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Paulo Casaca

Memórias e tradições da ilha do Corvo

Paulo Casaca

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PAULO CASACA Memórias e tradições da ilha do Corvo

 

Chegou-me este Verão a Bruxelas o livro “As Memórias e Tradições da ilha do Corvo”, da autoria de Fernando Pimentel. É a ocasião para eu abraçar as memórias de quem lá vive, casá-las com as minhas, recordar e sonhar com a próxima viagem, reencontro e alargamento às gerações futuras de algo que é tão profundamente parte de mim.

Como o autor nos descreve, o Corvo é o Espírito Santo, esse monumento a tudo o que de melhor já vi a religião conceber, com surpreendentes marcas singulares de identidade que nos ajudam a entender um pouco mais do percurso do culto que simboliza os Açores.

A construção política corvina, ‘a democracia cristã de lavradores’ de que nos falou Raul Brandão, é aqui explicada como a comunidade dominada pelo Outeiro e os seus mecanismos de decisão e comunicação, conjugando o comunitário e o privado na gestão do baldio, organizando o dia da lã ou a partilha do porco.

Não se trata da receita universal para a harmonia que proscreve o conflito, como o autor nos exemplifica com a eclosão de filarmónicas rivais que se confrontam duramente, influenciadas por conflitos de gerações e por lógicas políticas, antes de encontrarem uma solução de consenso.

Passa-se em revista a preciosa monografia da produção e uso da lã, do vocabulário local, da moagem, da culinária, das práticas agrícolas, da pequena e da grande história que fazem a história e a identidade do Corvo.
Muitos parabéns ao autor e um convite a todos que nos ouvem para a leitura do texto e contemplação das expressivas fotografias das ‘Memórias e tradições da ilha do Corvo’.

Bruxelas, 2018-08-02
Paulo Casaca

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Paulo Casaca

Um POEMA a preservar

Paulo Casaca

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PAULO CASACA Um POEMA a preservar



Portugal acordou tarde para a possibilidade aberta pela lei dos mares das Nações Unidas de estender direitos de soberania no subsolo marinho para lá das suas 200 milhas. Apesar de contar com uma das maiores áreas económicas marinhas do mundo, Portugal está em número 44 para ver as suas pretensões apreciadas.

As autoridades começaram por acenar demagogicamente com a miragem de fabulosas riquezas submarinas para fazer esquecer a cedência do mar dos Açores à frota espanhola e, no âmbito do Tratado de Lisboa, a entrega às instituições europeias da competência exclusiva na pesca.

A avidez tornou-se tão grande, que as autoridades nacionais resolveram, já em 2014, retirar das suas regiões autónomas a competência para ordenar a futura expansão do seu espaço submarino, que no momento em que vos falo, não se sabe ainda se e quando existirá.
No centro do drama burocrático, foi colocado à discussão pública um denominado ‘Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional’ que irá substituir o plano de ordenamento marítimo e em que o mar dos Açores faz de gato de Schrödinger: está e não está presente.

O plano foi chumbado pelo Instituto da Conservação da Natureza mas continua o seu caminho esperando-se que em data incerta venha a ser acrescentado do seu capítulo açoriano intitulado de ‘subdivisão dos Açores’ criando um ainda mais impronunciável acrónimo em substituição do POEMA, o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo dos Açores.

E se tratássemos antes de preservar e completar o POEMA? Cumprindo todos os requisitos pedidos por outros mas acima de tudo olhando para a preservação, reabilitação e ordenamento do mar dos Açores. Respondendo a tudo o que são responsabilidades regionais, mas não deixando de apontar para o que depende de acções de outras latitudes e também noutros domínios.

Bruxelas, 2018-08-02
Paulo Casaca

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Paulo Casaca

SOLIDARIEDADE!

Paulo Casaca

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PAULO CASACA SOLIDARIEDADE!



Agradeço à rádio 105FM o convite que me dirigiu para retomar um contacto mediático com os açorianos, convite que aceitei com imenso gosto.

Tentarei fazer destas crónicas semanais apontamentos ligeiros na forma, mas significativos no conteúdo, e muito vos agradeço quaisquer reparos, conselhos ou questões que me queiram colocar aos mesmos.

E neste dia de Verão, as minhas primeiras palavras vão inteiramente para os nossos queridos cocidadãos europeus que pereceram no inferno das chamas da Ática, para as famílias enlutadas, para as comunidades profundamente abaladas, e isto porque nada há de mais essencial na nossa condição humana do que o sentimento de solidariedade, da transcendência da nossa realidade pessoal, e isto é assim em todas as dimensões e também na europeia.

Há momentos para tudo, mas o momento presente tem de ser o de dizer que não é possível qualquer construção humana que não tenha como sua primeira pedra, a pedra da solidariedade, e da mesma maneira que saudei os bombeiros da Povoação que acudiram o ano passado ao desastre das chamas do Continente, espero poder saudar em Portugal, e em toda a Europa, manifestações inequívocas de fraternidade com as vítimas gregas.

Assinalámos há poucos dias os 20 anos do sismo que abalou o Faial. A tragédia era ainda recente e a reconstrução mal tinha começado quando me lancei na minha primeira campanha eleitoral europeia e percorri toda a ilha, assim como a Criação Velha e outros locais atingidos na ilha do Pico. Fiquei profundamente impressionado, e jurei que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que a Europa estivesse presente nessa reconstrução.

Foi um dos muitos combates em que não consegui o essencial do que pretendia e que passou despercebido aqui nos Açores, porque o perdi no seio do grupo socialista e – dado que sempre levei muito a sério a palavra solidariedade, mesmo no âmbito partidário – não tornei público então nada do que se passou.

Anos depois, tanto o Presidente da Comissão dos Orçamentos, o socialista inglês Terry Wynn, como o porta-voz socialista na mesma comissão, o alemão Ralf Walter, fizeram questão de me acompanhar em deslocações à ilha do Faial e dizer-me que eu tinha tido razão e não eles, e disseram-me que finalmente o meu combate não tinha sido perdido e a mensagem tinha passado.

Mais tarde ainda, quando estava prestes a abandonar o Parlamento Europeu, recebi uma chamada pessoal do antigo comissário Michel Barnier – na altura o responsável pelo desenvolvimento regional a quem eu massacrei com insistentes pedidos para fazer um programa especial de reconstrução do Faial – a falar-me da sua admiração pelo meu combate e a pedir-me para ser o seu porta-voz no PE do seu projecto de força de protecção civil europeia.

É um combate que nem eu nem ele por razões diversas pudemos prosseguir, mas que era bom que fosse retomado. Em memória de muitos mas sobretudo em atenção ao futuro de muitos mais.

Bruxelas, 2018-07-25
Paulo Casaca

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