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Pedro Gomes

A COMPANHIA DOS LIVROS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES A COMPANHIA DOS LIVROS

 

Hoje, ao fim do dia, é lançado na Livraria Solmar, em Ponta Delgada, o primeiro volume da nova colecção das obras completas de Vitorino Nemésio, numa edição conjunta da Companhia das Ilhas e da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O primeiro volume é dedicado à poesia de Vitorino Nemésio, no período compreendido entre 1916 e 1940, seguindo-se outros quinze volumes, cobrindo a produção literária de teatro, ficção, crónica, diário e ensaio.

Esta nova edição da obra de um dos mais importantes escritores açorianos merece destaque por permitir o acesso à sua obra, já há muito esgotada, agora numa edição de enorme bom gosto estético.

As obras completas de Nemésio, que agora estão à disposição dos leitores, têm uma tripla matriz açoriana: a do escritor açoriano, criador do conceito de açorianidade, em 1932, a do coordenador editorial e científico, Luiz Fagundes Duarte e a da editora, Companhia das Ilhas.

Carlos Alberto Machado e a sua editora, Companhia das Ilhas, têm o enorme mérito de associar a Imprensa Nacional Casa da Moeda a esta edição, permitindo que os leitores possam redescobrir uma obra singular na literatura açoriana e portuguesa.

Com sede na ilha do Pico, a Companhia das Ilhas prova – uma vez mais – que a distância geográfica em relação a Lisboa e à sua centralidade cultural pode ser vencida com determinação, motivação e uma enorme vontade de demonstrar que uma pequena editora, dos Açores, pode editar um grande escritor.

A insularidade e a dupla insularidade que Nemésio tão bem descreveu no “Corsário das Ilhas” não impediu que a Companhia das Ilhas vencesse as barreiras da geografia, as limitações da distância, provando que a cultura não tem fronteiras.

A Companhia da Ilhas, numa associação prestigiante, comprova que continua a haver mercado para a grande literatura e que a pequena dimensão dos editores não pode ser entendida como factor de exclusão.

O poder público regional deveria adoptar políticas culturais de promoção da edição, divulgação e venda de livros, através dos pequenos livreiros e das pequenas editoras, como forma de permitir o acesso generalizado aos livros por parte de todos os açorianos, em todas as ilhas, e de assegurar a divulgação da literatura açoriana fora dos Açores.

Falando da sua biblioteca, Alberto Manguel, dizia que os “livros mais preciosos para mim eram aqueles a que eu fazia associações pessoais”.

Olhando para este belíssimo exemplar, saúdo a Companhia das Ilhas pela coragem editorial que revelou, numa ousadia que faz jus à coragem e vontade dos baleeiros do Pico.

Pedro Gomes
2NOV2018 – 105 FM

Pedro Gomes

UM ARQUIPÉLAGO DE LETRAS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES UM ARQUIPÉLAGO DE LETRAS

 

A realização do festival literário “Arquipélago de Escritores”, que ontem teve o seu início, em Ponta Delgada, merece destaque.

Este festival, com curadoria de Nuno Costa Santos e apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada, reúne na cidade de Antero, escritores portugueses e de outras nacionalidades, mesclando estilos, correntes literárias e opções estéticas.

Os leitores, os jovens estudantes – para os quais há diversas iniciativas nas escolas – e o público, têm a oportunidade de conversar com os seus autores favoritos ou de descobrir novos escritores e outros livros, num acontecimento cultural que junta as letras e as artes performativas, em diferentes espaços culturais da cidade.

Já é tempo de Ponta Delgada ter um festival que se inscreva no roteiro literário português, no qual a literatura açoriana ocupe um lugar idêntico à literatura de outras origens geográficas.

O “Arquipélago de Escritores”, para além de ser um festival com um nome bonito, que convoca a universalidade insular da escrita, celebra a vasta produção literária dos Açores e os vultos literários açorianos que marcam a literatura de língua portuguesa.

Tiziano Terzani diz “que a vida oferece-nos sempre uma boa oportunidade. O problema é sabermos reconhecê-la, o que nem sempre é fácil”. Este festival literário é uma boa oportunidade para desafiar o gosto pelos livros e pela literatura, convidando os leitores a irem ao encontro dos livros em locais emblemáticos como a Biblioteca do Liceu Antero de Quental, a Livraria Solmar ou o Instituto Cultural de Ponta Delgada.

Mas, este festival também constitui uma oportunidade para criar um grande evento literário, de dimensão internacional, de carácter regular, que permita maior notoriedade à literatura açoriana e possa integrar-se numa estratégia regional de turismo cultural.

As grandes cidades europeias já promovem, há muito tempo, a sua cultura com eventos desta natureza, na escrita ou noutros domínios das artes.

E, agora, vamos aproveitar e conversar com os nossos escritores.

Pedro Gomes
16NOV2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

THE SHOW MUST GO ON

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES THE SHOW MUST GO ON

 

As eleições para o Congresso dos Estados Unidos, na passada terça-feira, saldaram-se por um empate, se é que podemos utilizar esta expressão: o Partido Republicano continua a dominar o Senado e o Partido Democrata conquistou a maioria dos assentos na Câmara dos Representantes.

As designadas eleições intercalares, por ocorrerem a meio do mandato presidencial, repuseram o sistema de checks and balances, característico da política norte-americana.

Nem o Presidente Donald Trump sofreu uma pesada derrota, nem os democratas conquistaram uma maioria avassaladora na câmara baixa do Congresso.

A vitória dos democratas pode permitir restabelecer equilíbrios políticos entre o Congresso e a Casa Branca, no plano legislativo, mas irá radicalizar as relações entre o Presidente e a Câmara dos Representantes, tendo como horizonte as próximas eleições presidenciais de 2020.

As questões políticas que polarizaram o debate destas eleições, como a economia, a política fiscal ou o endurecimento no controlo da imigração, não tiveram uma resposta unívoca por parte do eleitorado, como os resultados eleitorais demonstram.

Quando se olha para o mandato do Presidente Trump, é normal dizer-se que ele não consegue unir a América. Porém, o Presidente americano usa a divisão nos Estados Unidos como estratégia política, radicalizando o discurso quanto a valores e comportamentos.

A sociedade americana está dividida e polarizada quanto ao papel das minorias ou dos imigrantes, à dimensão das prestações sociais por parte do Estado federal, ao papel das elites ou à liberdade de expressão.

O extremar de posições entre republicanos e democratas, com estes a assumirem um discurso mais à esquerda, conduziu à desertificação do centro político e a um acentuar da presidencialização do sistema político norte-americano.

O jogo político mudou nos Estados Unidos com estas eleições. Resta saber em que sentido.

Pedro Gomes
08NOV2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

O PREÇO DO ÓDIO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES O PREÇO DO ÓDIO



Há uma inegável tensão na política americana, contaminada pelo estilo do Presidente Donald Trump, que se estende à vida social.

Em três dias, várias personalidades da vida norte-americana ligadas ao Partido Democrata, incluindo o antigo Presidente Barack Obama e a antiga Secretária de Estado, Hillary Clinton, receberam pacotes com engenhos explosivos de fabrico artesanal.

Esta acção concertada acontece apenas a duas semanas das eleições para o Congresso, que são importantes para as aspirações do Partido Democrata e do Partido Republicano nas eleições presidenciais de 2020.

Perante a coincidência de que os alvos dos pacotes-bomba eram apenas figuras ligadas ao Partido Democrata e à CNN, vários dirigentes deste partido não hesitaram em denunciar um “clima de ódio”, insinuando que a conduta do Presidente Trump é responsável pelo clima que a sociedade norte-americana atravessa.

A reacção de Donald Trump a estes actos foi de contida condenação, num primeiro momento, para, num segundo momento e já num comício eleitoral, brincar com a situação e atacar – uma vez mais – os jornalistas, em particular os jornalistas da CNN, que cobrem a campanha eleitoral.

Ainda não se conhecem os autores destes atentados, nem a sua motivação, desconhecendo-se mesmo se estamos perante actos de terrorismo interno ou de outra qualquer forma de terrorismo.

Actos de violência desta natureza são condenáveis e não podem ser tolerados.

Nenhuma razão política ou pessoal pode justificar o recurso a esta forma de violência e de intimidação.

A democracia não sobrevive sem liberdade de imprensa e sem meios de comunicação social livres, que possam controlar o exercício dos vários poderes da sociedade e o desempenho de cargos públicos.

O Presidente dos Estados Unidos está errado ao fomentar um permanente clima de crispação social que conduz ao ódio entre sectores da sociedade e da vida política norte-americana, como está errado em atacar a imprensa e os seus profissionais, quando o exercício da liberdade de imprensa lhe desagrada.

Como escreveu Alexis de Toqueville, “em matéria de imprensa não há, pois, meio-termo entre servidão e licença. Para colher os bens apreciáveis que a liberdade de imprensa assegura, é preciso saber submeter-se aos males inevitáveis que ela faz nascer”.

Condenar estes ataques, que visaram, também, uma estação de televisão planetária, é defender a liberdade de imprensa e dos seus profissionais.

A política do medo não pode vencer a democracia.

Pedro Gomes
26OUT2018 – 105 FM

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