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Pedro Gomes

MAIS UMA COMISSÃO, MAIS UMA VOLTINHA

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES MAIS UMA COMISSÃO, MAIS UMA VOLTINHA



Na semana em que o futebol regressa em força, com o início do campeonato nacional e os primeiros jogos de pré-qualificação para a Champions, eis que o Conselho de Ministros decide criar mais uma Alta Autoridade, desta vez para combater a violência no desporto.

Segundo o comunicado oficial da reunião do Conselho de Ministros, esta nova entidade será responsável “pelo cumprimento do regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos”.

Perante os últimos casos de violência no desporto, envolvendo atletas e equipas dos primeiros escalões das competições desportivas, o Governo reage da forma habitual: cria uma comissão – neste caso uma Alta Autoridade – e anuncia mudanças legislativas, como se a prevenção das condutas violentas no desporto ou a sua repressão dependesse duma autoridade administrativa e de mudanças legislativas.

Possivelmente esta Alta Autoridade irá envolver-se em discussões teóricas sobre os limites das suas competências com outra estrutura já existente: a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação no Desporto.

Quanto ao resto será o costume: teremos novas leis e continuaremos com más práticas e sem muita vontade de aplicar as boas soluções legislativas já existentes.

O Governo e as estruturas desportivas – algumas até com estatuto de utilidade pública – evitam sempre ter mão pesada perante comportamentos violentos em eventos desportivos. A cultura do laxismo estendeu-se ao problema da violência desportiva, perante a indiferença de todos.

Estou muito céptico em relação a esta comissãozinha, às suas competências e às medidas legislativas anunciadas com a pompa e a circunstância de Verão.

Não sou cultor de condutas repressivas, como forma sistemática de combate à criminalidade, mas defendo uma intervenção exemplar do Estado e das estruturas desportivas em relação aos espectadores, adeptos ou clubes envolvidos em situações de violência desportiva.

Não falo apenas da violência mais visível, que abre os telejornais e faz manchete nos jornais, mas também da outra, que ocorre ao nível dos escalões de formação e é protagonizada por espectadores ou por pais dos atletas mais jovens.

Para dar um exemplo, refiro o facto de, no ano passado, mais de metade das agressões a árbitros de futebol teve como alvo os jovens árbitros, com menos de 18 anos, que apitam escalões de formação.

Estas agressões não foram notícia, mas aconteceram e deixaram marcas.

Mais uma voltinha e ficou tudo na mesma.

Pedro Gomes
10AGO2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

OS DIAS DE AMANHÃ

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES OS DIAS DE AMANHÃ



As alterações climáticas não provocaram os incêndios florestais, mas induziram um conjunto de mudanças qualitativas no modo como estes fenómenos acontecem e se propagam, com as consequências trágicas que todos conhecemos.

Marc Castellnou e Alejandro Garcia, especialistas em incêndios florestais, escreveram um texto no El País, no qual defendem que os incêndios que devastaram Portugal em 2017, são incêndios de “sexta geração”, nos quais se combinam alterações climáticas e monoculturas florestais, geradoras de enormes quantidades de biomassa que tornam os incêndios incontroláveis através dos dispositivos de combate aos incêndios de natureza convencional.

Em 2017, Portugal registou o recorde absoluto de área ardida por hora – 14.000 hectares.

Para além dos aspectos específicos do dispositivo de combate a incêndios, as alterações climáticas colocam aos decisores políticos e à sociedade novos desafios, com respostas que tardam ou sucumbem perante a urgência ou inconveniência da agenda política.

O ambiente e as questões ambientais têm lugar garantido nos discursos oficiais, sem a desejada tradução ao nível de políticas e medidas legislativas eficazes.

Falta coragem aos decisores políticos para tomarem medidas – algumas delas impopulares, reconheço – que tenham por objectivo proteger o ambiente e deixar aos nossos filhos um planeta melhor.

A gestão negociada das decisões políticas entre os vários actores sociais – a nível internacional, nacional ou mesmo regional, na dimensão das nossas ilhas – conduz a resultados ineficazes e a medidas meramente paliativas que não satisfazem o bem comum.

As políticas públicas na área do ambiente estão capturadas pelos mais diversos interesses económicos ou eleitorais.

No caso dos Açores, a situação torna-se mais delicada, quando os frágeis ecossistemas das ilhas são abalados pela pressão dos fluxos turísticos, pelo uso desmedido do plástico, pelo aumento da produção de resíduos sólidos urbanos, pela expansão da construção ou da instalação de indústrias poluentes ou pela tentação económica da exploração imediata do mar profundo.

Não basta amar estas ilhas para que elas fiquem protegidas.

Precisamos de políticas de protecção do ambiente de nova geração, que utilizem todas as competências legislativas da autonomia regional, incluindo as referentes aos poderes tributários, para defender e proteger estas ilhas e o seu equilíbrio ecológico.

Precisamos de políticos com uma nova visão e uma nova ambição.

Pedro Gomes
03AGO2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

EINSTEIN TINHA RAZÃO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES EINSTEIN TINHA RAZÃO



Uma equipa internacional, integrando astrofísicos portugueses, acaba de comprovar, pela primeira vez, a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, quanto aos buracos negros supermassivos, após 26 anos de observações astronómicas.

Para chegar a esta conclusão, a equipa utilizou o buraco negro supermassivo mais próximo da terra, no centro da Via Láctea.

Mais de cem anos após a publicação do seu artigo, em que enunciava a Teoria da Relatividade Geral, provou-se que Einstein estava certo, com recurso a medições da posição e velocidade duma estrela do tipo S2, quando passou pelo ponto mais próximo deste buraco negro, a uma distância de 20 mil milhões de quilómetros e a uma velocidade superior a 25 milhões de quilómetros por hora.

Em 1915, Albert Einstein enunciava a sua Teoria colocando em causa a física clássica, numa ruptura com o pensamento dominante, assente nos ensinamentos de Newton.

Einstein, sem dispor dos sofisticados telescópios e dos instrumentos de medição dos tempos modernos, elaborou uma nova teoria da gravidade, como uma propriedade geométrica do espaço e do tempo, ou espaço-tempo.

As distâncias e a velocidade dos astros surpreendem a nossa capacidade de imaginação e perturbam o nosso sentido das proporções.
Tudo é enorme, distante e gigantesco.

O universo por cima das nossas cabeças não pára de nos desafiar.

Nestes dias, sentimos o peso da nossa pequenez universal ao olharmos os milhões de estrelas que povoam a abóboda celeste.
É inevitável perguntarmos: seremos os únicos seres vivos no universo?

Acreditamos que sim, mas não temos a certeza, pois todas as respostas que a ciência e o conhecimento nos dão, são provisórias por definição.

Nenhuma certeza é inabalável e todas as teorias são aceites, até serem colocadas em causa. Este é o espírito da ciência e do espírito científico: tudo é provisório e nada pode ser tomado como definitivo.

Esta noite, ao olharmos o céu da lua de sangue – numa noite em que o eclipse total da lua será o mais longo do século XXI – sentiremos esta pequenez universal, que não nos intimida ou impede de apreciarmos o esplendor da luz que vence as sombras, com Marte a brilhar intensamente, como um luzeiro no céu.

Como os Xutos cantaram uma vez, “não sou o único a olhar o céu”.

Pedro Gomes
27JUL2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

UMA LEI TARDIA

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES UMA LEI TARDIA



O parlamento açoriano aprovou, esta semana, um decreto legislativo regional que aumenta de 16 para 18 anos a idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas nos Açores.

A proposta do Governo Regional – apoiada pela maioria do PS no parlamento – surge com o pretexto de que esta medida está inserida num designado “Plano de Acção para a Redução dos Problemas Ligados ao Álcool” de iniciativa governamental.

A elevação da idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas é uma boa medida, mas que peca por ser tardia.

Em 2008, enquanto Deputado e conjuntamente com os Deputados José Manuel Bolieiro e Alberto Pereira, tive a oportunidade de subscrever e de defender uma proposta que elevava a idade mínima do consumo de bebidas alcoólicas nos Açores para os 18 anos, numa iniciativa arrojada e pioneira a nível nacional.

Já na altura, os Açores batiam recordes nacionais de consumo de bebidas alcoólicas, especialmente entre os mais jovens.
O PS chumbou a proposta, sem apelo nem agravo, com argumentos de circunstância.

A 1 de Julho de 2015, a idade mínima para o consumo de bebidas alcoólicas é elevada para 18 anos, em todo o território nacional, com excepção dos Açores.

Teimosa e absurdamente, perante um acentuado consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens nos Açores – confirmado por todas as estatísticas oficiais – o Governo Regional e a sua maioria parlamentar mantiveram a velha lei regional.

Durante três anos, o Governo Regional permaneceu insensível aos apelos da sociedade, dos pais, educadores e das instituições que combatem este tipo de dependências e de comportamentos aditivos, para alterar a lei, fingindo que o problema não existia.

Agora, a maioria socialista diz apenas que mudou de opinião.

É pobre como justificação e insuficiente como explicação aos açorianos.

Os Açores perderam dez preciosos anos na batalha contra o consumo de álcool.

As competências legislativas da Região devem ser utilizadas para dar respostas concretas aos problemas dos Açorianos e não como cortina de fumo para esconder a inércia e a incompetência.

Estou farto de ver a autonomia dos Açores ser usada para adoptar medidas legislativas que pioram a vida das pessoas, das empresas e das instituições, em vez de a melhorarem.

Chega de fingimento!

Pedro Gomes
20JUL2018 – 105 FM

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