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Aníbal Pires

A REPÚBLICA NO “LAVA JAZZ”

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES A REPÚBLICA NO LAVA JAZZ



Ontem foi dia de um feriado reconquistado depois de 2015, ou seja, depois da coligação de direita que desgovernou o país ter sido apeada do poder após a realização das eleições legislativas de 2015.

Pode não dar muita importância ao facto de a coligação de direita ter acabado com alguns feriados nacionais, mas é bom lembrar que eles foram extintos em nome da recuperação económica, da redução da dívida e do défice. Este argumento que para tudo serviu, foi sendo aceite como inevitável para o país se redimir dos excessos cometidos.

Claro que quem cometeu os excessos não pagou e quem não tinha como se exceder suportou todos os custos. Custos de uma política que não resolveu nenhum dos problemas que a justificavam.

Recuperaram-se os feriados, recuperaram-se rendimentos, aliviou-se a carga fiscal e o resultado foi o crescimento económico, o aumento do emprego, a diminuição do défice e a estabilização da dívida pública que, se tivesse sido renegociada nos seus montantes, prazos e juros, teria diminuído para valores, digamos, aceitáveis.

Mas não é sobre a governação do país nem dos governos do passado e do presente que versa esta nossa conversa semanal.

Ontem, como sabe, comemorou-se o aniversário da implantação da República. A data foi assinalada oficialmente. Mas a passagem do 108.º aniversário da República foi marcada, um pouco por todo o país, por diversas iniciativas promovidas por quem tem memória e considera que a história não pode ser esquecida, sob pena de nos perdermos no limbo do igualitarismo uniformador dos costumes e do pensamento, e é sobre uma dessas iniciativas, que decorreu em Ponta Delgada que gostaria de lhe falar.

No contexto da programação cultural, para além da música, de um espaço de encontro da noite de Ponta Delgada, o Lava Jazz, realizou-se ontem uma tertúlia no âmbito do “Comer com Letras”. Acontece às primeiras sextas-feiras de cada mês e é coordenado pela Dra. Amélia Sophia.

Ontem o tema, como não poderia deixar de ser, centrou-se na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e nas transformações que lhe foram subsequentes. As razões que lhe estiveram na origem, as contradições e a instabilidade que levaram à implantação do Estado Novo e à ditadura fascista que só teve fim numa madrugada de Primavera onde despontaram cravos vermelhos e uma contagiante alegria espelhada no rosto de um povo amordaçado e manietado por um regime déspota. As implicações nos anseios autonomistas, a luta das mulheres pela conquista de direitos cívicos e de igualdade na diferença, mas também poesia. A República foi apenas o mote para a noite de tertúlia, “Comer com Letras”.

Por razões incontornáveis aconteceram algumas alterações ao que inicialmente estava programado e, mesmo o que era possível manter como previsto foi subvertido pelos convidados. Não me cabe a mim, que acabei por ser um dos intervenientes, avaliar se o desalinhamento resultou a favor de quem esteve no Lava Jazz até um pouco depois das 22h.

Eu cá por mim saí de lá satisfeito por ter tido oportunidade de partilhar parte do serão do feriado de 5 de Outubro com o Dr. Pedro Gomes, a Dra. Amélia Sophia, com a Dra. Nélia Guimarães e com todos quantos, neste caso e em bom rigor deveria dizer, todas, não por ficar bem ou dar a primazia às mulheres mas porque o público era quase exclusivamente feminino.

Não posso deixar de louvar o Lava Jazz pela forma como se tem diferenciado e afirmado na noite de Ponta Delgada, quer pela excelência dos seus músicos residentes, quer pela programação cultural que com uma coragem admirável tem vindo a assumir.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Outubro de 2018

Aníbal Pires

APENAS LITERATURA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES APENAS LITERATURA



Em Novembro, S. Miguel, a ilha, vai ser um arquipélago, Um arquipélago de escritores.

Açores, Arquipélago de Escritores. Esta é a feliz designação para um encontro literário que sendo realizado nos Açores e contando com a participação de muitos autores açorianos, aqui residentes ou não, pretende ser mais, muito mais, do que um olhar sobre a geografia literária açoriana e conta com a participação de escritores nacionais e estrangeiros de referência.

O Arquipélago de Escritores vai acontecer de 15 a 18 de Novembro.

Estamos a pouco mais de um mês da sua realização e esta nota permite-lhe, não só ter conhecimento deste encontro, mas também dar-lhe tempo e oportunidade para se agendar e assim poder participar nas inúmeras atividades que estão programadas para estes dias onde os Açores serão um ponto de encontro da literatura. Literatura, assim, sem mais atributos, apenas literatura.

As realizações deste tipo de eventos nunca estarão a contento de todos, desde logo porque quem organiza define critérios e uma matriz unificadora para o espaço e tempo disponíveis, e, naturalmente, as opiniões são díspares. Mas também porque a difusão da literatura e a promoção da leitura não podem confinar-se a espaços formais e a um público que funciona como um circuito fechado e, naturalmente, há quem assim não pense.

Por outro lado, é indispensável ganhar e formar novos públicos, logo para os conquistar há necessidade de diversificar estratégias que nem sempre são do agrado de todos, mas o desagrado e as críticas passam também pela ausência de alguns nomes consagrados na lista dos escritores convidados.

Críticas que terão, não as coloco em causa, toda a legitimidade. Outros fossem os critérios e outros fossem os promotores e, certamente, outros seriam os convidados e outra seria a matriz do encontro.

Não colocando em causa nem os critérios nem os reparos, julgo que este Arquipélago de Escritores não se vai esgotar com esta edição, assim, de momento, importa valorizar e divulgar esta iniciativa cultural que terá os Açores como ponto de encontro da literatura. Depois da sua realização será tempo de proceder à avaliação e aguardar pela renovação anual deste encontro literário.

O Arquipélago de Escritores vai juntar cerca de duas dezenas de autores de referência, portugueses e internacionais, e terá como homenageado o poeta Emanuel Jorge Botelho.

Para aceder à informação completa sobre a primeira edição do Encontro Literário – Arquipélago de Escritores, pode consultar o sítio da internet que lhe está dedicado e que facilmente poderá encontrar utilizando como termos da pesquisa a própria designação deste evento.

Vá ver e surpreenda-se com variedade das atividades propostas e dos espaços que ocupam.

Procure aqui: http://arquipelagoescritores.pt/

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 13 de Outubro de 2018

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Aníbal Pires

A SATA PODE E DEVE CRESCER

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES A SATA PODE E DEVE CRESCER



A SATA anunciou nos últimos dias um aumento da oferta durante o Inverno IATA, ou seja, durante a chamada época baixa.

Segunda a informação disponibilizada pelo SATA as ligações da Azores Airlines a Lisboa e ao Porto, ao Funchal, à Europa, aos Estados Unidos e ao Canadá vão ser objeto de um aumento de frequências e, por conseguinte, a uma maior oferta de lugares. É um aumento de 21428 lugares e é esperado que a procura cresça 3% face ao período homólogo do Inverno IATA de 2017/2018.

Só posso ficar satisfeito com o esperado crescimento da procura. Mas mais satisfeito ainda com a resposta do Grupo a essa previsão. Resta saber se a capacidade operacional da Azores Airlines consegue satisfazer este objetivo comercial.

Esta minha dúvida fundamenta-se, no essencial, em dois pilares. O primeiro relaciona-se com a descoordenação existente, pelo menos até há pouco tempo atrás, entre a área comercial e a área operacional. De uma forma simplista pode dizer-se que os compromissos comerciais assumidos não tinham em devida conta os recursos operacionais, em particular tripulações. Todos temos na memória alguns cancelamentos e atrasos, de um e mais dias, em voos da Azores Airlines tendo sido dada pública justificação de que essas irregularidades se ficavam a dever a falta de tripulações. O segundo pilar onde escoro a minha dúvida relaciona-se com a prevista saída de pilotos da Azores Airlines, sendo que a sua reposição e até o necessário reforço vai levar alguns meses, ou seja, havendo muitos pilotos disponíveis no mercado é sabido que a sua qualificação, para poderem operar autonomamente, pode demorar alguns meses.

Mas tudo isto deve ter sido pensado e a sua execução deve estar em curso, Assim o espero pois, o que desejo, e sempre defendi, é que o Grupo SATA possa expandir-se no mercado do transporte aéreo e ultrapasse as atuais dificuldades financeiras o que pode ser conseguido sem a alienação de parte do seu capital social ao setor privado.

O que não se compreende é que existindo mercado, aliás a procura tem aumentado, a SATA não se tenha, em devido tempo, preparado para se capacitar com os meios suficientes para responder ao aumento da procura e tenha abandonado alguns negócios, como por exemplo a ligação Terceira/Madrid/Terceira, por manifesta insuficiência de aeronaves e tripulações, pelo menos foi essa a justificação que foi dada publicamente. Outros exemplos há que demonstram estas insuficiências. No Verão foi necessário recorrer à contratação de ACMIs, um Boeing 737 e um A 340 para satisfazer os compromissos comerciais, mas é bom lembrar que o A 330, conhecido pelo Cachalote, se manteve ao serviço e ainda assim foi necessário recorrer, por várias vezes, a um dos antigos A 310 ainda operacionais. Ou seja, existe mercado para a Azores Airlines, mas esta não tem capacidade, por défice de aeronaves e de tripulações, para satisfazer as necessidades da procura tendo de recorrer à contratação de aeronaves e tripulações de outras empresas.

Não estou à espera que o atual e recentemente nomeado Conselho de Administração tenha, no imediato, resolvido estes e outros problemas de que enferma o Grupo SATA, mas o reforço da operação de Inverno pode ser um bom sinal de que outras rotas estão a ser traçadas.

A SATA é um instrumento da autonomia açoriana do qual não podemos, nem devemos abdicar.

O Grupo SATA tem tudo para competir no mercado do transporte aéreo e a privatização de 49% do seu capital, numa tramitação cujos contornos estão envoltos numa densa bruma, resulta de uma opção política que, em minha opinião, era dispensável, para além de ser indesejável pois, trata-se, como por certo concordará de um setor estratégico para a autonomia regional e como tal devia manter-se, integralmente, no domínio público.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Setembro de 2018

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Aníbal Pires

AFINAL O QUE É QUE MUDA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES AFINAL O QUE É QUE MUDA



A substituição de alguns diretores regionais e de administradores de organismos públicos, que o Governo de Vasco Cordeiro, de forma abusiva, designou de renovação da equipa. Abusiva, desde logo, porque, quer os diretores regionais, quer as administrações das diferentes empresas públicas não se constituem como equipas e, nalguns casos nem sequer interagem entre si. Eu diria que, nem mesmo este Governo é uma equipa, mas isso é uma outra estória que a história da autonomia regional poderá, ou não, vir a registar. Abusiva porque se trata, tão-somente, da mera substituição de executores tutelados por quem, verdadeiramente, define as políticas, e essas, as políticas, não mudam com a troca de diretores regionais.

As leituras políticas são diversas. Para o Governo Regional trata-se, como já disse, de uma renovação e, logo um sinal de vitalidade e mudança. Para as oposições um sinal de fraqueza, de fim de ciclo ou, de satisfação de clientelas. Para a generalidade da população todo este processo terá passado sem que lhe tenha sido dado muita importância, e, cá para mim assim é, pois, esta decisão do Governo regional não tem dimensão política que valha grandes e apaixonadas discussões.

A substituição de diretores regionais constitui-se como um processo político que nada tem de especial e sobre o qual pouco há a dizer. Percebo a adjetivação do Governo Regional, bem assim como entendo as tomadas de posição públicas por alguns dos partidos políticos da oposição, mas objetivamente nem um argumento, nem outro, têm fundamento.

Que mudanças políticas ocorrerão com esta “renovação”, Cá para mim nenhumas, até porque como se sabe os diretores regionais não são membros do governo. E o tempo o dirá. Garantindo-lhe que se algo mudar cá estarei para o reconhecer.

Não sei que motivos estiveram na origem das substituições, mas sei que os motivos foram diversos. Em alguns dos casos terá sido por manifesto interesse, por razões de ordem pessoal, em cessar funções, noutros casos terão sido substituídos por falta de adaptação à função, e, ainda em outros casos por necessidade de satisfação de interesses puramente partidários. Mas, como já lhe disse, tudo isso vale o que vale e, cá para mim, vale muito pouco para a nossa vida coletiva.

Pode perguntar, Então porquê este assunto e não outro que seja verdadeiramente importante. Bem, Porque considero que a desconstrução destes processos políticos é mais relevante do que o procedimento em si mesmo e, como tal o melhor é remetê-los para o valor que realmente têm, ou seja, não atrasam nem adiantam. São processos de utilidade política nula, servem apenas para alimentar a ideia de mudança e, para nos entreter com questões marginais.

A substituição de diretores regionais e membros dos Conselhos de Administração de algumas empresas públicas, anunciadas no passado dia 18 de Setembro, não é mais do que a construção de uma representação (imagem) de capacidade de recrutamento de quadros, de avaliação do trabalho político desenvolvido e, sobretudo, de demonstração de capacidade de introduzir correções ao rumo. Enfim, pura diversão para eleitor ver.
Gostei de estar consigo. Fique bem.

Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Setembro de 2018

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