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Opinião

O AÇÚCAR É MAIS LETAL DO QUE A PÓLVORA

Pedro Neves

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PEDRO NEVES O AÇÚCAR É MAIS LETAL DO QUE A PÓLVORA

 

Pela primeira vez da nossa história, morrem mais pessoas de gula do que de fome. No fim da segunda década do século XXI, o ser humano mediano tem uma maior probabilidade de morrer “gordurosamente” enfartado no Macdonald’s do que de desnutrição.

Não quero ser mal compreendido ou insensível com esta afirmação, porque não é de forma acusatória mas sim de forma real e informativa.

Ora vejamos, apesar da fome ter morto milhões de pessoas no passado e ainda existir em alguma zonas no globo, apenas a insegurança nutricional é que reduz a expectativa de vida, até nos países mais desenvolvidos. Contudo, em 2014, o excesso de peso assolava a vida de 2,1 mil milhões de pessoas comparativamente com os 850 milhões que sofriam de subnutrição. Em 2010, a subnutrição e fome mataram 1 milhão de pessoas mundialmente enquanto a obesidade 3 milhões.

Posso até afirmar que a iliteracia nutricional é o pior problema da sociedade moderna. No ano de 2012, sensivelmente 50 milhões de pessoas pereceram, dos quais 620 mil morreram por actos de violência ( 120 mil nas guerras e 500 mil em crimes variados ). Em contrapartida, 1,5 milhões de pessoas morreram de diabetes.

Por isso perguntam-me porque é que eu estou deveras preocupado com a nossa alimentação, sabendo eu à partida, com dados comprovados, que o açúcar e a gordura animal é bem mais letal do que a pólvora.

Mas o açúcar e a “chichinha” é incentivado desde que somos crianças.

As empresas que usam excesso de açúcar nos produtos alimentares não são acusados de genocídio nem existe leis de limitação do uso como existe no tabaco. Dou-vos um exemplo concreto, os bolos de pastelaria não embalados: – alguém sabe dizer qual é a quantidade de açúcar existente num palmier ou numa bola de Berlim? Não deveria de existir uma tabela para todos os consumidores saberem quais os produtos primários e quantidades de cada um usados no bolo? Não deveria aparecer fotografias chocantes de morte lenta nos nacos de carne como já acontece no tabaco?

Os ouvintes vão achar que eu pirei de vez e que a utopia congestionou o meu pensamento mais racional. Mas tendo em conta os dados que apresento, não nos faz pensar que estamos todos enganados na nossa base fundamental de sociedade, pelo menos nas duas últimas décadas?

Não é ultrajante saber que mesmo com as mortes combinadas, de todas a guerras que decorrem neste momento, de todos os crimes feitos por um ser humano contra o outro e de todos os suicídios neste planeta, são menos que os que morrem por obesidade devido a más escolhas alimentares durante uma vida?

Sabendo vocês que no ano de 2017, um mísero mil folhas ou um bife de vaca mata mais que uma bala, o que vão mudar vocês nas vossas vidas em 2018?

Pedro Gomes

MOBILIDADE E CONTINUIDADE TERRITORIAL

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES MOBILIDADE E CONTINUIDADE TERRITORIAL

 

O subsídio social à mobilidade pago pelo Estado, destinado a compensar os açorianos e madeirenses pelos sobrecustos das viagens áreas entre as regiões autónomas e o continente, é uma das formas de assegurar o cumprimento do princípio da continuidade territorial.

A dispersão arquipelágica e oceânica dos Açores e da Madeira e a sua distância ao território continental são factores que penalizam a mobilidade das pessoas, impondo restrições intransponíveis.

Por isso mesmo, o transporte aéreo de passageiros entre o continente e as duas regiões e mesmo dentro de cada uma delas, tem uma natureza peculiar, podendo ser considerado como equivalente a uma auto-estrada aérea, circunstância que deve ser tida em consideração em todas as políticas públicas.

O pagamento do subsídio de mobilidade por parte do Estado não é mais uma despesa evitável ou uma benesse concedida aos açorianos e madeirenses, mas a garantia de um direito de cidadania e o cumprimento de uma obrigação do Estado.

O modelo que está em vigor, adoptado pelo governo de Pedro Passos Coelho, no primeiro trimestre de 2015, associado à liberalização das rotas aéreas entre os Açores e o continente, contribui decisivamente para o crescimento económico da região e assegura uma forma de liberdade de circulação de pessoas que o anterior modelo não garantia.

As fraudes na obtenção deste subsídio, agora em investigação criminal, não podem servir de desculpa para que o Governo da República ponha em causa a sua atribuição.

Mesmo o valor de 75 milhões de euros que o Estado pagou em 2018 por conta deste subsídio não pode servir de argumento para que os adversários da autonomia culpabilizem o sistema autonómico pelo crescimento de despesa com o subsídio de mobilidade.

Cabe ao Estado – e apenas a ele – fiscalizar a boa atribuição das verbas públicas relativas à mobilidade aérea.
Às autoridades judicias cabe julgar e punir os infractores. Ao Governo da República, em conjunto com os órgãos de governo próprio de cada uma das regiões autónomas, compete avaliar a aplicação deste modelo, melhorando o seu desempenho, o cumprimento da sua finalidade, os procedimentos de fiscalização e já agora, acabando com o facto de serem os cidadãos a pagarem integralmente o valor da viagem, para posteriormente obterem o reembolso do Estado. Seria bem mais justo para todos os cidadãos que apenas pagassem a parte que lhes corresponde – 134 euros, no caso dos Açores – com o Estado a pagar directamente às companhias aéreas.

Esta é uma matéria que deve fazer parte dos programas eleitorais dos candidatos à Assembleia da República pelo círculo eleitoral dos Açores, pela sua importância e oportunidade política.

Pedro Gomes
12JUL2019 – 105 FM

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Paulo Casaca

A EUROPA DE MACRON

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A EUROPA DE MACRON

 

Confrontado com o espectro de ver a ortodoxia ordoliberal alemã reconquistar Frankfurt; um peso-pesado alemão a dirigir a Comissão Europeia e uma atlantista a dirigir a política externa, Macron conseguiu o feito de ganhar todas as peças do jogo.

No cargo mais importante em disputa, o Banco Central, vai ter uma compatriota, de dependência política quase total; à frente da Comissão, a mais francófila das dirigentes alemãs, sem peso político ou capacidade estratégica autónoma; na política externa, uma concepção alinhada com a francofilia, com o bónus suplementar de ter a presidir o Conselho o mais importante líder da comunidade francesa belga.

É a Europa sempre sonhada pela elite francesa: aristocrática, francófila, suficientemente importante para ser notada no mundo mas não tanto que possa fazer sombra à França. Para lá chegar, Macron foi chefe da frente progressista quando foi preciso eliminar o perigo germânico, aliou-se ao nacionalista Orban quando foi preciso pôr o socialista holandês de lado e, cereja no topo do bolo, encostou a chanceler Merkel à parede com a proposta de nomeação de uma sua conterrânea e correligionária para dirigir a Europa.

A forma como Macron conseguiu ganhar em toda a linha na mais complexa negociação europeia dos últimos anos vai para além do ‘Testamento Político’ legado pelo Cardeal Richelieu, e confirma-o como o mais astuto dirigente europeu contemporâneo.

Nada que não se pudesse adivinhar da forma florentina como no seu país ele conseguiu destruir o mapa político-partidário; comprar, eliminar ou reduzir à insignificância todo o escol nacional de personalidades políticas ou ainda sobreviver aos coletes amarelos.

A ‘Europa-light’ de Macron é no entanto incompatível com a Euro-emancipação que alimenta a imaginação das elites francesas e de que ele se tem apresentado como protagonista. A Europa não sobreviverá fora de uma reforçada aliança atlântica, porque não tem a força anímica para isso, porque Putin vive obcecado pelo império, porque o jihadismo está apostado em tomá-la, porque a China tem a vontade, a capacidade e terá a oportunidade de ser o seu ‘big-brother’.

Como com tantos dos seus predecessores – Napoleão será talvez o caso mais conhecido – Macron está agora confrontado com o desafio de conseguir limitar a sua ambição pela sua astúcia. Para bem de todos nós, espero que o consiga.

Bruxelas, 2019-07-09
Paulo Casaca

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Natércia Gaspar

FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

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NATÉRCIA REIS GASPAR FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

 

No passado dia 5 de julho de 2019 a Assembleia da República criou a Ordem dos Assistentes Sociais e aprovou os respetivos Estatutos para contentamento de muitos Assistentes Sociais, de várias gerações, que há mais de 20 anos lutavam pela sua criação.

A Ordem dos Assistentes Sociais não foi nenhum capricho, mas sim uma legitima aspiração de uma classe profissional, os assistentes sociais, atualmente, em todo o país, cerca de 20.000 trabalhadores inseridos na divisão social e técnica do trabalho, cuja intervenção assenta em bases teóricas cientificas e humanistas, metodológicas, técnicas e ético-políticas perspetivando sempre a efetivação dos Direitos humanos e da Justiça Social.

5 de julho de 2019 é um dia histórico para o Serviço Social português e o principio de uma jornada que terá consequências na vida de todos os Assistentes Sociais e reafirmará o valor social da profissão e da disciplina cientifica do serviço social.

Doravante a Ordem será um parceiro social mais representativo do garante dos direitos humanos e justiça social, mais legitimado e com mais força ao nível da avaliação, definição e criação de politicas publicas.
Entre outras tantas, serão atribuições da Ordem, a regulação do acesso e do exercício da profissão, a defesa e o respeito pelos direitos dos destinatários dos serviços prestados pelos membros da ordem, a defesa do interesse geral da profissão, assegurar o cumprimento das regras da ética e deontologia profissional e conferir em exclusivo os títulos profissionais dos assistentes sociais e atribuir as cédulas profissionais sãos seus membros.

Vai ser obrigatória a inscrição na Ordem, momento no qual será emitida a cédula profissional dos profissionais que quiserem exercer a profissão, ao mesmo tempo que ninguém pode contratar profissionais que não estejam inscritos na Ordem seja setor publico, privado, cooperativo, social ou outro.

E atenção, o exercício da profissão de Assistentes Social um ano após da entrada em vigor da lei que cria a Ordem e aprova os estatutos, portanto, lá para meados de agosto de 2020, depende da inscrição na Ordem.
Até lá, o Governo tem 60 dias após a lei entrar em vigor, para nomear uma comissão instaladora após ouvir a Associação de Profissionais de Serviço Social.

A comissão instaladora terá um mandato de um ano para elaborar e propor os regulamentos provisórios à entrada em funcionamento da Ordem designadamente os relativos aos atos eleitorais e ao valor da taxa de inscrição bem como promover as inscrições na Ordem.

Muito trabalho pela frente, é o que espera à Comissão instaladora que deverá ter o apoio de todos nós, mobilizados num projeto único que ainda exige muita discussão, reflexão e participação.

Com certeza que não queremos andar à mercê ou a reboque por isso mais que nunca é hora de pôr mãos à obra para com o chapéu da Ordem defendermos os mais de 20 mil profissionais que existem em todo o país, aumentar a qualidade da formação e da prática profissional e defender os cidadãos que legitimam a nossa prática ao permitir que interfiramos nas suas vidas.

Ninguém nos defende e representa melhor do que nós próprios!

Fique bem, fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

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