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Pedro Gomes

O CONGRESSO DA INTRANQUILIDADE

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES O CONGRESSO DA INTRANQUILIDADE



O PS/Açores reúne-se em congresso este fim-de-semana na Praia da Vitória, consagrando Vasco Cordeiro como seu presidente e confirmando-o como candidato às eleições regionais de 2020.

O Presidente do PS é o primeiro subscritor duma moção de estratégia global, que afirma o PS como um “partido da autonomia, da estabilidade política e da afirmação dos Açores no plano nacional e internacional”.

Se afirmações deste género não surpreendem, pois fazem parte da linguagem própria das moções de estratégia que os líderes partidários apresentam nos congressos, já o tom político que Vasco Cordeiro utilizou na apresentação pública da moção é surpreendente.

O líder do PS, que é também Presidente do Governo Regional dos Açores, exibiu um claro desconforto com algumas áreas da governação socialista, em particular no que respeita à educação.

Quando a moção que Vasco Cordeiro subscreve afirma, por exemplo, que o objectivo central da política de educação “deve ser, em absoluto, o aluno e o seu sucesso” e que isso implica “uma mudança de mentalidades” é impossível não interpretar esta frase como o reconhecimento do fracasso das políticas educativas nos últimos anos.

O Presidente do PS/Açores não está confortável com os resultados alcançados na área da educação, que já tinham objecto de especial destaque no anterior congresso regional do PS.

Enquanto Presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro já demonstrou que encara as remodelações governamentais com naturalidade. Creio que o congresso do PS será a antecâmara de uma próxima remodelação governamental que atingirá, pelo menos, o Secretário Regional da Educação.

Este congresso assinala o começo da segunda metade da legislatura, numa altura em que o PSD se prepara para eleger um novo líder, o que tornará o combate político mais intenso, com três actos eleitorais até 2020.

Quanto à reforma da autonomia, Vasco Cordeiro defende a extinção do cargo de Representante da República e a atribuição das suas competências ao Presidente do Governo Regional, numa inusitada presidencialização do sistema de governo regional, concentrando no chefe do governo o poder executivo e o poder moderador – aquele que que é exercido quanto ao controlo da legalidade e da constitucionalidade das leis regionais.

A presidencialização do sistema de governo é uma péssima solução.

Pedro Gomes
14SET2018 – 105 FM

Pedro Gomes

THE SHOW MUST GO ON

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES THE SHOW MUST GO ON

 

As eleições para o Congresso dos Estados Unidos, na passada terça-feira, saldaram-se por um empate, se é que podemos utilizar esta expressão: o Partido Republicano continua a dominar o Senado e o Partido Democrata conquistou a maioria dos assentos na Câmara dos Representantes.

As designadas eleições intercalares, por ocorrerem a meio do mandato presidencial, repuseram o sistema de checks and balances, característico da política norte-americana.

Nem o Presidente Donald Trump sofreu uma pesada derrota, nem os democratas conquistaram uma maioria avassaladora na câmara baixa do Congresso.

A vitória dos democratas pode permitir restabelecer equilíbrios políticos entre o Congresso e a Casa Branca, no plano legislativo, mas irá radicalizar as relações entre o Presidente e a Câmara dos Representantes, tendo como horizonte as próximas eleições presidenciais de 2020.

As questões políticas que polarizaram o debate destas eleições, como a economia, a política fiscal ou o endurecimento no controlo da imigração, não tiveram uma resposta unívoca por parte do eleitorado, como os resultados eleitorais demonstram.

Quando se olha para o mandato do Presidente Trump, é normal dizer-se que ele não consegue unir a América. Porém, o Presidente americano usa a divisão nos Estados Unidos como estratégia política, radicalizando o discurso quanto a valores e comportamentos.

A sociedade americana está dividida e polarizada quanto ao papel das minorias ou dos imigrantes, à dimensão das prestações sociais por parte do Estado federal, ao papel das elites ou à liberdade de expressão.

O extremar de posições entre republicanos e democratas, com estes a assumirem um discurso mais à esquerda, conduziu à desertificação do centro político e a um acentuar da presidencialização do sistema político norte-americano.

O jogo político mudou nos Estados Unidos com estas eleições. Resta saber em que sentido.

Pedro Gomes
08NOV2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

A COMPANHIA DOS LIVROS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES A COMPANHIA DOS LIVROS

 

Hoje, ao fim do dia, é lançado na Livraria Solmar, em Ponta Delgada, o primeiro volume da nova colecção das obras completas de Vitorino Nemésio, numa edição conjunta da Companhia das Ilhas e da Imprensa Nacional Casa da Moeda.

O primeiro volume é dedicado à poesia de Vitorino Nemésio, no período compreendido entre 1916 e 1940, seguindo-se outros quinze volumes, cobrindo a produção literária de teatro, ficção, crónica, diário e ensaio.

Esta nova edição da obra de um dos mais importantes escritores açorianos merece destaque por permitir o acesso à sua obra, já há muito esgotada, agora numa edição de enorme bom gosto estético.

As obras completas de Nemésio, que agora estão à disposição dos leitores, têm uma tripla matriz açoriana: a do escritor açoriano, criador do conceito de açorianidade, em 1932, a do coordenador editorial e científico, Luiz Fagundes Duarte e a da editora, Companhia das Ilhas.

Carlos Alberto Machado e a sua editora, Companhia das Ilhas, têm o enorme mérito de associar a Imprensa Nacional Casa da Moeda a esta edição, permitindo que os leitores possam redescobrir uma obra singular na literatura açoriana e portuguesa.

Com sede na ilha do Pico, a Companhia das Ilhas prova – uma vez mais – que a distância geográfica em relação a Lisboa e à sua centralidade cultural pode ser vencida com determinação, motivação e uma enorme vontade de demonstrar que uma pequena editora, dos Açores, pode editar um grande escritor.

A insularidade e a dupla insularidade que Nemésio tão bem descreveu no “Corsário das Ilhas” não impediu que a Companhia das Ilhas vencesse as barreiras da geografia, as limitações da distância, provando que a cultura não tem fronteiras.

A Companhia da Ilhas, numa associação prestigiante, comprova que continua a haver mercado para a grande literatura e que a pequena dimensão dos editores não pode ser entendida como factor de exclusão.

O poder público regional deveria adoptar políticas culturais de promoção da edição, divulgação e venda de livros, através dos pequenos livreiros e das pequenas editoras, como forma de permitir o acesso generalizado aos livros por parte de todos os açorianos, em todas as ilhas, e de assegurar a divulgação da literatura açoriana fora dos Açores.

Falando da sua biblioteca, Alberto Manguel, dizia que os “livros mais preciosos para mim eram aqueles a que eu fazia associações pessoais”.

Olhando para este belíssimo exemplar, saúdo a Companhia das Ilhas pela coragem editorial que revelou, numa ousadia que faz jus à coragem e vontade dos baleeiros do Pico.

Pedro Gomes
2NOV2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

O PREÇO DO ÓDIO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES O PREÇO DO ÓDIO



Há uma inegável tensão na política americana, contaminada pelo estilo do Presidente Donald Trump, que se estende à vida social.

Em três dias, várias personalidades da vida norte-americana ligadas ao Partido Democrata, incluindo o antigo Presidente Barack Obama e a antiga Secretária de Estado, Hillary Clinton, receberam pacotes com engenhos explosivos de fabrico artesanal.

Esta acção concertada acontece apenas a duas semanas das eleições para o Congresso, que são importantes para as aspirações do Partido Democrata e do Partido Republicano nas eleições presidenciais de 2020.

Perante a coincidência de que os alvos dos pacotes-bomba eram apenas figuras ligadas ao Partido Democrata e à CNN, vários dirigentes deste partido não hesitaram em denunciar um “clima de ódio”, insinuando que a conduta do Presidente Trump é responsável pelo clima que a sociedade norte-americana atravessa.

A reacção de Donald Trump a estes actos foi de contida condenação, num primeiro momento, para, num segundo momento e já num comício eleitoral, brincar com a situação e atacar – uma vez mais – os jornalistas, em particular os jornalistas da CNN, que cobrem a campanha eleitoral.

Ainda não se conhecem os autores destes atentados, nem a sua motivação, desconhecendo-se mesmo se estamos perante actos de terrorismo interno ou de outra qualquer forma de terrorismo.

Actos de violência desta natureza são condenáveis e não podem ser tolerados.

Nenhuma razão política ou pessoal pode justificar o recurso a esta forma de violência e de intimidação.

A democracia não sobrevive sem liberdade de imprensa e sem meios de comunicação social livres, que possam controlar o exercício dos vários poderes da sociedade e o desempenho de cargos públicos.

O Presidente dos Estados Unidos está errado ao fomentar um permanente clima de crispação social que conduz ao ódio entre sectores da sociedade e da vida política norte-americana, como está errado em atacar a imprensa e os seus profissionais, quando o exercício da liberdade de imprensa lhe desagrada.

Como escreveu Alexis de Toqueville, “em matéria de imprensa não há, pois, meio-termo entre servidão e licença. Para colher os bens apreciáveis que a liberdade de imprensa assegura, é preciso saber submeter-se aos males inevitáveis que ela faz nascer”.

Condenar estes ataques, que visaram, também, uma estação de televisão planetária, é defender a liberdade de imprensa e dos seus profissionais.

A política do medo não pode vencer a democracia.

Pedro Gomes
26OUT2018 – 105 FM

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