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Paulo Casaca

A SAGA DE ASIA BIBI

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A SAGA DE ASIA BIBI

 

Asia Bibi, cristã paquistanesa, teve a ousadia de beber água pelo copo reservado a muçulmanos e, pior ainda, quando confrontada com o crime, ousou formular a pergunta que lhe valeu a sentença de morte: ‘Não somos todos humanos?’

Assistimos no Paquistão ao endurecimento de um sistema de perseguição às minorias religiosas, a que o Fórum Democrático da Ásia do Sul dedicou há alguns meses atrás um estudo sintético mas exaustivo. O sistema assenta na lei supostamente destinada a punir blasfémias e em grupos jihadistas que a aplicam à margem do sistema judicial e que já fizeram centenas de vítimas.

Asia Bibi foi presa em Junho de 2009 e condenada à morte em 2010. Quem ousou levantar a voz por ela, como o Governador da Província do Punjab ou o Ministro das Minorias, foi assassinado. O Supremo Tribunal Federal do Paquistão inocentou-a finalmente a 31 de Outubro, mas o actual Primeiro-ministro acordou com o principal grupo jihadista paquistanês não a deixar fugir do país, o que equivale a uma condenação à morte.

Perante isto, as Nações Unidas, que elegeram recentemente o Paquistão para a sua Comissão de Direitos Humanos, e a União Europeia, que, em nome desses mesmos direitos humanos, faz ao Paquistão as maiores concessões comerciais, limitaram-se, até agora, a aconselhar o advogado de Asia Bibi a fugir do país se não quisesse ser morto.

Pela minha parte, gostaria de redirigir aos nossos líderes a pergunta que valeu a Asia Bibi a condenação à morte por blasfémia: não somos todos humanos? Por que razão então se silenciam os crimes do Jihadismo?

Bruxelas, 7 de Novembro de 2018

Paulo Casaca

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A EUROPA DA INJUSTIÇA FISCAL

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A EUROPA DA INJUSTIÇA FISCAL

 

A crescente globalização tem permitido a empresas multinacionais de grande dimensão escolher o local onde são registadas e taxadas, ou mais frequentemente, isentas de impostos. Esses exercícios recorrem a exércitos de consultores que optimizam os resultados através de sofisticadas operações de engenharia e criatividade contabilísticas e são cada vez mais promovidas pelos Estados, nomeadamente na União Europeia.

Claro que nada disto é possível para as pequenas empresas, nomeadamente as familiares, que não podem saltar de um país para o outro por um clique no computador, não têm massa crítica que possa pagar esses profissionais e, pior do que isso, são tomadas como caça fácil e garantida pelos fiscos dos Estados.

A aritmética do problema é fácil de entender. Se uma multinacional a laborar no mundo inteiro e com 1000 milhões de lucros, aceitar sediar-se num determinado país pagando 0.5% de imposto, o fisco desse país ganha 5 milhões. Pelo contrário, se ainda nesse país, um milhão de empresas a registar 1000 Euros de lucro médio pagar 34,5% de imposto em vez de 35%, o fisco regista uma perda do mesmo valor.

A Bélgica, país com taxas de imposto e regras de imposição sobre a pequeníssima empresa que raiam o confisco, instituiu sistemas de negociação com multinacionais que lhes permitem pagar quase nada.

A Comissão Europeia, num processo emblemático em que tentou reduzir esta flagrante injustiça fiscal, instou a Bélgica a recuperar 700 milhões de euros com que este país agraciou 35 multinacionais. Em Fevereiro, numa sentença histórica, o Tribunal Europeu deu provimento à posição da Bélgica e das multinacionais e anulou a decisão da Comissão.

Por um emaranhado de leis, convenções e suposições temos assim consagrada a completa injustiça fiscal que nem as tímidas medidas apaziguadoras da Comissão aceita. Voltámos assim à lógica do Antigo Regime em que os pobres pagam em vez dos ricos.

Se há porventura um tema que valeria a pena ser abordado nas eleições europeias que se aproximam é o que fazer sobre este estado de coisas.

Paulo Casaca

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Paulo Casaca

MACRON FALA AOS EUROPEUS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA MACRON FALA AOS EUROPEUS

 

Em dois meses, o Presidente francês conseguiu inverter a frágil situação em que o movimento dos coletes amarelos o tinha colocado. Começou por recuar na maior parte das medidas impopulares anunciadas; continuou com uma enorme ronda por todo o país em que horas a fio se dispôs a ouvir críticas de anónimos cidadãos e terminou numa maratona de doze horas no mítico salão francês da agricultura, em que entre os agricultores rompeu com a imagem de banqueiro elitista que tão impopular o tinha tornado.

Os coletes amarelos, entretanto, cansaram pelos confrontos e linguagem violenta. Os seus dirigentes dividiram-se em três potenciais listas europeias que, acaso se apresentem, são mais ameaças aos partidos que contestam Macron que a ele mesmo. O conspiracionismo e o antissemitismo varrem o país, com Macron aproveitando a deixa para dirigir uma manifestação dos democratas contra esse monstro reaparecido.

É neste novo ambiente de crescendo de popularidade que Macron publica uma curta mensagem europeia em que promete liberdade, protecção e progresso, temas essenciais tratados contudo com uma visão que não é a minha.

Critica-se a presença externa na Europa como se esta fosse limitada aos meios financeiros; aborda-se a pressão dos refugiados como uma questão a tratar por mais um conselho e mais uma agência; mas esquecem-se os promotores das guerras na Ucrânia ou na Síria como se não fossem estas as reais ameaças; elencam-se alguns importantes desafios ambientais, mas também aqui surgem mais organismos e esquemas financeiros e não uma visão integrada; toca-se na concorrência salarial e empresarial apenas para esconder o que é decisivo, a fiscalidade que poupa ricos, multinacionais e grandes interesses castigando o pobre, o trabalhador e a pequena empresa.

Termina-se negando a voz ao povo e insistindo na repetição de conferências em que as elites irão pensar em tudo, confirmando a falta de vontade de democratizar a Europa.

Como sempre em circunstâncias semelhantes, poderemos dizer que o copo está meio cheio ou meio vazio, sublinhar aquilo de que se fala ou aquilo que se esquece, mas é forçoso reconhecer que são estes os temas que se vão tornar nos centros do debate para as eleições europeias de final de Maio.

Bruxelas, 2019-03-06
Paulo Casaca

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AUTONOMIA E EDUCAÇÃO NOS AÇORES

Paulo Casaca

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PAULO CASACA AUTONOMIA E EDUCAÇÃO NOS AÇORES

 

Foram publicadas a semana passada as classificações das escolas portuguesas. Com tristeza, vejo que as escolas dos Açores continuam a sair mal do exercício, e que os responsáveis políticos continuam a desvalorizar a situação. O Governo Regional apelidou os resultados de ‘redutores’, enquanto o principal partido da oposição reagiu com chavões sem qualquer conteúdo útil.

Se os resultados são redutores, arrolar uma série de iniciativas desconexas em substituição de uma avaliação imparcial, não é sério, e multiplicar palavras supostamente críticas sem conteúdo, é menos sério ainda.

A obrigação de quem diz que os exames não chegam para avaliar é propor melhor, e a obrigação de quem se propõe como alternativa é ter alternativas em vez de colecionar chavões.

Pela minha parte, como cidadão hoje residente na Bélgica, e avô de duas crianças que estarão em breve no sistema educacional açoriano, avanço com duas propostas.

A primeira é a reedição da que fiz há dez anos: envolvimento dos municípios, das juntas de freguesia, dos encarregados de educação, das associações e da sociedade civil. Não, não é preciso fazer mais planos, conselhos, estratégias, é só preciso utilizar o que existe, abrir portas, enfrentar desafios e acima de tudo ter a coragem de entender que a maior riqueza dos Açores não são os mares, não são os pastos, menos ainda os subsídios de insularidade, são as suas crianças!

A segunda, inspira-se na decisão da comissão parlamentar especializada belga responsável pela educação que aprovou agora por unanimidade a antecipação do início da escolaridade obrigatória para os cinco anos de idade, não tendo tido vencimento a proposta mais ousada de a antecipar para os três anos de idade.

Pensem nisso, pensem em aumentar a escassa cobertura em creches, e em ensino pré-escolar a partir dos 3 anos, pensem em ter dados relevantes, fazer comparações sérias. E pensem em escrever mensagens significativas, nem que seja, para dar melhores exemplos às crianças.

Paulo Casaca

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