Connect with us

Opinião

EM NOME DA LIBERDADE

Pedro Gomes

Publicado

|

PEDRO GOMES EM NOME DA LIBERDADE

 

A obra de Alexis de Tocqueville (1805-1859) é essencial para a compreensão do fenómeno democrático e útil para percebermos os Estados Unidos da América e o seu sistema democrático.

Tocqueville soube contrapor ao determinismo político e ao fatalismo os ideais de liberdade, de autonomia individual e de livre escolha.

A América construi-se com base nestes fundamentos, rejeitando a colonização inglesa e aceitando de braços abertos homens e mulheres vindos de todo o mundo, à procura do sonho americano, forjado no mito da fronteira.
Qualquer um, independentemente das suas origens socias, pode aspirar a desempenhar os mais importantes cargos ou funções na vida empresarial ou na sociedade americana.

É pela liberdade que as sociedades democráticas se afirmam. Como escreveu Tocqueville, “quem procura na liberdade outra coisa diferente dela mesma, é porque está feito para servir“.

Convoco Tocquivelle para falar de Therese Patricia Okoumou.

O nome desta mulher de 44 anos, natural da República Democrática do Congo não dirá nada à maioria das pessoas.
No dia 4 de Julho, data em que os Estados Unidos da América celebram a independência, Therese subiu à Estátua da Liberdade em protesto contra a nova política da Administração Trump que permite a separação de famílias de imigrantes nas fronteiras norte-americanas.

Aos pés da icónica escultura, como quem implora liberdade, esta mulher fez ouvir a voz silenciosa do seu gesto, pedindo ao Presidente Donald Trump uma alteração das últimas medidas que tornam cada vez mais difícil a entrada de imigrantes nos Estados Unidos, tornando este país numa fortaleza.

A Estátua da Liberdade, símbolo de acolhimento americano a milhões de imigrantes aos longo dos anos – incluindo milhares de açorianos que escolheram a América para começarem uma nova vida – transformou-se na testemunha silenciosa dum gesto que obriga a uma reflexão sobre a dureza das novas políticas americanas de controlo da imigração, muito para além daquilo que seria necessário ou desejável.

A liberdade só é mesmo liberdade se permitir que todos sejamos iguais em direitos e dignidade.

Pedro Gomes
6JUL2018 – 105 FM

Aníbal Pires

OS (IRA)DOS

Aníbal Pires

Publicado

|

ANÍBAL PIRES OS (IRA)DOS



Hoje trago-lhe um assunto que não é de fácil abordagem, mas que merece alguma atenção e reflexão pelo significado que tem e, sobretudo, pelos fenómenos que está a criar em Portugal e no Mundo.

Trata-se da proteção dos animais e de alguns grupos de pressão organizados, até num partido político com assento parlamentar na Assembleia da República, cuja agenda política gira e se alimenta à volta dos direitos e do bem-estar animal.

Causa que, não sendo da nossa contemporaneidade, pois, no limiar do século XIX a Inglaterra tinha aprovado algumas leis de proteção dos animais, ganhou nos últimos anos pela tomada de consciência ambiental e humanista apoios crescentes significativos.

Antes de mais, e para que não surjam dúvidas ao longo desta nossa conversa, reafirmo a minha posição de total concordância com o articulado da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, Documento de caráter normativo e que foi proclamado e promulgado pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 27 de Janeiro de 1978.

Esta declaração de princípios destina-se aos ouvintes menos atentos pois, quem acompanha a vida política regional sabe que fui autor, enquanto deputado do PCP na ALRAA, do articulado original do diploma que proíbe o abate de animais errantes e de companhia.

Para quem quiser informar-se sobre a sua tramitação pode sempre consultar a base de dados da ALRAA, ou se apenas quiser conhecer o seu conteúdo pode procurar no Jornal Oficial o Decreto Legislativo Regional n.º 12 /2016/A, de 8 de Julho.

As notícias vindas a público, mesmo com as reservas que tenho sob a forma como foram tratadas jornalisticamente, colocam algumas apreensões às quais devemos dar atenção pois configuram um modus operandi e uma linguagem que nos fazem lembrar os grupos neonazis que proliferam como cogumelos por todo o Mundo.

E este fenómeno é tanto mais preocupante quanto sabemos que na primeira metade do Século XX a Alemanha de Hitler, logo após a chegada ao poder em 1933, fez aprovar um conjunto de leis de proteção dos animais que, eventualmente alguns desses militantes (IRA)dos, gostariam de ver em vigor no nosso país e no Mundo.

Como, por exemplo a execução, por fuzilamento, de quem infligisse a morte a um animal por maus tratos. As leis de proteção aos animais atualmente na Alemanha, expurgadas dos excessos da criminalização e da penalização, são nos seus princípios as que foram criadas por Hitler.

Se posso e devo apoiar e defender os direitos dos animais e o seu bem-estar, não posso, porém, esquecer-me de que quem produziu, digamos, a legislação mais avançada para a proteção dos animais tivesse sido responsável por milhões de mortes, quer nos campos de batalha da II Guerra Mundial, quer nos campos de concentração.

Não pretendo rotular ninguém, mas por vezes é bom ir à história para perceber o presente.

Mas no presente existem, para além da questão ideológica, porque o era durante a chancelaria de Hitler e depois com o III Reich, outras questões mais pragmáticas e que se prendem com o negócio que gira à volta dos animais de estimação.

Eu já o fiz publicamente, mas ainda não dei conta de nenhum ativista da defesa dos direitos e do bem-estar animal propor a proibição da venda de animais de estimação e companhia enquanto nos canis e gatis municipais houver animais para adoção. Pois é. Talvez este princípio, a vir a ser adotado com força de lei, fosse um grande contributo para a proteção e o bem-estar animal.

Mau para o negócio. Bom para os animais.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Novembro de 2018

Continuar a Ler

Pedro Gomes

UM ARQUIPÉLAGO DE LETRAS

Pedro Gomes

Publicado

|

PEDRO GOMES UM ARQUIPÉLAGO DE LETRAS

 

A realização do festival literário “Arquipélago de Escritores”, que ontem teve o seu início, em Ponta Delgada, merece destaque.

Este festival, com curadoria de Nuno Costa Santos e apoio da Câmara Municipal de Ponta Delgada, reúne na cidade de Antero, escritores portugueses e de outras nacionalidades, mesclando estilos, correntes literárias e opções estéticas.

Os leitores, os jovens estudantes – para os quais há diversas iniciativas nas escolas – e o público, têm a oportunidade de conversar com os seus autores favoritos ou de descobrir novos escritores e outros livros, num acontecimento cultural que junta as letras e as artes performativas, em diferentes espaços culturais da cidade.

Já é tempo de Ponta Delgada ter um festival que se inscreva no roteiro literário português, no qual a literatura açoriana ocupe um lugar idêntico à literatura de outras origens geográficas.

O “Arquipélago de Escritores”, para além de ser um festival com um nome bonito, que convoca a universalidade insular da escrita, celebra a vasta produção literária dos Açores e os vultos literários açorianos que marcam a literatura de língua portuguesa.

Tiziano Terzani diz “que a vida oferece-nos sempre uma boa oportunidade. O problema é sabermos reconhecê-la, o que nem sempre é fácil”. Este festival literário é uma boa oportunidade para desafiar o gosto pelos livros e pela literatura, convidando os leitores a irem ao encontro dos livros em locais emblemáticos como a Biblioteca do Liceu Antero de Quental, a Livraria Solmar ou o Instituto Cultural de Ponta Delgada.

Mas, este festival também constitui uma oportunidade para criar um grande evento literário, de dimensão internacional, de carácter regular, que permita maior notoriedade à literatura açoriana e possa integrar-se numa estratégia regional de turismo cultural.

As grandes cidades europeias já promovem, há muito tempo, a sua cultura com eventos desta natureza, na escrita ou noutros domínios das artes.

E, agora, vamos aproveitar e conversar com os nossos escritores.

Pedro Gomes
16NOV2018 – 105 FM

Continuar a Ler

Paulo Casaca

O ARMISTÍCIO E O ‘EXÉRCITO EUROPEU’

Paulo Casaca

Publicado

|

PAULO CASACA O ARMISTÍCIO E O ‘EXÉRCITO EUROPEU’

 

O chefe de Estado francês escolheu as celebrações do centenário do armistício para invectivar ‘o nacionalismo e o populismo’, após ter colocado no centro da opinião pública o projecto de ‘Exército Europeu’ destinado, como explicou, a defender a Europa ‘da Rússia, da China e dos Estados Unidos da América’ e de ter ainda ensaiado a reabilitação do principal colaborador francês de Hitler, o marechal Pétain.

Sendo certo que o tema não é novo nas instituições europeias, é esta a primeira vez em que ele surge na primeira linha da opinião pública e que lhe são apontados objectivos concretos, num contexto pré-eleitoral.

Há tempo para tudo, e seria bom que os cem anos do armistício tivessem antes sido usados para homenagear os caídos; todos os caídos, não esquecendo ninguém; tão pouco os inúmeros chineses trazidos para a frente de guerra que foram dizimados em operações logísticas na foz do rio Somme e que repousam hoje no cemitério de ‘La Nolette’, o maior cemitério chinês na Europa. E falo dos chineses, como poderia falar dos portugueses, dos sérvios, dos russos ou dos indianos, todos seres humanos que não podem ser esquecidos.

E quando se tratar de defesa, seria também essencial que se soubesse identificar com clareza o que se pretende defender, sendo patética a identificação do país que assegura o essencial da defesa europeia como inimigo.

A chanceler alemã veio ao Parlamento Europeu dois dias depois reafirmar o seu apoio ao ‘exército europeu’ e transformá-lo no centro incontornável das próximas eleições europeias. Pela minha parte, que fique claro que me parece impossível passar um cheque em branco à proposta surgida em termos que reputo serem inaceitáveis.

Ponta Delgada, 2018-11-14

Paulo Casaca

Continuar a Ler

+ Populares