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Pedro Gomes

O MINISTRO É UM FINGIDOR?

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES O MINISTRO É UM FINGIDOR?



O caso de Tancos e do roubo das armas abala a credibilidade de uma das mais importantes instituições do país – as Forças Armadas – e coloca o Ministro da Defesa sob uma forte suspeita.

Os portugueses têm uma dívida histórica para com as nossas Forças Armadas, desde logo pelo papel central que desempenharam no 25 de Abril e na implantação da democracia.

Este legado histórico não pode ser afectado por um episódio que provoca uma forte erosão institucional e tem o potencial de poder levar à demissão do Ministro da Defesa Nacional, caso venha a provar-se que ele e o seu gabinete tinham conhecimento do encobrimento do desvio das armas em Tancos.

O Ministro da Defesa é directamente acusado por um investigador da Polícia Judiciária Militar (PJM) de saber da operação de encobrimento da recuperação do arsenal bélico.

A pergunta que coloca é esta: o que sabia o Ministro Azeredo Lopes?

Até agora, o Ministro da Defesa nega ter tido conhecimento da encenação. Porém, a dúvida permanece: estará Azeredo Lopes a contar toda a verdade ou trata-se de uma fuga em frente?

A acusação que é feita ao Ministro da Defesa Nacional por um dos envolvidos neste caso, tem uma enorme gravidade: pela primeira vez, em democracia, um Ministro da Defesa Nacional é directamente acusado de ter pactuado com uma operação preparada pela Polícia Judiciária Militar, em colaboração com a GNR, para que as armas roubadas de uma base militar portuguesa fossem devolvidas “discretamente”.

A uma acusação desta natureza, o Ministro da Defesa não pode responder com uma singela negação, até porque Azeredo Lopes lidou sempre com extrema dificuldade com o roubo destas armas e com a quebra de segurança nacional que ela originou.

O caso de Tancos transformou-se numa pedra no sapato de um Ministro que revelou sempre grande inabilidade política, mas que o Primeiro-Ministro persistiu em manter em funções.

O Ministro que assegura aos portugueses que desconhecia a operação de encobrimento para a devolução das armas é o mesmo que afirmou publicamente que não sabia se teria chegado a haver um roubo ou se havia armas de guerra nas mãos de civis.

A declaração de confiança que António Costa proferiu ontem é claramente insuficiente para afastar suspeitas ou para credibilizar Azeredo Lopes.

O Presidente da República, também como Comandante Supremo das Forças Armadas, não pode ficar indiferente a uma circunstância que abala os alicerces da democracia, devendo exigir um completo esclarecimento do Governo e retirar deste caso as inevitáveis consequências.

Os idos de Outubro poderão ser fatais para o Ministro da Defesa.

Pedro Gomes
5OUT2018 – 105 FM

Pedro Gomes

70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES 70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

A 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Com o fim da II Guerra Mundial e a criação da Nações Unidas, os líderes mundiais decidiram complementar a Carta das Nações com um documento que assegurasse os direitos fundamentais, garantindo que o mundo não voltaria a assistir à violação dos direitos humanos, como sucedeu durante a guerra, em especial com o regime nazi.

É criada uma Comissão de Direitos Humanos, presidida por Eleanor Roosevelt, viúva do Presidente Franklin D. Roosevelt, cujo papel foi determinante na elaboração do texto da Declaração.

A aprovação da Declaração Universal, num mundo ainda dilacerado pelos horrores da II Guerra Mundial, tem um profundo significado político, pois o seu artigo primeiro refere que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.

A dignidade pessoal e a igualdade adquirem um novo estatuto, que o direito internacional se encarrega de impor aos Estados que subscreveram a Declaração ou que a ela aderiram posteriormente.

Esta Declaração foi aprovada há setenta anos, para que os “seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria” e para que os homens e as mulheres “não sejam compelidos, em supremo recurso, contra a tirania e opressão”.

Os direitos que a Declaração consagra foram recolhidos em diversas fontes normativas anteriores; a novidade reside no facto de, pela primeira vez, um catálogo de direitos fundamentais ter assento num texto internacional que, não sendo um tratado do ponto de vista jurídico-formal, ainda assim condiciona a actuação dos Estados, impelindo-os a respeitarem aqueles direitos.

No caso português, o artigo 16º da Constituição impõe a interpretação e a integração dos preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Muito embora a Declaração aspire à universalidade do respeito pelos direitos fundamentais que consagra, a verdade é que, setenta anos depois da sua aprovação, ainda há milhões pessoas subjugadas por regimes totalitários.

Há pouco mais de um mês, a ONU divulgou uma lista de 38 países, que classificou como “vergonhosos”, que perseguem e exercem represálias sobre pessoas que colaboram com as Nações Unidas na promoção e protecção dos direitos fundamentais.

A defesa da dignidade da pessoa humana e dos direitos fundamentais é uma luta que nunca está ganha.

Pedro Gomes
14DEZ2018 – 105FM

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Pedro Gomes

UMA IGREJA NO MUNDO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES UMA IGREJA NO MUNDO

 

Há 53 anos, em 8 de Dezembro de 1965, Paulo VI encerrava o Concílio Vaticano II, convocado por João XXI.

O Concílio alterou a atitude da Igreja Católica perante um mundo em mudança: o propósito era o de “abrir a Igreja ao Mundo”, fazendo com que os sacerdotes e as estruturas eclesiásticas estivessem mais próximos das pessoas e dos seus problemas.

No encerramento dos trabalhos do Concílio, o Papa Paulo VI afirmava que “toda esta riqueza doutrinal orienta-se apenas para isto: servir o homem, em todas as circunstâncias da sua vida, em todas as suas fraquezas, em todas as suas necessidades”.

O Concílio proclama o homem como medida da acção da Igreja, defendendo a sua integridade, como corpo e alma, coração, inteligência e vontade (Gaudium et Spes).

Passados mais de cinquenta anos, os documentos conciliares continuam a ter uma enorme actualidade, ao preconizarem uma Igreja mais moderna, mais despojada dos bens materiais, mais simples na forma de contactar com as pessoas. Uma Igreja peregrina, que vá ao encontro das periferias: geográficas, físicas, económicas ou espirituais.

Ao longo do seu pontificado, o Papa Francisco pede à Igreja que não seja apenas uma Igreja aberta ao mundo, mas que se torne numa Igreja no mundo.

As novas evangelizações que Francisco propõe, significam que a Igreja tem de ser a voz dos que não são ouvidos, a consciência do mundo, quando multidões de indesejados são esquecidas pelos líderes mundiais e ignoradas nos telejornais, afirmando a verdade universal de que o homem, com a sua dignidade, tem de ser a medida de toda a acção humana.

A Igreja no mundo só pode ser uma Igreja despida de preconceitos, que não hesita em acolher de braços abertos todos os homens e mulheres, independentemente do seu credo religioso.

A poucos dias do Natal, em que a febre consumista tomou conta de todos os espaços comerciais e da nossa vida, é bom lembrar o valor dos pequenos gestos, das pequenas coisas que não têm o poder de mudar o mundo, mas que podem fazer a diferença junto dos que nos estão próximos.

A misericórdia é a coragem de acreditarmos de que somos capazes.

Pedro Gomes
7DDZ2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

MÚSICA PARA OS PÁSSAROS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES MÚSICA PARA OS PÁSSAROS

 

A Assembleia Legislativa discutiu as propostas de plano e de orçamento para 2019, apresentadas pelo Governo Regional dos Açores.

A meio da legislatura, o orçamento para 2019 não traz novidades, nem indicia uma mudança de estratégia do Governo Regional para fazer crescer a economia açoriana, diminuir a carga fiscal, fomentar o emprego ou combater a pobreza.

Num Governo de continuidade, o orçamento e o plano para 2019 são mais do mesmo.

O debate parlamentar revelou um Governo cansado, sem imaginação e incapaz de apresentar novas soluções para os desafios que se colocam à sociedade açoriana.

Desde 2008 – o último ano antes da crise – e até hoje, o PIB regional cresceu 12%, o rendimento disponível das famílias cresceu apenas 7% e os impostos aumentaram 35%.

Ao longo de dez anos, o Governo Regional não hesitou em continuar uma política de agravamento fiscal que apenas beneficia o orçamento regional.

O agravamento da carga fiscal, sem que o Governo Regional utilize as competências regionais para reduzir o IVA e o IRC, revela uma opção política muito clara: o Governo prefere penalizar as empresas e as famílias em seu favor.

Nestes dez anos, o IRC caiu 19%: um dado revelador da fragilidade do tecido empresarial regional, que não adquire músculo financeiro com os inúmeros programas de apoio para as empresas, anunciados em pacote em cada debate orçamental.

O prosseguimento da mesma estratégia por parte do Governo Regional tem como consequência que os Açores continuarão a marcar passo no desenvolvimento, no crescimento económico e na geração de riqueza.

O PIB regional é de cerca de 70% da média da União Europeia, quando o Governo Regional previa que ele fosse de 80% a 85% daquela média no final do actual quadro comunitário de apoio, em 2020.

As políticas erradas podem ser corrigidas, desde que haja vontade e capacidade para o fazer.

Uma taxa de desemprego de 8,2%, a elevada precariedade do emprego jovem ou o facto de 7,5% da população açoriana estar dependente do Rendimento Social de Inserção (RSI) exigiriam outras políticas.

O plano e o orçamento para 2019 não são uma boa notícia para os Açorianos. São apenas música para os pássaros.

Pedro Gomes
30NOV2018 – 105FM

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