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Natércia Gaspar

CONTRA PEDRAS, DISPARAR, DISPARAR

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR CONTRA PEDRAS, DISPARAR, DISPARAR

 

Contra pedradas, disparar! Foi a ordem que Donald Trump, deu aos cerca de 15000 militares que enviou para a fronteira com o México para tentar conter a caravana de migrantes que se desloca para os Estados Unidos provenientes de vários países da América Central, designadamente, Guatemala, Honduras e El Salvador.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que são mais de 7000 pessoas, homens, mulheres e crianças, a maioria das Honduras, país onde teve origem a caravana, formada com o apoio da organização Pueblo Sin Fronteras como forma de as pessoas poderem viajar juntas com relativa segurança sem terem que ficar reféns dos contrabandistas.

A caravana partiu dia 13 de outubro, de San Pedro Sula, com o objetivo de atravessar a Guatemala e o México e entrar nos Estados Unidos para pedir asilo.

O desemprego, a miséria, a fome, a violência são os motivos que encorajam estas pessoas a enfrentar um percurso de 4000 km para procurar acolhimento nos EUA e, tão somente, melhores condições de vida.

Mas Trump apelida-os de terroristas e criminosos e endurece o seu discurso contra estes e todos os migrantes, postura que infelizmente tem eco em muitos países.

Estranho mundo este que vibra com o desenvolvimento tecnológico da internet, ferramenta que encurtou o mundo, anulou distâncias, derrubou fronteiras e aproximou os povos …e ao mesmo tempo ignora o fenómeno da migração que cada vez mais é fator gerador de desequilíbrios e ruturas entre povos e nações e expõe milhões de pessoas à desintegração e exclusão social.

De facto, vivemos num mundo de contradições absurdas e chocantes, senão… vejamos, hoje, dia 7 de novembro, a nível planetário, todos os caminhos, todas as notícias vão dar ao Web Summit enquanto também hoje, milhões de pessoas fogem de qualquer lado para qualquer lugar, no qual possa tentar a “sorte” de encontrar condições de vida dignas e o mundo… cala!

Razão tinha Ladislau Dowbor quando afirmou que, “a Globalização em simultâneo (…) promove a modernidade técnica e gera a exclusão social, transformando o mundo numa imensa maioria de espectadores passivos (…)”.

Quando vamos acordar?

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

DIA MUNDIAL DA POBREZA

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DIA MUNDIAL DA POBREZA

 

No próximo Domingo, dia 18 de novembro, a Igreja Católica assinala o II dia Mundial dos Pobres, dia instituído em 2017, pelo Papa Francisco, como forma de convidar toda a Igreja a refletir sobre a sua atitude face aos Pobres.

Curiosamente o dia Mundial dos Pobres ocorre praticamente 1 mês depois de se ter assinalado o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, implementado há 22 anos pelas Nações Unidas, com o objetivo de sensibilizar governos e opinião pública para o combate à pobreza e à exclusão social.

Podemos questionarmo-nos, qual a diferença?

Na minha opinião, o Dia Mundial dos Pobres chama-nos à atenção para a existência de pessoas concretas, com rosto, com vidas frágeis e interpela a sociedade, para não ver os pobres como objetos de alívio de consciências, quando pontualmente tem gestos solidários de partilha, quase sempre, daquilo que já não precisa, e pelo contrário, convidar as pessoas mais pobres para o nosso convívio e instituir com elas um modus vivendis de partilha e de equidade.

Já o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, remete-nos para uma ideia tão utópica e abstrata que não é de admirar que Governos e outras Organizações assinalem o dia apenas porque é politicamente correto, quase sempre com discursos que enaltecem as medidas já em curso, omitindo a sua ineficácia, mas ano após ano não há manifestação de qualquer vontade política para encarar o tão proclamado combate de frente. Ou que cada um de nós, apesar da noção da existência de pessoas pobres ao nosso lado, preferimos encarar a pobreza como algo que existe longe da nossa vista!

É mais cómodo e evita que pensemos que ninguém é pobre porque quer, que as pessoas são empurradas para essa condição por diversos fatores e situações: a simples falta de meios para a subsistência, as múltiplas formas de escravidão social, o desemprego, a doença, mas, também, pelo nosso egoísmo, pela nossa avidez, por sermos injustos e por vezes, pela nossa necessidade de escamotear a realidade àqueles que desenvolvem aversão aos pobres e apontam o dedo, responsabilizam pela sua situação e acusam e excluem de tudo.

Seja qual for a nossa atitude urge modificá-la para deixar aos nossos filhos um legado de solidariedade e partilha, o único caminho para que as gerações vindouras vivam em sociedade com justiça social!

Urge que cada um de nós se envolva ativamente no combate à pobreza onde ainda se encontram 2,4 milhões dos nossos concidadãos muitos dos quais nós, seguramente, conhecemos, são da nossa família, frequentam a nossa casa, trabalham connosco ou até para nós…

A existência de pobres devia envergonhar-nos, porque numa sociedade que se diz e quer evoluída, a pobreza põe a nu a indiferença, a hipocrisia e o egoísmo dos Governos, das Igrejas, das sociedades…de cada um de nós!

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

 

Na verdade, é mais aquilo que aproxima estas tradições, do que aquilo que as separa.

A celebração dos mortos e o medo deles estão na origem de ambas as tradições.

Em Portugal, o “Pão Por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, dependendo da zona do país, tem origem na crença pagã, trazida pelos celtas, de que no dia 1 de novembro os mortos vinham à terra visitar as suas famílias e havia que presenteá-los com oferendas designadamente comida e doces ou guardar um lugar à mesa para eles.

O Halloween foi introduzido na cultura Americana pelos imigrantes Irlandeses no século XIX e baseava-se na crença de que dia 1 de Novembro os mortos se levantavam e apoderavam-se dos corpos dos vivos e por isso na noite anterior, dia 31 de Outubro, usavam fantasias e acessórios sombrios ao mesmo tempo que ofereciam comida aos mortos para se defenderem e afastarem dos maus espíritos.

Repare que o nome Halloween é a junção das palavras inglesas “hallow”, que significa “santo”, e “eve”, que significa “véspera”.

Se no Halloween as crianças brincam ao “doce e travessura” fantasiadas de bruxas, dráculas e esqueletos, segurando nas mãos uma abóbora com uma vela no interior e percorrem as casas a pedir doces, senão fazem uma travessura a quem não lhes der doces, “no Pão por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, conforme a região do país, também foram as crianças que perpetuaram esta tradição afirmando-se cada vez mais como uma festa delas.

Por cá os meninos e meninas também percorrem as ruas a pedir doces no saco do Pão por Deus ou, também, segurando uma abóbora com caretas iluminada no interior, felicitando, a cantar, quem dava e “criticando” também a cantar quem não dava.

Em Lisboa, por exemplo, continuasse a assinalar o Pão por Deus. Neste dia as crianças pedem de porta em porta, recebendo no seu saquinho bolos, fruta ou frutos secos e cada vez mais, moedas.

Já em Coimbra, há 43 anos, andava eu com as outras crianças com abóboras ou com caixas com caretas iluminadas a pedir bolinhos cantando:

Bolinhos e bolinhos
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
Se nos dessem voltávamos a cantar:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
Se não nos dessem, cantávamos:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Com máscaras ou sem, com saquinho de Pão por Deus, ou abóboras iluminadas, o Halloween e o Pão por Deus estão para ficar nos nossos hábitos comunitários.

Em dia de todos os santos e dos fiéis defuntos, a minha oração pelos nossos entes queridos que já partiram.

Fique na melhor companhia, na companhia da 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

QUEREMOS ESTE RETROCESSO CIVILIZACIONAL?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR QUEREMOS ESTE RETROCESSO CIVILIZACIONAL?

 

Bom dia, caros ouvintes!

Esperando que vos encontre bem, hoje venho refletir convosco a crescente ascensão da extrema direita no mundo, a propósito das eleições no Brasil e a quase inevitável eleição de Bolsonaro para seu presidente. Um ditador anunciado!

Possivelmente perguntarão, que temos nós, aqui neste cantinho do paraíso banhado pelo atlântico, a ver com a eleição de Bolsonaro?

Temos tudo meus amigos, nós e toda a Humanidade!

Porque a vitória em eleições democráticas de personagens como Donald Trump nos Estados Unidos e, possivelmente agora, Balsonaro no Brasil, ou a crescente afirmação junto do eleitorado, de partidos de extrema direita na Europa, colocando em causa a Declaração Universal dos Direitos dos Humanos aceite pela maioria dos países desde 1948 e inscrita na Carta das Nações Unidas, a qual, desde o fim da Segunda Guerra Mundial reitera a fé nos direitos humanos, na dignidade e nos valores humanos das pessoas e convocou a todos seus estados-membros a promover o respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião.

Vários são os motivos para que países com uma história com um regime democrático ancestral vejam agora crescer um movimento que capitaliza a crise financeira e a crise imigratória para conquistar eleitores.
Há um tronco comum na estratégia e na mensagem que utilizam:

Colocar cidadãos contra cidadãos, um discurso com uma forte tónica no nacionalismo, na anti-imigração, no anti-islamismo, contra as minoras e contra as franjas da população mais vulneráveis e os maiores beneficiários das políticas públicas de cada estado em contraponto com aqueles, que de alguma forma, se sentem “injustiçados”, considerando uma redução dos seus direitos.

Sobre este modelo de governação, ensina-nos a história, que se caracteriza pela concentração dos poderes no líder, na desvalorização da separação dos mesmos, designadamente a Justiça, pelo recurso ao terror e à violência contra os críticos do regime, pelo controlo dos meios de comunicação social como forma de se manterem no poder.

Queremos este retrocesso civilizacional?

Não creio, e por isto temos muito a ver com o que se passa por esse mundo, sobretudo quando a dignidade da pessoa humana está em causa, em risco.

Parece-me que todos os líderes mundiais, protagonistas da extrema direita, mais ou menos moderada, Bolsonaro será aquele que de forma mais explicita tem vindo a dizer o terror que será o Brasil com ele na liderança pela sua defesa do racismo, do machismo, do xenofobia, da homofobia, pelo uso de arma pelos cidadãos, e senão é ele a afirmar tem candidatos mentecaptos que defendem a pena de morte ou o fim do Supremo Tribunal de Justiça, como afirmou um dos filhos de Bolsonaro.

A verdade é que seja por profunda convicção ou profunda ignorância o que se advinha é assustador para o nosso país irmão e para nós… pra toda a humanidade.

Mas será que só alguns é que têm consciência deste discurso perigoso? Será que os cerca de 50% de eleitores que votaram na primeira volta em Bolsonaro querem um ditador para o Brasil? Alguns identificam-se e votam por convicção, outros, e tenho esperança que seja a maioria, votam porque estão desiludidos com a situação sócio económica que o Brasil vive, a qual é imputada ao Partido Trabalhista, porque estão cansados de tanto politico desonesto e corrupto que mais do que servir a causa pública, se servem a si e aos seus interesses.

Neste ponto Portugal tem que tirar ensinamentos, e “quem puder entender, entenda!”

Bom resto de semana e fique na melhor companhia, na companhia a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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