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Opinião

NINGUÉM ESCAPA AO NATAL

Pedro Neves

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PEDRO NEVES NINGUÉM ESCAPA AO NATAL

 

Entrou-se na época do altruísmo, empatia e felicidade suprema. É Natal e ninguém se escapa.

Nesta altura existe melodia em todas as ruas, sorrisos estranhos cheios de bondade e “com licença” e “peço desculpa” em todo o lado. A agressividade e o egoísmo não têm lugar nesta altura porque serão vistos com uma doença estranha e viral, do qual tem que ser contida a todo o custo antes que se propague e que se transforme numa pandemia.

E as empresas, algumas associações, vendedores e agiotas sabem disso e aproveitam de forma manipuladora esse bem-estar transitório do ser-humano na sua busca pela felicidade. Quem consegue dizer que não a uma doação de quem mais necessita, partilhando um sorriso a quem nada tem? Quem não quer ser filantropo uma vez na vida? Existirá função mais merecedora que nos separa de Mefistófeles e demais diabretes?

Quando uma associação com causa merecedora faz esse peditório, ninguém questiona o propósito da mesma, como será gerido o dinheiro ou quanto ganha os funcionários da direcção. Doamos géneros ou dinheiro com uma imagem mental única e solitária…a nossa partilha irá directamente para uma pessoa que irá ter uma vida mais feliz, nem que seja por uma hora ou por um dia apenas. E esperamos, de forma diligente, que essa associação ou IPSS seja tão solidária de coração como nós fomos naquele preciso momento na transacção.

Mas quantos casos vimos nós onde a realidade está longe do seu propósito inicial, aproveitando do objecto que faz parte da fachada da associação, normalmente pessoas carenciadas, e das pessoas que partilham o pouco dinheiro que têm para financiar pequenos impérios de ornamento e luxúria, como o que se relata na reportagem neste preciso momento sobre a associação Raríssimas?

O ouvinte em tom de remate está a pensar que não dá dinheiro nenhum a IPSS’s por causa do nosso historial da pseudo-bondadede algumas associações lusitanas. Mas dá, ou directamente com o seu dinheiro ou indirectamente pelo Estado que decidiu por si. E não é pouco. O que é pouco é a fiscalização de algumas IPSS’s que recebem dinheiro de todos os contribuintes para pagar vestidos de alta costura ou carros topo de gama.

Então se a felicidade não passa pela filantropia, passará porventura por um centro comercial perto de nós. Será que a felicidade no consumismo na época de Natal está na ponta de um saco com um laço de cor berrante? Ou pela escolha de cheques-prenda para não se chatear enquanto é abalroado por uma família de 15 que se esqueceu da prenda do filho do primo em terceiro grau, e se tal acontecesse o micro-universo daquela casa no Natal ia implodir por ter anti-matéria em demasia? Já olharam para a cara de pânico das pessoas nesta altura, com medo de se esquecerem de alguém mesmo que não gostem dela?

Será que as pessoas ainda se lembram dos valores do Natal, da comunhão em família, das gargalhadas quando o avô adormece e começa a roncar enquanto tentamos ver “sozinho em casa” pela enésima vez? Do abraço daqueles que amamos, da alegria dos miúdos que rodopiam em si mesmos na casa toda, casa essa que está mais acolhedora que nunca, nutrida por uma família unida?

Consegues ver essa imagem? Agora imagina essa imagem o ano todo, todos os dias. Sabias que o abraço a quem amas e o sorriso a um estranho pode ser dado durante o ano todo? Tenta, é gratuito e é a melhor prenda que poderás dar a todos, mesmo ao filho do primo em terceiro grau.

Nuno Melo

ESTUDO SOBRE MOTIVOS DA ABSTENÇÃO

Nuno Melo

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NUNO MELO ALVES ESTUDO SOBRE MOTIVOS DA ABSTENÇÃO

 

Foi realizado um estudo a pedido da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), com o propósito de tentar encontrar as causas da elevada abstenção na Região, que é a mais alta do País. Apesar do nível da abstenção ser diferente conforme a eleição, nos Açores os resultados são sistematicamente mais altos que no resto do País. O estudo foi feito pela Universidade dos Açores e revela algumas coisas que devem ser aprofundadas para serem melhor compreendidas, sob pena de se agravar a situação em vez de a solucionar.

Os resultados do estudo revelam que, grosso modo, as pessoas culpam os governantes, os partidos políticos e os deputados pela abstenção. Esta situação é curiosa e perigosa. Curiosa, porque a maneira de mudar os políticos e os partidos é mudando o sentido de voto, portanto esta desconfiança pode ser causada por desconhecimento dos processos democráticos ou por algo mais profundo, como a aceitação dos clichés antipolíticos como sendo verdades universais e absolutas. Perigosa porque quando a única arma que os eleitores têm é abandonada, a governação corre livre e desinibida, o que também é motivo de preocupação.

É importantíssimo aprofundar e perceber as razões de os eleitores culparam os políticos, os partidos e os deputados pela abstenção, ou seja, de culparem outros pelo seu desinteresse. É que podem existir inúmeras razões. Desde logo, incompreensão em relação sistema eleitoral e aos arranjos que os sistemas parlamentar ou semi-presidencial permitem: em Portugal e nos Açores elegem-se órgãos legislativos, não executivos. Nunca, desde o 25 de Abril, houve um voto num primeiro-ministro ou num presidente de governo regional: só se votou em deputados à Assembleia da República e à Assembleia dos Açores. Mas a confusão prejudica, pois interfere com as expectativas e com as apreciações de desempenho.

Por outro lado, a falta de conhecimento (devido a algum excesso de complexidade orgânica na organização política) também pode levar a que as expectativas dos eleitores sejam defraudadas. A falta de linearidade entre o eleito e o eleitor desresponsabiliza ambos, mas permite ao primeiro mais rédea solta e provoca no segundo a sensação de alguma de impotência. Depois, há que perceber se as expectativas dos eleitores são legítimas ou inflacionadas, pelo seu imaginário ou pelas promessas ventiladas pelos políticos e pelos partidos, que assim contribuem para a sua própria descredibilização.

Em democracia, o processo democrático é tão importante quanto a liberdade de voto. É precisamente a consistência processual que permite que o voto seja livre e eficaz. As democracias portuguesa e açoriana, sendo processualmente sólidas, estruturalmente afastam os eleitores dos governantes, pela sua natureza parlamentar. O sistema parlamentar não é o único democrático e se calhar há que ter abertura suficiente para, em sede de revisão constitucional, alterar o sistema político português e o açoriano.

Por fim, há uma coisa que ainda é preciso perceber nos eleitores: é preciso saber se sabem perder. Ou seja, saber se sabem respeitar a decisão maioritária de outros. Na democracia portuguesa temos péssimos exemplos de mau perder, sobretudo na extrema-esquerda, que, aceita mal ser contrariada pela maioria que não lhe confere o voto. A questão é de saber se, além dos políticos sofrerem de partidite aguda, se também os eleitores não sofrem do mesmo mal. Dizer que a democracia não funciona por não se estar agradado ou de acordo com as decisões legitimamente tomadas também não é democrático. E é importante que se perceba este aspeto na opinião dos eleitores: se desconfiam dos governantes, dos partidos e dos deputados por não concordarem com as decisões por elas tomadas. É que a democracia também não se pode transformar num arraial de populismo, em que vale de tudo (mesmo falir o País) só para sacar o voto.

Este primeiro estudo deu umas boas pistas, sendo uma iniciativa louvável, mas ainda se está longe de se poder tomar decisões.

21/05/2019
Nuno Melo Alves

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Aníbal Pires

NÃO SE DEMITA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES NÃO SE DEMITA

 

Estamos a uma semana das eleições para o Parlamento Europeu e, como tem vindo a ser hábito, espera-se uma elevada abstenção. O que é, digo eu, lamentável pois, mais que em Ponta Delgada, na Horta ou em Lisboa as grandes decisões políticas são tomadas nas instâncias da União Europeia e o Parlamento Europeu é o único órgão eleito diretamente pelos cidadãos.

Os motivos que levam os eleitores a absterem-se, sendo legítimos, não deixam de ser um ato de demissão, mesmo quando o que lhe está na origem é uma razão de ordem política, ou seja, a opção por não ir votar pretende demonstrar uma posição de total discordância perante os projetos políticos que se submetem a sufrágio, ou retirar legitimidade à representatividade dos eleitos. Nem um nem outro dos motivos que sustentam esta posição tem qualquer efeito prático, no primeiro caso porque existem opções eleitorais alternativas para manifestar o desacordo, no segundo caso, como é sabido, trata-se de um mito. A abstenção para o PE, em 2009, rondou os 63%, sendo que nos Açores a abstenção ultrapassou os 80%, valores sem dúvida muito elevados, mas, ainda assim, nunca foi colocada em causa a representatividade dos eleitos portugueses.

Quando comparamos os valores da abstenção verificamos que o seu aumento se relaciona diretamente com a proximidade dos cidadãos órgão político objeto do ato eleitoral, como se pode apurar olhando para os diferentes resultados eleitorais que se apuraram nos Açores: PE (2014), abstenção 80,3%, Assembleia da República (2015), abstenção 58,8%, Assembleia Regional (2016), abstenção 59,2%, Câmaras Municipais (2017), abstenção 45,00%.

É compreensível que o envolvimento e a proximidade motivem os eleitores à participação eleitoral, mas, em abono da verdade, existem outras razões bem mais importantes para que a participação eleitoral não dependa apenas da proximidade do poder, até porque esse poder é ilusório.

Desde logo porque os centros de decisão não se encontram na proximidade, ou seja, as decisões que se relacionam com a Região e com o País são conformadas, como já referi, não em Ponta Delgada ou na Horta, nem em Lisboa, as grandes decisões são tomadas em Bruxelas. Desde que foi assinado o Tratado de Lisboa que a legislação regional e nacional se submete à legislação europeia, por consequência o nosso quotidiano é determinado mais pelas políticas europeias do que pelas políticas locais, regionais ou nacionais.

Não participar nas eleições para o PE porque se trata de um órgão político distante é um erro que pagamos, estamos a pagar, caro, muito caro pois, é nas instâncias europeias que se encontram os centros decisórios e, por outro lado a abstenção favorece o poder instituído e as famílias políticas maioritárias no PE que nos conduziram à crise social, política e económica que estamos a viver.

Um cidadão que se abstém reforça, com a sua posição demissionária, a legitimidade das políticas europeias.

A não participação, sendo uma decisão individual, não influencia o que será a decisão coletiva, ao passo que a participação, essa sim será tomada em devida conta.

Os 21 deputados portugueses ao Parlamento Europeu serão eleitos com muita ou pouca participação dos eleitores, a não participação é meramente acessória. Verdadeiramente importante é se quem decide, quem vota, vai continuar a dar o seu apoio maioritário aos responsáveis no País e na Europa pela crise que graça na União Europeia, ou se vai decidir mudar, mudar o seu voto e apoiar quem defende os interesses do País e do Povo. Não vamos continuar a “sacudir a água do capote”.

Foi um prazer estar consigo.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 18 de Maio de 2019

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Pedro Gomes

CONTINUAMOS POBRES

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES CONTINUAMOS POBRES

 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou os resultados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento dos portugueses (2018) que indicam que o risco de pobreza e de exclusão social é “bastante mais elevado nos Açores” (31,6%) e na Madeira (27,5%), quando comparado com a média nacional (17,4%).

Os números são devastadores e revelam o fracasso das políticas de crescimento económico e de desenvolvimento adoptadas nos Açores.

É impossível combater a pobreza, nas suas variadas dimensões e elevar o nível de vida das pessoas, sem opções coerentes de políticas públicas que conduzam ao crescimento económico e à geração de emprego e riqueza.

Os resultados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística confirmam outros dados estatísticos que apontam no mesmo sentido: as políticas públicas de combate à pobreza e à exclusão social estão a falhar os seus objectivos.

A taxa de pobreza ou de exclusão social atinge cerca de 89.000 açorianos – um número que impressiona, pois está próximo da população empregada (111.000 pessoas).

Ao fim de vinte e três anos de governação socialista e de aplicação de políticas de esquerda, os Açores continuam a marcar passo na erradicação da pobreza, apesar do Governo Regional afirmar, repetida e tardiamente, que o combate à pobreza é uma prioridade, tendo aprovado uma Estratégia Regional de Combate à Pobreza e Exclusão Social (Resolução do Conselho do Governo nº 72/2018, de 20 de Junho) e um Plano de Acção 2018-2019 (Resolução do Conselho do Governo nº 95/2018, de 22 de Agosto), mais de vinte anos depois do PS ter assumido a responsabilidade da governação regional.

Os números da pobreza obrigam a uma reflexão séria sobre o que falhou nos Açores e em que medida é que os recursos públicos poderiam ter sido utilizados de outra forma.

A pobreza e a exclusão social não decorrem apenas da actuação dos poderes públicos, mas também em resultado da actividade do sector privado, que nos Açores é pequeno, frágil e dependente da actuação das entidades públicas.

As designadas políticas de “nova geração”, em tempos anunciadas pelo Presidente do Governo Regional, geraram apenas novos pobres, que mantêm os Açores no lugar cimeiro da estatística da pobreza.

Dramaticamente, estes pobres não são uma estatística: são pessoas bem reais, com nome e com rosto, que sofrem todos os dias para pagar o pão, a conta da água ou do telefone.

Pedro Gomes
17MAIO2019 – 105 FM

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