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Natércia Gaspar

VIVA SÃO POVO AÇOREANO – POVO “MUI NOBRE E SEMPRE LEAL E CONSTANTE”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR VIVA SÃO POVO AÇOREANO - POVO “MUI NOBRE E SEMPRE LEAL E CONSTANTE”

 

Hoje permitam-me enaltecer o povo açoreano porque como escreveu Maria Antonieta Avellar Nogueira, “Ser açoreano é ter garra, ser forte, ser destemido, pegar o toiro pelos chifres. É ter soluções simples para tudo, dispensando os pós de perlimpimpim. Ser humilde e ser Hércules.”

Motiva esta singela homenagem o significado do dia de amanhã e o papel que os Açoreanos, tiveram na história de Portugal, designadamente na ilha Terceira na qual a resistência ao domínio filipino fez jus à nossa divisa “Antes morrer livres que em paz sujeitos”.

Amanhã, dia 1 de dezembro, é Feriado Nacional, comemorando-se o Dia da Restauração da Independência de Portugal, perdida em 1540 com a crise sucessória e recuperada com a revolta de 1 de dezembro de 1640.

Sim é mesmo feriado, apesar de PSD e CDS o terem suspendido em 2012, depois de não terem conseguido abolir, voltou a vigorar em 2016 pelas mãos do Governo PS coligado com o PCP e BE.

Este, e mais três feriados foram suspensos sobre o argumento de que era “uma forma de acompanhar, os esforços de Portugal e dos portugueses para superar a crise”, pura demagogia…as politicas de empobrecimento dos Governos PSD e CDS, que foram para além da troika, não escolhiam dias uteis, feriados ou fim de semana para baixar os salários, pensões, roubar empregos ou para fazer perder casas.

Nunca em qualquer outro país, consta que um governo tentasse anular a historia de uma nação, e logo a portuguesa, uma das primeiras nações da europa a definir fronteiras (1121) e a abrir caminhos para o conhecimento de outras terras para além-mar, para além da costa, para além do que a vista alcançava. Anular a memória coletiva de um povo como o governo da coligação fez, suspendendo feriados como o da Implantação da República Portuguesa ou o da Restauração, tão significativos para a história do país e dos portugueses.

Perdoem este parêntesis, mas tenho esta limitação, o que não percebo, não consigo assimilar, ou por outras palavras, “não consigo engolir”!

Mas voltemos ao feriado de amanhã!

“Dia da Restauração da Independência” que assinala o fim de 60 anos do domínio filipino, da pretensão de só reino, de uma Espanha que se queria maior, legitimando pela sucessão esta junção. A partir deste ponto poder-se-ia debater o iberismo, mas, deixemos isto para outra ocasião.

Durante 60 anos Portugal esteve sob o domínio Espanhol, também denominado por período filipino e Dinastia Filipina,existindo, no entanto, um nicho de resistência durante 2 anos, nos Açores, mais propriamente na Ilha Terceira entre 1581 e 1583 sendo esta Ilha o último reduto do território português.

Tudo começou no final do século XVI, com a suposta morte de D. Sebastião em 1578, na batalha de Alcácer Quibir, sem deixar herdeiro para ocupar o trono, subiu ao trono o seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique, que governou dois anos e em 1580, Filipe II de Espanha, neto de D. Manuel foi escolhido para rei de Portugal.

Durante a crise de sucessão de 1580, António de Portugal, Prior do Crato foi aclamado rei, contudo derrotado pelos espanhóis, veio para a Ilha Terceira, de onde governou o País com o apoio do povo e a resistência deste às investidas espanholas até o Verão de 1583.

A 1 de Dezembro de 1640 Portugal recupera a independência, é aclamado Rei,Dom João IV de Portugal e mais uma vez os terceirenses, tiveram que de resistir à pressão militar espanhola, que se manteve até 1642 com a rendição na Fortaleza de São João Baptista conquistando para Angra o titulo de sempre leal cidade, passando a ser designada por Angra do Heroísmo.

Revejo todos os açoreanos na bravura e lealdade dos Terceirenses.

A gana de resistência,o combate contra todas as adversidades, a luta pela liberdade e autonomia é uma característica marcantenos genes do ser-se Açoreano, ser-se ilhéu de Santa Maria ao Corvo, e que ao longo da história do arquipélago, sempre se manteve intacta, persistindo até hoje!

Os açoreanos não precisam de integrar qualquer “focus grupo” a troco de dinheiro para serem leais e constantes aos seus valores e a quem luta por eles e com eles e dispensam pós de perlimpimpim demagógicos e falaciosos, dos arautos da desgraça, daqueles que veem o pequeno ponto negro na folha de papel branca, daqueles que parecem terem perdido a memória, daqueles que ainda acham que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade.

Os açoreanos gostam de palavras simples e de verdade, são essas que ficam na memória de um povo que todos os dias renova o compromisso com as Ilhas e com os seus concidadãos num exercício de humanidade e cidadania!

Como evoca o nosso hino,
“…os Açores são a nossa certeza
de traçar a glória de um povo. “

Bom feriado e fique bem, fique com a 105.FM

Natércia Gaspar

Natércia Gaspar

FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

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NATÉRCIA REIS GASPAR FOI CRIADA A ORDEM DOS ASSISTENTES SOCIAIS E AGORA?

 

No passado dia 5 de julho de 2019 a Assembleia da República criou a Ordem dos Assistentes Sociais e aprovou os respetivos Estatutos para contentamento de muitos Assistentes Sociais, de várias gerações, que há mais de 20 anos lutavam pela sua criação.

A Ordem dos Assistentes Sociais não foi nenhum capricho, mas sim uma legitima aspiração de uma classe profissional, os assistentes sociais, atualmente, em todo o país, cerca de 20.000 trabalhadores inseridos na divisão social e técnica do trabalho, cuja intervenção assenta em bases teóricas cientificas e humanistas, metodológicas, técnicas e ético-políticas perspetivando sempre a efetivação dos Direitos humanos e da Justiça Social.

5 de julho de 2019 é um dia histórico para o Serviço Social português e o principio de uma jornada que terá consequências na vida de todos os Assistentes Sociais e reafirmará o valor social da profissão e da disciplina cientifica do serviço social.

Doravante a Ordem será um parceiro social mais representativo do garante dos direitos humanos e justiça social, mais legitimado e com mais força ao nível da avaliação, definição e criação de politicas publicas.
Entre outras tantas, serão atribuições da Ordem, a regulação do acesso e do exercício da profissão, a defesa e o respeito pelos direitos dos destinatários dos serviços prestados pelos membros da ordem, a defesa do interesse geral da profissão, assegurar o cumprimento das regras da ética e deontologia profissional e conferir em exclusivo os títulos profissionais dos assistentes sociais e atribuir as cédulas profissionais sãos seus membros.

Vai ser obrigatória a inscrição na Ordem, momento no qual será emitida a cédula profissional dos profissionais que quiserem exercer a profissão, ao mesmo tempo que ninguém pode contratar profissionais que não estejam inscritos na Ordem seja setor publico, privado, cooperativo, social ou outro.

E atenção, o exercício da profissão de Assistentes Social um ano após da entrada em vigor da lei que cria a Ordem e aprova os estatutos, portanto, lá para meados de agosto de 2020, depende da inscrição na Ordem.
Até lá, o Governo tem 60 dias após a lei entrar em vigor, para nomear uma comissão instaladora após ouvir a Associação de Profissionais de Serviço Social.

A comissão instaladora terá um mandato de um ano para elaborar e propor os regulamentos provisórios à entrada em funcionamento da Ordem designadamente os relativos aos atos eleitorais e ao valor da taxa de inscrição bem como promover as inscrições na Ordem.

Muito trabalho pela frente, é o que espera à Comissão instaladora que deverá ter o apoio de todos nós, mobilizados num projeto único que ainda exige muita discussão, reflexão e participação.

Com certeza que não queremos andar à mercê ou a reboque por isso mais que nunca é hora de pôr mãos à obra para com o chapéu da Ordem defendermos os mais de 20 mil profissionais que existem em todo o país, aumentar a qualidade da formação e da prática profissional e defender os cidadãos que legitimam a nossa prática ao permitir que interfiramos nas suas vidas.

Ninguém nos defende e representa melhor do que nós próprios!

Fique bem, fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

“O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM”

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR O NOSSO PAÍS TEM UMA CISMA: O DESPORTO É O FUTEBOL E O RESTO É PAISAGEM

 

Sabia que os 2ºs Jogos Europeus de 2019 realizaram-se entre 21 e 30 de Junho em Minsk na Bielorrússia? E que consistem em 200 eventos com 23 disciplinas desportivas envolvendo 4000 atletas oriundos de 50 países participantes?

E sabia que Portugal conquistou 15 medalhas? Mais cinco do que as alcançadas em 2015, na primeira edição do evento, em Baku, o que coloca Portugal no 17.º lugar da tabela final em Minsk?

Muito provavelmente não, porque a indiferença dos nossos órgãos de comunicação social foi tão grande que me atrevo a dizer que 90% dos Portugueses não sabiam da realização do mesmo e que Portugal participaria, e como demonstraram os resultados, com uma boa prestação.

É certo que os próprios Jogos Europeus não têm o apoio e o reconhecimento de todas as Federações, porque entendem que não tem o retorno competitivo e financeiro a que estão habituados com outros grandes campeonatos.

Se fosse Futebol…Ui! As Televisões digladiavam-se pelos direitos televisivos, as marcas disputavam equipas, atletas, mas como se tratam de outros desportos, na maioria atividades amadoras, não tiveram o relevo que mereciam.

Afinal 15 atelas conquistaram medalhas para Portugal!

Mas também é sempre assim, basta olhar todos os anos para os canais de televisão, rádios e jornais desportivos para constatar a desproporcionalidade de noticias entre o futebol e todos os outros desportos.

Como alguém disse “o nosso país tem uma cisma: o desporto é o futebol e o resto é paisagem” o futebol tem uma força transcendente em todo o mundo.

Em Portugal o futebol move milhões e alimenta rivalidades que chegam a ser doentias e perigosas. É mais importante do que a política e a economia, o que é bem demonstrativo da força que este desporto tem no nosso país.

Lembram-se do discurso de vitoria do Treinador do Benfica Bruno Lage aquando da comemoração no largo Marquês de Pombal que tentava alertar os adeptos precisamente para o risco da valorização extremada do Futebol?

Dizia Bruno Lage, que “o futebol é apenas o futebol”, “há coisas mais importantes na nossa sociedade e no nosso país pelas quais temos de lutar”, “se unirem, se tiverem a força, se tiverem a exigência que têm no futebol noutros aspetos de Portugal, na nossa economia, na nossa saúde, na nossa educação, nós vamos ser um país melhor”.

É incrível o poder que o Futebol tem, se comparado com outras práticas desportivas que não são tão mediáticas, que não são de massas.

São descriminadas nos apoios que recebem do governo. Basta ver o que se passa com as modalidades Olímpicas cujas bolsas são reduzidas face aos valores praticados noutros países e são atribuídas mediante o sucesso dos atletas, quando este não tem sequer condições de treino nas diferentes modalidades.

São descriminadas no número de adeptos, nos patrocínios, na visibilidade, no reconhecimento e na remuneração.

Nas modalidades Olímpicas, não correm milhões nem se vendem homens como que de coisas se tratassem, mas há muito esforço físico e psicológico por parte dos atletas que contra tudo e todos, treinam até à exaustação não por milhões mas pelo amor maior à bandeira de um país que teima em não os valorizar.

É urgente mudar este estado de coisas!

Fique bem! Fique com a 105 fm!

Natércia Gaspar

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Natércia Gaspar

MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO, IGUALDADE DE DIREITOS E DEVERES DE GÉNEROS!

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR MAIS DO QUE IGUALDADE DE GÉNERO...

 

Nos passados dias 12 e 13 de junho teve lugar o III Encontro Regional de Boas práticas sobre a importância da igualdade de género nas políticas locais promovido e organizado pela Câmara Municipal da Lagoa, que coincidência ou não, tem uma mulher a exercer a presidência.

Nunca é demais discutir e partilhar boas práticas ainda há um longo caminho a percorrer, mas perante ao estado em que já tivemos antes de 1974, a realidade no que diz respeito à igualdade de género é outra, mas ainda insuficiente.

De facto Portugal ainda tem um atraso significativo, na forma como cuida da igualdade de direitos e deveres de géneros, e mais atrasado ainda está o debate em torno desta questão na sociedade. Ainda é uma questão menor, mas na verdade é uma questão de direitos humanos.

Mas ainda assim, Portugal segundo a OCDE, de um total de 120 países espalhados pelos 4 Continentes, Portugal é o quinto com leis e normas sociais mais igualitárias tendo apenas à sua frente a Suíça, Suécia, Dinamarca e França.

Mas qual é a novidade? Na elaboração de legislação, o nosso país é TOP, somos exímios a fazer leis adequadíssimas, a má noticia é que as leis esbarram em mentalidades retrogradas e o que preconizam sobre, como deveria ser a prática está muito longe da desigualdade, da descriminação e da violência que homens e mulheres vivenciam todos os dias.

A luta pelos mesmos direitos humanos, é dura e longa e, ainda hoje que já passaram 45 anos do 25 de Abril, as conquistas de Abril para as Mulheres ainda não chegaram a todas as casas, a todas as cabeças.

A desigualdade de direitos e deveres de géneros está arreigada na mentalidade dos homens, mas também na das mulheres, não tenhamos ilusões sobre isso.

Mas não podemos ignorar que foram 48 anos debaixo de uma ideologia que fomentava a opressão do machismo, em que a mulher era tratada como inferior ao homem. Se o mundo delas era a casa o deles era efetivamente o mundo.

A elas cabia obedecer sempre e deixar-se violentar sempre. E claro esta herança passou de mães para filhas, uma herança disciplinada, sem questionamentos e muito castradora.

No Portugal do Estado Novo o papel da mulher resumia-se a ser mãe extremosa, esposa dedicada. Desde pequenina que era treinada para ser assim, submissa ao poder patriacal do pai, do irmão e, mais tarde, do marido.

Os direitos da mulher eram tão limitados! Quase que só tinha deveres e nenhum direito! Não podia votar, não podia ser juíza, diplomata, militar ou polícia. Se sair do país, abrir conta bancária ou tomar a pilula, ou queria trabalhar no comércio, o marido tinha que autorizar. E ganhava quase metade do salário pago aos homens.
Felizmente esta cartilha foi rasgada no 25 de Abril, quando, um ano depois da revolução, os direitos das mulheres ficaram consagrados na Constituição da República.

O 25 de Abril foi um élan de esperança, trouxe a consagração dos seus direitos inscritos na Constituição.

Conquistaram a possibilidade de recorrer ao divórcio civil, o direito ao voto universal, à privacidade, os maridos já não podiam abrir a correspondência, pois tinham esse direito, começaram a poder concorrer a cargos públicos, magistrados, ministério púbico, diplomatas, à carreira administrativa.

Desde essa altura, a taxa de atividade feminina cresceu atingindo, atualmente, valores que colocam Portugal entre os países da União Europeia com uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, mas não cresceu a igualdade de direitos e deveres entre géneros.

Claro que temos, um longo caminho por desbravar. Aqui nos Açores, em Portugal e no mundo, se por um lado evoluímos muito, por outro, ainda temos muito para fazer. Como escreveu o Sérgio Godinho, «já fizemos tanto e tão pouco».

Fique bem. Fique com a 105 fm

Natércia Gaspar

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