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Paulo Casaca

A NEGAÇÃO DO OCIDENTE PERANTE O JIHADISMO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A NEGAÇÃO DO OCIDENTE PERANTE O JIHADISMO

 

Por uma vez, o Comité Nobel acertou em cheio ao conceder a Nadia Murad, em simultâneo com Denis Mukwege, o prémio Nobel da paz 2018.

Nadia Murad é uma curda oriunda da minoria étnico-religiosa Yazidi que com muitos milhares de outras foram escravizadas e violentadas pelos jihadistas que invadiram Sinjar no Curdistão iraquiano em 2014.

Conheci Sinjar em 2009 e visitei alguns meses depois da catástrofe, em Dezembro de 2014, o que era na altura a linha da frente curda frente ao Estado Islâmico na região. Conheci então inúmeras crianças e jovens resgatados da escravidão pelos familiares mediante pesado pagamento ao Estado Islâmico, não sem que antes tivessem sido brutalmente abusadas pelos jihadistas.

As forças curdas, que foram as que mais se bateram contra a barbárie, têm nas suas prisões jihadistas europeus que a Europa se recusa a aceitar de volta com o inconcebível argumento de que não os pode julgar.

Que justiça é esta que apregoa sem fim os direitos da mulher e que se afirma incompetente para julgar as maiores atrocidades jamais cometidas por seus cidadãos contra mulheres?

Atribuir o prémio Nobel a Nadia Murad é um passo, que será perdido se não for seguido pela procura do rasto de todas as crianças e mulheres que ainda não foram encontradas e com a perseguição judicial de todos os criminosos jihadistas e seus cúmplices, a começar naturalmente, pelos que têm nacionalidade ocidental.

Ponta Delgada, 2018-10-09
Paulo Casaca

Paulo Casaca

A EUROPA E O ATENTADO DE PARIS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A EUROPA E O ATENTADO DE PARIS

 

No dia 30 de Junho deste ano, a polícia belga prendeu em Bruxelas um casal iraniano que transportava no seu veículo uma bomba destinada a ser detonada na reunião anual de Paris do principal grupo da oposição iraniana.

Pouco depois, eram presos em Paris vários cúmplices, e na Alemanha o chefe da célula terrorista que tinha entregado no Luxemburgo o material para a bomba, um diplomata iraniano acreditado na Áustria.

É longa a lista de atentados comandados por Teerão em solo europeu ao longo das últimas décadas, mas nunca como neste caso a ligação com as estruturas oficiais da teocracia foi tão clara.

Depois de muita hesitação, as autoridades alemãs extraditaram finalmente para a Bélgica o diplomata iraniano – que só tinha imunidade na Áustria e não em todo o território europeu – contrariando as crescentes ameaças iranianas e uma intensa campanha de desinformação sobre o sucedido.

Como confessaram os autores materiais do atentado frustrado, era sua intenção fazer de conta que se tratava de lutas internas na oposição iraniana, na linha do que tem sempre sido a acção terrorista iraniana.

Se bem que a França já tenha reagido diplomaticamente, desmantelando células dos serviços secretos iranianos operando no seu território e apreendendo os seus bens, e a Bélgica tenha até agora dado sinais que não cede à chantagem de Teerão, a Europa está ainda longe de entender aquilo com que se defronta e a necessidade de proceder em conformidade.

Bruxelas, 2018-10-17
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Paulo Casaca

O GENOCÍDIO ROHINGYA

Paulo Casaca

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PAULO CASACA O GENOCÍDIO ROHINGYA

 

O antigo reino de Arakan – situado a Sul do Bangladesh – foi conquistado pela Birmânia em 1784, e permaneceu ligado a este país mesmo após a sua anexação pelo Império Britânico em 1824.

Ao longo destes quase dois séculos, um dos principais senão o seu principal grupo étnico, os Rohingya, que pela religião, cultura, geografia e história se aproxima dos bengalis de Chittagong, continua a ser visto como estrangeiro.
A hostilidade, discriminação legal e social e a perseguição deste grupo étnico, em vez de se dissipar com o tempo foi crescendo até desembocar naquilo que vários investigadores e instituições concluíram ser um genocídio, que provocou uma fuga em massa.

A maior parte dos fugitivos, mais de um milhão, são agora refugiados espalhados ao longo da margem bengali do rio Naf que faz a fronteira com a Birmânia, região que visitei ontem.

A situação coloca três problemas de monta à comunidade internacional. O primeiro é o da impunidade com que nos nossos dias continuam a registar-se genocídios; o segundo é o da sobrecarga social, ambiental, económica e financeira da situação sobre o Bangladesh, um dos países do mundo com maior densidade demográfica e de pobreza ainda generalizada; e o terceiro é o da apresentação do genocídio como um acto de ‘islamofobia’ quando, como eu pude testemunhar, os Rohingya de religião hindu foram tão perseguidos como os de religião muçulmana.

Só por demagogia se pode pretender resolver rapidamente um drama de tamanhas proporções, mas só por irresponsabilidade podemos fechar os olhos aos desafios que a situação nos coloca.

Cox´s Bazar, 2018-10-03
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A LINHA VERMELHA DA VENEZUELA

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A LINHA VERMELHA DA VENEZUELA

 

A diplomacia portuguesa reagiu finalmente ao crescendo de repressão e arbitrariedade das autoridades venezuelanas, agora materializado na prisão de vários comerciantes portugueses acusados de ‘especulação sobre o mercado’, falando da existência de ‘uma linha vermelha’ nas relações diplomáticas entre os dois países, não especificando embora onde cai essa linha.

Desde 2003 que Portugal seguiu a linha de rumo traçada pelo que era então a sua principal entidade financeira, o ‘Grupo Espírito Santo’, fazendo da Venezuela o centro de uma complexa teia negocial que incluiu petróleo, contrapartidas de submarinos e triangulações financeiras com o regime iraniano.

Toda essa construção ruiu com estrondo, ficando-se por saber o destino de muitos milhares de milhões de euros e qual o impacto preciso dessa derrocada para a banca e para o erário público portugueses, tendo o universo mediático e o sistema de justiça resumido a questão às malfeitorias de algumas das figuras que protagonizaram essa estratégia.

Salvaguardar a integridade física e os interesses de uma imensa multidão de portugueses e luso-descendentes na Venezuela é a prioridade, mas essa prioridade não pode ser usada para escamotear responsabilidades e evitar escalpelizar as acções de uma elite sem ética nem princípios. Se não o fizermos, mais tarde ou mais cedo iremos confrontar-nos com situações semelhantes.

Bruxelas, 2018-09-25
Paulo Casaca

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