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Natércia Gaspar

PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

 

Na verdade, é mais aquilo que aproxima estas tradições, do que aquilo que as separa.

A celebração dos mortos e o medo deles estão na origem de ambas as tradições.

Em Portugal, o “Pão Por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, dependendo da zona do país, tem origem na crença pagã, trazida pelos celtas, de que no dia 1 de novembro os mortos vinham à terra visitar as suas famílias e havia que presenteá-los com oferendas designadamente comida e doces ou guardar um lugar à mesa para eles.

O Halloween foi introduzido na cultura Americana pelos imigrantes Irlandeses no século XIX e baseava-se na crença de que dia 1 de Novembro os mortos se levantavam e apoderavam-se dos corpos dos vivos e por isso na noite anterior, dia 31 de Outubro, usavam fantasias e acessórios sombrios ao mesmo tempo que ofereciam comida aos mortos para se defenderem e afastarem dos maus espíritos.

Repare que o nome Halloween é a junção das palavras inglesas “hallow”, que significa “santo”, e “eve”, que significa “véspera”.

Se no Halloween as crianças brincam ao “doce e travessura” fantasiadas de bruxas, dráculas e esqueletos, segurando nas mãos uma abóbora com uma vela no interior e percorrem as casas a pedir doces, senão fazem uma travessura a quem não lhes der doces, “no Pão por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, conforme a região do país, também foram as crianças que perpetuaram esta tradição afirmando-se cada vez mais como uma festa delas.

Por cá os meninos e meninas também percorrem as ruas a pedir doces no saco do Pão por Deus ou, também, segurando uma abóbora com caretas iluminada no interior, felicitando, a cantar, quem dava e “criticando” também a cantar quem não dava.

Em Lisboa, por exemplo, continuasse a assinalar o Pão por Deus. Neste dia as crianças pedem de porta em porta, recebendo no seu saquinho bolos, fruta ou frutos secos e cada vez mais, moedas.

Já em Coimbra, há 43 anos, andava eu com as outras crianças com abóboras ou com caixas com caretas iluminadas a pedir bolinhos cantando:

Bolinhos e bolinhos
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
Se nos dessem voltávamos a cantar:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
Se não nos dessem, cantávamos:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Com máscaras ou sem, com saquinho de Pão por Deus, ou abóboras iluminadas, o Halloween e o Pão por Deus estão para ficar nos nossos hábitos comunitários.

Em dia de todos os santos e dos fiéis defuntos, a minha oração pelos nossos entes queridos que já partiram.

Fique na melhor companhia, na companhia da 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

O GOVERNO DEVE SERVIR O POVO E NÃO O POVO O GOVERNO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR O GOVERNO DEVE SERVIR O POVO E NÃO O POVO O GOVERNO

 

E ao terceiro dia, senão se entregar antes, Armando Vara, 4 anos depois da primeira sentença, será efetivamente preso por 5 anos e meio, que é como quem diz, 2 anos e meio, pois com bom comportamento sairá em liberdade condicional no meio da pena, se entretanto não se verificar a acumulação de outras penas por crimes que está a ser indiciado.

O crime de tráfego de influências, pelo qual agora vai cumprir pena, é apenas um dos crimes pelo qual foi indiciado, há outros ainda em investigação, alguns dos quais que alegadamente também envolvera José Sócrates.
Não seria necessário a prova de contrapartidas, mas no caso até se provou que recebeu 25,000,00€ em dinheiro e vários presentes de Natal entre 2004 e 2008 entre os quais relógios, canetas e imagine-se, um decantador.

Faz pensar! O que leva um homem a manchar um percurso publico, na política, na banca, nesta situação, por relógios, canetas e um decantador? Claro que seriam de ouro e de cristal, e claro que esta situação seria uma entre muitas outras contrapartidas, mas não deixa de ser tão poucochinho, tão miserabilista!

Segundo diz a imprensa Armando Vara é de origem humilde e sem grandes recursos, e a avaliar o seu percurso, também sem grandes escrúpulos e o deslumbramento e ambição levaram ao que hoje sabemos.

Mas Armando Vara é apenas um entre muitos e o primeiro a cumprir pena efetiva. O que também já é uma mudança de paradigma da nossa justiça.

Outro houve e continuam a existir. Uns chegaram às páginas dos jornais com suspeitas, outros às páginas dos jornais e aos tribunais e outros houve, no passado, e ainda há no presente que passaram e passam pelos pingos da chuva.
A corrupção nas suas várias formas é transversal a todos os sectores da sociedade, mas quando se trata de políticos e nos últimos anos muitos nomes da vida política portuguesa, de todos os quadrantes, têm vindo a público ou estão a ser investigados, por corrupção e a revolta do povo é maior.

Perseguição aos políticos? Não, apenas constatação de factos!

Por isso é profundamente lamentável que os governos continuadamente não promovam uma reflexão sobre o papel do governo, dos governantes, do povo, da deontologia e da ética.

Por isso é vergonhoso que o nosso governo gaste energias a tentar branquear um relatório da OCDE que reflete impacto da corrupção no nosso país e na vida de todos nós.

Caramba, se a maioria de nós trabalha todo dia, paga impostos e contribui para a segurança social, alguns com muito esforço, nada mais justo do que os nossos impostos e contribuições sejam geridos com respeito pelo nosso esforço e convertidos na promoção da melhoria das condições de vida no nosso país.

É para isso que é eleito um governo, governar para o bem comum e utilizar os recursos, que são de todos nós para a construção de um país próspero e desenvolvido.

O governo deve servir o povo e não o povo servir o governo, ou o partido que suporta o governo, ou as suas clientelas.
Quando os governantes são irresponsáveis na gestão da “coisa pública”, quando são injustos na sua aplicação, quando a usam em benefício próprio ou apenas de alguns…, não é ficção, é a crua realidade!

Quantos ministros vão para gestores de empresas de sectores tuteladas por si enquanto governantes? Quantos políticos aumentaram exponencialmente os seus rendimentos entre o antes e o depois da participação política?

Quantos milhões dos nossos impostos e contribuições foram afundados em bancos, cujos gestores geriram de forma criminosa e danosa?

Quantos familiares, amigos, ou amigos de amigos conseguem “lugarinhos” “contratos” ou “favores”?

Há uma frase retirada do filme “V de Vingança” que ilustra na perfeição o que, enquanto cidadãos comprometidos e participativos da vida em sociedade, temos que ter consciência “O povo não tem que temer o seu governo, o governo é que tem que temer o seu povo”!

E a nossa arma é o voto, participar, estar atento com sentido critico.

Mas parece que apesar de chamarmos mundos e fundos aos políticos em círculo fechado, acabamos por assobiar para o lado e aceitamos serenamente e até os reelegemos! Lembram-se de Isaltino Morais? Preso por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção, com perda de mandato com Presidente da Câmara Municipal de Oeiras? Regressou como herói e voltou a ser eleito.

De onde vem tanta tolerância à corrupção?

Um pensador brasileiro, Leandro Karnal afirma que “Não existe país em que o governo seja corrupto e a população honesta e vice-versa”.

Para a semana falaremos a este propósito.

Fique bem! Fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

PORTUGAL TRAPALHÃO E SEM FILTRO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PORTUGAL TRAPALHÃO E SEM FILTRO

 

Por estes dias os países a que Portugal se quer equiparar na senda do desenvolvimento, devem ter dado, senão umas boas gargalhadas, pelo menos uns sorrisos rasgados pelos sucessivos episódios, que se não fossem tão tristes, até poderiam ser anedóticos, protagonizados por alguns dos nossos protagonistas de relevo e com grandes responsabilidades na formação, na informação, na governação e na representação de todos os portugueses e que nestes dias estiveram completamente sem filtro e algo trapalhões.

O mais recente foi o telefonema do Presidente da República a meio, segundo ele, do seu expediente, à Cristina Ferreira, apresentadora de um programa de entretenimento que se estreou na SIC, para lhe desejar felicidades.

Por si só este gesto, de Sua excelência o Presidente da República roça o ridículo, com certeza que ficará na história como um dos ou o momento mais infeliz do seu mandato. Depois, estamos a falar de um Programa e de uma apresentadora envolvidos numa guerra de audiências entre a TVI e a SIC e o telefonema em direto do Professor Marcelo não foi ao encontro do seu expectável dever de isenção e independência.

A confirmá-lo está o facto que o referido Programa a Casa da Cristina que teve na maior parte do tempo cerca de 600,000 telespetadores, depois do telefonema e da entrevista ao Presidente do Benfica, acabou com mais de um milhão, resultado que a SIC não conseguia há 17 anos naquele horário.

Outro incidente divulgado pelo Jornal Expresso é o alegado incómodo do governo por causa de um relatório periódico da OCDE que vai analisar entre outros o índice de corrupção no nosso país, levando a que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, viesse a terreiro defender a possibilidade de protesto junto da OCDE pelo teor do relatório. Consta ainda que o Governo português está a fazer pressão para que o mesmo não seja publicado.

Mas porquê? Afinal o mundo sabe que Portugal é o país mais corrupto que a média europeia.

Não era suposto o Governo alicerçar-se neste e noutros relatórios e encetar um verdadeiro combate à corrupção, não seria este o posicionamento de um governo de um país evoluído?

Mas o nosso governo sente-se desconfortável e neste contexto faz todo o sentido os motivos que apontam. Porque o Diretor da OCDE é Álvaro Santos Sousa, antigo ministro da economia da coligação PSD/CDS, ou porque Sócrates, Pinho e Vara, que integraram governos socialistas, estão a braços com a justiça, por suspeitas ou acusação formada de corrupção.

Seja o que for, o que verdadeiramente descredibiliza Portugal, são estas reações do Governo sem filtro que acaba por ser uma trapalhada arrogante e sem sentido.

Por falar em trapalhada desta vez da Justiça, Armando Vara ainda está em liberdade, quando a sua prisão já foi decretada no início de dezembro e para cúmulo, ele até veio a publico dizer que estava pronto para ser detido no dia 12 de dezembro. Enfim é o nosso país no seu melhor.

Quase a terminar, por estes dias também estiveram na baila os “Mários”, o Machado e o Centeno.

Este ultimo, porque foi eleito o melhor ministro das Finanças da Europa e distinguido pelo seu desempenho na presidência do Eurogrupo o que não é necessariamente um orgulho para nós portugueses, porque esta distinção acontece à custa de sacrifícios que nos continuam a ser infligidos para redução do déficit.

O primeiro, Mário Machado líder da Nova Ordem Social, movimento de extrema-direita, porque teve de bandeja o palco do programa mais visto da televisão portuguesa, o Você na TV da TVI, para defender a necessidade do regresso do Salazar e expressar as suas convicções nacionalistas e anti minorias. Convidar este personagem para um programa de entretenimento, é no mínimo insensato, revela total ausência de pudor e de filtro pela TVI, que depois de vir defender veemente a entrevista sob o pretexto da liberdade de expressão e da democracia, acabou por suspender a rubrica que enquadrava o convite a Mário Machado, por alegada quebra de confiança num jornalista que afinal nem carteira de Jornalista tem.

Enfim trapalhadas quantas queiramos!

Mas o que mais me impressiona é a letargia em que estamos, assistimos e comentamos tudo isto como se uma novela se tratasse para passar o tempo. Não nos interrogamos enquanto povo, não questionamos quem nos deve dar satisfações e consumimos tudo o que nos dão sem sentido critico.

O pior é que se não despertarmos desta letargia e continuarmos a ser umas “Marias vai com as outras” estamos a hipotecar o nosso presente e o nosso futuro civilizacional. E nós somos capazes de mais e melhor!

Fique bem! Fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

EM DIA MUNDIAL DA PAZ, A IGREJA LEMBRA QUE “A BOA POLÍTICA ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR EM DIA MUNDIAL DA PAZ, A IGREJA LEMBRA QUE 'A BOA POLÍTICA ESTÁ AO SERVIÇO DA PAZ'

 

Começo por desejar a todos os nossos ouvintes, que 2019 venha com a energia positiva e boas vibrações! Que façam dos nossos corações e das nossas vidas, plenos de saúde, paz, amor, realizações e muito sucesso!

Desejo também que o nosso país e a nossa região sejam marcados pelo desenvolvimento sustentável e solidário, com crescimento económico, criação e redistribuição justa da riqueza, mais e melhores empregos, mais e melhor proteção social, com justiça e paz social!

Mais desejo, que nas eleições legislativas e europeias que terão lugar em 2019, a abstenção reduza significativamente, que as listas sejam feitas com paridade, sem clientelismos, sem cedências e tráfico de influências, com gente capaz e que realmente queira servir e não se servir…

Ontem dia 1 de janeiro, Dia Mundial da Paz, teve precisamente, como tema, “A boa política está ao serviço da paz”, reiterando que “a responsabilidade política pertence a cada cidadão”, mas sobretudo a “quem recebeu o mandato de proteger e governar”, salvaguarda o direito e incentiva “ao diálogo entre os atores da sociedade, entre gerações e culturas”.

Por cá, no nosso país, o desafio do Papa Francisco parece uma miragem! Vivemos um fim e um início de ano muito conturbados. Muitas reivindicações e reclamações pelos vários sectores e grupos profissionais e, quer estes, quer o governo sem grande capacidade de diálogo e, consequentemente, fragilizando a Paz Social.

De repente os grupos profissionais decidiram lutar para melhorar as suas condições de vida o que, por muito legítimo que seja, não deixa de revelar uma preocupante indiferença sobre o cada vez maior fosso entre os mais ricos e os mais pobres no nosso país. Claro que cada um sabe de si e é ao governo que cabe governar de forma justa e equitativa, mas onde fica a responsabilidade política de cada um de nós relativamente à comunidade, ao concidadão?

Será que não aprendemos nada com a recente crise económica? Em que muitos de nós não resistiu e passou para o outro lado da barricada, a dos mais pobres, sem casa, sem dinheiro para pagar as dividas, sem emprego, alguns, sem nada! E a desejar que alguém olhasse para eles e ajudasse.

Mas a verdade é que o Governo não é de todo alheio a esta indiferença de uns pelo estado dos outros, afinal iniciou a legislatura a escamotear a verdade e a proclamar o fim da crise económica e da austeridade, a gloriar-se pelo crescimento económico, a reposição de direitos e regalias, o aumento de prestações sociais, o regresso da tão desejada paz social pela redução do número de greves etc…

Enfim, valente tiro no pé que António Costa e Mário Centeno deram. Até poderíamos estar um nada melhor, mas não na dimensão do que propagandearam! Todos os dias se sentia, e sente-se, a falta de recursos nas escolas, nos hospitais, nos tribunais, nos organismos públicos; todos os anos se sentia o aumento ou criação de taxas de impostos, o sobre-endividamento voltou a aumentar, os bancos a facilitar crédito indiscriminadamente, as cativações sobre Orçamentos aprovados, Hospitais, Escolas Prisões em condições tal, que despromovem a dignidade humana, enfim, na verdade o fim da austeridade foi a maior mentira do Governo e da Geringonça no todo, porque em troca de pequenos nadas, para se afirmar junto do seu eleitorado, a Gerigonça foi conivente com o discurso do Governo.
Agora não se queixem, afinal se vivíamos, segundo eles, no melhor dos mundos, é legitimo que agora todos os grupos de profissionais reivindiquem mais e melhores condições de trabalho.

E, verdade seja dita, até deram dois anos ao governo para corrigir melhorar a redistribuição da riqueza a qual ficou muito aquém do necessário!

É por isso legitimo o nosso receio do governo para este ano, com eleições em outubro, que poderá ter como consequência o início da cedência a tudo e a todos e a desbaratar a parca consolidação orçamental até agora conseguida. A ver vamos!

Caros Ouvintes, mas reafirmo a minha convicção de que, se cada um de nós chamar a si as rédeas da exigência com a atuação do governo, e dos políticos em geral, através da participação cívica ou como disse D. Manuel Clemente, devemos estar “…atentos, sejamos ativos, façamos paz…” porque “a paz é fruto da Justiça, acontece quando damos a cada um o que lhe é devido, quer material, quer espiritualmente”.

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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