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Pedro Neves

SÍNDROME DE ESTOCOLMO

Pedro Neves

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PEDRO NEVES SÍNDROME DE ESTOCOLMO



Factos alternativos manipulam a sociedade, a verdade liberta-a. Foram divulgados o ano passado, estudos nacionais feitos pelo Registo Oncológico Regional do Sul com dados preocupantes. A mudança dos nossos hábitos alimentares revela um aumento expressivo do cancro do cólon que está intimamente relacionado com um maior consumo de carnes vermelhas processadas, sal e gorduras, ao invés de mais vegetais, frutas e sopas, que são a base de uma dieta mediterrânica.

Há pouco mais de dois anos, a Organização Mundial de Saúde provou e alertou para os efeitos negativos e do risco de cancro no consumo de carnes vermelhas processadas.

Por sua vez, o Governo Regional que subsidia e promove o rastreio do cancro colo-rectal, consegue em simultâneo subsidiar a origem do problema, a carne vermelha processada. Nos Açores, quando falamos de agricultura, falamos de agropecuária. Chegamos rapidamente à conclusão que uma entidade que patrocina a criação, a prevenção e a cura do problema, tem pouca legitimidade para falar em liberdade de escolha por parte dos cidadãos. Pois esta liberdade é profundamente condicionada pela falta de informação sobre os efeitos negativos do consumo de carnes vermelhas processadas e pelo erro de subsidiar o sector agropecuário.

Temos dados concretos e libertadores para uma sociedade informada, mas com hábitos cada vez menos saudáveis, temos que admitir que além de sofrermos na saúde, sofremos também de síndrome de Estocolmo para com o nosso instigador, o Governo Regional.

Queremos o nosso estímulo na consciência de volta ou perpetuamos os padrões que o governo quer seduzir?

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A NOVA ECONOMIA DOS PLÁSTICOS

Pedro Neves

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PEDRO NEVES A NOVA ECONOMIA DOS PLÁSTICOS



O plástico é um material relativamente novo que só entrou na produção industrial em 1907. Hoje em dia está presente em quase todos os produtos industriais e de consumo e é difícil imaginar a vida contemporânea sem este material. Todavia, as mesmas características que o tornam tão útil, nomeadamente a durabilidade, leveza e baixo custo, tornam problemática a sua eliminação. Apesar desse facto, o consumo de plástico tem sido crescente, contrariamente ao que seria desejável.

A Comissão Europeia tem versado sobre esta matéria tendo inclusivamente este ano publicado a Estratégia Europeia para os Plásticos. Segunda esta, deve fazer-se uma transição para uma nova economia dos plásticos, onde a produção e o design respeitam as necessidades de reutilizar e reciclar os produtos, sendo que até 2030 todas as embalagens de plástico na União Europeia deverão ser ou reutilizáveis ou a sua reciclagem deve ser mais eficiente, e até 2021 banir por completo a venda de produtos de plástico de utilização única. Os objectivos desta estratégia passam não só pela redução dos resíduos como também pela necessidade de transitarmos para uma economia menos dependente de carbono, assim contribuindo para o cumprimento dos objectivos previstos no Acordo de Paris.

Em 2015 a produção mundial de plástico atingiu as 322 milhões de toneladas e espera-se que nos próximos 20 anos este valor duplique. Só na Europa geram-se 58 milhões de toneladas de plásticos por ano, sendo que dessa quantidade apenas 30% é reciclada. Significa isto que os restantes 70% de plástico produzido ou vão para aterro ou são incinerados. Segundo dados da Comissão Europeia, a incineração de plástico contribui aproximadamente para a emissão anual de 400 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera.
Esta situação tem-se agravado com o aumento da utilização de descartáveis que, sendo de utilização única, vão imediatamente parar ao lixo. Isto acontece com os copos de plástico, palhinhas, talheres de plástico, em suma, utensílios práticos e de baixo custo, que claramente não reflectem o valor das externalidades que produzem.
Na União Europeia entram anualmente no oceano entre 150 000 a 500 000 toneladas de plástico.
Os plásticos descartáveis representam 50% de todo o lixo marinho. Com a sua deterioração acabam por se transformar em microplásticos, um perigo para a saúde humana e para o ambiente. Os microplásticos disseminam-se pelo mar/ oceano, acabando por servir de alimento aos peixes, que por sua vez acabam por entrar na cadeia alimentar humana.

É assim urgente, por um lado, criar mecanismos que limitem a produção e a introdução de plásticos no mercado e, por outro, assegurar que aqueles que entram sejam reutilizados e, por fim, reciclados.

É preciso dar corpo àquelas que são as preocupações da comunidade científica, associações não-governamentais de ambiente e comunidade europeia no sentido de reduzir-se a dependência do plástico. É urgente alterar os padrões de consumo no sentido de reduzir drasticamente a produção e o consumo de plástico, tendo sempre em vista o princípio da solidariedade inter-geracional bem como da utilização criteriosa dos recursos naturais. Parece sensato e realista iniciar este processo nos Açores com a limitação de utilização de louça descartável em plástico em alguns serviços do sector da restauração.

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A MIRAGEM DO BALCÃO MÓVEL DO CIDADÃO

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PEDRO NEVES A MIRAGEM DO BALCÃO MÓVEL DO CIDADÃO



Há exactamente um ano, O PAN-Açores defendeu a criação de um Balcão Móvel do Cidadão que iria circular por todas as freguesias do Concelho de Ponta Delgada.

Essa viatura de atendimento iria proporcionar a descentralização dos serviços reduzindo a distância entre os serviços do município e as pessoas. Este modelo de atendimento permitiria aos munícipes com dificuldades de deslocação, a rápida resolução dos seus assuntos que fossem da competência da Câmara Municipal.

A viatura móvel seria totalmente adaptada para incluir todo o equipamento tecnológico com acesso remoto como um escritório móvel se tratasse, com funcionários com as competências necessárias para desempenhar as funções de apoio e esclarecimento, resolvendo e desburocratizando os serviços que até agora só estavam disponíveis nos balcões de atendimento municipal.

Com esta medida não queríamos só aproximar a Câmara às pessoas mas como grande objectivo, de capacitar os munícipes com os mesmo direitos independente do seu local de residência no concelho e de descomplicar a burocracia pouco amigável que exige conhecimentos que nem todos nós possuímos.

De forma a dinamizar o emprego, economia e inovação por todos os quadrantes do Concelho, o Balcão Móvel do cidadão iria possuir também o serviço de ajuda para elaboração de candidaturas aos programas com fundos europeus. Com o objectivo de se atingir as metas definidas e de maximizar os recursos financeiros disponibilizados pela Comissão Europeia, pretendia-se agilizar e simplificar as candidaturas para que fosse acessível a todas as pessoas e entidades interessadas gerando assim mais emprego e oportunidades dentro da comunidade.

A Câmara fez algo parecido que se chama de mito urbano. Todos ouviram falar, mas vir algum na estrada, só se for uma miragem.

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“Eu não me conformo”

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PEDRO NEVES Eu não me conformo



Esta frase feita proferida por Vasco Cordeiro no congresso do PS, deveria ecoar para toda a eternidade, mas soou a um punhado cheio de nada.

Tal como a moção que acompanhou tal discurso, e que foi votada por unanimidade, demonstra que o mundo ilusório onde vivem não é de certeza o Açores real onde nos encontramos. Mas eu sinto a vergonha alheia de forma empática, e como tal consigo compreender a votação dos delegados, que se votassem contra provavelmente o seu emprego presente ou futuro, cessaria de imediato, tudo em nome da “convivência democrática e tolerante”, apanágio do PS benevolente.

A antevisão, tal como um filme de Hollywood, mostrava uma moção com visão direccionada para o futuro, irreverente e transformadora. Mas tal como quando começamos a ver um filme e as expectativas são altas devido à antevidência , arrependemo-nos logo de ter comprado o bilhete do cinema.

Nem uma palavra foi dita sobre as energias renováveis ou sobre o grande e novo flagelo que nos toca, a falta de água, consequência das alterações climáticas que nos assola de forma planetária.

Na semana passada, o governo, com a sua pompa conhecida, esteve presente na apresentação da nova fábrica que irá produzir carros eléctricos, com o cunho totalmente açoriano. Um motivo de orgulho e inovação, que apenas cai por terra quando contamos pelos nossos dedos a quantidade de carregadores existentes na nossa região. Ao invés de uma posição irreverente de um governo que se transmuta de forma jovial, apesar do cheiro bafiento, denota-se o conformismo e uma falta de visão periférica, não acompanhando startups inovadoras e pioneiras no território português.

Sobre a água, ou falta dela, a ausência de medidas e soluções após um período de seca severa na maioria das nossas ilhas, demonstra que o PS não vive na mesmo porção de terra do que nós. Em duas ilhas, tivemos a duas semanas de ficar sem água para consumo humano e animal, e o partido não acha relevância sequer em perder um parágrafo sobre o assunto. Falam do progresso e da criação de riqueza, palavras capitalistas usadas pela direita ou por governos com maioria absoluta. Criação de riqueza sem água é como dar uma fotografia de uma botija de oxigénio a uma pessoa que se está prestes a afogar.

As alterações climáticas estão para ficar, onde a nossa realidade já ultrapassou todos os cenários mais optimistas por parte de especialistas com renome mundial. Ter um governo, que se auto intitula como vanguardista e não ter planos de prevenção para providenciar um região baseada em sustentabilidade, soa sem dúvida a punhado cheio de nada. Ahh, mas vamos investir na indústria aeroespacial. Vamos todos viver para a lua e manifestar água apenas com o pensamento. Este congresso não foi criado para os açorianos mas sim para uma bolha ilusória cheia de ficção científica sem uma medida real que seja materializada.

Desculpem caros ouvintes pelo desabafo, mas quem não se conforma sou eu.

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