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Natércia Gaspar

DIA MUNDIAL DA POBREZA

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DIA MUNDIAL DA POBREZA

 

No próximo Domingo, dia 18 de novembro, a Igreja Católica assinala o II dia Mundial dos Pobres, dia instituído em 2017, pelo Papa Francisco, como forma de convidar toda a Igreja a refletir sobre a sua atitude face aos Pobres.

Curiosamente o dia Mundial dos Pobres ocorre praticamente 1 mês depois de se ter assinalado o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, implementado há 22 anos pelas Nações Unidas, com o objetivo de sensibilizar governos e opinião pública para o combate à pobreza e à exclusão social.

Podemos questionarmo-nos, qual a diferença?

Na minha opinião, o Dia Mundial dos Pobres chama-nos à atenção para a existência de pessoas concretas, com rosto, com vidas frágeis e interpela a sociedade, para não ver os pobres como objetos de alívio de consciências, quando pontualmente tem gestos solidários de partilha, quase sempre, daquilo que já não precisa, e pelo contrário, convidar as pessoas mais pobres para o nosso convívio e instituir com elas um modus vivendis de partilha e de equidade.

Já o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, remete-nos para uma ideia tão utópica e abstrata que não é de admirar que Governos e outras Organizações assinalem o dia apenas porque é politicamente correto, quase sempre com discursos que enaltecem as medidas já em curso, omitindo a sua ineficácia, mas ano após ano não há manifestação de qualquer vontade política para encarar o tão proclamado combate de frente. Ou que cada um de nós, apesar da noção da existência de pessoas pobres ao nosso lado, preferimos encarar a pobreza como algo que existe longe da nossa vista!

É mais cómodo e evita que pensemos que ninguém é pobre porque quer, que as pessoas são empurradas para essa condição por diversos fatores e situações: a simples falta de meios para a subsistência, as múltiplas formas de escravidão social, o desemprego, a doença, mas, também, pelo nosso egoísmo, pela nossa avidez, por sermos injustos e por vezes, pela nossa necessidade de escamotear a realidade àqueles que desenvolvem aversão aos pobres e apontam o dedo, responsabilizam pela sua situação e acusam e excluem de tudo.

Seja qual for a nossa atitude urge modificá-la para deixar aos nossos filhos um legado de solidariedade e partilha, o único caminho para que as gerações vindouras vivam em sociedade com justiça social!

Urge que cada um de nós se envolva ativamente no combate à pobreza onde ainda se encontram 2,4 milhões dos nossos concidadãos muitos dos quais nós, seguramente, conhecemos, são da nossa família, frequentam a nossa casa, trabalham connosco ou até para nós…

A existência de pobres devia envergonhar-nos, porque numa sociedade que se diz e quer evoluída, a pobreza põe a nu a indiferença, a hipocrisia e o egoísmo dos Governos, das Igrejas, das sociedades…de cada um de nós!

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

QUAL A SEMELHANÇA ENTRE O MOVIMENTO DOS COLETES AMARELOS (FRANÇA) E O CLIMA DE CONTESTAÇÃO QUE VIVEMOS (PORTUGAL)

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUAL A SEMELHANÇA ENTRE O MOVIMENTO DOS COLETES AMARELOS (FRANÇA) E O CLIMA DE CONTESTAÇÃO QUE VIVEMOS (PORTUGAL)

 

Bom dia caros ouvintes da 105 FM

O que tem em comum o Movimento dos Coletes Amarelos em França e o estado de contestação ao governo que vivemos em Portugal?

Para além de ambas as contestações serem contra as políticas publicas e os seus protagonistas, nada mais têm em comum, apesar de não ser necessário grande esforço para encontrar semelhanças no contexto e na dinâmica social.

Em França, o movimento dos coletes amarelos nasceu de forma espontânea nas redes sociais, é constituído por profissionais liberais, trabalhadores por conta de outrem que contam com o apoio da larga maioria da comunidade. Este traduz o descontentamento das classes média e baixa pelo crescente aumento do fosso entre as elites e aquelas.

Recusam qualquer enquadramento legal ou político e manifestam-se contra o aumento dos impostos, a perda das conquistas sociais; contra a ação ou inação dos sindicatos; e contra os partidos, que têm vindo a provocar a degradação do modelo social e são incapazes de estabelecer um novo compromisso político benéfico ás classes mais baixas.

Por cá não há batalhas na rua contra os corpos policiais ou atos de vandalismo contra o património público e privado (importa salvaguardar que no movimento dos coletes amarelos infiltraram-se grupos da extrema direita e extrema esquerda que fazem recurso à violência), mas as guerras instaladas contra o governo, com recurso à greve, resultam em danos colaterais que prejudicam gravemente os cidadãos.

Em Portugal é o movimento sindical que convoca as greves onde as classes profissionais, cujos trabalhadores fazem parte das classes média alta e alta, reclamam por estatutos, carreiras e aumentos salariais.

Caros ouvintes, é inquestionável o direito à greve, e a ambição de ter melhores condições de trabalho, contudo pede-se mais corresponsabilidade aos sindicatos, das ordens e das associações profissionais na promoção coesão e da justiça social, consequente, paz social. Porque lutar pelos direitos e regalias de alguns, pode pôr em causa a redistribuição da riqueza pela maioria.

Alguma vez vimos os Sindicatos a mobilizar a população para contestar o aumento de impostos, da corrupção, da austeridade e empobrecimentos das pessoas durante a governação do PSD/CDS, na incoerência dos partidos políticos que no poder dizem uma coisa e na oposição outra completamente diferente, nos abusos e aproveitamento de alguns políticos?

Claro que não, bem pelo contrário!

Os sindicatos, são uma espécie de braço armado trás partidos políticos, são compostos por pessoas provenientes de vários serviços, que continuam a receber o salário por inteiro, recebem uma percentagem do salário de cada trabalhador sindicalizado e obviamente que quanto maior o salário maior é o valor da comparticipação.

No sector público, foram os Médicos, os Professores, os Funcionários públicos, os Juízes, os Guardas Prisionais, os Técnicos de diagnóstico, os Enfermeiros esquecendo que são funcionários públicos (eu também sou) e pagos por todos nós inclusive pelos trabalhadores do sector privado que não tem qualquer defesa e têm que pagar mais impostos, receber menos e trabalhar mais horas que os funcionários públicos e ainda são prejudicados com as greves na administração pública.

Por exemplo, a greve dos enfermeiros aos Blocos Operatórios apesar, de ter como objetivo pressionar o Governo pelo impacto económico da mesma, na realidade está a ter impacto na população com o adiamento de cerca de 5000 cirurgias.

Como se não bastasse esta greve atentar contra a saúde das pessoas, a Bastonária da Ordem do Enfermeiros tem tido um discurso incendiário e alarmante afirmando que o país vive “uma catástrofe e uma calamidade sem precedentes” e já equacionam a continuidade da greve no início do próximo ano.

Caros ouvintes, os Enfermeiros estão a atuar com imprudência e com negligencia grosseira, ações que contrariam o código de ética e deontologia destes profissionais.

E não há quem acabe com este abuso e verdadeiro atentado contra a vida humana, nem o Governo que se tem limitado a não ceder.

Não estará na altura de deixarmos de ser o tal povo de brandos costumes e mobilizar-nos para manifestar a nossa indignação e descontentamento criando, o movimento dos coletes vermelhos para simbolizar o cartão vermelho que queremos dar a todos os grupos que não pensam no coletivo, apenas nos seus interesses.

Agradecida pela vossa paciência desejo que fique bem!
Fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

“BASTA A DIFERENÇA DE UM GESTO…DE UM SORRISO PARA EMPODERAR E ABRIR CAMINHO À IGUALDADE E À INCLUSÃO!”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR BASTA A DIFERENÇA DE UM GESTO…DE UM SORRISO PARA EMPODERAR E ABRIR CAMINHO À IGUALDADE E À INCLUSÃO!

 

Bom dia caros ouvintes,

No passado dia 3 de Dezembro, assinalou-se o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, por isso, permitam-me que hoje saúde de forma muito especial e com profunda admiração e respeito, os nossos ouvintes com deficiência e suas famílias, de quem a 105 FM é, porventura, a maior companhia, pelo menos de alguns.

O objetivo de assinalar esta data é sensibilizar para uma maior compreensão dos assuntos relacionados com a deficiência que são intermináveis e complexos e à mobilização da sociedade para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas, princípios pelos quais ainda há muito a fazer e a conquistar.

Por isso permitam que peça aos restantes ouvintes a vossa especial atenção de coração aberto, porque basta uma mudança de perspetiva e de atitude, por parte de cada um de nós que, faremos toda a diferença para que estes nossos concidadãos se sintam mais fortalecidos e com maior capacidade de afirmação, sendo precisamente esta tónica que está no tema escolhido para este ano, “Emponderando, pessoas com deficiência, garantindo inclusão e igualdade”.

No nosso país esta data ficou marcada pela coragem e assertividade de Eduardo Jorge, uma pessoa tetraplégica, que decidiu como forma de protesto passar uns dias enjaulado à frente da Assembleia da República para chamar a atenção das dificuldades das pessoas com deficiência, designadamente e cito Eduardo Jorge: “o quanto os cidadãos nas suas condições de saúde são “inúteis” sem a necessária assistência”.

No seu caso, Eduardo Jorge está institucionalizado num lar de idosos, apesar de ter uma casa onde não pode viver porque não tem qualquer apoio às atividades de vida diária e, a ironia, está em que o mesmo Estado que comparticipa na sua permanência no lar de idosos, recusa comparticipar, por exemplo, o salário de alguém para apoiar o Eduardo Jorge no seu quotidiano, daí o sentimento de inutilidade.

Mas basta colocar-nos no lugar de quem anda de cadeira de rodas ou de bengala branca e tem que fazer verdadeiras provas de montanha e de obstáculos para circular sozinho nas vias públicas, acabando por evitar sair de casa, ou, ainda, a pessoa em cadeira de rodas que pretende levantar dinheiro numa caixa de multibanco e não chega à máquina, ou pretende tratar de qualquer burocracia na maioria dos serviços públicos e se confronta com a inexistência de acessibilidades, funcionais ou comunicacionais.

Imagine que de repente a nossa cidade sofre um apagão todas as noites, sem possibilidade de recorrer a velas, lanternas, ou até candeeiros a petróleo mas tem que ajudar os filhos nos trabalhos de casa, tratar da roupa que vai vestir de manhã, cuidar da casa ou terminar um trabalho urgente para o serviço, para além de atarantado vai sentir que não é capaz de cumprir as suas obrigações.

Pois é caro ouvinte, qualquer um de nós nas circunstâncias e estado de saúde das pessoas com deficiência sentíamo-nos verdadeiramente inúteis, um fardo para as nossas famílias e amigos.

Mas eles e elas, as suas famílias, apesar de tudo, e todos os dias, todos os momentos se superam, nem que seja pela coragem que têm de dia após dia lutarem contra todas as barreiras físicas, comunicacionais e emocionais.

Nós ao contrário de sermos empáticos, descriminamos pelas nossas atitudes mais ingénuas e aparentemente inofensivas, pela nossa falta de civismo, pela nossa indiferença, pela nossa curiosidade mórbida, pela nossa incapacidade de acolhermos o outro que é diferente.

E é tão simples! Basta a diferença de um gesto…de um sorriso para empoderar e abrir caminho à igualdade e à inclusão!

Fique bem! Fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

O ESTADO QUE DESRESPEITA E NÃO GARANTE A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS E LIBERDADES FUNDAMENTAIS

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR O ESTADO QUE DESRESPEITA E NÃO GARANTE A EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS E LIBERDADES FUNDAMENTAIS

 

Esta semana falo-vos com um sentimento de tristeza pelo país em que vivemos. Um país cujo Estado entrega os seus cidadãos à sua sorte, em várias áreas da sua competência em que tem a soberana responsabilidade em proteger os cidadãos.

O sentimento de insegurança, de que estamos totalmente desprotegidos, aumenta de dia para dia! É o nosso Fado!
Se não, vejamos:

As estradas do interior estão em mau estado, em risco de desabamento, e quando acontece uma fatalidade como foi o caso de Borba a Câmara diz que desconhecia o estado das estradas quando, não só conhecia, como desvalorizou os alertas. O Estado diz que não há evidências da sua culpa e os donos da pedreira, com a ganância de terem mais pedra de mármore, dão ordem para escavar sem margem de segurança, pondo em risco a estabilidades dos terrenos.

E afinal vai-se a ver e há uma imensidão de estradas no nosso país em perigo de desabamento.

Triste é verificar que o Estado nada aprendeu com a queda da ponte de Entre-os-Rios. E continuamos a ter pontes, estradas, barragens, muros sem fiscalização, sem manutenção, e, muito menos, com obras de reparação. Face a isto nós, cidadãos, temos que rezar para que não passemos num momento fatídico por qualquer uma destas infraestruturas em risco.

A ironia está no facto de que é o mesmo Estado que não cuida, nem do património edificado, nem do edificado mais antigo, deixando-o ao abandono. É este mesmo Estado que construiu quilómetros e quilómetros de estradas algumas onde passam, imaginem, 5 carros por dia…

Também podemos questionar, onde está o Estado protetor, quando continuamos a ouvir todos os dias notícias de mulheres maltratadas, violadas, algumas assassinadas…. Quando ano após ano, morte após morte, não se verifica melhorias nos procedimentos e estratégias para reduzir este flagelo que é a violência doméstica, assente numa cultura machista e possessiva, cujo dia foi assinalado no passado domingo, 25 de Novembro, como forma de sensibilizar as pessoas para este fenómeno que mata, mas parece que as mortes não tem rosto!

Às vezes penso, de que vale tanta sensibilização e ação de prevenção, quando há pessoas que quando as vítimas vão apresentar queixa, incentivam-nas a desvalorizar a atitude dos ou das agressores (as); quando temos uma legislação sem força suficiente para aplicar medidas ou penas de forma exemplar; quantas penas suspensas há pelo crime de violência que terminam porque entretanto assassinaram as suas companheiras ou ex-companheiras; quantos julgamentos há em que os Senhores Doutores Juízes legitimam a violência dos maridos e até as culpabilizam, recentemente tivemos alguns acórdãos que o evidenciam.

Sim, são os Senhores Doutores Juízes que decretaram 21 dias de greve, é certo que apenas é uma paralisação parcial e rotativa, mas… os senhores provedores da Justiça não entendem que esta greve não é justa, são das classes profissionais melhor remuneradas, o que se justifica pela exigência e complexidade do seu exercício. Afinal são tutelares de órgãos de soberania, não são funcionários de ninguém, são Estado, mas ainda assim fazem greve, que poderá ser legal mas é moralmente condenável e mais uma vez nós, comuns cidadãos, ficamos desprotegidos.

Sobre o nosso Estado que desrespeita e não garante a efetivação dos nossos direitos e liberdades fundamentais, muito mais haveria a dizer, mas imbuída do nosso tão característico nacional porreirismo, gostaria de lembrar algo que nos enche de orgulho. Dia 1 de Dezembro assinala-se o dia da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio Espanhol que teve o seu fim a 1640. Desde então e definitivamente apesar de tudo, somos um “nobre povo” de uma nação valente.

Valha-nos isso!

Bom resto de semana e fique bem! Fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

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