Connect with us

Natércia Gaspar

O MUNDO CARECE DE EXEMPLOS… QUE TAL FAZERMOS NOSSA PARTE?

Natércia Gaspar

Publicado

|

NATÉRCIA REIS GASPAR O MUNDO CARECE DE EXEMPLOS…QUE TAL FAZERMOS NOSSA PARTE?

 

Nos últimos anos vieram a lume vários casos de usurpação indevida de dinheiros públicos e privados, desvio e branqueamento de dinheiro, tráfego de influências, corrupção, fuga aos impostos, aproveitamento de pessoas, de posições ou títulos académicos, dinheiros, na política, na administração, na banca, no desporto, no sector empresarial público e privado, faltava no sector solidário…

Não “perdemos pela demora” e aí temos o caso da gestão da Raríssimas, uma Instituição Particular de Solidariedade Social!

Tenho acompanhado com particular interesse por todos os motivos que possam imaginar, mas sobretudo pelo comportamento dos vários protagonistas envolvidos nesta história, ao longo dos tempos, fazendo com que na minha mente ecoasse a palavra “ÉTICA” o que me recordou um livro que devorei aos 15 anos, “Ética para um Jovem” de Fernado Savater.

Um livro de filosofia,numa linguagem simples que fala sobre a forma de, no nosso dia-a-dia, vivermos bem com a nossa consciência e com os outros, que nos questiona e ensina sobre a liberdade e a liberdade de escolha, o sentido da responsabilidade, os valores da amizade, do amor, da honestidade, do respeito, ou ainda de como lidar com as tentações da posse ou do poder.

Uma excelente prenda de natal para adolescentes, pais e educadores!

Na verdade, todos estes casos que nos têm indignado resumem-se a uma palavra, ÉTICA ou se quiserem, a falta dela e confronta-nos com uma evidência assustadora, a de que vivemos numa sociedade em plena crise de valores!

De repente parece que a filosofia da Ética e da Moral é substituída pela filosofia do oportunismo, do “salve-se quem puder, do jeitinho, do clientelismo, do “xico-espertismo”, “do nacional porreirismo” da ganância pelo poder, pelo status ou pelo dinheiro.

Os valores morais e éticos foram claramente substituídos pelos valores materiais, as pessoas deixaram de ser para ter!

A degradação de valores a que assistimos, não só em Portugal, mas em todas as sociedades ocidentais, é perigosa e não pense que é um problema dos outros, também é meu e seu, pois todos estamos expostos ao perigo de se criarem “clones”de pessoas mal formadas, sem carácter e sem valores.

Aristóteles concebia a Ética como a ciência do comportamento humano na relação consigo, com a comunidade a que pertence pautando a sua conduta na sociedade pela seriedade e dignidade nas suas ações sejam elas políticos, sociais, culturais ou religiosas.

E de facto a ética está muito presente na nossa vida, na família, na escola, no trabalho, na sociedade, confrontando-nos com a necessidade de, frequentemente, fazer escolhas entre o certo e o errado, o bem e o mal, a justiça e a injustiça e o mais importante, com total liberdade de escolha que nos torna ainda mais responsáveis pelas nossas ações!

Seria suposto que a escolha fosse sempre e para todos o bem comum!

Aristóteles diz que “o homem é por natureza um animal político” no sentido de procurar sempre o bem melhor e maior para a “Polis”,“cidade, lugar onde as pessoas convivem e expressam suas ideias e interesses”, aquilo que seria a mais perfeita das sociedades e que está acima de todas as coisas e sobretudo dos egos e dos interesses particulares!
Infelizmente o livre arbítrio nem sempre motiva a escolha pelo bem comum, e cada vez mais os interesses particulares são colocados acima de tudo e de todos, nem que seja tão só pelo silêncio e comodismo coniventes.

São estes silêncios e comodismos, porque não “me estou para chatear” que vão alimentando as “Paulas Brito de Azevedo” desta vida, seja na politica, no exercício de cidadania, no desporto, na economia, enfim, qualquer atividade humana que deve ser exercida de forma consciente e livre, tem que assentar na exigência de verdade, na igualdade de tratamento, na justiça social.

Em Portugal, nesta matéria temos de deixar de ser “um povo de brandos costumes” continuando a fazer “vista grossa” a estas situações e temos que exigir que quem se coloca ao serviço, seja em que área for, tenha um único objetivo, o bem comum, a realização e a dignidade das pessoas.

E como as linhas que separam os nossos múltiplos papéis na vida em sociedade são muito ténues, não basta ser sério há que parecer sério!

No livro “A República” Platão, recorre à história de um pastor humilde e bondoso que encontrou um anel com poderes mágicos que o torna invisível e neste estado, invisível, comete as maiores atrocidades. Quando se torna visível aos outros volta a ser o pastor cheio de boa vontade. A moral da história é fazer-nos refletir até que ponto cada um de nós, resiste à tentação se souber que seus atos não são testemunhados ou punidos?

O mundo carece de exemplos… que tal fazermos nossa parte?

Caros ouvintes desejo a todos um Santo e Feliz Natal que o Deus menino vos traga o que mais quiserem para as vossas vidas e das vossas famílias e amigos.

Natércia Gaspar

FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

Publicado

|

NATÉRCIA REIS GASPAR FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

 

No passado dia 5 de julho de 2019 a Assembleia da República criou a Ordem dos Assistentes Sociais e aprovou os respetivos Estatutos para contentamento de muitos Assistentes Sociais, de várias gerações, que há mais de 20 anos lutavam pela sua criação.

A Ordem dos Assistentes Sociais não foi nenhum capricho, mas sim uma legitima aspiração de uma classe profissional, os assistentes sociais, atualmente, em todo o país, cerca de 20.000 trabalhadores inseridos na divisão social e técnica do trabalho, cuja intervenção assenta em bases teóricas cientificas e humanistas, metodológicas, técnicas e ético-políticas perspetivando sempre a efetivação dos Direitos humanos e da Justiça Social.

5 de julho de 2019 é um dia histórico para o Serviço Social português e o principio de uma jornada que terá consequências na vida de todos os Assistentes Sociais e reafirmará o valor social da profissão e da disciplina cientifica do serviço social.

Doravante a Ordem será um parceiro social mais representativo do garante dos direitos humanos e justiça social, mais legitimado e com mais força ao nível da avaliação, definição e criação de politicas publicas.
Entre outras tantas, serão atribuições da Ordem, a regulação do acesso e do exercício da profissão, a defesa e o respeito pelos direitos dos destinatários dos serviços prestados pelos membros da ordem, a defesa do interesse geral da profissão, assegurar o cumprimento das regras da ética e deontologia profissional e conferir em exclusivo os títulos profissionais dos assistentes sociais e atribuir as cédulas profissionais sãos seus membros.

Vai ser obrigatória a inscrição na Ordem, momento no qual será emitida a cédula profissional dos profissionais que quiserem exercer a profissão, ao mesmo tempo que ninguém pode contratar profissionais que não estejam inscritos na Ordem seja setor publico, privado, cooperativo, social ou outro.

E atenção, o exercício da profissão de Assistentes Social um ano após da entrada em vigor da lei que cria a Ordem e aprova os estatutos, portanto, lá para meados de agosto de 2020, depende da inscrição na Ordem.
Até lá, o Governo tem 60 dias após a lei entrar em vigor, para nomear uma comissão instaladora após ouvir a Associação de Profissionais de Serviço Social.

A comissão instaladora terá um mandato de um ano para elaborar e propor os regulamentos provisórios à entrada em funcionamento da Ordem designadamente os relativos aos atos eleitorais e ao valor da taxa de inscrição bem como promover as inscrições na Ordem.

Muito trabalho pela frente, é o que espera à Comissão instaladora que deverá ter o apoio de todos nós, mobilizados num projeto único que ainda exige muita discussão, reflexão e participação.

Com certeza que não queremos andar à mercê ou a reboque por isso mais que nunca é hora de pôr mãos à obra para com o chapéu da Ordem defendermos os mais de 20 mil profissionais que existem em todo o país, aumentar a qualidade da formação e da prática profissional e defender os cidadãos que legitimam a nossa prática ao permitir que interfiramos nas suas vidas.

Ninguém nos defende e representa melhor do que nós próprios!

Fique bem, fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

Continuar a Ler

Natércia Gaspar

“O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM”

Natércia Gaspar

Publicado

|

NATÉRCIA REIS GASPAR O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM

 

Sabia que os 2ºs Jogos Europeus de 2019 realizaram-se entre 21 e 30 de Junho em Minsk na Bielorrússia? E que consistem em 200 eventos com 23 disciplinas desportivas envolvendo 4000 atletas oriundos de 50 países participantes?

E sabia que Portugal conquistou 15 medalhas? Mais cinco do que as alcançadas em 2015, na primeira edição do evento, em Baku, o que coloca Portugal no 17.º lugar da tabela final em Minsk?

Muito provavelmente não, porque a indiferença dos nossos órgãos de comunicação social foi tão grande que me atrevo a dizer que 90% dos Portugueses não sabiam da realização do mesmo e que Portugal participaria, e como demonstraram os resultados, com uma boa prestação.

É certo que os próprios Jogos Europeus não têm o apoio e o reconhecimento de todas as Federações, porque entendem que não tem o retorno competitivo e financeiro a que estão habituados com outros grandes campeonatos.

Se fosse Futebol…Ui! As Televisões digladiavam-se pelos direitos televisivos, as marcas disputavam equipas, atletas, mas como se tratam de outros desportos, na maioria atividades amadoras, não tiveram o relevo que mereciam.

Afinal 15 atelas conquistaram medalhas para Portugal!

Mas também é sempre assim, basta olhar todos os anos para os canais de televisão, rádios e jornais desportivos para constatar a desproporcionalidade de noticias entre o futebol e todos os outros desportos.

Como alguém disse “o nosso país tem uma cisma: o desporto é o futebol e o resto é paisagem” o futebol tem uma força transcendente em todo o mundo.

Em Portugal o futebol move milhões e alimenta rivalidades que chegam a ser doentias e perigosas. É mais importante do que a política e a economia, o que é bem demonstrativo da força que este desporto tem no nosso país.

Lembram-se do discurso de vitoria do Treinador do Benfica Bruno Lage aquando da comemoração no largo Marquês de Pombal que tentava alertar os adeptos precisamente para o risco da valorização extremada do Futebol?

Dizia Bruno Lage, que “o futebol é apenas o futebol”, “há coisas mais importantes na nossa sociedade e no nosso país pelas quais temos de lutar”, “se unirem, se tiverem a força, se tiverem a exigência que têm no futebol noutros aspetos de Portugal, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação, nós vamos ser um país melhor”.

É incrível o poder que o Futebol tem, se comparado com outras práticas desportivas que não são tão mediáticas, que não são de massas.

São descriminadas nos apoios que recebem do governo. Basta ver o que se passa com as modalidades Olímpicas cujas bolsas são reduzidas face aos valores praticados noutros países e são atribuídas mediante o sucesso dos atletas, quando este não tem sequer condições de treino nas diferentes modalidades.

São descriminadas no número de adeptos, nos patrocínios, na visibilidade, no reconhecimento e na remuneração.

Nas modalidades Olímpicas, não correm milhões nem se vendem homens como que de coisas se tratassem, mas há muito esforço físico e psicológico por parte dos atletas que contra tudo e todos, treinam até à exaustação não por milhões mas pelo amor maior à bandeira de um país que teima em não os valorizar.

É urgente mudar este estado de coisas!

Fique bem! Fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

Continuar a Ler

Natércia Gaspar

MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO, IGUALDADE DE DIREITOS E DEVERES DE GÉNEROS!

Natércia Gaspar

Publicado

|

NATÉRCIA REIS GASPAR MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO...

 

Nos passados dias 12 e 13 de junho teve lugar o III Encontro Regional de Boas práticas sobre a importância da igualdade de género nas políticas locais promovido e organizado pela Câmara Municipal da Lagoa, que coincidência ou não, tem uma mulher a exercer a presidência.

Nunca é demais discutir e partilhar boas práticas ainda há um longo caminho a percorrer, mas perante ao estado em que já tivemos antes de 1974, a realidade no que diz respeito à igualdade de género é outra, mas ainda insuficiente.

De facto Portugal ainda tem um atraso significativo, na forma como cuida da igualdade de direitos e deveres de géneros, e mais atrasado ainda está o debate em torno desta questão na sociedade. Ainda é uma questão menor, mas na verdade é uma questão de direitos humanos.

Mas ainda assim, Portugal segundo a OCDE, de um total de 120 países espalhados pelos 4 Continentes, Portugal é o quinto com leis e normas sociais mais igualitárias tendo apenas à sua frente a Suíça, Suécia, Dinamarca e França.

Mas qual é a novidade? Na elaboração de legislação, o nosso país é TOP, somos exímios a fazer leis adequadíssimas, a má noticia é que as leis esbarram em mentalidades retrogradas e o que preconizam sobre, como deveria ser a prática está muito longe da desigualdade, da descriminação e da violência que homens e mulheres vivenciam todos os dias.

A luta pelos mesmos direitos humanos, é dura e longa e, ainda hoje que já passaram 45 anos do 25 de Abril, as conquistas de Abril para as Mulheres ainda não chegaram a todas as casas, a todas as cabeças.

A desigualdade de direitos e deveres de géneros está arreigada na mentalidade dos homens, mas também na das mulheres, não tenhamos ilusões sobre isso.

Mas não podemos ignorar que foram 48 anos debaixo de uma ideologia que fomentava a opressão do machismo, em que a mulher era tratada como inferior ao homem. Se o mundo delas era a casa o deles era efetivamente o mundo.

A elas cabia obedecer sempre e deixar-se violentar sempre. E claro esta herança passou de mães para filhas, uma herança disciplinada, sem questionamentos e muito castradora.

No Portugal do Estado Novo o papel da mulher resumia-se a ser mãe extremosa, esposa dedicada. Desde pequenina que era treinada para ser assim, submissa ao poder patriacal do pai, do irmão e, mais tarde, do marido.

Os direitos da mulher eram tão limitados! Quase que só tinha deveres e nenhum direito! Não podia votar, não podia ser juíza, diplomata, militar ou polícia. Se sair do país, abrir conta bancária ou tomar a pilula, ou queria trabalhar no comércio, o marido tinha que autorizar. E ganhava quase metade do salário pago aos homens.
Felizmente esta cartilha foi rasgada no 25 de Abril, quando, um ano depois da revolução, os direitos das mulheres ficaram consagrados na Constituição da República.

O 25 de Abril foi um élan de esperança, trouxe a consagração dos seus direitos inscritos na Constituição.

Conquistaram a possibilidade de recorrer ao divórcio civil, o direito ao voto universal, à privacidade, os maridos já não podiam abrir a correspondência, pois tinham esse direito, começaram a poder concorrer a cargos públicos, magistrados, ministério púbico, diplomatas, à carreira administrativa.

Desde essa altura, a taxa de atividade feminina cresceu atingindo, atualmente, valores que colocam Portugal entre os países da União Europeia com uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, mas não cresceu a igualdade de direitos e deveres entre géneros.

Claro que temos, um longo caminho por desbravar. Aqui nos Açores, em Portugal e no mundo, se por um lado evoluímos muito, por outro, ainda temos muito para fazer. Como escreveu o Sérgio Godinho, «já fizemos tanto e tão pouco».

Fique bem. Fique com a 105 fm

Natércia Gaspar

Continuar a Ler

+ Populares