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Opinião

AMANHÃ É UM NOVO DIA

Pedro Gomes

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Pode ser um lugar-comum, mas repito-o: a história fará justiça a Pedro Passos Coelho. Não é popular elogiar o líder demissionário do PSD, mas é justo reconhecer o seu papel e a sua enorme força de carácter como Primeiro-Ministro, num período sem paralelo na história democrática portuguesa.

Governar é uma arte, mas governar com soberania limitada e sob fortes limitações impostas pelos credores, é uma arte levada ao extremo.

Ao contrário do que sucedeu noutras democracias europeias, em que os partidos do governo perderam eleições, os portugueses deram a maioria à coligação PSD/CDS nas eleições legislativas de 2015, renovando a confiança no PSD.

A solução governativa construída por António Costa, a partir dos resultados à esquerda, permitiu-lhe formar um novo governo e remeter o PSD à oposição.

E, na oposição, Pedro Passos Coelho foi menos eficaz do que como Primeiro-Ministro.

A derrota do PSD nas eleições autárquicas de 1 de Outubro foi pesada e arrasta consigo uma outra consequência: o PSD sempre foi um partido de forte implantação territorial e das autarquias locais.

Nestas eleições o PSD perdeu uma parte desta ligação a nível nacional e não a recuperou nos Açores.

A saída de liderança de Pedro Passos Coelho – num acto de inteligência política que outros não souberam seguir – abre um espaço de reflexão política, que não se limita a anúncios de candidaturas ou de candidatos.

O PSD tem de olhar para o futuro e mostrar aos eleitores o que o distingue do PS e das medidas que o seu Governo adopta, sem grande preocupação com o tempo que virá.

Há que construir uma solução clara de oposição, em que o PSD não se confunda com o PS.

O PSD é um partido social democrata, humanista, personalista, com princípios fundados na dignidade da pessoa humana e no respeito pela liberdade individual e pelo Estado de Direito.

Num momento de escolha política, é útil o regresso à matriz fundacional do PSD para reafirmar que o PSD é pela liberdade, sem ser liberal, pela igualdade solidária, longe do igualitarismo social praticado pelo PS.

O PSD acredita no valor da liberdade das pessoas e no papel das famílias. O PS defende que o Estado deve condicionar a liberdade de escolha das famílias.

O PSD acredita num Estado social sustentável, que liberta. O PS defende um Estado social clientelar que captura a liberdade das pessoas.

Resumir a escolha política para amanhã a uma luta de personalidades, impede o PSD de mostrar aos eleitores que é protagonista duma alternativa política.

Pedro Gomes
13OUT2017 – 105 FM

Aníbal Pires

MEGALOMANIA HOTELEIRA

Aníbal Pires

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ANÍBAL PIRES MEGALOMANIA HOTELEIRA

 

Pode até não estar claro o modelo de turismo que queremos para os Açores, aliás as opiniões são diversas e, cada um de nós terá a sua. Julgo, porém, que a generalidade dos agentes económicos ligados direta ou indiretamente ao setor do turismo estará de acordo quanto à importância da sua sustentabilidade.

Se a premissa da sustentabilidade presidir ao desenho das políticas públicas para o setor e se os agentes económicos se conformarem a elas, então tudo será mais fácil e o destino turístico Açores terá futuro. Por outro lado, julgo que nesta, como em qualquer outra atividade económica, se deve atender, considerando sempre o princípio da sustentabilidade, à diversidade de oferta que o destino Açores tem para oferecer e, por conseguinte, adequar as políticas de promoção e os apoios públicos ao investimento às diferenças que existem entre as diferentes ilhas, ou seja, as motivações para escolher passar uma semana nas Flores ou no Corvo não são, certamente, as mesmas do que optar pela Terceira, por S. Miguel ou pelas ilhas do triângulo. E ainda há quem prefira Santa Maria ou a Graciosa.

O que pretendo dizer não é propriamente uma novidade, mas de vez em quando é bom lembrar que cada uma das 9 ilhas açorianas tem particularidades que podem e devem ser promovidas.

Claro que não é só com a promoção diferenciada que se eliminam algumas assimetrias na procura, mas ajuda.
Pensar que os Açores se podem tornar um destino turístico de massas o que é, mais ou menos sinónimo de destino de baixo custo, é um erro.

Erro, desde logo, porque as caraterísticas climáticas do arquipélago são impeditivas de satisfazer esse desiderato, esta pode ser a salvaguarda, para que tal não venha a acontecer, se for devidamente assimilada pelos empresários do setor, em particular os hoteleiros, o que por vezes parece não ser assim pois, são conhecidas as manifestações de interesse na construção de unidades hoteleiras, diria, sobredimensionadas e pouco adequadas a um destino de natureza como é o nosso, pelo menos é assim que o promovemos. Por outro lado, a competitividade dos destinos, mormente o destino Açores, não pode, nem deve ser ancorada, como por vezes parece ser, no baixo custo.

E será bom lembrar que a competitividade tem uma relação direta com a sustentabilidade. O destino Açores pode ser competitivo sem ser de baixo custo e, o baixo custo pode influenciar negativamente a sustentabilidade de um destino turístico.

As razões para lhe trazer este tema de conversa são diversas, mas tenho de lhe confessar que a principal motivação foi o recente anúncio da construção de uma mega unidade hoteleira, à nossa dimensão, no concelho de Vila Franca do Campo. Este tipo de investimento na oferta tradicional de alojamento hoteleiro, pela dimensão, arquitetura e implantação, não acrescenta nada ao destino turístico Açores, bem pelo contrário é exatamente o que não se devia fazer.

Votos de uma Feliz Páscoa.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Abril de 2019

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Pedro Gomes

TEMPO DOS LILASES

Pedro Gomes

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PEDRO GOMES TEMPO DOS LILASES

 

Estamos no tempo de vésperas, em Sexta-Feira Santa.

No mês da Páscoa, o tempo tem outro sentido.

A morte e ressurreição de Jesus Cristo tem o significado de compromisso com os homens de boa vontade, crentes ou não crentes.

Nas celebrações da Páscoa, que se repetem há dois mil anos, os rituais renovam-se a cada ano. Mudamos com o tempo e a nossa relação com a vida também se altera. Como ensinou Heraclito, nunca nos banhamos duas vezes na água do mesmo rio.

O tempo pascal é um tempo de passagem. Não apenas da passagem da morte à vida, mas da renovação da vida.
Renovação dos gestos, das atitudes, do desejo e da vontade.

A celebração da morte do Senhor, com a igreja em silêncio, os altares despidos, o despojamento, convida ao recolhimento interior.

Na sua vida, Jesus manteve sempre o contacto com o povo: crianças e idosos, ricos ou pobres, proscritos e poderosos, todos foram recebidos.

Na cruz em que morre, Jesus continua a atrair: o centurião, ladrões, verónicas.

Para todos, o filho de Deus tem uma palavra de acolhimento, de ternura, de compaixão. Ninguém é excluído. Ninguém fica para trás. Ninguém é insignificante.

Numa época de relativismo dos valores, do abandono de princípios em favor do utilitarismo, da desvalorização do homem e da sua condição humana, de descrença generalizada, a mensagem de Jesus mantém-se actual. Amar continua a ser o mandamento essencial. Pelo amor, tudo muda, tudo se transforma.

O amor incondicional, sem barreiras, sem constrangimentos. O amor que acolhe, aceita e perdoa. O amor que é sinónimo de misericórdia.

Nos versos de Juan Vicente Piqueras, “não fujas do que sentes. Não permitas/ que a vida se perca no vazio,/que a morte ao chegar encontre/já feito o seu trabalho”.

É quanto baste.
Uma Santa Páscoa.

Pedro Gomes
19ABR2019 – 105 FM

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Paulo Casaca

AS REFORMAS EM DEBATE

Paulo Casaca

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PAULO CASACA AS REFORMAS EM DEBATE

 

A Fundação da família acionista de referência de uma importante cadeia portuguesa de supermercados registada nos Países Baixos editou um estudo sobre a ‘sustentabilidade do sistema de pensões português’ que preconiza um adiamento da idade de reforma.

Aparentemente, não terá ocorrido à referida fundação a ideia de conseguir essa sustentabilidade fazendo com que, por exemplo, a referida cadeia de supermercados se registe em Portugal, contribuindo assim para a sustentabilidade da segurança social através da equidade no pagamento de impostos, em vez de recorrer a mais tempo de trabalho por parte dos trabalhadores portugueses.

A reforçar essa proposta, surgiu uns dias depois uma entrevista de um líder partidário reformado que, nas vésperas de completar as suas oito décadas de idade, veio preconizar um adiamento das reformas para essa idade.

O debate das reformas surge assim inquinado pelo da ‘sustentabilidade’, ou seja, pela preocupação daqueles que não pagam os seus impostos em Portugal ou foram privilegiados com uma ou mais reformas continuando activos, em assegurar que são sempre os mesmos, que não eles, que sustentam a despesa pública em Portugal.

Contudo, creio que seria essencial fazermos um debate menos interessado e mais ponderado desta matéria, tendo em conta as profundas mutações do trabalho, da inserção social e, naturalmente, da esperança de vida.

A vida é mais longa, o tipo de trabalho é em qualquer altura diverso, muda e mudará mais com o tempo, e a sociedade está em plena mutação, pelo que o conceito da reforma tal como começou a ser aplicado nos finais do século XIX precisa de ser profundamente repensado.

Provavelmente teremos de conceber não uma reforma, mas antes um sistema de pequenas e maiores reformas, que terão muito a ver com o tipo de actividade desenvolvida, com a inserção social, bem como com a evolução das capacidades de cada um, num debate não contaminado pelos pequenos interesses de quem se habituou a tudo receber e nada pagar e que se aflige com a perspectiva de ver os seus privilégios questionados.

Bruxelas, 2019-04-17

Paulo Casaca

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