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Pedro Gomes

EINSTEIN TINHA RAZÃO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES EINSTEIN TINHA RAZÃO



Uma equipa internacional, integrando astrofísicos portugueses, acaba de comprovar, pela primeira vez, a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, quanto aos buracos negros supermassivos, após 26 anos de observações astronómicas.

Para chegar a esta conclusão, a equipa utilizou o buraco negro supermassivo mais próximo da terra, no centro da Via Láctea.

Mais de cem anos após a publicação do seu artigo, em que enunciava a Teoria da Relatividade Geral, provou-se que Einstein estava certo, com recurso a medições da posição e velocidade duma estrela do tipo S2, quando passou pelo ponto mais próximo deste buraco negro, a uma distância de 20 mil milhões de quilómetros e a uma velocidade superior a 25 milhões de quilómetros por hora.

Em 1915, Albert Einstein enunciava a sua Teoria colocando em causa a física clássica, numa ruptura com o pensamento dominante, assente nos ensinamentos de Newton.

Einstein, sem dispor dos sofisticados telescópios e dos instrumentos de medição dos tempos modernos, elaborou uma nova teoria da gravidade, como uma propriedade geométrica do espaço e do tempo, ou espaço-tempo.

As distâncias e a velocidade dos astros surpreendem a nossa capacidade de imaginação e perturbam o nosso sentido das proporções.
Tudo é enorme, distante e gigantesco.

O universo por cima das nossas cabeças não pára de nos desafiar.

Nestes dias, sentimos o peso da nossa pequenez universal ao olharmos os milhões de estrelas que povoam a abóboda celeste.
É inevitável perguntarmos: seremos os únicos seres vivos no universo?

Acreditamos que sim, mas não temos a certeza, pois todas as respostas que a ciência e o conhecimento nos dão, são provisórias por definição.

Nenhuma certeza é inabalável e todas as teorias são aceites, até serem colocadas em causa. Este é o espírito da ciência e do espírito científico: tudo é provisório e nada pode ser tomado como definitivo.

Esta noite, ao olharmos o céu da lua de sangue – numa noite em que o eclipse total da lua será o mais longo do século XXI – sentiremos esta pequenez universal, que não nos intimida ou impede de apreciarmos o esplendor da luz que vence as sombras, com Marte a brilhar intensamente, como um luzeiro no céu.

Como os Xutos cantaram uma vez, “não sou o único a olhar o céu”.

Pedro Gomes
27JUL2018 – 105 FM

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70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES 70 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

 

A 10 de Dezembro de 1948, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), aprovou e proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Com o fim da II Guerra Mundial e a criação da Nações Unidas, os líderes mundiais decidiram complementar a Carta das Nações com um documento que assegurasse os direitos fundamentais, garantindo que o mundo não voltaria a assistir à violação dos direitos humanos, como sucedeu durante a guerra, em especial com o regime nazi.

É criada uma Comissão de Direitos Humanos, presidida por Eleanor Roosevelt, viúva do Presidente Franklin D. Roosevelt, cujo papel foi determinante na elaboração do texto da Declaração.

A aprovação da Declaração Universal, num mundo ainda dilacerado pelos horrores da II Guerra Mundial, tem um profundo significado político, pois o seu artigo primeiro refere que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”.

A dignidade pessoal e a igualdade adquirem um novo estatuto, que o direito internacional se encarrega de impor aos Estados que subscreveram a Declaração ou que a ela aderiram posteriormente.

Esta Declaração foi aprovada há setenta anos, para que os “seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria” e para que os homens e as mulheres “não sejam compelidos, em supremo recurso, contra a tirania e opressão”.

Os direitos que a Declaração consagra foram recolhidos em diversas fontes normativas anteriores; a novidade reside no facto de, pela primeira vez, um catálogo de direitos fundamentais ter assento num texto internacional que, não sendo um tratado do ponto de vista jurídico-formal, ainda assim condiciona a actuação dos Estados, impelindo-os a respeitarem aqueles direitos.

No caso português, o artigo 16º da Constituição impõe a interpretação e a integração dos preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Muito embora a Declaração aspire à universalidade do respeito pelos direitos fundamentais que consagra, a verdade é que, setenta anos depois da sua aprovação, ainda há milhões pessoas subjugadas por regimes totalitários.

Há pouco mais de um mês, a ONU divulgou uma lista de 38 países, que classificou como “vergonhosos”, que perseguem e exercem represálias sobre pessoas que colaboram com as Nações Unidas na promoção e protecção dos direitos fundamentais.

A defesa da dignidade da pessoa humana e dos direitos fundamentais é uma luta que nunca está ganha.

Pedro Gomes
14DEZ2018 – 105FM

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UMA IGREJA NO MUNDO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES UMA IGREJA NO MUNDO

 

Há 53 anos, em 8 de Dezembro de 1965, Paulo VI encerrava o Concílio Vaticano II, convocado por João XXI.

O Concílio alterou a atitude da Igreja Católica perante um mundo em mudança: o propósito era o de “abrir a Igreja ao Mundo”, fazendo com que os sacerdotes e as estruturas eclesiásticas estivessem mais próximos das pessoas e dos seus problemas.

No encerramento dos trabalhos do Concílio, o Papa Paulo VI afirmava que “toda esta riqueza doutrinal orienta-se apenas para isto: servir o homem, em todas as circunstâncias da sua vida, em todas as suas fraquezas, em todas as suas necessidades”.

O Concílio proclama o homem como medida da acção da Igreja, defendendo a sua integridade, como corpo e alma, coração, inteligência e vontade (Gaudium et Spes).

Passados mais de cinquenta anos, os documentos conciliares continuam a ter uma enorme actualidade, ao preconizarem uma Igreja mais moderna, mais despojada dos bens materiais, mais simples na forma de contactar com as pessoas. Uma Igreja peregrina, que vá ao encontro das periferias: geográficas, físicas, económicas ou espirituais.

Ao longo do seu pontificado, o Papa Francisco pede à Igreja que não seja apenas uma Igreja aberta ao mundo, mas que se torne numa Igreja no mundo.

As novas evangelizações que Francisco propõe, significam que a Igreja tem de ser a voz dos que não são ouvidos, a consciência do mundo, quando multidões de indesejados são esquecidas pelos líderes mundiais e ignoradas nos telejornais, afirmando a verdade universal de que o homem, com a sua dignidade, tem de ser a medida de toda a acção humana.

A Igreja no mundo só pode ser uma Igreja despida de preconceitos, que não hesita em acolher de braços abertos todos os homens e mulheres, independentemente do seu credo religioso.

A poucos dias do Natal, em que a febre consumista tomou conta de todos os espaços comerciais e da nossa vida, é bom lembrar o valor dos pequenos gestos, das pequenas coisas que não têm o poder de mudar o mundo, mas que podem fazer a diferença junto dos que nos estão próximos.

A misericórdia é a coragem de acreditarmos de que somos capazes.

Pedro Gomes
7DDZ2018 – 105 FM

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Pedro Gomes

MÚSICA PARA OS PÁSSAROS

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES MÚSICA PARA OS PÁSSAROS

 

A Assembleia Legislativa discutiu as propostas de plano e de orçamento para 2019, apresentadas pelo Governo Regional dos Açores.

A meio da legislatura, o orçamento para 2019 não traz novidades, nem indicia uma mudança de estratégia do Governo Regional para fazer crescer a economia açoriana, diminuir a carga fiscal, fomentar o emprego ou combater a pobreza.

Num Governo de continuidade, o orçamento e o plano para 2019 são mais do mesmo.

O debate parlamentar revelou um Governo cansado, sem imaginação e incapaz de apresentar novas soluções para os desafios que se colocam à sociedade açoriana.

Desde 2008 – o último ano antes da crise – e até hoje, o PIB regional cresceu 12%, o rendimento disponível das famílias cresceu apenas 7% e os impostos aumentaram 35%.

Ao longo de dez anos, o Governo Regional não hesitou em continuar uma política de agravamento fiscal que apenas beneficia o orçamento regional.

O agravamento da carga fiscal, sem que o Governo Regional utilize as competências regionais para reduzir o IVA e o IRC, revela uma opção política muito clara: o Governo prefere penalizar as empresas e as famílias em seu favor.

Nestes dez anos, o IRC caiu 19%: um dado revelador da fragilidade do tecido empresarial regional, que não adquire músculo financeiro com os inúmeros programas de apoio para as empresas, anunciados em pacote em cada debate orçamental.

O prosseguimento da mesma estratégia por parte do Governo Regional tem como consequência que os Açores continuarão a marcar passo no desenvolvimento, no crescimento económico e na geração de riqueza.

O PIB regional é de cerca de 70% da média da União Europeia, quando o Governo Regional previa que ele fosse de 80% a 85% daquela média no final do actual quadro comunitário de apoio, em 2020.

As políticas erradas podem ser corrigidas, desde que haja vontade e capacidade para o fazer.

Uma taxa de desemprego de 8,2%, a elevada precariedade do emprego jovem ou o facto de 7,5% da população açoriana estar dependente do Rendimento Social de Inserção (RSI) exigiriam outras políticas.

O plano e o orçamento para 2019 não são uma boa notícia para os Açorianos. São apenas música para os pássaros.

Pedro Gomes
30NOV2018 – 105FM

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