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Opinião

DESCONFORTÁVEL

Pedro Gomes

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O Governo Regional dos Açores emitiu, esta semana, uma carta de conforto a favor da SATA – Air Açores para garantia dum empréstimo de 11,9 milhões de euros a conceder pela Caixa Geral de Depósitos.

Este não é apenas mais um empréstimo contraído pela SATA.

O grupo SATA está numa situação económica e financeira profundamente desequilibrada, como resulta das suas contas, com um passivo muito acima dos 160 milhões de euros.

Os problemas económicos do grupo SATA não são de hoje e têm sofrido um acentuado agravamento. Só entre 2009 e 2013, a dívida da SATA agravou-se em 438,8%.

A SATA é a empresa pública regional mais politizada, em que se verifica uma acentuada intervenção do Governo Regional nas decisões estratégicas da empresa, desde logo quanto à abertura ou encerramento de rotas ou de operações, numa opção profundamente errada, que não separa a decisão política das decisões de gestão empresarial.

Para além disso, a elevada rotação de membros do conselho de administração, com sucessivas nomeações e demissões ao longo dos últimos anos, não tem contribuído para uma gestão equilibrada e estratégica duma empresa muito importante para os Açores.

A Região Autónoma dos Açores, simultaneamente accionista único da SATA e entidade pública que tem a obrigação de pagar os encargos com a prestação do serviço público regional de transportes aéreos dentro dos Açores, comporta-se como um devedor impenitente. Não paga a tempo e horas e deve largas dezenas de milhões de euros, obrigando a SATA a recorrer à banca.

A carta de conforto que o Governo Regional emitiu a favor da Caixa Geral de Depósitos suscita uma perplexidade: o Governo Regional obrigou-se a não alterar a sua participação na SATA – Air Açores enquanto se mantiver o empréstimo.
A banca desconfia do seu cliente e faz uma exigência agressiva à Região Autónoma dos Açores, para poder emprestar 11,9 milhões de euros.
O Governo Regional, obrigado pela banca, aceita uma condição que fecha opções quanto ao futuro do Grupo SATA, sem a discutir no parlamento regional e com os partidos da oposição.

O futuro da SATA exige um debate claro e transparente e não decisões precipitadas, com rabos de palha.

Pedro Gomes
20OUT2017 – 105FM

Pedro Gomes

FALAR DE LIBERDADE, OLHAR O FUTURO

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES FALAR DE LIBERDADE, OLHAR O FUTURO

 

Quarenta e cinco anos depois daquele dia em que a democracia e a liberdade foram devolvidas aos portugueses pelos militares de Abril, celebramos a consolidação do regime democrático e das suas instituições.

Em quase meio século, a sociedade portuguesa mudou muito em todos os aspectos: Portugal abriu-se ao mundo, modernizou-se, cresceu económica e socialmente. O país é menos pobre, mais coeso e solidário do que era em 1974, muito embora estejamos longe de atingir um grau de desenvolvimento que nos coloque na linha da frente dos outros membros da União Europeia.

Os desejos, ambições e aspirações dos portugueses são hoje diferentes do que eram há quarenta e cinco anos atrás e os partidos políticos, a classe política e o Governo, têm de dar novas respostas a estes novos desejos que marcam o tempo em que vivemos.

O século XXI – com toda a complexidade nas relações entre Estados que alteram a ordem internacional, com os novos problemas suscitados pelo fracasso de um certo tipo de capitalismo que provoca crises económicas e sociais de carácter pandémico, com a desvalorização da dignidade do trabalho e da pessoa humana – coloca novos desafios, para os quais os partidos tradicionais e os quadros de análise habituais já não dão resposta.

Celebrar o espírito refundador do 25 de Abril de 1974, agora no século XXI, passa por compreender estes novos fenómenos, encontrar as respostas adequadas, especialmente as destinadas à geração mais jovem, mais qualificada do que outras gerações, com dificuldade em encontrar um emprego adequado, mais preocupada com o ambiente, mais solidária nas relações com os outros, mais exigente na avaliação dos comportamentos dos políticos e das instituições políticas.

Responder bem aos mais jovens, ir de encontro às suas preocupações e motivações, exige uma mudança de atitude da classe política e uma reforma dos partidos políticos tradicionais.

Não há democracia sem partidos, mas nem sempre a forma dos partidos responderem às pretensões dos cidadãos é a mais adequada a cada tempo.

Vivemos um tempo em que os sinais de que as respostas que os partidos tradicionais dão, já são insatisfatórias para os cidadãos, especialmente para os jovens, que são a faixa mais dinâmica da sociedade.

Garantir a liberdade e fortalecer a democracia exige uma mudança de conduta política.

Pedro Gomes
26ABR2019 – 105 FM

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Paulo Casaca

JIHAD NO CEILÃO

Paulo Casaca

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PAULO CASACA JIHAD NO CEILÃO

 

O Sri Lanka, moderno Ceilão, é talvez o país da Ásia do Sul onde os traços da presença portuguesa são mais salientes, tanto na onomástica como na religião católica que tem aqui como noutras situações uma componente etnográfica.

O Ceilão foi vítima de uma guerra civil que só terminou em 2009 depois do esmagamento dos Tigres Tamil, grupo terrorista que tinha adaptado as mais sanguinárias táticas do jihadismo a um movimento secular.

Ainda antes de terminada a guerra civil, e no contexto da ajuda humanitária aos muçulmanos da costa oriental do Ceilão por ocasião do Tsunami de 2004, tinham dado entrada no país as principais organizações nominalmente humanitárias que actuam concertadamente com organizações jihadistas que operam a partir do Paquistão.

De lá para cá avolumaram-se quer os trabalhos académicos quer os relatórios divulgados na imprensa sobre o recrutamento e doutrinação jihadista tanto no Sri Lanka como nas Maldivas, com envio de importantes contingentes para os teatros de guerra do Médio Oriente e o crescimento da ameaça à Índia.

Nesse contexto, a principal surpresa do grande ataque de Domingo de Páscoa, que custou a vida a várias centenas de pessoas, foi o de não se ter dirigido contra a Índia, mas ter antes a comunidade cristã como alvo.

É uma surpresa que confirma contudo o carácter global da ameaça jihadista e a impossibilidade de a conter em lógicas ou disputas locais ou regionais e que mostra, uma vez mais, a desatenção das autoridades.

Os serviços de segurança do Sri Lanka naturalmente que erraram ao alertar unicamente as autoridades indianas de ataque terrorista eminente, mas são os responsáveis políticos ocidentais que continuam a não querer ver o que há muito lhes deveria ter entrado pelos olhos dentro.

Nesta Páscoa ensanguentada, os meus pensamentos vão para as autoridades e para o povo do Sri Lanka e muito em particular a sua comunidade cristã.

Ponta Delgada, 2019-04-23

Paulo Casaca

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Natércia Gaspar

25 DE ABRIL …A LUTA CONTINUA E A UTOPIA TAMBÉM

Natércia Gaspar

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NATÉRCIA REIS GASPAR 25 DE ABRIL …A LUTA CONTINUA E A UTOPIA TAMBÉM

 

Hoje pelas 22.55 h fará 45 anos que nos Emissores Associados de Lisboa, ouvidos somente em Lisboa, foi lançada a primeira senha, a canção E Depois do Adeus pela voz de Paulo de Carvalho, para que os Capitães de Abril começassem a revolução para nos libertar da ditadura em que Portugal viveu durante 49 anos.

E Depois Do Adeus

Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei…
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

de José Niza e de José Calvário
Paulo de Carvalho

Cerca de hora e meia depois, mais precisamente às 24.20h da madrugada do dia 25 de Abril de 1974, “Grândola, vila morena” de Zeca Afonso foi tocada no programa Limite transmitido para todo o país através da Rádio Renascença sendo esta a senha para o arranque definitivo, em todo o País, das operações ao mesmo tempo que despoletou o avanço do Movimento das Forças Armadas para aquela que ficou conhecida pela revolução dos cravos.

Grândola Vila morena
Grândola Vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó Cidade
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto a igualdade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó Cidade
Dentro de ti ó Cidade, oh, oh, oh
Juro em ter a companheira
A sombra de uma azinheira
Que já não sabia a idade
Zeca Afonso

Grândola Vila Morena, ainda hoje é o símbolo da revolução, e do início da democracia em Portugal, mas infelizmente também continua a ser o veículo da utopia de Abril que não se concretizou na vida das pessoas.
Ainda temos que cantar Abril!

Ainda temos que cantar a necessidade de mudança!

Sim temos um legado extraordinário que é a Constituição da República Portuguesa, e cito.

“A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista. Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa. A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. … afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.”

Até os mais desatentos não revem o Portugal de hoje naquilo que a Constituição preconizava.

Claro que a Revolução trouxe mudanças e algumas muito significativas, o Sistema Nacional de Saúde, o Sistema de Segurança Social, a oportunidade da massificação da Educação e a defesa dos mais pobres e porventura a maior de todas a democracia.

Mas trouxe outras tantas com impacto negativo para o país e para as pessoas.

A desregulação da dívida pública e privada, a insensibilidade social, o desemprego avassalador, a miséria dos mais pobres, etc, etc, etc.

Como dizia alguém “muita gente se serviu de abril ou esteve a servir o País em nome de abril, mas a quem os ideais da rutura nunca inflamaram e inspiraram”.

Os partidos e as pessoas não foram leais com a Revolução, é crassa a ausência de ideias para a mudança, a recusa de consensos, no fundo as pessoas e os partidos pensam mais em si no que no País.

Por isso há a desconfiança nos decisores políticos, por isso as pessoas deixaram de acreditar na arma que é o voto.
Mas lembremos a canção “o povo é que mais ordena” e lembremos também que abril trouxe as primeiras eleições livres por isso, que tal nas Europeias mobilizarmo-nos todos para ir votar e manifestar a nossa exigência cívica?

Por tudo isto os ideais de abril estão por concretizar na maioria, como sempre temos um texto legislativo fantástico, mas…ainda se desrespeita a liberdades e garantias das pessoas, a democracia, a miséria, a diferença de classes e o desemprego continuam.

Por isso precisamos de uma revolução nova, com mudança das mentalidades e o povo tomar consciência que de facto é quem mais ordena e que a democracia se traduz no voto!

Por isso a luta continua!

Fique bem
Fique com a 105 FM

Natércia Reis Gaspar

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