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Pedro Neves

A NOVA ECONOMIA DOS PLÁSTICOS

Pedro Neves

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PEDRO NEVES A NOVA ECONOMIA DOS PLÁSTICOS



O plástico é um material relativamente novo que só entrou na produção industrial em 1907. Hoje em dia está presente em quase todos os produtos industriais e de consumo e é difícil imaginar a vida contemporânea sem este material. Todavia, as mesmas características que o tornam tão útil, nomeadamente a durabilidade, leveza e baixo custo, tornam problemática a sua eliminação. Apesar desse facto, o consumo de plástico tem sido crescente, contrariamente ao que seria desejável.

A Comissão Europeia tem versado sobre esta matéria tendo inclusivamente este ano publicado a Estratégia Europeia para os Plásticos. Segunda esta, deve fazer-se uma transição para uma nova economia dos plásticos, onde a produção e o design respeitam as necessidades de reutilizar e reciclar os produtos, sendo que até 2030 todas as embalagens de plástico na União Europeia deverão ser ou reutilizáveis ou a sua reciclagem deve ser mais eficiente, e até 2021 banir por completo a venda de produtos de plástico de utilização única. Os objectivos desta estratégia passam não só pela redução dos resíduos como também pela necessidade de transitarmos para uma economia menos dependente de carbono, assim contribuindo para o cumprimento dos objectivos previstos no Acordo de Paris.

Em 2015 a produção mundial de plástico atingiu as 322 milhões de toneladas e espera-se que nos próximos 20 anos este valor duplique. Só na Europa geram-se 58 milhões de toneladas de plásticos por ano, sendo que dessa quantidade apenas 30% é reciclada. Significa isto que os restantes 70% de plástico produzido ou vão para aterro ou são incinerados. Segundo dados da Comissão Europeia, a incineração de plástico contribui aproximadamente para a emissão anual de 400 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera.
Esta situação tem-se agravado com o aumento da utilização de descartáveis que, sendo de utilização única, vão imediatamente parar ao lixo. Isto acontece com os copos de plástico, palhinhas, talheres de plástico, em suma, utensílios práticos e de baixo custo, que claramente não reflectem o valor das externalidades que produzem.
Na União Europeia entram anualmente no oceano entre 150 000 a 500 000 toneladas de plástico.
Os plásticos descartáveis representam 50% de todo o lixo marinho. Com a sua deterioração acabam por se transformar em microplásticos, um perigo para a saúde humana e para o ambiente. Os microplásticos disseminam-se pelo mar/ oceano, acabando por servir de alimento aos peixes, que por sua vez acabam por entrar na cadeia alimentar humana.

É assim urgente, por um lado, criar mecanismos que limitem a produção e a introdução de plásticos no mercado e, por outro, assegurar que aqueles que entram sejam reutilizados e, por fim, reciclados.

É preciso dar corpo àquelas que são as preocupações da comunidade científica, associações não-governamentais de ambiente e comunidade europeia no sentido de reduzir-se a dependência do plástico. É urgente alterar os padrões de consumo no sentido de reduzir drasticamente a produção e o consumo de plástico, tendo sempre em vista o princípio da solidariedade inter-geracional bem como da utilização criteriosa dos recursos naturais. Parece sensato e realista iniciar este processo nos Açores com a limitação de utilização de louça descartável em plástico em alguns serviços do sector da restauração.

Pedro Neves

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“Se quisermos fazer parar os Açores, fazemos parar os Açores”

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SE QUISERMOS FAZER PARAR OS AÇORES, FAZEMOS PARAR OS AÇORESA

 

Bem sei que já falei deste assunto em outras paragens, mas esta declaração ecoa na minha cabeça desde 24 de Fevereiro, dia que foi proferida.

O Presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou que, além de considerar a necessidade de abater “10 mil cabeças de gado” a partir de Maio, garatujou na mesma semana que se sentir-se ameaçado e lhe apetecer, faz parar os Açores.

Não sei qual das afirmações a pior, se a dissonância de usar a morte como ferramenta pérfida de controlo da população animal com o propósito estratégico de aumentar o preço do litro de leite, ou por mostrar indícios fortes de megalomania pela crença que pode parar os Açores. Se por mero lisonjeio eu equacionar que a esta pessoa tem esse poder , essa afirmação esgrimida será inversamente compatível com o propósito cooperativista com a comunidade que pretende ajudar. E já agora, quem lhe deu esse poder feudal?

Devíamos esperar e insistir que houvesse alta qualidade de liderança governamental na nossa região, com uma tendência notória contra o feudalismo de cargos de autoridade ou influência social, demonstrando que só ao expressar os mais altos ideais, morais e valores de convivência que representam é que chegamos a uma harmonia societal.

Mas não é o caso, o representante desta federação está impregnado nos meandros da política açoriana, ousando afirmar que pretende abater 10 mil seres vivos apenas por uma nuance economicista e ninguém escrevinhar absolutamente nada, somente existindo um “temos que ir com calma” do Secretário Regional da Agricultura e Florestas.

Mas vamos a factos. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) referente à agricultura (pecuária) e pescas desce já há dois anos consecutivos, passando de 9,8% em 2014, para 9,5% em 2015 e para 8,9% em 2016, diminuindo por consequência a sua contribuição para a evolução económica dos Açores. Apesar deste dados, faz-se uma enfatização que a pecuária é o motor hegemónico da região, quando está longe de o ser, apesar da sua pretensão. Contudo, os políticos tremem como varas verdes numa perfeita submissão a cada sopro dado por esta federação.
Verifica-se essa tendência vassálica dos nossos governantes à feudalidade do sector aquando a apresentação do orçamento regional de 2019, com 173 milhões de euros para a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas contrastando com os 67 milhões de euros para a Secretaria Regional da Educação e Cultura e dos miserentos 45 milhões de euros para a Saúde.

O turismo, sector que registou o maior crescimento do VAB durante 3 anos consecutivos, foi orçamentado unicamente com 55 milhões, repartido ainda pelo Ambiente e Energia da mesma secretaria. O Governo não acha fundamental um investimento mais robusto para o único sector com um crescimento económico considerável para a região e que empregou em dois anos mais de 1300 pessoas. A pecuária, além de ter perdido mais de 500 postos de trabalho, ainda tenta arruinar o crescimento emergente do turismo, querendo mostrar um imagem externa dos Açores totalmente distorcida, devido à prepotência e às afirmações pouco medidas de quem representa a federação agrícola regional.

Já estou a imaginar o mote publicitário para 2019:
Venha visitar os Açores! Com sorte pode adquirir o pacote turístico Mar/Terra, que consiste em observar as baleias no seu habitat natural e no mesmo dia ver o espectáculo dantesco da morte de 10 mil vacas felizes. Se tiver azar, as nossas portas poderão estar fechadas sem aviso prévio e por tempo indeterminado até ordens superiores, mais concretamente do Sr. Presidente da Federação Agrícola do Açores. Obrigado e volte sempre, mas só se ele quiser.”

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EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NA QUARESMA PASSADA

Pedro Neves

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PEDRO NEVES EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NA QUARESMA PASSADA

 

Genesis Butler, uma activista vegan de 12 anos, desafia o Papa Francisco a abdicar de produtos de origem animal durante a Quaresma para “ajudar a combater as alterações climáticas com uma mudança de dieta”.

Na carta aberta enviada pode-se ler que “Os atuais hábitos alimentares das nações predominantemente mais ricas estão a provocar uma cadeia de destruição e devastação global. A pecuária utiliza 83% dos terrenos agrícolas, embora produza apenas 18% das calorias que consumimos. Hoje em dia, há 815 milhões de pessoas no mundo a sofrer de má nutrição.”

Deve ser de fácil decisão, só pela nobre causa de chamar a atenção para o impacto ambiental da produção pecuária e também por existir uma fundação disposta a doar um milhão de euros, isto se o Papa estiver disposto a abraçar a campanha.

Mas será isto um pedido insólito de uma criança ou apenas o relembrar da prática da penitência, durante a Quaresma, do Código de Direito Canónico da Santa Sé escrito em 1917?

Ao consultar o Secretariado Nacional de Liturgia em Portugal sobre jejum e penitência, verificamos esta frase no ponto 3 da abstinência:

“A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma.”

Para todas as pessoas com ou sem religião, o simples acto de comemorar a Páscoa sem observância da celebração e do conceito per si, é o mesmo que fazer a Páscoa à sua medida, cheio de opulência e esbanjamento, incluindo um tipo de alimentação no espectro contrário do regrado expectável.

Seja pela ressurreição de Jesus, pela compaixão animal, pela confraternização familiar ou pelo mero facto de uma realização introspectiva sobre a drástica mudança dos nossos hábitos alimentares, abdicar-nos de produtos de origem animal nesta festividade só retirava a elevada pressão a que a “nossa casa comum” atravessa.

O próprio Papa Francisco, na encíclica Laudato Sí, pede “atenção ao desequilíbrio na distribuição da população pelo território, tanto a nível nacional como a nível mundial, porque o aumento do consumo levaria a situações regionais complexas pelas combinações de problemas ligados à poluição ambiental, ao transporte, ao tratamento de resíduos, à perda de recursos, à qualidade de vida”

Segundo a FAO das Nações Unidas, o consumo global anual per capita passou de 23Kg em 1961, para 42Kg em 2009. Portugal é um caso de surpreendente aumento do consumo de carne, tendo passado de 20,6Kg por pessoa em 1961, para 112,3Kg em 2016 (INE, 2017). E ainda esperamos milagres do Serviço Nacional e Regional de Saúde.

Cada vez, mais do que nunca, as nossas escolhas individuais e o que cozinhamos têm consequências, não só para ti mas para toda a comunidade mundial.

Como diz Mia Couto, “Cozinhar é um modo de amar os outros”, mas não podemos alimentar o mundo sem a sustentabilidade estar presente.

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OS EQUÍDEOS NOS BALDIOS

Pedro Neves

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PEDRO NEVES OS EQUÍDEOS NOS BALDIOS

 

Muitos discursos são produzidos a favor dos animais com acções que são realizadas na sua protecção, e com altruísmo a ser praticado em nome do seu bem-estar.

Por um punhado de pessoas que os maltratam, existe a mesma proporcionalidade no espectro contrário , indo ao seu encontro e redenção. A vileza humana pode atingir níveis impressionáveis de maledicência, com episódios tão dantescos que ultrapassam uma realidade societal que possa ser mais compreensiva. A bondade, por sua vez, pode curar e abraçar com bravura a salvação de um seu semelhante, senciente, não olhando para meios para dar-lhes o conforto e segurança necessária.

Quando falamos em maus tratos nos Açores, criamos de imediato uma imagem mental dos animais de companhia. Cães e gatos abandonados, canis e gatis sobrelotados com mortes por consequência da sua lotação, seguido de um saco preto e um aterro nas imediações, ou a incineração do resto das suas partes remanescentes.

Existe um número significativo de benfeitores que que fazem os possíveis, num anseio em tentar sensibilizar uma população pouco sedenta de uma evolução prática, que acompanhe a viragem do tempo e evolução.

Contudo, para alguns punhados de filantropos, as causas acabam aqui, ou por desconhecimento ou por inacção resultante de uma dissonância meramente cultural.

Porém a história é feita de nuances parceladas e ramificadas em variadíssimos capítulos. Existe outros intervenientes em risco, inocentes nas mãos de alguns carrascos que soltam impunemente a sua maldade em seres angelicais, de índole dócil e de personalidade encantadora.

Falo dos Equídeos, animais poderosos e majestosos, do cavalo ao burro, da mula ao macho, todos entregues à sua sorte. Abandonados pela lei e pelo horizonte sem fim dos baldios, são soltos na estrada com a pele dilacerada do esforço contínuo durante anos, servindo de escravos para levar a carga dos seus senhores. A servilidade acaba quando chega ou a velhice ou uma fractura, mas de igual forma acaba a comida de um sustento pouco sustentado porque não foi mais que uma moeda de troca.

Continuamos a ver os seus corpos magros deambulando pelas terras de poucos olhos, agarrados a uma esperança vã de serem finalmente tratados condignamente.

Continuamos a não ver responsabilização de quem os abandona nem diligência efectiva e de resolução por parte de todas as entidades que deviam estar envolvidas.

Bem se sabe que não é crime maltratar um equídeo, por mais ilogismo que aparente esta frase. Mas mais grave do que não estar consagrado na lei, é a ausência de compaixão que devia estar consagrada no que é certo e errado.
Não devia ser a altura de os reconhecer como animais de companhia, para serem abrangidos na lei de maus tratos? Ou continuaremos a sová-los até à impunidade?

Pedro Neves

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