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Natércia Gaspar

E É O PRA SEMPRE QUE NOS INCOMODA E NOS FAZ SENTIR IMPOTENTES.

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR E É O PRA SEMPRE QUE NOS INCOMODA E NOS FAZ SENTIR IMPOTENTES.

 

Esta semana S. Miguel ficou desolado por mais um suicídio!

Para a sua família, não foi mais um, foi a perda de um ente querido que amavam!

Para uma organização, não foi mais um…foi o daquela pessoa que ali trabalhava e que sempre vestiu a camisola e levava muito a sério a missão da organização!

Foi o daquela pessoa frontal, honesta, que falava na frente e não nos corredores, que reivindicava de forma assertiva por si e pelos outros, mesmo por aqueles que não tinham tão bom desempenho como ela, mesmo por aqueles que falavam nos corredores, mas depois a criticavam julgando ficar bem na fotografia junto aos superiores hierárquicos!

Falo com o à vontade e honestidade de alguém por quem essa pessoa não nutria grande simpatia, porventura porque era o rosto de aspirações, legítimas diga-se em abono da verdade, mas não concretizadas.

Foi o daquela pessoa que ali tinha amigos, colegas de trabalho, pessoas que legitimavam a sua profissão e permitiam a interferência nas suas vidas para serem cuidados!

Foi o daquela pessoa, Assistente Social, que nos deixou a todos tristes, desolados, incrédulos, vazios e a refletir …

A reflectir na tomada de consciência de que ao nosso lado podem estar pessoas em profundo sofrimento e nem nos apercebemos!

A questionar a eficácia do sistema regional de saúde no acompanhamento e tratamento de doenças de foro psíquico e neurológico.

A refletir o porquê de os números estarem a aumentar, porventura está na altura de o fenómeno ser estudado com seriedade.

A reflectir sobre o ato de tirar a própria vida…

No pressuposto partilhado em que o valor da vida é inqualificável a atitude intencional de terminar com a própria vida, leva a questionarmos, se tal comportamento é um ato de coragem ou de covardia!

No caso desta pessoa, a coragem que sempre teve em vida levou-a à morte! Levou-a pra sempre. E é o pra sempre que nos incomoda e nos faz sentir impotentes.

Pouco importa o que a teoria diz se as pessoas buscam na morte um alívio, uma fuga, uma autopunição ou até mesmo uma forma de punição dos outros, para que se sintam culpados. O facto é que para algumas pessoas a morte é um ato de libertação de um qualquer tormento cuja génese assenta numa diversidade de factores de caráter emocional, cultural, social ou psíquico.

E esta pessoa procurou uma qualquer libertação e agora só nos resta desejar que descanse em paz e serenidade!

Por isso não são intelectualmente honestos aqueles que atribuem este ponto final na vida de uma pessoa apenas a um factor ou responsabilizando alguns!

É responsabilidade de todos ajudar, apoiar e não é preciso ser especialista, basta demonstrar um interesse genuíno em acolher o outro!

Outra reflexão que se impõe é a consciencialização de que todas as profissões do ”cuidar”, Serviço Social inclusive, estão mais vulneráveis ao stress e ao burnout pelo desgaste a que estão sujeitos pela exposição diária dos profissionais aos pedidos de ajuda por parte de pessoas que vivênciam problemas.

“ A síndrome de Burnout é uma entidade clínica pouco conhecida mas que se reveste de particular interesse para todos aqueles que estão associados a profissões de ajuda” (Cf. Palma citando Carvalho, 2008:27)

O Stress e Burnout afetam um grupo variado de profissionais, que até então, nunca tinham sido considerados como uma população em risco, na medida em que as atividades que realizam são consideradas gratificantes para os indivíduos, a nível pessoal, social e profissional. (Cf. Palma, 2008:27)

Urge por isso avaliar os impactos dos trabalhadores, nas organizações e nas pessoas que servem. É urgente que as organizações criem estratégias de cuidar de quem cuida (mas certamente não passará por desresponsabilizar os profissionais, nem legitimar quem não tem desempenho e condutas adequadas.)

Assistentes Sociais, professores, psicólogos, médicos, enfermeiros… importa também que os profissionais criem estratégias para aumentar a eficácia da sua ação e reduzir as fontes de stress.

O que não posso concordar é que façamos aproveitamentos levianos da fatalidade que recaiu na vida daquela pessoa e da sua família para tirar proveitos próprios.

Jamais essa pessoa utilizou a sua situação pessoal, para pedir tratamentos de excepção!

Queremos homenagear e honrar a vida e a memória dessa pessoa e respeitar a dor da sua família? Sejamos sérios, intelectualmente honestos, frontais e genuínos…como ela sempre foi para colegas e superiores!

Com profundo pesar por todas as situações de suicídio, em particular por esta pessoa expresso sentidas condolências às famílias.

Se puder fique bem, fique com a 105 FM

Natércia Gaspar

Natércia Gaspar

DIA MUNDIAL DA POBREZA

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR DIA MUNDIAL DA POBREZA

 

No próximo Domingo, dia 18 de novembro, a Igreja Católica assinala o II dia Mundial dos Pobres, dia instituído em 2017, pelo Papa Francisco, como forma de convidar toda a Igreja a refletir sobre a sua atitude face aos Pobres.

Curiosamente o dia Mundial dos Pobres ocorre praticamente 1 mês depois de se ter assinalado o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, implementado há 22 anos pelas Nações Unidas, com o objetivo de sensibilizar governos e opinião pública para o combate à pobreza e à exclusão social.

Podemos questionarmo-nos, qual a diferença?

Na minha opinião, o Dia Mundial dos Pobres chama-nos à atenção para a existência de pessoas concretas, com rosto, com vidas frágeis e interpela a sociedade, para não ver os pobres como objetos de alívio de consciências, quando pontualmente tem gestos solidários de partilha, quase sempre, daquilo que já não precisa, e pelo contrário, convidar as pessoas mais pobres para o nosso convívio e instituir com elas um modus vivendis de partilha e de equidade.

Já o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, remete-nos para uma ideia tão utópica e abstrata que não é de admirar que Governos e outras Organizações assinalem o dia apenas porque é politicamente correto, quase sempre com discursos que enaltecem as medidas já em curso, omitindo a sua ineficácia, mas ano após ano não há manifestação de qualquer vontade política para encarar o tão proclamado combate de frente. Ou que cada um de nós, apesar da noção da existência de pessoas pobres ao nosso lado, preferimos encarar a pobreza como algo que existe longe da nossa vista!

É mais cómodo e evita que pensemos que ninguém é pobre porque quer, que as pessoas são empurradas para essa condição por diversos fatores e situações: a simples falta de meios para a subsistência, as múltiplas formas de escravidão social, o desemprego, a doença, mas, também, pelo nosso egoísmo, pela nossa avidez, por sermos injustos e por vezes, pela nossa necessidade de escamotear a realidade àqueles que desenvolvem aversão aos pobres e apontam o dedo, responsabilizam pela sua situação e acusam e excluem de tudo.

Seja qual for a nossa atitude urge modificá-la para deixar aos nossos filhos um legado de solidariedade e partilha, o único caminho para que as gerações vindouras vivam em sociedade com justiça social!

Urge que cada um de nós se envolva ativamente no combate à pobreza onde ainda se encontram 2,4 milhões dos nossos concidadãos muitos dos quais nós, seguramente, conhecemos, são da nossa família, frequentam a nossa casa, trabalham connosco ou até para nós…

A existência de pobres devia envergonhar-nos, porque numa sociedade que se diz e quer evoluída, a pobreza põe a nu a indiferença, a hipocrisia e o egoísmo dos Governos, das Igrejas, das sociedades…de cada um de nós!

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

CONTRA PEDRAS, DISPARAR, DISPARAR

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR CONTRA PEDRAS, DISPARAR, DISPARAR

 

Contra pedradas, disparar! Foi a ordem que Donald Trump, deu aos cerca de 15000 militares que enviou para a fronteira com o México para tentar conter a caravana de migrantes que se desloca para os Estados Unidos provenientes de vários países da América Central, designadamente, Guatemala, Honduras e El Salvador.

A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que são mais de 7000 pessoas, homens, mulheres e crianças, a maioria das Honduras, país onde teve origem a caravana, formada com o apoio da organização Pueblo Sin Fronteras como forma de as pessoas poderem viajar juntas com relativa segurança sem terem que ficar reféns dos contrabandistas.

A caravana partiu dia 13 de outubro, de San Pedro Sula, com o objetivo de atravessar a Guatemala e o México e entrar nos Estados Unidos para pedir asilo.

O desemprego, a miséria, a fome, a violência são os motivos que encorajam estas pessoas a enfrentar um percurso de 4000 km para procurar acolhimento nos EUA e, tão somente, melhores condições de vida.

Mas Trump apelida-os de terroristas e criminosos e endurece o seu discurso contra estes e todos os migrantes, postura que infelizmente tem eco em muitos países.

Estranho mundo este que vibra com o desenvolvimento tecnológico da internet, ferramenta que encurtou o mundo, anulou distâncias, derrubou fronteiras e aproximou os povos …e ao mesmo tempo ignora o fenómeno da migração que cada vez mais é fator gerador de desequilíbrios e ruturas entre povos e nações e expõe milhões de pessoas à desintegração e exclusão social.

De facto, vivemos num mundo de contradições absurdas e chocantes, senão… vejamos, hoje, dia 7 de novembro, a nível planetário, todos os caminhos, todas as notícias vão dar ao Web Summit enquanto também hoje, milhões de pessoas fogem de qualquer lado para qualquer lugar, no qual possa tentar a “sorte” de encontrar condições de vida dignas e o mundo… cala!

Razão tinha Ladislau Dowbor quando afirmou que, “a Globalização em simultâneo (…) promove a modernidade técnica e gera a exclusão social, transformando o mundo numa imensa maioria de espectadores passivos (…)”.

Quando vamos acordar?

Fique bem, fique com a 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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Natércia Gaspar

PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR PÃO POR DEUS, BOLINHOS OU HALLOWEEN?

 

Na verdade, é mais aquilo que aproxima estas tradições, do que aquilo que as separa.

A celebração dos mortos e o medo deles estão na origem de ambas as tradições.

Em Portugal, o “Pão Por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, dependendo da zona do país, tem origem na crença pagã, trazida pelos celtas, de que no dia 1 de novembro os mortos vinham à terra visitar as suas famílias e havia que presenteá-los com oferendas designadamente comida e doces ou guardar um lugar à mesa para eles.

O Halloween foi introduzido na cultura Americana pelos imigrantes Irlandeses no século XIX e baseava-se na crença de que dia 1 de Novembro os mortos se levantavam e apoderavam-se dos corpos dos vivos e por isso na noite anterior, dia 31 de Outubro, usavam fantasias e acessórios sombrios ao mesmo tempo que ofereciam comida aos mortos para se defenderem e afastarem dos maus espíritos.

Repare que o nome Halloween é a junção das palavras inglesas “hallow”, que significa “santo”, e “eve”, que significa “véspera”.

Se no Halloween as crianças brincam ao “doce e travessura” fantasiadas de bruxas, dráculas e esqueletos, segurando nas mãos uma abóbora com uma vela no interior e percorrem as casas a pedir doces, senão fazem uma travessura a quem não lhes der doces, “no Pão por Deus” ou “Bolinhos e Bolinhós”, conforme a região do país, também foram as crianças que perpetuaram esta tradição afirmando-se cada vez mais como uma festa delas.

Por cá os meninos e meninas também percorrem as ruas a pedir doces no saco do Pão por Deus ou, também, segurando uma abóbora com caretas iluminada no interior, felicitando, a cantar, quem dava e “criticando” também a cantar quem não dava.

Em Lisboa, por exemplo, continuasse a assinalar o Pão por Deus. Neste dia as crianças pedem de porta em porta, recebendo no seu saquinho bolos, fruta ou frutos secos e cada vez mais, moedas.

Já em Coimbra, há 43 anos, andava eu com as outras crianças com abóboras ou com caixas com caretas iluminadas a pedir bolinhos cantando:

Bolinhos e bolinhos
Para mim e para vós,
Para dar aos finados
Que estão mortos e enterrados
A senhora que está lá dentro
Sentada num banquinho
Faz favor de s’alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
Se nos dessem voltávamos a cantar:
Esta casa cheira a broa,
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho,
Aqui mora um santinho.
Se não nos dessem, cantávamos:
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto

Com máscaras ou sem, com saquinho de Pão por Deus, ou abóboras iluminadas, o Halloween e o Pão por Deus estão para ficar nos nossos hábitos comunitários.

Em dia de todos os santos e dos fiéis defuntos, a minha oração pelos nossos entes queridos que já partiram.

Fique na melhor companhia, na companhia da 105 FM!

Natércia Reis Gaspar

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