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Aníbal Pires

ARQUIPÉLAGO DE CULTURA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES ARQUIPÉLAGO DE CULTURA



Os Açores fervilham de iniciativas culturais.

Eu diria que difícil é arranjar agenda para poder fruir da oferta disponível, talvez alguma articulação entre os promotores ajudasse pois, para quem tem um gosto eclético, como é o meu caso, nem sempre é fácil.

Mas não entenda isto como uma queixa ou, sequer um lamento. Não se trata disso, embora me falte tempo para “ir a todas”, como comumente se diz.

Como lhe disse não estou a queixar-me, bem pelo contrário esta constatação deixa-me satisfeito, até porque a maioria dos acontecimentos culturais envolvem criadores e produtores regionais. E não é por nenhuma espécie de bairrismo ou regionalismo, mas porque sentir este pulsar criativo desperta-me, como já lhe disse, um sentimento de agrado e até de orgulho.

O mês de Novembro é um bom exemplo desta vaga de eventos, em particular para a literatura, mas também no teatro, na música, na dança, nas artes plásticas e visuais.

Na Praia da Vitória está a decorrer mais uma edição do “Outono Vivo”, em Ponta Delgada vai acontecer o “Arquipélago de Escritores”, a editora Companhia das Ilhas iniciou a edição das “Obras Completas” de Vitorino Nemésio, em parceria com a Imprensa Nacional. Mas esta editora das Lajes do Pico não se fica por aqui pois, hoje apresenta em Ponta Delgada, na Livraria SolMar, a “Poesia Reunida” de José Martins Garcia.

Mas também a editora Letras Lavadas não tem deixado os seus créditos por mãos alheias, no passado sábado foi apresentado, no Centro Cultural da Caloura, o livro de Maria das Mercês Pacheco “Contos de encantar, histórias de espantar” com ilustrações de Tomaz Borba Vieira, isto para além dos lançamentos previstos no âmbito do Arquipélago de Escritores, como seja o livro de contos, de João Pedro Porto, “Fruta do Chão”.

Mas para não dizer que não lhe falo de outras artes, pois bem aqui fica uma outra sugestão para hoje. Pelas 21h30mn, em Ponta Delgada, pode assistir no “Estúdio 13 – Espaço de Indústrias Criativas”, ao espetáculo teatral “Mar me Quer”, texto de Mia Couto, com produção do “Alpendre”, Grupo de Teatro e no elenco, de entre outros, Belarmino Ramos.

E por falar de Mia Couto e porque também valorizo quem nos visita veio-me à lembrança o João Afonso que vai estar no dia 9 de Novembro, próxima sexta-feira, pelas 21h, no Centro Cultural da Caloura para um concerto intimista que dá pelo nome “Azul, verde para crer”. João Afonso canta e encanta com a sua voz tranquila de intensão. Voz que o jornal Blitz distinguiu, em 1997, como a melhor voz masculina.

Neste momento já estará a perguntar, Mas o que tem a ver o João Afonso com o Mia Couto. Pois bem o João vai cantar algumas canções do seu último trabalho “Sangue Bom” cujas letras são, cá está, de Mia Couto e de José Eduardo Agualusa. Ao que sei cantará também alguns dos temas do seu primeiro trabalho “Missangas”, bem assim como alguns temas de José Afonso, tio do João. O João Afonso convidou para estar consigo o Zeca Medeiros.

Eu cá por mim sinto-me convidado, para este e para todos os outros eventos, sinta-se convidado também. E escolha, escolha o que mais lhe agradar porque não faltam iniciativas culturais um pouco por toda a Região. Eu diria que vivemos num imenso arquipélago de cultura.

É sempre um prazer estar consigo.
Voltarei no próximo sábado. Até lá. Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 03 de Novembro de 2018

Aníbal Pires

OS (IRA)DOS

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES OS (IRA)DOS



Hoje trago-lhe um assunto que não é de fácil abordagem, mas que merece alguma atenção e reflexão pelo significado que tem e, sobretudo, pelos fenómenos que está a criar em Portugal e no Mundo.

Trata-se da proteção dos animais e de alguns grupos de pressão organizados, até num partido político com assento parlamentar na Assembleia da República, cuja agenda política gira e se alimenta à volta dos direitos e do bem-estar animal.

Causa que, não sendo da nossa contemporaneidade, pois, no limiar do século XIX a Inglaterra tinha aprovado algumas leis de proteção dos animais, ganhou nos últimos anos pela tomada de consciência ambiental e humanista apoios crescentes significativos.

Antes de mais, e para que não surjam dúvidas ao longo desta nossa conversa, reafirmo a minha posição de total concordância com o articulado da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, Documento de caráter normativo e que foi proclamado e promulgado pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 27 de Janeiro de 1978.

Esta declaração de princípios destina-se aos ouvintes menos atentos pois, quem acompanha a vida política regional sabe que fui autor, enquanto deputado do PCP na ALRAA, do articulado original do diploma que proíbe o abate de animais errantes e de companhia.

Para quem quiser informar-se sobre a sua tramitação pode sempre consultar a base de dados da ALRAA, ou se apenas quiser conhecer o seu conteúdo pode procurar no Jornal Oficial o Decreto Legislativo Regional n.º 12 /2016/A, de 8 de Julho.

As notícias vindas a público, mesmo com as reservas que tenho sob a forma como foram tratadas jornalisticamente, colocam algumas apreensões às quais devemos dar atenção pois configuram um modus operandi e uma linguagem que nos fazem lembrar os grupos neonazis que proliferam como cogumelos por todo o Mundo.

E este fenómeno é tanto mais preocupante quanto sabemos que na primeira metade do Século XX a Alemanha de Hitler, logo após a chegada ao poder em 1933, fez aprovar um conjunto de leis de proteção dos animais que, eventualmente alguns desses militantes (IRA)dos, gostariam de ver em vigor no nosso país e no Mundo.

Como, por exemplo a execução, por fuzilamento, de quem infligisse a morte a um animal por maus tratos. As leis de proteção aos animais atualmente na Alemanha, expurgadas dos excessos da criminalização e da penalização, são nos seus princípios as que foram criadas por Hitler.

Se posso e devo apoiar e defender os direitos dos animais e o seu bem-estar, não posso, porém, esquecer-me de que quem produziu, digamos, a legislação mais avançada para a proteção dos animais tivesse sido responsável por milhões de mortes, quer nos campos de batalha da II Guerra Mundial, quer nos campos de concentração.

Não pretendo rotular ninguém, mas por vezes é bom ir à história para perceber o presente.

Mas no presente existem, para além da questão ideológica, porque o era durante a chancelaria de Hitler e depois com o III Reich, outras questões mais pragmáticas e que se prendem com o negócio que gira à volta dos animais de estimação.

Eu já o fiz publicamente, mas ainda não dei conta de nenhum ativista da defesa dos direitos e do bem-estar animal propor a proibição da venda de animais de estimação e companhia enquanto nos canis e gatis municipais houver animais para adoção. Pois é. Talvez este princípio, a vir a ser adotado com força de lei, fosse um grande contributo para a proteção e o bem-estar animal.

Mau para o negócio. Bom para os animais.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Novembro de 2018

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Aníbal Pires

UM OLHAR SOBRE AS ELEIÇÕES NOS EUA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES UM OLHAR SOBRE AS ELEIÇÕES NOS EUA



As eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado dos Estados Unidos, ainda que com resultados diferentes, constituem-se como um revés para Donald Trump e colocam em causa a concretização de algumas medidas políticas da atual administração federal contestadas interna e externamente.

As análises das publicações alinhadas com o mainstream oscilam, entre a derrota de tudo o que Donald Trump representa e, os perigos que estes resultados eleitorais podem configurar para a economia estado-unidense.

Estas análises variam consoante o alinhamento, ou não, com Donald Trump. Por outro lado, se é certo que os Democratas ganharam a Câmara dos Representantes, os Republicanos detêm a maioria no Senado o que significa que, nem Donald Trump tem razão quando afirma que o seu partido obteve um enorme sucesso, nem os Democratas poderão afirmar que tudo lhes correu de feição. Uma coisa é certa nestas eleições verificou-se uma tendência, evidenciada nos resultados, de reprovação às políticas da atual administração Trump, num quadro de aumento da participação eleitoral, mas também a chegada à Câmara dos Representantes de duas candidatas dos Democratas Socialistas da América, o que deixou o Partido Democrata algo incomodado, embora estas candidaturas tivessem a sua chancela.

Mas estas eleições nos Estados Unidos têm outros aspetos, na minha opinião, bem mais interessantes. Um número recorde de jovens e mulheres foram eleitos, sendo que pela primeira vez foram eleitas duas mulheres nativas e duas mulheres muçulmanas, também os mais jovens eleitos, para a Câmara dos Representantes, são mulheres.

Mas se estes aspetos são importantes e significam que alguns segmentos dos eleitores estado-unidenses estão alinhados com valores e princípios que os coloca nas antípodas do pensamento e ação política do Presidente Donald Trump, e, seguramente, à esquerda do Partido Democrata. A novidade é mesmo a eleição de membros dos Democratas Socialistas da América aspeto que traduz, digo eu, o descontentamento, de um crescente segmento do eleitorado estado-unidense, face à falência do capitalismo, mas também ao conservadorismo do Partido Democrata.

As candidaturas dos membros dos Democratas Socialistas da América foram legitimadas no interior do Partido Democrata, facto que causou e causa algum incómodo entre os Democratas instalados e alinhados com o sistema. Alexandria Ocasio-Cortez é o rosto que maior visibilidade dá aos Democratas Socialistas da América e foi eleita para a Câmara dos Representantes, por um dos distritos eleitorais de Nova Iorque. Mas também pelo Michigan uma outra candidata dos Democratas Socialistas da América conseguiu a sua eleição.

Também ao nível estadual e local os Democratas Socialistas da América têm vindo a eleger vários candidatos, derrotando alguns dos tradicionais e esperados vencedores.

A candidatura de Bernie Sanders às primárias presidenciais de 2016, terá potenciado o crescimento do movimento político dos Democratas Socialistas da América, de 7 mil em 2016 para os atuais 44 mil. Um outro aspeto interessante é a crescente simpatia entre os mais novos, pelo socialismo, ainda que, e para que não haja confusões, o conceito de socialismo seja aqui algo difuso, contudo não deixa de ser interessante que no intervalo dos 18 aos 29 anos, mais de 50% prefira o socialismo ao capitalismo, segundo uma pesquisa realizada em 2017 nos Estados Unidos.

Tenho consciência de que neste sábado tinha preferido um outro tema, mas a importância das eleições nos Estados Unidos e estes sinais de repúdio pela política seguida pela atual administração presidida por Donald Trump não me deixaram outra opção.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 10 de Novembro de 2018

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Aníbal Pires

O V FÓRUM FRANKLIN D, ROOSEVELT

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES O V FÓRUM FRANKLIN D, ROOSEVELT



Numa organização conjunta do Governo Regional dos Açores e da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), decorreu ontem em Ponta Delgada o V Fórum Franklin Delano Roosevelt.

Mário Mesquita foi o grande impulsionador destes fóruns que tiveram o seu início há 10 anos e tem sido com o seu empenho e contributo que se têm vindo a realizar.

A quinta edição do Fórum Açoriano assinalou o centenário da escala de Roosevelt, então Secretário da Marinha dos Estados Unidos durante o mandato presidencial de Thomas Woodrow Wilson, nos Açores.

Mas se Franklin Delano Roosevelt é uma figura incontornável da história da primeira metade do século XX, a sua mulher Anna Eleanor Roosevelt não é menos admirável e, ontem, pela voz da neta Laura Roosevelt, tive oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esta mulher que foi mais, um pouco mais do que apenas a esposa do Presidente.

Mas se ao Presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1933, se reconhece o mérito, a sabedoria e a coragem de internamente ter implementado um conjunto de políticas públicas, conhecidas por new deal, inspiradas pelo economista John Maynard Keynes, políticas públicas que uniram os estado-unidenses e que lhe permitiu solucionar os problemas sociais, económicos e financeiros decorrentes do crash da bolsa de Nova Iorque, de Outubro de 1929, ou seja, sair da chamada “grande depressão”.

Para entender o Presidente Roosevelt e o new deal, bem assim como o pensamento de Keynes, não pode deixar de se olhar para além dos Estados Unidos. A necessidade de intervenção do Estado na economia, a regulação do mercado e a garantia da assistência social pública, medidas que o new deal consagrava, constituíam-se, também, como uma resposta do capitalismo à crescente popularidade da revolução russa de 1917.

Por outro lado, sem retirar nenhum mérito a Roosevelt e a Keynes, a verdade é que, também, externamente os Estados Unidos, com a liderança do Presidente Roosevelt, conseguiram afirmar uma estratégia de envolvimento, mas sobretudo de dependência dos seus aliados, designadamente, no que às questões da defesa diz respeito e que ainda hoje se mantêm, embora com contornos e exigências diferentes, mas que tinha como objetivo subjacente evitar a exportação dos ideais da revolução bolchevique.

Os painéis e mesas redondas foram uns mais outros menos interessantes, como em qualquer outro evento desta, ou de outra natureza. Mas não posso deixar de lamentar a unanimidade e a formatação do discurso da generalidade dos oradores no último tema: Portugal, os EUA e a relação transatlântica, ainda que Rodrigo Oliveira se tenha distinguido com uma linha de pensamento próprio, o que não significa que esteja de acordo com ele, e, o cônsul dos Estados Unidos tenha desempenhado muito bem o seu papel na defesa dos Estados Unidos no Mundo, outra coisa não seria de esperar. Quanto ao professor Carlos Gaspar, da Universidade Nova e à Professora Mónica Dias, da Universidade Católica, que cometeu a indelicadeza de dedicar o seu tempo a falar de Thomas Woodrow Wilson num fórum dedicado a Roosevelt, até posso perceber a ligação, mas não me pareceu apropriado.

Mas das intervenções destes dois académicos, e isso sim é relevante, ficaram apenas os lugares comuns da visão unilateral das Relações Internacionais e do endeusamento dos sistemas políticos que governam alternadamente ao centro.

Bom foi ouvir a provocação de Mário Mesquita, sobre a questão da independência dos Açores, embora tenha ficado por isso mesmo pois a plateia ficou muda, bom de ouvir foi a paixão com que Laura Roosevelt, neta de Franklin Delano Roosevelt, falou dos seus avós. Fica também um registo positivo para o painel que abordou as questões da Educação na relação entre Portugal e os Estados Unidos.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Outubro de 2018

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