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Natércia Gaspar

A LINHA QUE SEPARA A SAÚDE DA DOENÇA MENTAL É MUITO TÉNUE

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NATÉRCIA REIS GASPAR A LINHA QUE SEPARA A SAÚDE DA DOENÇA MENTAL É MUITO TÉNUE



Bom dia na melhor companhia, a companhia da 105 FM!

Caro ouvinte, é com alegria que vivo este reencontro consigo!

Hoje permita que partilhe consigo o motivo que me afastou do seu convívio nos últimos 4 meses, porque é algo do qual ninguém está livre e há que estar vigilante para bem da sua saúde e dos seus.

O esgotamento emocional e físico!

O esgotamento apodera-se de nós de forma muito ténue e discreta e por isso não vamos dando importância aos primeiros sintomas.

Pensamos que é apenas cansaço, que logo que possamos, tiramos uma folga e passará, mas a nossa desvalorização é de tal ordem que essa folga não chega porque há sempre mais e mais que fazer, porque não é oportuno naquele momento e os sintomas aumentam e divergem. Ao cansaço juntam-se as dores de cabeça, as dores de estômago e procuramos o nosso médico que nos trata dos males verbalizados, um calmante, um medicamento natural para dormir melhor e seguimos em frente na labuta do dia a dia!

No meu caso, e apesar da felicidade de ter um excelente médico com uma sensibilidade incomum que cedo percebeu o que se passava comigo e não obstante me ter mandado parar várias vezes, a verdade é que entrei numa espécie de jogo entre gato e rato e quando me sentia pior procurava-o em desespero, mas quando sentia um bocadinho de força deixava de ir às consultas!

Andei neste toca e foge 3 anos! E os sintomas agudizaram!

Dormia toda a noite mas acordava como se não tivesse «pregado olho» a noite toda.

Comecei a perceber que não tinha a mesma capacidade de trabalho, a capacidade de reação e resolução de problemas já não era a mesma, o rendimento, a memória estava longe do que um dia foi.

Sem iniciativa, sem criatividade, sem paciência e capacidade para defender ideias … deixei de escrever com a facilidade a que estava habituada, dei por mim a ler e a não fixar coisa nenhuma.

Deixei de me reconhecer, era a sombra do que um dia havia sido.

Mas não foi apenas a minha vida profissional que foi afetada, a relação comigo e com os outros também!

Comecei a isolar-me, com as minhas dores de cabeça, e de estômago, cada vez mais frequentes, com aceleração cardíaca, com as lágrimas que insistiam em cair sem motivo, apenas porque sim e porque não. Deixei que os pensamentos negativos se sobrepusessem ao meu registo positivo, à minha fé!

Eu que sempre fui uma mulher combativa pelo que acredito, dei por mim a evitar discussões e tudo o que fosse fonte de stress ou conflito!

Perdi a vontade de estar com os outros, não era capaz de estar em locais fechados e com muita gente…, não tinha vontade de nada nem interesse por coisa de nenhuma!

Foi esta a realidade dos últimos 3 anos e meio da minha vida! Mas ainda assim ia seguindo sem ter a noção que estava a entrar num abismo que poderia não ter retorno!

Até que um dia a corda rebentou e a paragem aconteceu de forma abrupta. O meu corpo deixou de ter vida, a cabeça vazia e a alma sem ânimo!

Tudo o que vos descrevi tornou-se o meu estado constante.

A angústia e desespero tomaram conta de mim, mas também a inércia, o desinteresse e a desmotivação… o medo!
O medo de não voltar a reencontrar um bocadinho, que fosse, da pessoa que um dia já fui!

Passaram 4 meses e sinto que me estou a reerguer, a reencontrar-me.

Hoje sei que durante anos não me respeitei, fui descuidada comigo e com a minha saúde! Mas aprendi a lição!

Com acompanhamento médico e psicoterapêutico estou a aprender a valorizar-me, a dar-me prioridade, a dar-me a importância que mereço, estou a reconstruir-me como pessoa, estou a aprender a afirmar a minha essência, a minha genuinidade. É ainda longo o caminho para recuperar por inteiro mas chegarei lá.

Caro ouvinte, o meu desabafo vale o que vale, e só é relevante como alerta para o facto que a linha que separa a saúde da doença mental é muito ténue!

Por isso valorize sempre o cansaço que sente, os sintomas físicos que vão aparecendo, dores, tensões, palpitações. Não tenha medo de procurar ajuda, e sobretudo siga sempre os conselhos médicos!

Para prevenir… viva a vida de forma energética e não se limite a seguir o fio da vida de forma automática!

Ame-se, cuide-se e gratifique-se!

Valorize-se! Só estando bem consigo, conseguirá estar bem para os outros!

Obrigada pela sua paciência e fique bem, mas fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

Natércia Gaspar

2019 O ANO DO ORÇAMENTO DO NOSSO (DES) CONTENTAMENTO

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR 2019 O ANO DO ORÇAMENTO DO NOSSO (DES) CONTENTAMENTO



Esta Segunda-Feira o Governo da República, entregou no Parlamento, a proposta de Orçamento de Estado para 2019 que será votado nos próximos dias 29 e 30 de Outubro.

Uma proposta cuja aprovação não será surpresa uma vez que contemplam todas as principais exigências, dos partidos da maioria parlamentar, apesar de poderem sofrer alguma alteração quando discutidas na especialidade.
À primeira vista esta proposta de Orçamento, parece refletir os princípios da esquerda democrática, ou seja, a preocupação com a criação e redistribuição de riqueza garantindo a promoção da justiça social e da igualdade de oportunidades no acesso à educação, à saúde, à segurança social, à cultura, à ciência, a serviços públicos de qualidade, etc.

O nosso contentamento reside no facto de serem inúmeras as medidas inscritas, que vão benefeciar no imediato, a vida de todos nós!

O envelope financeiro para os Açores será de 285 milhões de euros, mais 26 milhões que em 2018.

Por muito que Mário Centeno argumente o contrário, algumas medidas são mesmo eleitoralistas, afinal 2019 é ano de eleições e a esquerda quer sedimentar a maioria parlamentar e o PS intimamente almeja mesmo a maioria absoluta, o que seria uma pena, pois Costa demonstrou ao mundo que é possível congregar vontades das minorias quando o que está em causa é o Bem-Estar da maioria dos portugueses.

Costa com Mário Centeno, provaram que há alternativas à austeridade de má memória que o PSD e CDS sujeitaram os portugueses. A austeridade continua com uma forte tónica no controlo da despesa pública. Só assim Portugal poderá ter um déficit de 0,2% ou quiça de “zero”, mas creio que esta novidade será guardada para mais tarde e será a grande bandeira eleitoral do PS, nas legislativas de 2019.

Mas não sejamos ingénuos, a verdadeira magia deste sucesso é o crescimento económico que Portugal tem vindo a sentir nos ultimos anos e claro mais emprego, mais consumo, mais investimentos, geram mais impostos e contribuições sociais e por consequência menos despesa com algumas prestações sociais, desiganadamente subsidio de desemprego.

Claro que o crescimento económico de Portugal, acima da media europeia, não retira nenhum mérito à boa gestão do Governo, no entanto é assustador pensar que se trata de um crescimento que resulta da atual conjuntura económica, que pode inverter negativamente já partir de 2019, e não de reformas estruturais que nos dêem esperança de a nossa economia não mais voltar a estar exposta ao risco de mais um resgate financeiro na terceira década do século.

E aqui reside, o nosso, quer dizer, pelo menos o meu, descontentamento, não ver esta maioria de esquerda com que me identifico, aproveitar esta folga orçamental para consolidar as finanças publicas. É que se a baixa dos juros da divida pública também concorre para o bom resultado das contas, o montante dessa divida é elevada, o endividamento das familias à banca continua a crescer de forma desmesurada, a banca ainda não está fora de perigo e não vemos sinais de uma estratégia em longo prazo, para o país crescer de forma estrutural e duradoura.

Uma estratégia nacional que lance as bases para um desenvolvimento sustentável dos territórios mais deprimidos melhorando as condições de vida das populações e incentivando a fixação das pessoas e das empresas; que preparem o país para lidar com o fenómeno do envelhecimento em todos os setores da governação, que combatam o incussesso e o absentismo escolar; que promovam a qualificaçao dos portugueses; que façam deste país à beira mar plantado um país apeticivel para todos não apenas para alguns!

Gostei de estar consigo!
Fique na melhor companhia, a companhia da 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

E É O PRA SEMPRE QUE NOS INCOMODA E NOS FAZ SENTIR IMPOTENTES.

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR E É O PRA SEMPRE QUE NOS INCOMODA E NOS FAZ SENTIR IMPOTENTES.

 

Esta semana S. Miguel ficou desolado por mais um suicídio!

Para a sua família, não foi mais um, foi a perda de um ente querido que amavam!

Para uma organização, não foi mais um…foi o daquela pessoa que ali trabalhava e que sempre vestiu a camisola e levava muito a sério a missão da organização!

Foi o daquela pessoa frontal, honesta, que falava na frente e não nos corredores, que reivindicava de forma assertiva por si e pelos outros, mesmo por aqueles que não tinham tão bom desempenho como ela, mesmo por aqueles que falavam nos corredores, mas depois a criticavam julgando ficar bem na fotografia junto aos superiores hierárquicos!

Falo com o à vontade e honestidade de alguém por quem essa pessoa não nutria grande simpatia, porventura porque era o rosto de aspirações, legítimas diga-se em abono da verdade, mas não concretizadas.

Foi o daquela pessoa que ali tinha amigos, colegas de trabalho, pessoas que legitimavam a sua profissão e permitiam a interferência nas suas vidas para serem cuidados!

Foi o daquela pessoa, Assistente Social, que nos deixou a todos tristes, desolados, incrédulos, vazios e a refletir …

A reflectir na tomada de consciência de que ao nosso lado podem estar pessoas em profundo sofrimento e nem nos apercebemos!

A questionar a eficácia do sistema regional de saúde no acompanhamento e tratamento de doenças de foro psíquico e neurológico.

A refletir o porquê de os números estarem a aumentar, porventura está na altura de o fenómeno ser estudado com seriedade.

A reflectir sobre o ato de tirar a própria vida…

No pressuposto partilhado em que o valor da vida é inqualificável a atitude intencional de terminar com a própria vida, leva a questionarmos, se tal comportamento é um ato de coragem ou de covardia!

No caso desta pessoa, a coragem que sempre teve em vida levou-a à morte! Levou-a pra sempre. E é o pra sempre que nos incomoda e nos faz sentir impotentes.

Pouco importa o que a teoria diz se as pessoas buscam na morte um alívio, uma fuga, uma autopunição ou até mesmo uma forma de punição dos outros, para que se sintam culpados. O facto é que para algumas pessoas a morte é um ato de libertação de um qualquer tormento cuja génese assenta numa diversidade de factores de caráter emocional, cultural, social ou psíquico.

E esta pessoa procurou uma qualquer libertação e agora só nos resta desejar que descanse em paz e serenidade!

Por isso não são intelectualmente honestos aqueles que atribuem este ponto final na vida de uma pessoa apenas a um factor ou responsabilizando alguns!

É responsabilidade de todos ajudar, apoiar e não é preciso ser especialista, basta demonstrar um interesse genuíno em acolher o outro!

Outra reflexão que se impõe é a consciencialização de que todas as profissões do ”cuidar”, Serviço Social inclusive, estão mais vulneráveis ao stress e ao burnout pelo desgaste a que estão sujeitos pela exposição diária dos profissionais aos pedidos de ajuda por parte de pessoas que vivênciam problemas.

“ A síndrome de Burnout é uma entidade clínica pouco conhecida mas que se reveste de particular interesse para todos aqueles que estão associados a profissões de ajuda” (Cf. Palma citando Carvalho, 2008:27)

O Stress e Burnout afetam um grupo variado de profissionais, que até então, nunca tinham sido considerados como uma população em risco, na medida em que as atividades que realizam são consideradas gratificantes para os indivíduos, a nível pessoal, social e profissional. (Cf. Palma, 2008:27)

Urge por isso avaliar os impactos dos trabalhadores, nas organizações e nas pessoas que servem. É urgente que as organizações criem estratégias de cuidar de quem cuida (mas certamente não passará por desresponsabilizar os profissionais, nem legitimar quem não tem desempenho e condutas adequadas.)

Assistentes Sociais, professores, psicólogos, médicos, enfermeiros… importa também que os profissionais criem estratégias para aumentar a eficácia da sua ação e reduzir as fontes de stress.

O que não posso concordar é que façamos aproveitamentos levianos da fatalidade que recaiu na vida daquela pessoa e da sua família para tirar proveitos próprios.

Jamais essa pessoa utilizou a sua situação pessoal, para pedir tratamentos de excepção!

Queremos homenagear e honrar a vida e a memória dessa pessoa e respeitar a dor da sua família? Sejamos sérios, intelectualmente honestos, frontais e genuínos…como ela sempre foi para colegas e superiores!

Com profundo pesar por todas as situações de suicídio, em particular por esta pessoa expresso sentidas condolências às famílias.

Se puder fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

A POLÍTICA “VOCAÇÃO” OU “PROFISSÃO”?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR A POLÍTICA 'VOCAÇÃO' OU 'PROFISSÃO'?

 

Esta questão é exatamente o tema de uma conferência de Max Weber realizada no início do século XX onde faz distinção entre aqueles que vivem para a política, ou seja por vocação, e aqueles que vivem da política, encarando-a como profissão.

E neste momento concreto que a nível global existe uma clara desconfiança entre os cidadãos e os políticos por diversas ordens de razão:
Porque a ação política tem-se revelado insuficiente e incapaz para prevenir as múltiplas consequências negativas da globalização, e da exclusão social; porque entre as ilusões das campanhas eleitorais e a prática governativa há realidades que nem a demagogia justifica; porque há protagonistas políticos que usam e abusam do estado de direito e da confiança de quem os elegeu para defender esse estado de direito; porque a ambição de poder transforma democracias em regimes totalitários; porque a desilusão com uns protagonistas é de tal ordem que são legitimados outros que rapidamente goram todas as expetativas.

É interessante perceber uma certa atualidade do escrito por Max Weber, e cito:
“Há duas maneiras de se fazer da política uma profissão: Ou se vive «para» a política… ou, então, «da» política. A oposição não é, de modo algum, exclusiva. Regra geral, pelo contrário, faz-se ambas as coisas, pelo menos idealmente, mas, na maior parte das vezes, também materialmente. Quem vive «para» a política faz «disso a sua vida» …sustenta o seu equilíbrio interior e a sua dignidade própria com a consciência de dar umsentido à sua vida, graças ao serviço prestado a uma «causa». Neste sentido íntimo, talvez qualquer pessoa honesta, que viva para uma causa, viva também dessa causa. A distinção relaciona-se, pois, com um lado muito mais material da questão, com o aspeto económico. Vive «da» política como profissão quem trata de fazer daí uma fonte permanente de rendimento; vive «para» a política quem não está.”

Para que alguém, nesse sentido económico, possa viver «para» a política, a pessoa tem de ser economicamente independente das receitas que a política lhe possa trazer.….A pessoa tem que ser, economicamente «disponível», isto é, os seus proventos não podem estar dependentes de ela colocar permanentemente a sua energia pessoal e o seu pensamento, no todo ou nem mesmo em grande medida, ao serviço da sua obtenção.”

Claro que apesar de alguma atualidade também é relativo pois há políticos que atuam por um projeto, por ideais, por causas enfim “vivem para a política” e esses importam que se mantenham na arena política, logo é natural e justo que tenham a retribuição pelos serviços prestados ao país e “vivam” da política. Menos natural é que se aproveitem de expedientes legais, mas imorais, para engrossar o seu rendimento mensal.

Mas sobre isso vamos ter esperança que as leis sejam corrigidas e melhoradas para que haja maior controle e transparência,para bem da democracia e da recuperação da confiança por parte dos cidadãos nos protagonistas políticos.

Também questionável é a tese de que quem não depende economicamente da política tenha vocação ou coloque maior empenho na ação política. Vejamos o exemplo de Donald Trump um milionário antes de ir para a política, e veja-se como a sua ação tem colocado a América e o mundo em sobressalto.

Nem mesmo Putin, na Rússia, com os seus expedientes tem tido uma atuação que colocasse como Trump a humanidade mais próxima do que nunca à beira de uma Terceira Guerra Mundial.

Enfim como em tudo na vida há homens nobres e menos nobres!

Mas não podemos nunca de deixar de exigir homens e mulheres com genuína vocação política, pois esses serão criativos o suficiente para encontrar sempre novas formas de entrega para trabalhar pelo bem-estar de todos!

Fique bem! Fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

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