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Opinião

A Opinião de” à segunda-feira com Pedro Neves

Pedro Neves

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“A Opinião de” irá iniciar a 9 de Outubro na 105 fm, à segunda-feira a opinião é de Pedro Neves.

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Paulo Casaca

A GUERRA DOS CIENTISTAS

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A GUERRA DOS CIENTISTAS

 

Depois de um manifesto de cientistas a exigir o controlo do crescimento demográfico, o fim do ‘consumo excessivo’ decorrente de um estilo de vida demasiado rico, e um drástico corte nas emissões de gases com efeito de estufa por causa da ‘emergência climática’, tivemos agora o contramanifesto dos cientistas denunciando os erros científicos dos primeiros e declarando que não há ‘emergência climática’.

No centro da controvérsia está a emissão de dióxido de carbono decorrente da utilização de combustíveis fósseis biogénicos como fonte de energia, que a crer nas estimativas oficiais será a principal razão para uma alteração da composição da atmosfera com grandes impactos climáticos.

No discurso de uns e outros é no entanto deveras peculiar que não haja praticamente nenhuma referência ao facto de as energias renováveis serem generalizadamente mais baratas – na maior parte do mundo, mesmo muito mais baratas – do que a energia fornecida pelos sistemas de energia fóssil.

É verdade que há ainda importantes questões a resolver, nomeadamente no domínio da armazenagem da energia, em que a solução mais vulgar depende do lítio e outros metais raros, e outras soluções como o hidrogénio ou as baterias de sódio ainda não se conseguiram afirmar técnica ou comercialmente. Não obstante, parte importante dos obstáculos que enfrentamos situa-se nas regulamentações públicas e nos sistemas e interesses instalados.

Mas não seria mais inteligente conjugar esforços na resolução destes problemas para podermos disfrutar de sistemas energéticos mais baratos, menos poluentes, que nos dão mais autonomia em vez de exigir ou levantar o espectro da necessidade de termos menos riqueza ou menos pessoas?

Em vez de nos transformarmos todos em peritos meteorológicos, não seria mais importante que nos preocupássemos com a preservação do nosso ambiente, com os insectos e as aves que desaparecem dos nossos céus, a devastação dos mares, a invasão do plástico a poluição dos solos, águas e ar?

A ciência é importante, mas ela depende da validação das suas proposições e não deve tornar-se num instrumento de arremesso ideológico de vocação totalitária.

É natural que nem todos tenhamos a mesma sensibilidade, a mesma escala de valores, o mesmo conhecimento ou os mesmos interesses, mas é importante que aprendamos a conviver com a diferença e fazer valer os nossos pontos de vista pelo argumento, pelo exemplo, pela realidade.

A bem da preservação e regeneração do ambiente do nosso planeta.

Bruxelas, 2019-11-13
Paulo Casaca

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Nuno Melo

DESVIOS SEM NEXO

Nuno Melo

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NUNO MELO ALVES DESVIOS SEM NEXO

 

Não é habitual que os militares tomem qualquer posição política ou sobre as políticas nacionais. Talvez a única exceção sejam aquelas políticas que lhes dizem respeito diretamente, como sobre o serviço militar, orçamentos das forças armadas, etc. De resto, é assim por uma questão de equilíbrio democrático, mas sobretudo porque as forças armadas são um dos pilares do Estado e são o garante do Estado contra agressões exteriores. Por serem e para serem uma parte do Estado não podem ser politicamente parciais. O Estado é de todos, de todas as tendências e acima de qualquer inclinação política. E é com o Estado que os militares estão comprometidos: com a Constituição, com as instituições e com os cidadãos e não com uma ou outra fação política.

É por essas razões que foi com algum espanto que li a notícia que fontes militares da Base Aérea n.º 4 alertaram um jornal açoriano para a passagem sucessiva de voos de Estado para os aeroportos de Ponta Delgada e Santa Maria, quando entendem que esse papel deveria ficar para as Lajes. A localização do Representante do Presidente da República na Ilha, e a presença militar portuguesa na Base Aérea, permitem que, além das honras militares aos dignatários estrangeiros, a representação da soberania portuguesa esteja bem acautelada.

As fontes militares não percebem a opção de enviar os voos de Estado para aquelas duas ilhas, criticando que, e passo a citar “a Base das Lajes continua ‘às moscas’”, e alertando que este assunto não pode nem deve ser desvalorizado e, ainda, revelam estupefação por as forças vivas da Terceira não se manifestarem contra esta situação.
De facto, tudo isto é estranho e não há qualquer lógica nos voos de Estado serem desviados para outros aeroportos que não a Base Aérea n.º 4. A certificação civil do aeroporto das Lajes não pode ser desculpa apara o desvio de voos de Estado, por três razões. Primeiro, a função militar do aeroporto, e de soberania portuguesa neste espaço, não se perde com a certificação civil. Segundo, a certificação civil não parece nem estar completa nem tão pouco a produzir resultados práticos ou palpáveis, ao nível das escalas técnicas e da aviação civil. Terceiro, os dois aeroportos para onde os voos estão a ser desviados são exclusivamente civis.

Pode-se sempre especular que a posição de fontes militares da Base Aérea seja uma disputa entre armas, concretamente motivada por a Força Aérea não querer perder a importância e peso nos Açores face aos outros ramos, mas sinceramente, parece-me que reduzir este assunto a uma quezila de casernas é absurdo. É que os desvios dos voos existem, sem que se percebam ou perspetivem razões objetivas para tal, ao nível das condições de segurança bélica ou de segurança aeronáutica.

Tudo indica que se tratam de opções políticas e como tal, têm que ser resolvidas no plano político. E é por aqui que as declarações e denúncias das fontes militares nos devem incomodar. Quer dizer que, sobretudo, os órgãos políticos da Terceira e dos Açores estão em falta ou a falhar, na procura de soluções para ocupar e dar uso à maior e melhor instalação aeroportuária dos Açores e na medida em que ainda desviam as poucas escalas que poderiam passar nas Lajes, para outros destinos.

O problema é de tal forma relevante e importante que, até os militares, cuja neutralidade interna tem que ser sempre preservada e salvaguardada (a única exceção foi o papel que tiveram inicio da democracia com o 25 de Abril), deram a conhecer as suas preocupações.

O Governo Regional dos Açores e as Câmaras da Terceira, bem como as forças vivas daquela Ilha, não podem deixar cair em saco roto as denúncias dos militares, que se dispuseram a expor-se numa situação de cariz político. Isso, por si só, já revela bem a urgência da situação.

12/11/2019
Nuno Melo Alves

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Paulo Casaca

A SEDUÇÃO EM REDE

Paulo Casaca

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PAULO CASACA A SEDUÇÃO EM REDE

 

Uma das minhas mais antigas memórias de infância é a de ouvir o noticiário radiofónico da ‘Emissora Nacional’ que começava com o apontamento ‘Rádio Moscovo não fala verdade’, apontamento que teve em mim o único efeito de tentar desesperadamente escutar a tal Rádio Moscovo assim demonizada mas por isso mesmo alvo Da minha incontida curiosidade.

Outros tempos, outras tecnologias, mas, a crer no que leio na imprensa, as mesmas obsessões por parte dos participantes num encontro anual denominado de ‘web summit’ a decorrer em Lisboa que descobriram num dissidente americano exilado em Moscovo o último grito da comunicação.

E assim está o nosso mundo de comunicação instantânea e sem fronteiras cansado do que tem e fantasiando sobre o que está para além do seu entendimento. Que Moscovo seja, na esteia de Teerão, uma das principais capitais mundiais da desinformação; que utiliza o espaço comunicacional para promover o enredo, o engano ou a efabulação, são detalhes que pouco interessam à nossa opinião pública.

A última vez que um presidente norte-americano resolveu utilizar a mão pesada para pôr na ordem os serviços secretos do país, saneando centenas de operacionais envolvidos em obscuras operações de desestabilização na América Latina – e já lá vão mais de quatro décadas – foi alvo de uma operação de demolição que o levou à humilhação eleitoral.

De lá para cá, as coisas não parecem ter melhorado, com um dos inquilinos da Casa Branca alegadamente a dispensar a sua vigilância e o presente a ser alvo de um processo de destituição por denúncia vinda desses mesmos serviços que também ele tentou domesticar, embora sem saneamentos em massa.

Dar a um contratado externo aos serviços secretos acesso a informação vital é sintoma de amadorismo em organismos que cada vez mais parecem apenas eficazes a pôr em causa aqueles que eles supostamente protegem mas que são incapazes de informar sobre os planos nucleares do Irão ou da Coreia do Norte, entender a revolta árabe contra o imperialismo teocrático ou estabelecer a estratégia para enfrentar o Grande Irmão.

Para além das desventuras das relações do poder político com os serviços secretos que este fascínio pela informação vinda de Moscovo simboliza, creio que estamos mais uma vez perante um sintoma do niilismo que nos submerge e a que tenho dado alguma atenção.

Do cansaço com o Natal ou com as normas de vestuário passámos agora à fatiga com a verdade, a ciência e a descoberta; uma mais perigosa fase de fascínio. Receio mesmo que estejamos perante uma lógica semelhante à de um filme de terror que tanto mais nos seduz quanto mais nos aterroriza.

Resta-nos esperar que se trate apenas de um mau sonho e que algum bom senso volte com o despertar.

Bruxelas, 2019-11-06
Paulo Casaca

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