrito de Lisboa.

Por comparação aos 80 mil que saíam todos os anos em média, o governante estimou uma quebra nas saídas de 20 mil portugueses, de acordo com estatísticas divulgadas este ano, e de 10 mil em 2017, por comparação a 2016.

Tendo em conta o regresso regular dos emigrantes aos países de origem, o Governo tem vindo a adotar medidas nesse sentido, como a criação dos Gabinetes de Apoio ao Emigrante, o ensino do português à distância, o registo do viajante para dar proteção consular aos cidadãos que estão em mobilidade e a modernização dos serviços consulares preparando-os para sociedade da digitalização.

No orçamento de Estado para 2019, o Governo tem previsto medidas fiscais e está a preparar um “plano mais vasto” para apoiar os emigrantes portugueses que queiram regressar”.

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