Connect with us

Pedro Neves

“Eu não me conformo”

Pedro Neves

Publicado

|

PEDRO NEVES Eu não me conformo



Esta frase feita proferida por Vasco Cordeiro no congresso do PS, deveria ecoar para toda a eternidade, mas soou a um punhado cheio de nada.

Tal como a moção que acompanhou tal discurso, e que foi votada por unanimidade, demonstra que o mundo ilusório onde vivem não é de certeza o Açores real onde nos encontramos. Mas eu sinto a vergonha alheia de forma empática, e como tal consigo compreender a votação dos delegados, que se votassem contra provavelmente o seu emprego presente ou futuro, cessaria de imediato, tudo em nome da “convivência democrática e tolerante”, apanágio do PS benevolente.

A antevisão, tal como um filme de Hollywood, mostrava uma moção com visão direccionada para o futuro, irreverente e transformadora. Mas tal como quando começamos a ver um filme e as expectativas são altas devido à antevidência , arrependemo-nos logo de ter comprado o bilhete do cinema.

Nem uma palavra foi dita sobre as energias renováveis ou sobre o grande e novo flagelo que nos toca, a falta de água, consequência das alterações climáticas que nos assola de forma planetária.

Na semana passada, o governo, com a sua pompa conhecida, esteve presente na apresentação da nova fábrica que irá produzir carros eléctricos, com o cunho totalmente açoriano. Um motivo de orgulho e inovação, que apenas cai por terra quando contamos pelos nossos dedos a quantidade de carregadores existentes na nossa região. Ao invés de uma posição irreverente de um governo que se transmuta de forma jovial, apesar do cheiro bafiento, denota-se o conformismo e uma falta de visão periférica, não acompanhando startups inovadoras e pioneiras no território português.

Sobre a água, ou falta dela, a ausência de medidas e soluções após um período de seca severa na maioria das nossas ilhas, demonstra que o PS não vive na mesmo porção de terra do que nós. Em duas ilhas, tivemos a duas semanas de ficar sem água para consumo humano e animal, e o partido não acha relevância sequer em perder um parágrafo sobre o assunto. Falam do progresso e da criação de riqueza, palavras capitalistas usadas pela direita ou por governos com maioria absoluta. Criação de riqueza sem água é como dar uma fotografia de uma botija de oxigénio a uma pessoa que se está prestes a afogar.

As alterações climáticas estão para ficar, onde a nossa realidade já ultrapassou todos os cenários mais optimistas por parte de especialistas com renome mundial. Ter um governo, que se auto intitula como vanguardista e não ter planos de prevenção para providenciar um região baseada em sustentabilidade, soa sem dúvida a punhado cheio de nada. Ahh, mas vamos investir na indústria aeroespacial. Vamos todos viver para a lua e manifestar água apenas com o pensamento. Este congresso não foi criado para os açorianos mas sim para uma bolha ilusória cheia de ficção científica sem uma medida real que seja materializada.

Desculpem caros ouvintes pelo desabafo, mas quem não se conforma sou eu.

Pedro Neves

DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

Pedro Neves

Publicado

|

PEDRO NEVES DORES DE CRESCIMENTO- REFLEXÃO

 

Os Açores estão na boca do mundo!

Actualmente, os Açores fazem notícia em vários jornais e revistas regionais, nacionais e internacionais.

“Caraíbas do Atlântico” – Açores deslumbra New York Times. Que óptima notícia, pensam os mais incautos, mas fazendo uma deambulação pelos jornais aparecem outras menções aterradoras.

“Turismo de Portugal assume promoção do destino Açores” , “Associação de Turismo dos Açores suspeita de fraudes”. “Contestado perito que validou projeto de incineradora” “Quem quiser ver o que não se deve fazer no turismo nos Açores, vá a São Miguel dar uma voltinha no mês de Agosto”.

“Carlos César bate todos os recordes de compadrio”. Bom, esta última não está relacionada com o Turismo, mas é relevante para esta reflexão.

Os ouvintes podem perguntar aonde quero chegar com isto? Pois a mim parece-me simples, a visibilidade acrescida que os Açores assumem hoje na comunicação social demonstra claramente as dores de crescimento de um regime feudal, sem estratégia planeada.

Os Açores precisavam de sair da sua concha, dinamizar a sua economia…resumindo, crescer! Até posso concordar, mas a que custo e às custas de quem e do quê?!

A instabilidade estruturante que se assiste nos últimos anos, nos mais diversos sectores dos Açores é alarmante, como tenho vindo a denunciar. Mas sobe agora um novo patamar!

Falando especificamente no Turismo, é gritante o desnorte atualmente instaurado. O aumento desmensurado de turistas torna aliciante a procura de enriquecimento a todo o custo. Vai nascer na freguesia de Água d’Alto o maior hotel dos Açores com 580 camas, contrariando por completo o posicionamento de turismo de natureza para o nosso arquipélago.

Mas diz o Governo Regional que temos planos bem definidos. Sim, talvez seja verdade, temos o plano Estratégico e de Marketing do Turismo dos Açores que, embora bem escrito, não está a ser executado. Também parece que temos um Plano de ordenamento turístico, em revisão desde 2015. Sem aplicação aparente não passa de um verdadeiro desperdício de papel. Para que serviu tanta discussão, consultas públicas e pareceres?

Mais uma vez sentimo-nos como um hamster numa rodinha, sempre a esforçar-nos esperançosos, para nunca chegar a lado nenhum concretamente.

Mas anda tudo dormente? Quando é que nós acordamos e dizemos Basta de tanto despotismo!

Continuar a Ler

Pedro Neves

SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

Pedro Neves

Publicado

|

PEDRO NEVES SOBERANIA ALIMENTAR PRECISA-SE

 

Na semana passada foi aprovada a iniciativa do PAN na Assembleia da República para a transição para uma alimentação mais saudável e sustentável nas cantinas públicas, com recurso a produtos de agricultura local e biológica.

Através desta iniciativa legislativa, o PAN propôs que o Estado tenha por um lado uma intervenção pedagógica, mas também de incentivo ao consumo de alimentos de produção local e regional e em modo biológico, em cantinas e refeitórios da Administração Pública, central, regional ou local e dos Institutos Públicos.

Além da pedagogia e do incentivo para uma alimentação mais saudável, a escolha para produtos locais trava o possível desaparecimento das variedades regionais, dos sabores, dos princípios nutritivos e dos conhecimentos gastronómicos constitui uma ameaça à Segurança e à Soberania Alimentar. Isto porque os alimentos viajantes geram, não apenas uma crescente contaminação ambiental, como induzem à padronização e uniformização produtiva.

Nos Açores, parte dos produtos que são consumidos na região provêm de mercados externos. Tal situação leva a um desequilíbrio da balança comercial e fomenta economias de outros países. Com a actual conjuntura, os Açores ficam mais vulneráveis e expostos a circunstâncias continentais e internacionais, uma vez que se encontra demasiado dependente de mercados externos, e com isso, perde parte da sua autonomia, transferindo para economias externas riqueza fundamental para a economia regional.

O Governo Regional tem que fomentar a consciência ecológica e sensibilizar a população para uma alimentação saudável, com base em alimentos produzidos sem prejudicar o ambiente. Além de que é fundamental para um futuro mais sustentável, do ponto de vista ambiental, económico e social. O actual sistema de produção, distribuição e consumo de alimentos não satisfaz as necessidades presentes e futuras porque é incapaz de alimentar toda a população e depende demasiado de energia proveniente de combustíveis fósseis, químicos, transportes de longa distância e mão-de-obra barata.

Temos oportunidade de implementar benefícios fiscais para empresas que compram localmente conseguindo diminuir o peso de dependência externa que vive a economia açoriana, promovendo de igual modo uma dinâmica económica de proximidade, na qual se privilegiam empresas que criam um mercado interno, gerando desse modo mais postos de trabalho, menos impacto ecológico e por consequência, uma maior prosperidade regional.
Já para não falar da autossuficiência alimentar que daria à região a tão independência para uma verdadeira autonomia açoreana.

Pretende-se a mesma mudança nos Açores e que ocorra uma discriminação positiva deste tipo de produtos em detrimento dos que comprovadamente provocam efeitos nefastos na saúde das pessoas. Uma alimentação que tem por base uma alimentação biológica de origem vegetal tem benefícios comprovados na saúde, sendo uma obrigação do Governo Regional promover as melhores soluções para os açoreanos.

Continuar a Ler

Pedro Neves

“Se quisermos fazer parar os Açores, fazemos parar os Açores”

Pedro Neves

Publicado

|

PEDRO NEVES SE QUISERMOS FAZER PARAR OS AÇORES, FAZEMOS PARAR OS AÇORESA

 

Bem sei que já falei deste assunto em outras paragens, mas esta declaração ecoa na minha cabeça desde 24 de Fevereiro, dia que foi proferida.

O Presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou que, além de considerar a necessidade de abater “10 mil cabeças de gado” a partir de Maio, garatujou na mesma semana que se sentir-se ameaçado e lhe apetecer, faz parar os Açores.

Não sei qual das afirmações a pior, se a dissonância de usar a morte como ferramenta pérfida de controlo da população animal com o propósito estratégico de aumentar o preço do litro de leite, ou por mostrar indícios fortes de megalomania pela crença que pode parar os Açores. Se por mero lisonjeio eu equacionar que a esta pessoa tem esse poder , essa afirmação esgrimida será inversamente compatível com o propósito cooperativista com a comunidade que pretende ajudar. E já agora, quem lhe deu esse poder feudal?

Devíamos esperar e insistir que houvesse alta qualidade de liderança governamental na nossa região, com uma tendência notória contra o feudalismo de cargos de autoridade ou influência social, demonstrando que só ao expressar os mais altos ideais, morais e valores de convivência que representam é que chegamos a uma harmonia societal.

Mas não é o caso, o representante desta federação está impregnado nos meandros da política açoriana, ousando afirmar que pretende abater 10 mil seres vivos apenas por uma nuance economicista e ninguém escrevinhar absolutamente nada, somente existindo um “temos que ir com calma” do Secretário Regional da Agricultura e Florestas.

Mas vamos a factos. O Valor Acrescentado Bruto (VAB) referente à agricultura (pecuária) e pescas desce já há dois anos consecutivos, passando de 9,8% em 2014, para 9,5% em 2015 e para 8,9% em 2016, diminuindo por consequência a sua contribuição para a evolução económica dos Açores. Apesar deste dados, faz-se uma enfatização que a pecuária é o motor hegemónico da região, quando está longe de o ser, apesar da sua pretensão. Contudo, os políticos tremem como varas verdes numa perfeita submissão a cada sopro dado por esta federação.
Verifica-se essa tendência vassálica dos nossos governantes à feudalidade do sector aquando a apresentação do orçamento regional de 2019, com 173 milhões de euros para a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas contrastando com os 67 milhões de euros para a Secretaria Regional da Educação e Cultura e dos miserentos 45 milhões de euros para a Saúde.

O turismo, sector que registou o maior crescimento do VAB durante 3 anos consecutivos, foi orçamentado unicamente com 55 milhões, repartido ainda pelo Ambiente e Energia da mesma secretaria. O Governo não acha fundamental um investimento mais robusto para o único sector com um crescimento económico considerável para a região e que empregou em dois anos mais de 1300 pessoas. A pecuária, além de ter perdido mais de 500 postos de trabalho, ainda tenta arruinar o crescimento emergente do turismo, querendo mostrar um imagem externa dos Açores totalmente distorcida, devido à prepotência e às afirmações pouco medidas de quem representa a federação agrícola regional.

Já estou a imaginar o mote publicitário para 2019:
Venha visitar os Açores! Com sorte pode adquirir o pacote turístico Mar/Terra, que consiste em observar as baleias no seu habitat natural e no mesmo dia ver o espectáculo dantesco da morte de 10 mil vacas felizes. Se tiver azar, as nossas portas poderão estar fechadas sem aviso prévio e por tempo indeterminado até ordens superiores, mais concretamente do Sr. Presidente da Federação Agrícola do Açores. Obrigado e volte sempre, mas só se ele quiser.”

Pedro Neves

Continuar a Ler

+ Populares